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A ideia de um exame capaz de identificar qualquer tipo de câncer de uma só vez é atraente, mas ainda não faz parte da realidade da medicina. Atualmente, não existe um teste único que detecte todos os tumores em pessoas sem sintomas.1

O que existe é o rastreamento de alguns tipos específicos de câncer, realizado apenas quando há evidências científicas de que essa estratégia pode reduzir a mortalidade ou aumentar as chances de tratamentos menos agressivos.2,3

Na prática, isso significa que o chamado “check-up do câncer” não é um pacote de exames igual para todos. A escolha dos testes depende das características de cada pessoa, como idade, sexo, histórico familiar, hábitos de vida e presença de fatores de risco conhecidos. É justamente essa avaliação individual que orienta o médico a indicar quais exames podem trazer benefícios e quais não são necessários.¹,

O rastreamento também não deve ser confundido com a investigação de sintomas.1 Enquanto os exames de rastreamento são realizados em pessoas aparentemente saudáveis para tentar identificar alterações antes do surgimento dos primeiros sinais da doença, a investigação diagnóstica é indicada quando já existem sintomas ou alterações clínicas que precisam ser esclarecidos.¹,²

Por esse motivo, fazer muitos exames preventivos por conta própria nem sempre representa mais proteção. Alguns testes podem identificar alterações que nunca evoluiriam para um câncer ou sugerir resultados falsos-positivos, levando a novas investigações, biópsias e até tratamentos desnecessários.1,4 Além do impacto emocional, esses procedimentos também podem trazer riscos físicos e aumentar os custos para o sistema de saúde.¹,²

Mãos segurando um laço e um estetoscópio sobre um fundo rosa, simbolizando a conscientização sobre o câncer e a importância do check-up de prevenção

 

Quem deve fazer exames de rastreamento de câncer?

Não há uma recomendação “geral” de rastreamento do câncer. A recomendação dos exames de rastreamento leva em consideração principalmente a idade e o risco individual de desenvolver a doença, já que esses fatores influenciam diretamente a relação entre benefícios e possíveis prejuízos dos exames.¹,²

Idade e sexo influenciam no rastreamento do câncer?

A idade é um dos critérios mais importantes porque a incidência da maioria dos cânceres aumenta ao longo da vida.1,4 Por isso, exames como mamografia, rastreamento do câncer do colo do útero e investigação do câncer colorretal costumam ser recomendados apenas a partir de determinadas faixas etárias para pessoas com risco habitual.⁵,

Outro aspecto considerado é o sexo, já que alguns tumores acometem órgãos específicos. Mulheres podem precisar realizar exames voltados ao rastreamento do câncer do colo do útero e do câncer de mama, enquanto homens podem ser orientados a discutir, em determinado momento da vida, a necessidade de investigação para câncer de próstata.⁵,,

Qual é o peso do histórico familiar no rastreamento do câncer?

O histórico familiar também complementa essa estratégia. Pessoas que tiveram parentes de primeiro grau diagnosticados com câncer de mama, ovário, intestino ou próstata em idade precoce podem iniciar a investigação antes da população geral.4

Em alguns casos, o médico pode indicar avaliação genética para identificar síndromes hereditárias associadas ao aumento do risco de câncer.⁴

Casos repetidos do mesmo tipo de câncer na família, principalmente quando diagnosticados em pessoas jovens, podem indicar predisposição hereditária. Nessas situações, alguns exames podem ser iniciados mais cedo ou realizados com maior frequência.⁴

Quais hábitos aumentam o risco de câncer?

O tabagismo é um fator que modifica a estratégia de prevenção. Além de ser o principal fator de risco evitável para câncer de pulmão, ele também aumenta a probabilidade de tumores na boca, laringe, esôfago, bexiga, rim, pâncreas e outros órgãos. Para pessoas que fumaram por muitos anos, o médico pode avaliar a indicação da tomografia computadorizada de baixa dose para rastreamento do câncer de pulmão.³

O excesso de peso e a falta de atividade física também influenciam o risco de diversos tipos de câncer, incluindo mama após a menopausa, intestino, endométrio, rim e fígado.1 Por isso, organizações internacionais e o próprio Instituto Nacional de Câncer (INCA) reforçam que alimentação equilibrada, prática regular de exercícios e manutenção do peso adequado fazem parte das estratégias de prevenção da doença ao longo de toda a vida.¹,³,

Outro grupo que merece acompanhamento diferenciado é o das pessoas portadoras de mutações genéticas hereditárias, como alterações nos genes BRCA1 e BRCA2 ou síndromes relacionadas ao câncer colorretal hereditário. Nesses casos, o plano de rastreamento costuma ser personalizado e pode incluir exames como a colonoscopia muitos anos antes das recomendações destinadas à população de risco habitual.4,7

De acordo com médico oncologista Dr. Paulo Roberto Paes e Silva Júnior (CRM-SP 179539; RQE 78495; RQE 78494), esses fatores ajudam a explicar por que duas pessoas da mesma idade podem receber recomendações completamente diferentes durante a consulta médica.

