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Como é feito o diagnóstico de fibromialgia? Confira!

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A fibromialgia ainda é uma condição cercada de questões. Além de altamente incapacitante, é normal que pacientes tenham dúvidas sobre os sintomas, causas, tratamentos ou mesmo de que forma é feito o diagnóstico de fibromialgia. Tudo isso pode atrapalhar no manejo da condição, caracterizada sobretudo pelas dores crônicas, capazes de comprometer a qualidade de vida de forma significativa.

Logo, conhecer um pouco mais sobre a doença e entender de que forma o processo de diagnóstico é conduzido encoraja pessoas que sofrem com determinados tipos de dor crônica a procurar ajuda para confirmar ou excluir essa hipótese e receber tratamento adequado.

Por isso, acompanhe o que você precisa saber sobre os critérios incluídos em um quadro de fibromialgia, sintomas, tratamentos e muito mais!

Afinal, o que é a fibromialgia? Quais os sintomas?

A fibromialgia é uma síndrome (de forma menos comum, ela é citada como síndrome fibromiálgica). Isso significa que ela é caracterizada por um conjunto de sintomas que compõem um quadro.1

Quem sofre com o problema (ou conhece alguém que sofre) já sabe que a fibromialgia é reconhecida principalmente pela presença de dor crônica musculoesquelética, difusa.1 Inclusive, por muito tempo, a fibromialgia era chamada de reumatismo muscular.2

Quantas pessoas sofrem com o problema?

A fibromialgia atinge com maior frequência as mulheres. Entre mulheres de 20 a 55 anos, a fibromialgia costuma ser o diagnóstico principal para quadros de dor musculoesquelética generalizada.1

De acordo com o local do mundo, o problema pode atingir diferentes percentuais da população. Estudos na América do Sul e na Europa apontam para uma prevalência entre 3,3 e 8,3% da população sofrendo com a condição.1

O que causa a fibromialgia?

Embora alguns pontos precisam ser investigados e explicados de forma mais detalhada pelos pesquisadores, acredita-se que a fibromialgia seja causada por alterações no cérebro, em especial nas áreas responsáveis pelo processamento da dor.1

Isso explicaria a presença dos quadros de dor, mesmo que eles não estejam acompanhados de nenhum sintoma inflamatório.3 Isso fez, inclusive, com que por muito tempo se duvidasse da existência do conjunto de sintomas que compõe os quadros de fibromialgia4.

A partir disso, os pacientes se tornam hipersensíveis a manifestações dolorosas. No longo prazo, tal constância aumentaria a vigilância em torno de futuros novos quadros de dor, desencadeando os prejuízos à saúde mental que compõem os sintomas da fibromialgia.1

Do ponto de vista cerebral, é esperado que pacientes com fibromialgia apresentem disfunções em uma série de neurotransmissores, incluindo desregulação na dopamina, baixos níveis de serotonina e norepinefrina em determinadas áreas do sistema nervoso e altas concentrações de neurotransmissores excitatórios, como o glutamato e a chama substância P.1

Alguns estudos indicam que a fibromialgia está associada a quadros prévios de infecção por determinados vírus5,6 ou bactérias6, bem como de determinadas doenças reumatológicas2. Seja como for, muitas dúvidas ainda permanecem sobre o que desencadearia as manifestações da fibromialgia, em especial devido a sua interação complexa da dor crônica e outros sintomas.2

Isso não significa, claro, que a doença não seja incapacitante. A combinação de depressão e dor crônica, bem como dos demais sintomas que podem compor o quadro, tende a refletir de maneira significativa na qualidade de vida de quem sofre com o problema.1

Como é feito o diagnóstico de fibromialgia?

Em um primeiro momento, é fundamental reforçar que não existe exame laboratorial ou de imagem capaz de confirmar o diagnóstico de fibromialgia.1

Embora esses recursos possam ser utilizados para descartar outras hipóteses que explicam a combinação de sintomas, o médico só será capaz de confirmar o quadro por meio de uma avaliação clínica.1 Com isso, não é raro que o diagnóstico demore para ser concluído, e o paciente passe por vários profissionais até que um deles seja capaz de identificar o problema.

Uma ferramenta importante para o diagnóstico da fibromialgia são as diretrizes do Colégio Norte-Americano de Reumatologia (American College of Rheumatology ou apenas ACR). Os parâmetros propostos pelo órgão foram desenhados para incluir pacientes em estudos científicos.7

Porém, no contexto clínico, o uso das diretrizes do ACR enfrenta obstáculos. Eles vão desde o fato de os critérios clínicos, por muito tempo, darem pouco valor a sintomas como fadiga e déficits cognitivos, bem como a falta de treinamento dos profissionais para uso adequado dos parâmetros.7 Com isso, muitas falhas no diagnóstico são percebidas, fazendo com que, em muitos casos, ele seja conduzido apenas a partir das queixas dos pacientes.7

Que critérios são levados em conta para o diagnóstico?

