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A leucemia, um tipo de câncer que atinge as células do sangue, parece estar se tornando mais frequente.

O Instituto Nacional do Câncer (INCA), do Ministério da Saúde, estima que serão mais de 12,2 mil casos até o final deste ano. Na comparação com os números do triênio 2023-2025, que apresentou média de 11,5 mil casos de leucemia ao ano, o aumento é de quase 6%.1

“É um câncer que está crescendo, principalmente entre os jovens”, afirma o médico hematologista e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Dr. Rony Schaffel (CRM-RJ: 5258314-1; RQE 45232). Daí a importância de entender melhor essa doença e, sobretudo, os avanços da medicina que vêm permitindo diagnósticos mais precoces e chances maiores de sucesso nos tratamentos.

O que é e o que causa leucemia?

A leucemia é um câncer que afeta o sangue. Em muitos casos, tem início nas células-tronco existentes na medula óssea, de onde se originam as células sanguíneas. A doença ocorre quando há alguma mutação nessas células tornando-as cancerígenas.²

“A mutação pode fazer com que as células sanguíneas não se desenvolvam corretamente, se multipliquem sem freio ou se tornem imortais, levando ao surgimento de tumores e afetando a produção e a função de células sanguíneas saudáveis”, explica o Dr. Rony.

O médico acrescenta que não se sabe exatamente o que causa a leucemia, mas existem fatores conhecidos que aumentam a chance de mutações nas células sanguíneas e, consequentemente, o desenvolvimento do câncer.

Causas da leucemia

A causa exata da leucemia não é conhecida, mas ela é influenciada por fatores genéticos e ambientais. As leucemias resultam de mutações no DNA, que podem ocorrer espontaneamente ou devido à exposição à radiação ou substâncias cancerígenas e são influenciadas por fatores genéticos.

O Ministério da Saúde inclui determinadas substâncias químicas com evidências de aumentar o risco de leucemias tais como trabalhadores na produção e aplicação de agrotóxicos; na produção de solventes, borrachas, resinas e plásticos; na indústria petroquímica; em radiologia; e em outras atividades. Nesses casos, a leucemia pode ser evitada com a adoção de medidas de prevenção adequadas.2

Em relação ao tabagismo, metais pesados e até benzeno podem ser encontrados nos cigarros e o fumo aumenta o risco de leucemias.³

Além disso, algumas síndromes também estão associadas a maiores riscos de leucemia, como a Síndrome de Down e a Síndrome mielodisplásica, um conjunto de distúrbios que afetam a medula óssea.³

Quais os diferentes tipos de leucemia?

Existem mais de 12 tipos de leucemias, sendo as mais importantes: leucemia mieloide aguda (LMA); leucemia mieloide crônica (LMC); leucemia linfoide aguda (LLA); e leucemia linfocítica crônica (LLC)4.

Eles são determinados a partir do tipo de célula sanguínea da qual se origina o câncer4. Por exemplo, os tipos mieloides afetam as células de mesmo nome, compostas por glóbulos vermelhos (hemácias), plaquetas e a maioria dos glóbulos brancos. Já os tipos linfoides atingem células essenciais do sistema imunológico que nascem na medula óssea e amadurecem em órgãos linfoides, como o timo, baço e gânglios3,4.

Já o que vai caracterizar se a doença é aguda ou crônica é a rapidez com que ela cresce. Os tipos crônicos se desenvolvem de forma mais lenta, enquanto os agudos agravam-se rapidamente3.

Leucemia tem cura?

A boa notícia é que todos os tipos de leucemia são tratáveis e, em grande parte das vezes, podem ser curados².

Porém, as chances de cura dependem do quão cedo o câncer é diagnosticado.² “Quanto mais no início, maiores são as chances de uma remissão total. Por isso o diagnóstico precoce é tão importante, principalmente nas leucemias agudas, em que a doença se desenvolve mais rápido, o que também aumenta a velocidade com que a doença se agrava e diminui as chances de cura”, informa o Dr. Rony.

Para o diagnóstico precoce, é preciso identificar o câncer cedo por meio dos sintomas característicos e exames, que irão determinar o tratamento mais adequado².

Quais são os sintomas característicos da leucemia?

Via de regra, os sintomas podem variar dependendo do tipo de leucemia. Mas os sintomas mais comuns entre todos são:2,3

  • Fadiga
  • Palpitação
  • Dor de cabeça
  • Fraqueza;
  • Palidez;
  • Sangramentos;
  • Manchas roxas no corpo;
  • Dores nas pernas;
  • Febre;
  • Gânglios aumentados;
  • Dor e aumento na região esquerda do corpo (baço).