“Antes de definir quais exames indicar, é necessário entender o risco individual de cada paciente”, reforça o médico. “O objetivo do rastreamento personalizado não é fazer mais exames, e sim fazer os exames certos no momento certo. A medicina caminha cada vez mais para abandonar protocolos iguais para todos e considerar as características individuais de cada paciente”, explica o Dr. Paulo.

Médico de jaleco branco e estetoscópio no pescoço segura uma prancheta e usa caneta para anotar dados em uma ficha médica em um hospital

Mitos e verdades sobre check-up do câncer

Dr. Paulo afirma que “mesmo com o avanço das informações sobre prevenção, algumas crenças ainda geram confusão e podem levar tanto ao excesso quanto à falta de cuidados”. Por isso, ele acredita que “conhecer o que já foi comprovado pela ciência ajuda a tomar decisões mais seguras”.

Existe um exame único que detecta todos os cânceres?

Não. Até o momento, nenhum exame consegue identificar todos os tipos de câncer em pessoas sem sintomas. Cada método foi desenvolvido para investigar tumores específicos e apenas alguns cânceres possuem rastreamento comprovadamente eficaz.¹³

Quanto mais exames, melhor a prevenção? 

Não necessariamente. Exames realizados sem indicação podem gerar falsos positivos, sobrediagnóstico e procedimentos desnecessários. A melhor prevenção é aquela baseada em evidências científicas e adaptada ao perfil de risco de cada pessoa.¹,²,

Pessoas jovens não precisam se preocupar com câncer?

A maioria dos tipos de câncer é mais incidente em pessoas acima dos 50 anos, mas isso não significa que não existam casos de câncer em jovens.1 Alguns tumores podem surgir antes dessa idade e hábitos saudáveis adotados desde cedo ajudam a reduzir o risco ao longo da vida.³,

Exames normais eliminam totalmente o risco da doença?

Não. Um resultado normal reduz a probabilidade de determinados cânceres naquele momento, mas não impede que um tumor se desenvolva posteriormente. Por isso, sintomas persistentes sempre devem ser avaliados, mesmo quando o rastreamento estiver em dia.¹,²

Quem não tem histórico familiar está livre do câncer?

Também não. Muitos casos ocorrem em pessoas sem antecedentes familiares importantes. O envelhecimento, os fatores ambientais e o estilo de vida continuam sendo os principais determinantes para o desenvolvimento da maior parte dos tumores.1,3,9

Quais exames de câncer costumam ser recomendados entre os 20 e 39 anos?

Entre os 20 e os 39 anos, a maioria das pessoas apresenta baixo risco para os cânceres mais frequentes, fazendo com que o foco esteja na prevenção e na identificação precoce de sinais de alerta, e não na realização de diversos exames.¹,²

A principal exceção é o rastreamento do câncer do colo do útero. No Brasil, o INCA recomenda que mulheres entre 25 e 64 anos que já iniciaram a vida sexual realizem o exame de Papanicolau. Após dois exames anuais consecutivos com resultado normal, o intervalo passa a ser de três anos. O objetivo não é detectar apenas o câncer, mas identificar lesões precursoras que podem ser tratadas antes de evoluírem para a doença.¹,

A vacinação contra o HPV representa outro importante avanço na prevenção do câncer do colo do útero. Ainda assim, mulheres vacinadas devem realizar o Papanicolau quando atingirem a idade recomendada, já que a vacina não protege contra todos os tipos de HPV associados ao desenvolvimento do câncer.¹,

Em relação ao câncer de mama, o autoexame não substitui a mamografia nem é recomendado como método de rastreamento. Entretanto, conhecer o próprio corpo pode ajudar mulheres a perceber alterações persistentes, como nódulos, retrações da pele, mudanças no mamilo ou secreções espontâneas, que devem motivar avaliação médica independentemente da idade.¹,