Como é feito o diagnóstico de fibromialgia? Confira!

Os critérios das diretrizes das primeiras diretrizes do ACR publicadas em 1990 tomavam como base as manifestações de dores articulares e não articulares relatadas pelo paciente e a avaliação de 18 pontos ao longo do corpo.7 Para confirmar o diagnóstico, o paciente teria que apresentar dor em ao menos 11 desses pontos espalhados pelo corpo.7

Apesar disso, ao longo do tempo, essa orientação sobre a avaliação e a contagem de pontos dolorosos se mostrou complexa, o que fez com que, em muitos casos, ela fosse deixada de lado.7 No mais, para o diagnóstico de fibromialgia, a presença do sintoma deveria se prolongar por, pelo menos, 3 meses.2

Atualização das diretrizes do ACR para diagnóstico de fibromialgia

Em 2010, o ACR propôs uma atualização das diretrizes de diagnóstico para fibromialgia. A partir disso, a dor musculoesquelética generalizada deixou de ser o único parâmetro avaliado para composição do quadro diagnóstico.7

Tal atualização teve como objetivo incluir a avaliação de sintomas que antes não eram considerados e ampliar a variedade de possibilidades de diagnóstico. Uma crítica ao modelo de 1990, era que ele mantinha um quadro muito restrito do que era a fibromialgia, fazendo com que variações nas manifestações do problema excluíssem o diagnóstico — prejudicando muitos pacientes.1

A partir disso, foram incluídos alguns critérios preliminares na avaliação. Assim, o paciente deveria relatar seus episódios de dor considerando o Índice de Dor Generalizado (ou Widespread Pain Index, em inglês) que varia entre 0 e 19 a partir da dor em diferentes pontos do corpo na semana anterior; e a Escala de Gravidade de Sintomas (ou Symptoms Severity Scale, em inglês).7

Para confirmar o diagnóstico conforme esses critérios, o paciente precisa:7

  • alcançar uma escala de dor generalizada igual ou maior a 7 e escala de gravidade de sintomas maior ou igual a 5;
  • ou alcançar uma escala de dor generalizada entre 4 e 6 e um grau de severidade dos sintomas maior que 9.

O protocolo de diagnóstico do ACR passou por novas pequenas atualizações em 2011 e 2016. A partir de 2011, os critérios sintomáticos gerais da escala de severidade dos sintomas, que não incluem a dor, puderam ser substituídos pela contagem de sintomas específicos (dor de cabeça, desconforto abdominal e sintomas depressivos), simplificando a avaliação.7

Já em 2016, a mudança proposta buscou agrupar os pontos de dor em 5 regiões específicas do corpo. Assim, o paciente se enquadraria nos critérios diagnósticos se apresentasse dor persistente em 4 das 5 regiões.7

Independentemente dos critérios adotados na avaliação clínica, o médico deve sempre considerar outras hipóteses antes de confirmar ou excluir a possibilidade de um quadro de fibromialgia.

Em muitos casos, os sintomas da doença são similares àqueles presentes em uma série de outros distúrbios de natureza reumatológica, emocional ou hormonal. Por isso, é importante considerar eventuais achados nos exames laboratoriais solicitados que colaboram para a avaliação de outras possibilidades.1

Fibromialgia tem cura?

Um quadro de fibromialgia tende a ser crônico.1 Ou seja, é provável que a pessoa com a condição precise conviver com o quadro ao longo de toda a vida, com episódios de reincidência em intervalos frequentes.1

Porém, com a abordagem correta, os sintomas podem reduzir bastante, permitindo que a pessoa com o problema mantenha uma qualidade de vida satisfatória. Nesse sentido, é importante combater situações que gerem estresse e ainda identificar de forma adequada eventuais transtornos de humor sobrepostos a esse quadro inicial.4

Assim, mesmo que não seja possível falar em uma cura para a fibromialgia, é possível reduzir os episódios de dor e aumentar o intervalo entre a reincidência dos mesmos.4

É por isso que campanhas de conscientização sobre o impacto da fibromialgia são valiosas para reforçar o quanto tal doença pode comprometer a capacidade de manter uma vida saudável e produtiva. No Brasil, desde 2021, o 12 de maio é reservado para a celebração do Dia Nacional de Conscientização e Enfrentamento da Fibromialgia.8

Como funciona o tratamento de fibromialgia?

Em um primeiro momento, é fundamental que o paciente com fibromialgia passe por um processo de educação sobre sua condição. Em tal dinâmica, é fundamental que ele seja sempre lembrado de que a fibromialgia é uma doença real e não apenas uma fraqueza dele, o que pode ser comum devido ao estigma e ao desconhecimento em torno do problema.1

Além disso, a pessoa com tal doença deve ser lembrada de como o estresse e outros distúrbios emocionais podem agravar os sintomas, encorajando a adoção de técnicas de relaxamento e o fortalecimento de outros hábitos saudáveis —como manutenção de rotinas de higiene do sono, alimentação equilibrada e uma rotina regular de exercícios físicos aeróbicos.1 Assim, é possível identificar gatilhos que disparam ou pioram a condição.

