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Você ou algum conhecido já teve algum caroço no pescoço? A condição é comum e nem sempre é motivo de preocupação. Na maioria das vezes, esse pode ser um sinal de infecções passageiras e desaparece em poucos dias. No entanto, também pode se tratar de linfonodo (também chamado, em linguagem popular, de íngua), isto é, um aumento do tamanho de um gânglio linfático. Além do pescoço, esse crescimento também pode ocorrer nas axilas ou na virilha¹. 

Quando esse aumento persiste, cresce progressivamente ou vem acompanhado de sintomas como febre, suor noturno, perda de peso sem explicação e cansaço intenso, é importante procurar avaliação médica.¹

Esses sinais podem estar associados ao linfoma, um tipo de câncer que afeta células do sistema de defesa do organismo e que, quando diagnosticado precocemente, apresenta maiores chances de tratamento bem-sucedido.¹

O que é linfoma?

O linfoma é um tipo de câncer que se desenvolve nos linfócitos, glóbulos brancos essenciais do sistema imunológico, responsáveis pela defesa do organismo contra infecções. Essas células fazem parte do sistema linfático, uma rede formada por vasos, linfonodos, baço, timo, amígdalas e outros tecidos que participam da resposta imunológica.¹

O sistema linfático funciona como uma rede de drenagem e defesa. Os vasos linfáticos transportam a linfa, um líquido que contém linfócitos e circula por todo o organismo. Ao longo desse trajeto estão distribuídos os linfonodos, conhecidos popularmente como gânglios, pequenas estruturas que funcionam como filtros, removendo microrganismos e restos celulares da circulação. Quando há uma infecção, esses gânglios costumam aumentar temporariamente de tamanho como parte da resposta imunológica.²

Quando um linfócito sofre alterações e passa a se multiplicar de forma descontrolada, surgem células malignas, que dão origem a tumores e são capazes de se disseminar para diferentes partes do corpo. Segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA), esse processo pode ocorrer em qualquer região do sistema linfático e, em alguns casos, atingir outros órgãos.¹

O sistema linfático funciona como uma rede de drenagem e defesa. Os vasos linfáticos transportam a linfa, um líquido que contém linfócitos e circula por todo o organismo. Ao longo desse trajeto estão distribuídos os linfonodos, conhecidos popularmente como gânglios, pequenas estruturas que funcionam como filtros, removendo microrganismos e restos celulares da circulação. Quando há uma infecção, esses gânglios costumam aumentar temporariamente de tamanho como parte da resposta imunológica.³

Linfoma e leucemia são cânceres diferentes?

Embora tanto o linfoma quanto a leucemia sejam cânceres que afetam células do sangue, eles têm origens diferentes. A leucemia se inicia na medula óssea, onde as células sanguíneas são produzidas. Já o linfoma surge no sistema linfático e costuma começar nos linfonodos ou em outros tecidos ricos em linfócitos.²

Também é importante saber que nem todo linfoma representa uma doença extremamente agressiva. Existem dezenas de subtipos, alguns de crescimento lento e outros de evolução rápida. Além disso, muitos casos apresentam altas taxas de resposta ao tratamento. O próprio INCA destaca que a maioria dos pacientes com linfoma de Hodgkin, um dos subtipos mais raros da doença, pode ser curada quando recebe tratamento adequado.¹

“O nome câncer costuma assustar, mas os linfomas são doenças bastante heterogêneas. Hoje existem tratamentos muito eficazes e diversos pacientes conseguem alcançar cura ou controle prolongado da doença, especialmente quando o diagnóstico acontece em fases iniciais”, afirma o oncologista Dr. Rony Schaffel (CRM-RJ 583.141).

Quais são os primeiros sintomas do linfoma?

Os primeiros sinais do linfoma podem variar conforme o tipo da doença e a região do corpo afetada. Em algumas pessoas, o primeiro sintoma é apenas o aparecimento de um ou mais gânglios aumentados, geralmente sem dor. Em outras, os sintomas gerais aparecem antes mesmo do  aumento dos linfonodos ser percebido¹.

Entre os sintomas iniciais mais frequentes estão: ¹˒²

  • Gânglios aumentados, principalmente no pescoço, axilas ou virilha
  • Febre persistente
  • Suor noturno intenso
  • Cansaço excessivo
  • Perda de peso sem causa aparente
  • Coceira no corpo

Nem todas as pessoas apresentam todos esses sintomas. Além disso, eles podem estar relacionados a diversas doenças benignas. Ainda assim, quando persistem por vários dias, se intensificam ou aparecem em conjunto, merecem investigação médica.²

Também é possível que o linfoma permaneça sem sintomas nas fases iniciais, principalmente quando acomete linfonodos localizados em estruturas internas. Nessas situações, as manifestações costumam aparecer apenas quando a doença cresce ou começa a comprimir estruturas próximas.¹

Onde o linfoma pode aparecer?