Outra consequência pode ser a baixa imunidade. A redução dos glóbulos brancos saudáveis afeta o sistema imunológico, deixando o organismo mais sujeito a infecções muitas vezes graves ou recorrentes.³

Quais exames são necessários para o diagnóstico da Leucemia?

Diante da suspeita de um quadro de leucemia, o principal exame para a confirmação da leucemia é o hemograma. O exame revela alterações dos leucócitos e, em muitos casos, dos glóbulos vermelhos e plaquetas. Pode haver também leucócitos anormais, conhecidos como blastos. Caso o exame volte alterado, a confirmação diagnóstica é feita pelo mielograma, um exame em que se retira uma pequena quantidade de sangue de dentro da medula óssea.2,3

Em alguns casos, pode ser necessária a realização de uma biópsia da medula óssea. Nesse procedimento, um pequeno pedaço do osso da bacia é enviado para análise em laboratório³. “A biópsia é uma parte relevante do diagnóstico, não só para confirmar a presença de câncer, como para identificar o tipo da leucemia com clareza, algo que faz toda a diferença no tratamento”, complementa o Dr. Rony.

Tratamentos da leucemia: quais são indicados para cada tipo

O tratamento da leucemia é definido de acordo com o subtipo do câncer. Além disso, também são consideradas as características do paciente, como idade, presença de comorbidades e estado geral de saúde.2,3

Independentemente do tipo de tratamento, o objetivo é sempre destruir as células cancerígenas para que a medula óssea volte a produzir células saudáveis. Geralmente, o tratamento dura menos de um ano no caso das leucemias mieloides (LMA), podendo durar mais de dois anos nas linfoides (LLA).2,3

Nas leucemias agudas, o processo de tratamento envolve quimioterapia, controle das complicações infecciosas e hemorrágicas.2,3

Nas crônicas, o procedimento muda conforme os tipos de células que originam o câncer. Na LMC o tratamento indicado é um tipo de terapia-alvo, um tratamento moderno que ataca especificamente proteínas presente nas células cancerígenas, provocando poucos danos às células normais. Esse tipo de tratamento também ocasiona menos efeitos colaterais, aumento de sobrevida e manutenção da qualidade de vida aos pacientes.2,3

O transplante de medula óssea ainda é muito utilizado nas leucemias agudas, principalmente naquelas de alto risco genético ou com má resposta ao tratamento, sendo o principal procedimento para alcançar a cura para a leucemia. Esse transplante consiste na substituição de uma medula óssea doente ou deficitária por células normais, com o objetivo de reconstituir uma medula saudável.2-4

Qual o melhor tratamento para a leucemia?

A indicação do melhor tratamento para a leucemia pode variar de acordo com a situação individual de cada paciente, explica o Dr. Rony. “A única forma de determinar qual será o melhor caminho a seguir para o tratamento é durante a consulta com o seu médico hematologista.”

Segundo ele, além das condições médicas da doença, o tratamento também deve considerar as vontades e a rotina do paciente. “Todo tratamento oncológico traz efeitos colaterais que podem afetar a qualidade de vida do paciente e atrapalhar planos, rotinas e sonhos. Por isso, o médico também considera as vontades do paciente para indicar a melhor escolha que trate a doença e respeite limites e dignidade do paciente e sua família.”

Conteúdo elaborado em fevereiro/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Médico consultor: Dr. Rony Schaffel (CRM-RJ: 5258314-1; RQE 45232). Médico hematologista e onco-hematologista, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) há mais de 25 anos e chefe do Serviço de Hematologia do Hospital Universitário da UFRJ. É coordenador do núcleo de Transplante de Medula Óssea do HU-UFRJ, tendo realizado centenas de transplantes desde a década de 1990, e lidera o grupo brasileiro de estudos em linfoma do manto.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Brasil – estimativas de novos casos. Rio de Janeiro, atualizado em fevereiro de 2026. Acesso em fevereiro de 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/numeros/estimativa/estado-capital/por-estado-e-capital/brasil/brasil-consolidado
  2. Ministério da Saúde (BR). Leucemia: diagnóstico precoce é a melhor prevenção [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-com-ciencia/noticias/2025/fevereiro/leucemia-diagnostico-precoce-e-a-melhor-prevencao
  3. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Leucemia [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2022. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/leucemia
  4. Ministério da Saúde (BR). Fevereiro Laranja alerta para o combate à leucemia [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2022. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/fevereiro/fevereiro-laranja-alerta-para-o-combate-a-leucemia