Saúde da Mulher
Maternidade
Menopausa
Período Fértil
Dermatologia
Cuidados com a Pele
Saúde da Pele
Respiratória
Cuidados Respiratórios
Doenças Respiratórias
Cardiologia
Saúde do Coração
Saúde Mental
Transtornos Emocionais
Neurologia
Transtornos Neurológicos
Gastro
Saúde Intestinal
Oncologia
Câncer
Publicado em: 24 de abril de 2026
A enxaqueca é um distúrbio neurológico caracterizado por crises de dores de cabeça de forte intensidade. Segundo a Organização Mundial da Saúde, ela aparece entre as doenças mais incapacitantes do mundo¹.
Para o tratamento da condição, são recomendadas três abordagens principais: manejo do estilo de vida para evitar gatilhos, tratamento das crises agudas e tratamento preventivo¹.
Segundo explica o neurologista Dr. Luiz Betting (CRM-SP 94965; RQE 25938), a prevenção da enxaqueca envolve, principalmente, hábitos saudáveis, como uma rotina de sono, alimentar e atividade física regular. “Mas também é possível incluir medicamentos e suplementos que auxiliam na regulação neuroquímica”, diz.Entre os medicamentos utilizados na profilaxia da enxaqueca estão betabloqueadores, medicações anticrises epilépticas (também chamados popularmente de “anticonvulsionantes”) e antidepressivos, dentre outros.1
“Mas esses medicamentos não são isentos de efeitos colaterais e, para alguns pacientes, esses efeitos podem não compensar o uso para a prevenção”, afirma o médico. “Há também quem busque opções mais naturais e acessíveis para diminuir a intensidade e frequência das crises. É aí que entra a possibilidade de alguns suplementos.”
Estudos apontam o uso de vitaminas, minerais e alguns agentes de origem vegetal como opções para prevenção da enxaqueca.2 Entre os mais estudados estão o magnésio, a riboflavina, comumente conhecida como vitamina B2, a melatonina e a coenzima Q10.3
Para muitos pacientes, esses nutrientes são percebidos como uma forma mais leve de tratamento e podem ser atraentes pela ausência ou poucos efeitos colaterais.².
O magnésio é uma das opções estudadas para a prevenção de crises de enxaqueca. Segundo a Academia Americana de Neurologia, a suplementação oral desse nutriente apresenta evidência de eficácia nível B para esse fim.1 Essa categoria (nível B) indica que existem evidências científicas moderadas para a indicação, mas com algumas limitações.
Alguns pacientes podem passar, por exemplo, por efeitos adversos gastrointestinais, como desconforto abdominal e diarreia, especialmente quando utilizado em doses elevadas².
O magnésio auxilia mais de 300 reações bioquímicas do organismo e contribui para a manutenção das funções normais dos nervos e músculos¹. Parte do interesse pelo mineral na enxaqueca está relacionada ao seu papel em processos envolvidos na fisiopatologia da doença (alterações dos processos fisiológicos normais do corpo causados por uma doença ou condição médica), como a regulação do fluxo dos vasos sanguíneos e a secreção de serotonina².
Outro ponto central é a atuação do magnésio na produção de energia cerebral. Um dos mecanismos envolvidos na enxaqueca está relacionado com um déficit energético no cérebro a partir de uma disfunção de mitocôndrias, uma estrutura que produz energia para a célula, e estresse oxidativo. Este último caracteriza-se por um desequilíbrio entre a alta produção de radicais livres e a baixa capacidade antioxidante do organismo que pode causar dano celular³.
As mitocôndrias são responsáveis pela produção de energia por meio da síntese de trifosfato de adenosina (ATP)3 e o magnésio é necessário para o funcionamento adequado da enzima ATP-sintase, essencial para essa produção².
Além disso, o magnésio também apresenta efeitos analgésicos em diferentes tipos de dor e pode reduzir processos inflamatórios¹.
Com base nessas evidências, o magnésio é recomendado por algumas associações médicas para a prevenção da enxaqueca.4 Mesmo assim, o Dr. Luiz ressalta que a suplementação com magnésio não deve ser feita sem orientação médica especializada. “O excesso de magnésio pode trazer riscos, como efeitos colaterais gastrointestinais, e até casos de confusão mental, queda de pressão ou dificuldades respiratórias. Não é algo que possa ser tomado sem o devido acompanhamento”, alerta o neurologista.
Assim como o magnésio, diferentes estudos demonstraram a eficácia da vitamina B2 na prevenção da enxaqueca, classificada como tratamento de nível B segundo a Academia Americana de Neurologia³.