Embora o linfoma seja mais comumente associado ao aparecimento de um caroço no pescoço, a doença pode surgir em diferentes partes do corpo. Isso acontece porque o sistema linfático está distribuído por praticamente todo o organismo. Além dos linfonodos, ele inclui estruturas como baço, timo, amígdalas, medula óssea e uma extensa rede de vasos linfáticos.¹

Os locais mais frequentes são os gânglios do pescoço, das axilas e da virilha. Nessas regiões, o paciente costuma perceber um ou mais nódulos aumentados que permanecem por semanas e, na maioria dos casos, não provocam dor. Entretanto, nem sempre a doença se manifesta em áreas visíveis ou palpáveis.¹

Quando o linfoma se desenvolve em linfonodos localizados no tórax, por exemplo, ele pode causar tosse persistente, falta de ar, dor ou sensação de pressão no peito devido à compressão de estruturas próximas. Já quando acomete gânglios ou órgãos do abdome, podem surgir dor abdominal, sensação de estômago cheio, aumento do volume da barriga ou alterações do funcionamento intestinal.²

O baço também pode ser afetado. Nesses casos, o aumento do órgão pode provocar desconforto ou sensação de peso na parte superior esquerda do abdome. Alguns pacientes relatam saciedade precoce, sentindo-se satisfeitos após ingerir pequenas quantidades de alimento devido à compressão do estômago.²

Alguns tipos de linfoma também podem surgir diretamente em órgãos ou tecidos fora do sistema linfático, situação conhecida como linfoma extranodal. Entre os locais com essa possibilidade  estão o estômago, o intestino, a pele, o cérebro, os testículos, a tireoide e os ossos. Como consequência, os sintomas variam bastante e dependem da região afetada.²

Segundo o Dr. Rony, essa diversidade explica por que o linfoma pode ser confundido com outras doenças. “Um paciente com comprometimento do aparelho digestivo, por exemplo, pode apresentar apenas sintomas gastrointestinais. Já quem desenvolve a doença na pele pode notar manchas, placas ou nódulos cutâneos. Por isso, não existe um único padrão de manifestação clínica válido para todos os casos”, explica o médico.

Quais são os tipos de linfoma?

Os linfomas são divididos em dois grandes grupos: o linfoma de Hodgkin e os linfomas não Hodgkin. Essa classificação depende das características das células observadas durante a análise da biópsia e é fundamental para definir o tratamento mais adequado.¹˒³˒4

O linfoma de Hodgkin representa cerca de 10% dos casos e se caracteriza pela presença das chamadas células de Reed-Sternberg, identificadas na biópsia. Esse tipo de linfoma apresenta elevadas taxas de cura, especialmente quando diagnosticado precocemente e tratado de forma adequada.¹˒4

Já os linfomas não Hodgkin correspondem à maioria dos casos e reúnem dezenas de subtipos diferentes. A primeira subclassificação é de acordo com o tipo de célula que deu origem ao câncer, que pode ser linfócitos B ou linfócitos T, por exemplo. Eles também apresentam comportamentos bastante variados. Alguns crescem lentamente, podendo permanecer estáveis por longos períodos, enquanto outros apresentam evolução rápida e exigem início imediato do tratamento.³

Essa diversidade faz com que pessoas com o mesmo diagnóstico geral de linfoma possam receber tratamentos completamente diferentes. Além do subtipo, a definição da estratégia terapêutica depende também do estádio da doença, da idade do paciente, da presença de sintomas e das condições gerais de saúde.³

Embora existam diferenças biológicas importantes entre os tipos de linfoma, muitos dos sintomas iniciais são semelhantes. Gânglios aumentados, febre, suor noturno, perda de peso involuntária e fadiga podem ocorrer tanto no linfoma de Hodgkin quanto nos linfomas não Hodgkin. A confirmação do tipo depende obrigatoriamente da análise do tecido obtido por biópsia, sendo impossível estabelecer essa diferenciação apenas pelos sintomas ou por exames de imagem.¹˒³˒4

Nos últimos anos, o conhecimento sobre os diferentes subtipos permitiu o desenvolvimento de tratamentos cada vez mais direcionados. Além da quimioterapia convencional, alguns pacientes podem se beneficiar de imunoterapia, terapias-alvo e outras estratégias que aumentaram significativamente as chances de controle da doença em diversos cenários.˒³

“O diagnóstico de linfoma é apenas o primeiro passo. Depois dele, precisamos identificar exatamente qual subtipo está presente, porque essa informação determina o prognóstico e orienta toda a estratégia terapêutica”, afirma o Dr. Rony.