Além disso, alguns sinais merecem investigação mesmo em pessoas jovens. Perda de peso sem causa aparente, sangramentos persistentes, nódulos que não desaparecem, alterações importantes no funcionamento do intestino, feridas que não cicatrizam e pintas que mudam de aspecto são exemplos de sintomas que não devem ser ignorados.¹,²

O Dr. Paulo salienta que “existe uma diferença importante entre rastrear e investigar. O rastreamento segue critérios de idade e risco. Já quando surgem sintomas persistentes, qualquer pessoa, independentemente da idade, precisa ser avaliada”. Ele esclarece que, “nessa situação, o objetivo deixa de ser prevenção e passa a ser esclarecer rapidamente a causa daquela alteração.”

Dois profissionais da saúde discutem uma imagem de raio-X em um tablet

Quais exames de câncer costumam ser recomendados a partir dos 40 anos?

A partir dos 40 anos, o risco de alguns tipos de câncer começa a aumentar e a conversa sobre rastreamento passa a fazer parte da rotina de muitas consultas médicas. Ainda assim, as recomendações continuam sendo individualizadas. A idade é apenas um dos fatores considerados. Histórico familiar, condições de saúde e outros fatores de risco podem antecipar ou modificar a estratégia de acompanhamento.¹,²

Para os homens, esse costuma ser o momento em que surgem dúvidas sobre o câncer de próstata. Muitas pessoas acreditam que, a partir de determinada idade, é necessário automaticamente fazer o exame de PSA (Antígeno Prostático Específico, uma proteína produzida na próstata e medida por um exame de sangue para detectar possíveis alterações na próstata). Na verdade, essa decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente. O profissional avalia fatores como expectativa de vida, histórico familiar e possíveis benefícios e limitações do rastreamento antes de indicar qualquer exame.¹,

Nessa mesma fase, também cresce a importância de manter hábitos saudáveis. A maior parte dos casos de câncer está relacionada ao envelhecimento, mas fatores como tabagismo, obesidade, sedentarismo, alimentação inadequada e consumo de bebidas alcoólicas continuam exercendo influência significativa sobre o risco de desenvolver a doença.³,

De acordo com o Dr. Paulo, o rastreamento do câncer colorretal “também pode se tornar mais comum para ambos os gêneros nessa faixa de idade”. Segundo ele, “a colonoscopia é o principal exame nesse sentido, permitindo identificar e remover pólipos (lesões na mucosa do intestino e reto) antes que eles se transformem em tumores malignos, interrompendo a evolução da doença ainda em sua fase inicial”.

Quais exames de câncer costumam ser recomendados a partir dos 50 anos?

A partir dos 50 anos, aumenta a incidência de vários tipos de câncer e alguns exames de rastreamento passam a trazer benefícios comprovados para pessoas com risco habitual. Ainda assim, a indicação deve respeitar as diretrizes brasileiras e a avaliação individual feita pelo médico.¹,²

Entre as mulheres, o câncer de mama ganha maior atenção nessa fase da vida. No Brasil, o Ministério da Saúde e o INCA recomendam a mamografia de rastreamento para mulheres de risco habitual entre 50 e 74 anos, a cada dois anos. Ele pode começar antes para mulheres com risco elevado, incluindo aquelas com histórico familiar importante ou mutações genéticas associadas ao câncer de mama.¹,

A mamografia é um dos exames mais importantes para mulheres nessa faixa etária. Quando indicada para mulheres com risco habitual, ela aumenta a probabilidade de detectar tumores pequenos, ampliando as possibilidades de tratamento e reduzindo a mortalidade pelo câncer de mama.¹,

Entre os homens, a discussão sobre o rastreamento do câncer de próstata ganha força.8 De acordo com o Dr. Paulo, “o rastreamento é recomendado em geral a partir dos 50 anos, e a partir dos 45 anos para pacientes com risco elevado”.

Dependendo do histórico clínico, outros exames de rastreamento também podem ser indicados, como a tomografia computadorizada de baixa dose para pessoas com alto risco de câncer de pulmão relacionado ao tabagismo prolongado. Essa estratégia é recomendada apenas para grupos específicos e não para a população em geral.⁴

Quais exames de câncer são recomendados após os 60 anos?