Em paralelo, algumas medicações podem ser prescritas para complementar os benefícios das intervenções não farmacológicas mencionadas. Ainda assim, nem todos os pacientes vão precisar das medicações, já que muitas podem responder positivamente apenas com alterações envolvendo o controle de estresse e a prática de exercícios físicos.1

Os inibidores de serotonina e nerodrenalina (IRS e IRSN) são usados em casos em que há intolerância ou uma resposta inadequada aos tricíclicos.1 Em complemento, alguns pacientes podem se beneficiar da ingestão de anticonvulsivantes ou sedativos, em especial para melhorar a qualidade do sono, uma queixa constante entre portadores de fibromialgia.1

Toda prescrição, claro, deve levar em conta a relação risco/benefício, conforme avaliação do médico e do paciente. Adicionalmente, analgésicos podem ser utilizados de forma pontual.2

Outras medidas que podem surtir efeitos positivos são intervenções como psicoterapia (de preferência com abordagem cognitivo comportamental) e medidas de saúde integrativa, como yoga9, tai chi e meditação.1

Em geral, essas estratégias complementares permitem que o paciente seja capaz de lidar melhor com a dor, oferecendo alívio aos sintomas. No mais, toda a abordagem deve reforçar o caráter multidisciplinar da condição, incluindo todos os profissionais necessários para que o tratamento seja desenhado de forma individualizada, conforme os sintomas apresentados.1

Quais os riscos de um tratamento inadequado?

Sem o tratamento adequado, pacientes com fibromialgia estão mais suscetíveis a desenvolver algumas complicações.1

Entre uma das mais conhecidas estão a acentuação da chamada “neblina mental”, relatada por muitos portadores de fibromialgia, provavelmente causada pelo declínio das funções cognitivas ao longo do tempo.1 Por fim, em média, quem tem fibromialgia tem mais risco de passar por hospitalizações por qualquer motivo do que a população em geral.1

O diagnóstico de fibromialgia não é simples. É necessário realizar uma avaliação completa, de modo que a condição não seja confundida com outros problemas ou mesmo ignorada. Isso poderia agravar a condição de saúde e atrasar a introdução de medidas para reduzir os desconfortos gerados pelo problema.2

Assim, conhecer o caminho para obter o diagnóstico de fibromialgia, bem como diferentes formas de tratamento e manejo da condição vão garantir melhor qualidade de vida e bem-estar a quem sofre com as dores.

A Libbs Farmacêutica está sempre ao lado das pessoas para garantir que elas alcancem uma vida plena. Por isso, mantenha-se sempre em contato conosco por meio dos nossos canais para trilhar essa jornada em busca de maior qualidade de vida.

Referências

1. Bhargava J, Hurley JA. Fibromyalgia. 2022 Oct 10.

2. Trevisan M, Atavila FP, Machado HAS, Aota KG, Soares DA. Diagnosis and treatment of fibromyalgia: an integrative review. Brazilian Journal of Development. 2022, 8(9): 62404-62423.

3. Sociedade Brasileira de Reumatologia. O que é fibromialgia? [internet]. [acesso em Maio/2023]. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/fibromialgia-e-doencas-articulares-inflamatorias/#:~:text=A%20fibromialgia%20(FM)%20%C3%A9%20uma,restaura%20a%20pessoa)%20e%20cansa%C3%A7o.

4. Sociedade Brasileira de Reumatologia. Fibromialgia [internet]. [acesso em Maio/2023]. Disponível em: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/SiteAssets/documentos/noticias/CartilhaSBR-Fibromialgia.pdf

5. Ribeiro LS and Proietti FA. Fibromyalgia and infectious stress: possible associations between fibromyalgia syndrome and chronic viral infections. Rev Bras Reumatol. 2005, 45(1): 20-9.

6. Costa SRMR. Fibromialgia: aspectos etiopatogênicos e papel do vírus da hepatite C. Ci. méd. biol. 2003, 2(2): 240-250.

7. Heymann RE, Paiva ES, Martinez JE, et al. Novas diretrizes para o diagnóstico da fibromialgia. Rev Bras Reumatol. 2017; 57(S2):S467–S476.

8. Sociedade Brasileira de Reumatologia. 12 de maio é o Dia Nacional de Conscientização à Fibromialgia [internet]. [acesso em Maio/2023]. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/noticias/12-de-maio-e-o-dia-nacional-de-conscientizacao-a-fibromialgia/

Data de elaboração: 13 de fevereiro de 2023