Quem tem maior risco de desenvolver linfoma?

O linfoma pode surgir em pessoas de qualquer idade, mas alguns fatores estão associados a um risco maior de desenvolvimento da doença. Isso não significa que essas condições provoquem o câncer, e sim que aumentam a probabilidade de seu aparecimento quando comparadas à população geral. A maioria dos casos ocorre sem uma causa única identificável e resulta da combinação de fatores genéticos, ambientais e relacionados ao sistema imunológico.¹˒³˒4

A idade é um dos fatores que mais influenciam esse risco. Os linfomas não Hodgkin tornam-se mais frequentes com o envelhecimento, principalmente após os 60 anos. Já o linfoma de Hodgkin apresenta um comportamento diferente, com maior incidência em adultos jovens, entre 20 e 39 anos, e um segundo pico em pessoas acima dos 60 anos.¹

Pessoas com o sistema imunológico enfraquecido também apresentam maior risco de desenvolver linfoma. Esse grupo inclui pacientes que vivem com HIV, transplantados que utilizam medicamentos imunossupressores e indivíduos com doenças que comprometem a imunidade. Nesses casos, a menor capacidade de vigilância do sistema imunológico facilita a multiplicação anormal dos linfócitos.³

Algumas infecções também estão associadas ao desenvolvimento de determinados subtipos de linfoma. Entre elas estão o vírus Epstein-Barr, conhecido por causar a mononucleose infecciosa, o vírus HTLV-1, o vírus da hepatite C, o HIV e a bactéria Helicobacter pylori, relacionada principalmente ao linfoma do tecido linfoide associado à mucosa do estômago. A presença desses agentes não significa que a pessoa desenvolverá a doença, mas representa um fator de risco reconhecido pela literatura científica.³

O histórico familiar pode exercer alguma influência, embora a maioria dos pacientes não tenha parentes com a doença. Ter um familiar de primeiro grau com linfoma aumenta discretamente o risco, mas esse fator, isoladamente, não justifica exames de rastreamento em pessoas sem sintomas.³

Outros fatores investigados incluem exposição prolongada a determinados produtos químicos, pesticidas e solventes, além de algumas doenças autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus eritematoso sistêmico e síndrome de Sjögren. Nessas situações, acredita-se que a estimulação contínua do sistema imunológico possa favorecer alterações nos linfócitos ao longo do tempo.³

Apesar da existência desses fatores de risco, é importante lembrar que muitas pessoas diagnosticadas com linfoma não apresentam nenhuma condição conhecida que explique o surgimento da doença. Da mesma forma, indivíduos com fatores de risco podem nunca desenvolver o câncer. Por isso, o mais importante é estar atento aos sintomas persistentes e procurar avaliação médica quando eles surgirem.¹

Como o linfoma é diagnosticado?

O diagnóstico do linfoma começa com uma avaliação clínica detalhada. O médico investiga o histórico de saúde, o tempo de evolução dos sintomas e realiza o exame físico, dando atenção especial aos gânglios linfáticos, ao baço e ao fígado. A partir dessas informações, pode ser necessária a solicitação de exames para confirmar ou descartar a doença.¹

Os exames de sangue fazem parte da investigação, mas não são capazes de confirmar o diagnóstico sozinhos. Eles ajudam a avaliar o estado geral do organismo, identificar alterações provocadas pela doença e orientar as próximas etapas da investigação. Resultados normais, portanto, não excluem a possibilidade de linfoma quando existem sinais clínicos sugestivos.¹

A confirmação do diagnóstico depende da realização de uma biópsia. O procedimento consiste na retirada total ou parcial do linfonodo ou do tecido suspeito para análise em laboratório. É essa avaliação que permite identificar se existe um linfoma e determinar exatamente qual é o subtipo da doença, informação indispensável para definir o tratamento mais adequado.¹

O Dr. Rony explica que após a confirmação do diagnóstico, exames de imagem são utilizados para determinar a extensão da doença. “Entre os mais empregados estão a tomografia computadorizada e o PET-CT”, informa o médico.

Segundo ele, esses exames permitem identificar quais regiões do organismo foram acometidas e ajudam no estadiamento, etapa que mostra o quanto a doença está disseminada. “Em alguns casos, também pode ser necessária a realização de biópsia da medula óssea para complementar a avaliação.”

