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Publicado em: 24 de abril de 2026
Apesar de ser reconhecida pela dor de cabeça forte e recorrente, a enxaqueca é uma doença neurológica complexa. Isso significa, entre outros fatores, que a condição não se limita à dor, podendo causar uma série de sintomas antes, durante e depois da crise¹.
“A dor de cabeça pode ser o sinal mais conhecido da enxaqueca, mas raramente ela vem sozinha. Muitas pessoas com enxaqueca sentem outros desconfortos que nem sempre são reconhecidos como parte da doença”, explica o neurologista Dr. Luiz Betting (CRM-SP 94965; RQE 25938).
Atualmente, cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo convivem com enxaqueca, e a doença está entre as principais causas de incapacidade em pessoas com menos de 50 anos¹, o que significa que os sintomas “podem afetar o trabalho, os estudos, a vida social e a qualidade de vida como um todo”, informa o médico.
Em muitos casos, os sinais começam antes da dor de cabeça aparecer¹.Alterações de humor, irritabilidade, dificuldade de concentração, vontade repentina de comer certos alimentos, bocejos frequentes, sensibilidade maior à luz, sons ou cheiros e sensação de rigidez no pescoço são alguns dos sintomas que podem surgir antes, durante e depois das crises de enxaqueca¹.
Além desses, algumas pessoas também podem sentir mudanças na visão e em outros sentidos. Quando isso acontece, pode ser que a pessoa tenha o que é conhecido como enxaqueca com aura, um tipo da condição que traz ainda mais impacto na qualidade de vida2.
A enxaqueca com aura é um tipo de enxaqueca em que a dor de cabeça pode ser acompanhada ou precedida por alterações neurológicas temporárias, chamadas de aura, e acontecem em cerca de 30% das pessoas que têm enxaqueca².
Para quem convive com a condição, o sintoma mais comum é a alteração visual, mas não se limita a isso. A aura pode estar relacionada com mudanças de sensibilidade, como formigamento ou dormência, dificuldade para falar, alterações motoras e sintomas relacionados ao tronco cerebral, como tonturas².
Esses sinais costumam ser temporários e, na maioria das vezes, surgem antes da dor de cabeça. Ainda assim, a dor pode começar durante a aura ou, em alguns casos, a dor pode também vir antes da aura².
Há também situações em que a pessoa apresenta aura sem que a dor de cabeça se manifeste, o que pode gerar dúvidas sobre o diagnóstico².
Segundo o neurologista, avaliar a presença ou não de aura em pacientes com enxaqueca é fundamental, especialmente quando os sintomas aparecem pela primeira vez ou mudam de padrão. “Os sintomas podem ser confundidos com os de outras condições neurológicas que surgem de forma súbita, o que exige atenção e orientação médica adequada.”
Dos sintomas da enxaqueca com aura, as alterações visuais são as mais frequentes e afetam mais de 90% das pessoas com esse tipo da condição. Eles podem aparecer como pontos brilhantes, linhas em zigue-zague, manchas luminosas ou áreas da visão que ficam embaçadas ou “apagadas”. Alguns desses padrões visuais são chamados de espectros².
Em seguida, as alterações sensoriais estão entre as mais relatadas, presentes em cerca de 30% dos casos. Geralmente surgem como formigamento ou dormência em um lado do corpo, mais comumente no rosto ou no braço. Essas sensações tendem a se espalhar aos poucos pelo corpo².
Alterações na fala ou na linguagem também são sinais possíveis. A pessoa pode ter dificuldade para encontrar palavras, falar de forma travada ou trocar palavras sem perceber. Em alguns casos, também há dificuldade para articular os sons corretamente².
Há ainda sinais menos comuns. Em algumas pessoas, a aura pode incluir fraqueza muscular, quadro conhecido como enxaqueca hemiplégica².
Saber se os sintomas indicam enxaqueca com aura depende, principalmente, de uma descrição detalhada do que a pessoa sente durante as crises, bem como do exame clínico.3 O médico avalia quanto tempo a aura dura, como os sintomas começam e evoluem, se surgem de forma gradual, o tipo de alteração percebida e a relação desses sintomas com a dor de cabeça².
Essa avaliação é fundamental porque os sintomas da aura podem ser confundidos com outras condições neurológicas que também causam alterações temporárias, como acidente vascular cerebral, ataque isquêmico transitório, crises epilépticas, inflamações do sistema nervoso central e outras doenças². “Alterações visuais, sensoriais ou na fala são sintomas comuns para várias doenças que afetam o sistema neurológico. Por isso uma avaliação cuidadosa é indispensável”, reforça o Dr. Luiz.
Para quem convive com fatores de risco ligados à enxaqueca, o acompanhamento médico ganha maior grau de importância, diz o médico.Por exemplo, a enxaqueca tem um forte componente genético, o que significa que pessoas com familiares que convivem com a condição têm um risco cerca de três vezes maior de desenvolver enxaqueca ao longo da vida³. “Por isso, é recomendado para quem tem histórico familiar ficar atento ao surgimento de sintomas neurológicos e manter visitas regulares ao médico para o melhor tratamento, especialmente se a pessoa apresenta crises recorrentes ou sintomas diferentes do habitual”, orienta o neurologista.
Além da predisposição genética, diversos fatores podem desencadear as crises de enxaqueca³:
Outros fatores também podem aumentar o risco ou precipitar crises, como³:
De acordo com o Dr. Luiz, é importante procurar ajuda médica especialmente quando a enxaqueca, com ou sem aura, surge de forma inesperada, com dor muito intensa, ou quando há aumento na frequência ou na intensidade das crises ao longo do tempo.
“O surgimento de sintomas novos ou o aumento da intensidade da dor são as principais mudanças que indicam a necessidade de avaliação médica. Também é fundamental procurar atendimento em casos de fraqueza em um lado do corpo, dificuldade para falar ou perda de consciência, pois esses sinais podem indicar outras condições e exigem investigação mais urgente”, orienta o neurologista.
Finalmente, também é recomendável procurar um médico quando os sintomas da enxaqueca são frequentes ou passam a comprometer significativamente a qualidade de vida, interferindo nas atividades diárias, no trabalho ou nos relacionamentos.3 “Nessas situações, a avaliação profissional ajuda a esclarecer o diagnóstico e a definir o acompanhamento mais adequado”, finaliza o Dr. Luiz.
Conteúdo produzido em fevereiro/2026
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