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, envelhecer não significa fazer um número cada vez maior de exames. Depois dos 60 anos, a decisão sobre manter ou interromper determinados exames de rastreamento passa a considerar também o estado geral de saúde, a presença de outras doenças e a expectativa de vida.¹,²

Isso acontece porque alguns exames deixam de oferecer benefícios quando a probabilidade de encontrar um câncer que realmente altere o prognóstico da pessoa se torna pequena. Nesses casos, os riscos relacionados a procedimentos invasivos, resultados falso-positivos e tratamentos desnecessários podem superar as vantagens do diagnóstico precoce.²,

“A prevenção também precisa respeitar o envelhecimento. O melhor exame nem sempre é aquele que detecta mais alterações, mas aquele que realmente contribui para aumentar a qualidade e a expectativa de vida do paciente”, explica o Dr. Paulo.

 Quando fazer a mamografia?

No Brasil, a recomendação oficial do INCA e do Ministério da Saúde é que mulheres de risco habitual realizem a mamografia entre 50 e 74 anos, com intervalo de dois anos em casos de exames sem alterações.¹,

Mulheres que apresentam histórico familiar importante, mutações genéticas ou outras condições associadas ao aumento do risco podem precisar iniciar o acompanhamento antes. Nesses casos, a estratégia deve ser definida pelo médico e pode incluir outros exames complementares, conforme cada situação clínica.¹,

Embora algumas mulheres relatem desconforto durante a realização da mamografia, a compressão das mamas dura apenas alguns segundos e é essencial para obter imagens de qualidade. Já o ultrassom não substitui a mamografia como método de rastreamento, sendo utilizado principalmente para complementar a investigação quando necessário.¹,

Quando fazer o exame de Papanicolau?

O exame de Papanicolau é considerado uma das medidas de prevenção mais eficazes contra o câncer do colo do útero porque identifica alterações nas células do colo uterino antes que elas evoluam para um tumor invasivo.¹,

No Brasil, ele é recomendado para mulheres de 25 a 64 anos que já iniciaram a vida sexual. Após dois exames anuais consecutivos com resultado normal, a coleta passa a ser realizada a cada três anos. Mesmo mulheres vacinadas contra o HPV devem manter esse acompanhamento quando atingirem a idade recomendada.¹,

Quando a colonoscopia deve ser feita?

A colonoscopia desempenha um papel diferente de muitos outros exames de rastreamento porque permite não apenas identificar o câncer, mas também remover pólipos considerados lesões precursoras. Com isso, ela pode impedir que a doença se desenvolva.¹,²,

O exame é realizado com sedação e costuma ser bem tolerado pela maioria dos pacientes. Em algumas situações, testes de sangue oculto nas fezes podem fazer parte da estratégia de rastreamento, mas a escolha depende do contexto clínico e da disponibilidade dos métodos.¹,²

PSA e câncer de próstata: quem realmente precisa fazer o exame?

O PSA é um exame importante para o diagnóstico do câncer de próstata. O Ministério da Saúde e o INCA recomendam a discussão individualizada entre médico e paciente, considerando riscos, benefícios e preferências individuais, a partir dos 50 anos ou aos 45 anos para homens negros ou com histórico familiar da doença.¹,

Outro ponto importante é que o PSA, sozinho, não consegue diagnosticar um câncer. Seus níveis podem aumentar por diferentes doenças benignas da próstata e, ao mesmo tempo, alguns tumores podem estar presentes mesmo quando o exame apresenta valores considerados normais. Por isso, seus resultados sempre precisam ser interpretados em conjunto com a avaliação clínica.¹,

O toque retal continua tendo papel complementar em determinadas situações porque pode identificar alterações que não provocam aumento do PSA. Homens com histórico familiar da doença ou outros fatores de risco geralmente iniciam essa avaliação mais cedo do que aqueles com risco habitual.¹,

Existem exames de rastreamento para outros tipos de câncer?

Não são todos os tipos de câncer que contam com protocolos de rastreamento bem delimitados. Um exemplo é o câncer de pulmão. A tomografia computadorizada de baixa dose pode auxiliar no diagnóstico precoce e costuma ser indicada para pessoas com histórico de tabagismo, mas não é um exame recomendado para indivíduos sem fatores de risco ou sintomas importantes.⁴

Também não há um conjunto de exames capaz de avaliar preventivamente todos os órgãos do corpo. A indicação de qualquer teste depende sempre das evidências científicas disponíveis e das características individuais de cada paciente.¹,²

 Exames de sangue detectam câncer?