O estadiamento é uma etapa fundamental porque influencia diretamente a escolha do tratamento e a estimativa de prognóstico. O sistema mais utilizado divide o linfoma em quatro estágios, considerando o número de regiões comprometidas e se a doença permanece restrita ao sistema linfático ou já atingiu outros órgãos. Mesmo pacientes com doença avançada podem apresentar boa resposta às terapias disponíveis¹

Quanto mais cedo o diagnóstico é realizado, maiores tendem a ser as chances de controlar a doença e obter melhores resultados terapêuticos¹. Por esse motivo, o oncologista reforça que gânglios aumentados persistentes, especialmente quando associados a febre, suor noturno, perda de peso involuntária ou fadiga intensa, não devem ser ignorados.

Gânglio aumentado sempre é câncer?

Encontrar um gânglio aumentado costuma gerar preocupação, mas, na maioria das vezes, essa alteração não está relacionada ao câncer. Os linfonodos fazem parte do sistema de defesa do organismo e aumentam de tamanho quando estão combatendo infecções causadas por vírus, bactérias ou outros agentes. Gripes, amigdalites, infecções dentárias e até pequenas lesões na pele podem provocar esse aumento temporário.¹

Em geral, os gânglios aumentados por infecções apresentam crescimento rápido, podem ser dolorosos ao toque e tendem a diminuir conforme o quadro infeccioso melhora. Já no linfoma, os linfonodos costumam crescer de forma lenta e progressiva, geralmente sem dor, permanecendo aumentados por semanas ou meses. Ainda assim, essas características isoladamente não permitem diferenciar uma condição benigna de um câncer.¹

Segundo a publicação Rede Câncer, do INCA, um gânglio que permanece aumentado por mais de 20 dias, continua crescendo ou aparece acompanhado de febre persistente, suor noturno, perda de peso sem explicação ou cansaço intenso merece avaliação médica.²

Durante a consulta, o médico considera diferentes aspectos antes de definir a necessidade de exames complementares. São avaliados o tempo de evolução, a localização, o tamanho, a consistência, a mobilidade do gânglio e a presença de outros sintomas. Quando existe suspeita de linfoma, a confirmação depende da realização de biópsia.¹

Como é o tratamento do linfoma?

O tratamento do linfoma depende de diversos fatores, incluindo o tipo da doença, o subtipo identificado na biópsia, o estádio em que ele se encontra, a idade do paciente e suas condições gerais de saúde. Por isso, duas pessoas com diagnóstico de linfoma podem receber terapias completamente diferentes. ¹˒³˒4

A quimioterapia continua sendo um dos principais tratamentos para muitos tipos de linfoma. Os medicamentos atuam destruindo células tumorais e podem ser utilizados isoladamente ou em combinação com outras estratégias terapêuticas. Em diversos casos, a associação entre diferentes medicamentos aumenta as chances de resposta ao tratamento.¹

Outra modalidade amplamente utilizada é a imunoterapia. Alguns medicamentos estimulam o próprio sistema imunológico a reconhecer e combater as células do câncer, enquanto outros atuam de forma direcionada contra proteínas presentes na superfície das células do linfoma. Dependendo do subtipo da doença, terapias-alvo também podem fazer parte do tratamento.⁴³

A radioterapia pode ser indicada em situações específicas, principalmente quando a doença está localizada em uma região restrita do organismo ou como complemento à quimioterapia. Em alguns pacientes com recaída ou doença resistente ao tratamento inicial, o transplante de células-tronco hematopoéticas também pode ser considerado.³

O prognóstico varia conforme o tipo de linfoma e o estágio da doença. A maioria dos pacientes com linfoma de Hodgkin pode ser curada com os tratamentos atualmente disponíveis. Mesmo nos linfomas não Hodgkin, os avanços terapêuticos ampliaram significativamente as possibilidades de controle prolongado e de cura em diversos subtipos.¹˒³˒4

Quando procurar um médico?

A recomendação é procurar atendimento médico sempre que um gânglio permanecer aumentado por mais de algumas semanas, cresça progressivamente de tamanho ou esteja acompanhado de outros sintomas sugestivos da doença.¹˒²

Os principais sinais que merecem investigação incluem: ¹˒²

  • Gânglio aumentado que persiste por mais de 20 dias.
  • Febre persistente sem causa aparente.
  • Suor noturno intenso.
  • Perda de peso involuntária.
  • Cansaço excessivo e prolongado.
  • Coceira persistente sem causa identificada.