Sua associação com a condição se deve pelo seu papel na manutenção das mitocôndrias, em especial na sua participação na regulação do eixo que envolve a produção de energia mitocondrial e o estresse oxidativo, embora os detalhes desse processo ainda não sejam completamente compreendidos³
Além disso, a vitamina B2 pode atuar em reações antioxidantes e anti-inflamatórias associadas à disfunção mitocondrial, contribuindo para o equilíbrio da produção de energia e para a proteção do cérebro contra o estresse oxidativo³.
Segundo o Dr. Luiz, a vitamina B2 está entre uma das suplementações naturais mais seguras para a prevenção da enxaqueca, mas não está livre de riscos. “Por ser uma vitamina hidrossolúvel (dissolve-se facilmente em água e é eliminada pela urina), a intoxicação por excesso de vitamina B2 é incomum. Ainda assim, doses muito elevadas podem causar efeitos adversos, como alterações na coloração da urina, reações cutâneas e possíveis interações medicamentosas, reduzindo a eficácia de alguns remédios.”
A coenzima Q10, também conhecida como ubiquinona, é um composto semelhante a uma vitamina que pode ser sintetizado pelo organismo.2 Ela é necessária para processos celulares que envolvem produção de energia, atuando como transportadora de elétrons para a respiração celular que ocorre na mitocôndria.2-3
Com base nesses mecanismos, estudos indicam que a suplementação de coenzima Q10 em pessoas com enxaqueca pode contribuir para a prevenção das crises ou para a redução de sua intensidade². Ensaios clínicos randomizados e controlados sugerem que ela é eficaz e segura como um potencial agente complementar para o tratamento preventivo³.
Os efeitos mais consistentes observados nos estudos envolvem a redução da frequência das crises de enxaqueca. Outros ensaios clínicos também apontam benefícios na frequência e na duração das crises, sem registro de efeitos colaterais associados à suplementação³.
A melatonina é um composto produzido principalmente pela glândula pineal, localizada no centro do cérebro, e pelo trato gastrointestinal. Trata-se de uma substância com diversos efeitos sobre a biologia celular e humana, em sua maioria considerados positivos³.
Sua função fisiológica mais conhecida é a regulação do relógio circadiano central, mecanismo biológico que afeta o ciclo sono-vigília. Com relação à prevenção da enxaqueca, a melatonina apresenta múltiplos efeitos relacionados às mitocôndrias, incluindo ações diretamente associadas ao metabolismo energético³, “o que pode impactar nos mecanismos mitocondriais ligados à enxaqueca”, esclarece o neurologista.
Entretanto, estudos não apresentaram evidências de uma ligação direta entre as funções mitocondriais da melatonina e a enxaqueca. A relação mais direta da substância com a condição é seu papel na regulação do sono, já que os distúrbios do sono estão entre os gatilhos mais frequentes das dores de cabeça³.
Em ensaios clínicos e estudos observacionais, a melatonina demonstrou reduzir a frequência, a duração e a intensidade das crises de enxaqueca, com poucos ou nenhum efeito adverso relatado³.
O uso de suplementos para enxaqueca pode ser uma parte da estratégia preventiva, “especialmente em pessoas que buscam alternativas aos medicamentos tradicionais ou que apresentam intolerância a alguns tratamentos farmacológicos”, afirma o Dr. Luiz.
Ainda assim, ele alerta que a decisão de iniciar qualquer suplemento deve ser individualizada e não pode ser tomada sem uma orientação especializada.3 “A avaliação médica é fundamental para definir se o suplemento é indicado, qual substância pode trazer mais benefício e como ela pode ser combinada com outros tratamentos já em uso”, orienta o especialista.
Segundo ele, fatores como o tipo de enxaqueca, a frequência das crises, a condição geral de saúde do paciente e o uso concomitante de medicamentos devem sempre ser considerados antes de iniciar a suplementação.3
*Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
*As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs
Conteúdo produzido em fevereiro/2026
A enxaqueca é uma condição neurológica bastante comum. Segundo algumas estimativas, cerca de um bilhão...
Apesar de ser reconhecida pela dor de cabeça forte e recorrente, a enxaqueca é uma...
O que é cefaleia? O termo pode parecer técnico, mas nada mais é do que...
Misturar medicação anticrise epiléptica e álcool é uma combinação que pode trazer consequências sérias para...
Em março, mais especificamente no dia 26, o mundo se mobiliza em torno do Dia...
Todos os anos, no mês de março, pessoas ao redor do mundo são convidadas a...