Apesar da importância dos exames laboratoriais para diversas doenças, eles não funcionam como check-up para câncer. Alterações no hemograma, por exemplo, podem ocorrer em inúmeras condições benignas e não permitem confirmar nem excluir a presença de um tumor.¹,²

O Dr. Paulo reforça: “É comum as pessoas acreditarem que um exame de sangue consegue mostrar se existe câncer no organismo. Infelizmente isso não é verdade. Nenhum exame laboratorial isolado substitui o rastreamento indicado para cada tipo de tumor.”

Check-ups excessivos podem trazer riscos?

Fazer exames em excesso não é benéfico. Quando um teste é realizado sem indicação adequada, aumentam as chances de resultados falsos-positivos e de diagnósticos que talvez não fossem causar sintomas durante a vida da pessoa.¹,²,

Essas situações podem levar à realização de novas biópsias, cirurgias ou tratamentos desnecessários, além de provocar ansiedade e preocupação. Por isso, especialistas reforçam que o rastreamento deve ser baseado em evidências científicas e realizado apenas quando seus benefícios superam claramente os riscos.¹,²

Quais sinais e sintomas nunca devem ser ignorados?

Mesmo quem mantém os exames em dia deve procurar atendimento médico diante de sintomas persistentes. Perda de peso sem explicação, sangramentos anormais, nódulos, alterações importantes do funcionamento do intestino ou da bexiga, dificuldade para engolir, feridas que não cicatrizam, tosse persistente e mudanças em pintas ou manchas da pele são alguns exemplos que merecem investigação.¹,2

Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas indicam que o organismo precisa ser avaliado. Nessa situação, a prioridade deixa de ser o rastreamento e passa a ser o diagnóstico da causa dos sintomas.¹,²

Como montar um check-up de câncer personalizado?

Ao longo da vida, as recomendações de rastreamento mudam conforme a idade e o risco individual. Por isso, não existe um modelo único de check-up válido para todas as pessoas. O planejamento deve ser construído durante a consulta médica, considerando idade, sexo, histórico familiar, doenças prévias, hábitos de vida e outros fatores que influenciam a probabilidade de desenvolver câncer.¹,²,

Levar informações sobre familiares que tiveram câncer, incluindo o tipo da doença e a idade em que foi diagnosticada, pode ajudar o médico a identificar possíveis síndromes hereditárias e definir se alguns exames precisam ser antecipados.²,

Envelhecer com menor risco de câncer depende da combinação entre rastreamento adequado e hábitos saudáveis. Não fumar, manter uma alimentação equilibrada, praticar atividade física, controlar o peso, limitar o consumo de bebidas alcoólicas, proteger-se da exposição excessiva ao sol e manter a vacinação recomendada são medidas que continuam sendo as formas mais eficazes de prevenção ao longo da vida.³,

Conteúdo elaborado em junho/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Médico consultor: Dr. Paulo Roberto Paes e Silva Júnior (CRM-SP 179539; RQE 78495; RQE 78494), médico oncologista graduado pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), com Residência Médica em Clínica Médica pelo Hospital de Clínicas Gaspar Vianna e em Oncologia Clínica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Mestre em Oncologia pelo A.C.Camargo Cancer Center e MBA em Gestão de Negócios pela USP/ESALQ.

Referências

1. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Detecção precoce do câncer [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2021 [acesso em 24 jun. 2026]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/document/deteccao-precoce-do-cancer.pdf

2. World Health Organization. Guide to cancer early diagnosis [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2017 [acesso em 25 jun. 2026]. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789241511940

3. World Health Organization. Cancer [Internet]. Geneva: World Health Organization; 2026 [acesso em 25 jun. 2026]. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cancer

4. National Cancer Institute. Cancer screening overview [Internet]. Bethesda (MD): National Cancer Institute; 2025 [acesso em 25 jun. 2026]. Disponível em: https://www.cancer.gov/about-cancer/screening

5. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Câncer de mama [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2025 [acesso em 24 jun. 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/mama

6. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Câncer do colo do útero [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2025 [acesso em 24 jun. 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/colo-do-utero

7. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Câncer de intestino [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2026 [acesso em 24 jun. 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/intestino

8. Brasil. Ministério da Saúde. Instituto Nacional de Câncer. Câncer de próstata [Internet]. Rio de Janeiro: INCA; 2025 [acesso em 24 jun. 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/prostata

9. World Cancer Research Fund International. Our cancer prevention recommendations [Internet]. London: World Cancer Research Fund International; 2026 [acesso em 26 jun. 2026]. Disponível em: https://www.wcrf.org/preventing-cancer/cancer-prevention/our-cancer-prevention-recommendations/