De acordo com o Dr. Rony, na maioria das situações, a investigação pode ser iniciada por um clínico geral ou médico de família. “A partir do momento em que existe suspeita de linfoma, o paciente costuma ser encaminhado para avaliação com um hematologista ou oncologista, profissionais responsáveis pelo diagnóstico definitivo e pelo tratamento.²

Buscar atendimento logo após o aparecimento de sintomas persistentes não significa que exista um câncer, mas permite identificar precocemente diversas doenças que também exigem acompanhamento médico. Quando o diagnóstico de linfoma é confirmado nas fases iniciais, as possibilidades terapêuticas tendem a ser mais favoráveis.¹

“O erro mais comum é esperar que o caroço desapareça ‘naturalmente’, mesmo quando ele continua crescendo ou surgem novos sintomas. A persistência é um dos principais sinais de alerta e deve motivar a procura por avaliação médica”, orienta o Dr. Rony.

É possível prevenir o linfoma?

Até o momento, não existe uma forma comprovadamente eficaz de prevenir o linfoma, já que, na maioria dos casos, sua causa exata permanece desconhecida. Além disso, muitos pacientes diagnosticados não apresentam fatores de risco identificáveis.¹˒³

Apesar disso, algumas medidas podem contribuir para reduzir fatores associados ao desenvolvimento de determinados subtipos da doença. O tratamento adequado de infecções relacionadas ao surgimento de alguns linfomas, o controle de doenças que comprometem o sistema imunológico e o acompanhamento médico de pessoas com imunossupressão fazem parte dessas estratégias.³

A adoção de hábitos saudáveis também é recomendada para a manutenção da saúde geral, embora não existam evidências de que alimentação, atividade física ou exames de rotina sejam capazes de prevenir especificamente o linfoma ou detectá-lo precocemente em pessoas sem sintomas. Diferentemente de outros tipos de câncer, não há programas de rastreamento indicados para a população em geral.¹

Pessoas que apresentam fatores de risco conhecidos, como imunodeficiência ou determinadas doenças autoimunes, devem manter acompanhamento médico regular para monitorar sua condição clínica. Ainda assim, a principal forma de favorecer o diagnóstico precoce continua sendo a atenção aos sinais persistentes do organismo. ³

 

FAQ

O que é linfoma?

É um tipo de câncer que atinge os linfócitos, uma das células responsáveis pela defesa do organismo.

Quais são os primeiros sintomas do linfoma?

Os principais sinais são gânglios aumentados, febre persistente, suor noturno, cansaço excessivo e perda de peso sem causa aparente.

Como saber se tenho linfoma?

O diagnóstico depende de uma avaliação clínica detalhada e da realização obrigatória de uma biópsia do tecido suspeito.

Gânglio aumentado pode ser câncer?

Pode, mas na maioria das vezes os gânglios aumentam como uma resposta normal a infecções passageiras.

O linfoma dói?

Geralmente, os gânglios aumentados causados pelo linfoma não provocam dor.

Exame de sangue detecta linfoma?

O exame de sangue auxilia na avaliação geral, mas não é capaz de confirmar o diagnóstico sozinho, a não ser que os linfócitos doentes estejam na circulação sanguínea em grande quantidade.

O Linfoma tem cura?

Sim, muitos subtipos apresentam altas taxas de cura ou controle prolongado com o tratamento adequado.

Quando procurar um médico por causa de um caroço no pescoço?

Sempre que o caroço persistir por mais de 20 dias, crescer progressivamente ou vier acompanhado de sintomas como febre e suor noturno.

Conteúdo elaborado em julho/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Médico consultor: Dr. Rony Schaffel(CRM-RJ: 5258314-1; RQE 45232), médico hematologista e onco-hematologista, professor associado da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) há mais de 25 anos e chefe do Serviço de Hematologia do Hospital Universitário da UFRJ. Foi coordenador do núcleo de Transplante de Medula Óssea do HU-UFRJ, tendo realizado centenas de transplantes desde a década de 1990, e lidera o grupo brasileiro de estudos em linfoma do manto.

Referências

  1. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Linfoma de Hodgkin [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; [citado 2026 jul. 13]. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/linfoma-de-hodgkin
  2. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Rede Câncer nº 44. Diagnóstico precoce aumenta as chances de cura do linfoma [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; [citado 2026 jul. 13]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/publicacoes/revista-rede-cancer/rede-cancer-no-44
  3. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia. Linfoma não Hodgkin [Internet]. São Paulo: ABRALE; [citado 2026 jul. 14]. Disponível em: https://www.abrale.org.br/doencas/linfoma-nao-hodgkin/
  4. Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia. Linfoma de Hodgkin [Internet]. São Paulo: ABRALE; [citado 2026 jul. 14]. Disponível em: https://www.abrale.org.br/doencas/linfoma-de-hodgkin/