Scroll

A arritmia cardíaca pode ser caracterizada por batimentos acelerados, lentos ou irregulares do coração. Embora muitas pessoas associem esse diagnóstico a um problema grave, nem toda alteração no ritmo do coração representa risco imediato.1

Em muitos casos, a condição é benigna e pode até passar despercebida. Ainda assim, alguns tipos de arritmia aumentam o risco de complicações importantes, tornando o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico fundamentais.1

Duas mãos seguram um recorte de papel em formato de coração humano contra um fundo azul-claro, com linha pontilhada branca formando linha de ritmo cardíaco de eletrocardiograma (ECG).

O que é arritmia cardíaca?

Segundo a Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), a arritmia é uma alteração no ritmo normal dos batimentos do coração causada por mudanças na geração ou na condução dos impulsos elétricos responsáveis por cada contração cardíaca. Isso significa que o coração pode bater rápido demais, devagar demais ou de forma irregular. Essas alterações podem ser temporárias ou persistentes e nem sempre provocam sintomas.¹,²

Essa condição é diferente do infarto. Enquanto a arritmia afeta a condução elétrica do coração, o infarto acontece quando há interrupção do fluxo sanguíneo para uma parte do músculo cardíaco. No entanto, um infarto pode favorecer o aparecimento de arritmias.3

Segundo o cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46.977; RQE 132.337), muitas pessoas acreditam que qualquer alteração nos batimentos representa um infarto, mas isso não é verdade. “Embora os problemas possam estar relacionados, eles apresentam causas e mecanismos diferentes e exigem avaliações específicas.”

Quais são os tipos mais comuns de arritmia?

As arritmias podem ser classificadas de acordo com a velocidade dos batimentos ou com a região do coração onde surgem. Entre as mais conhecidas estão a taquicardia, a bradicardia, as extrassístoles e a fibrilação atrial.4,5

  • Taquicardia: essa condição ocorre quando o coração bate acima de 100 vezes por minuto em repouso. Em algumas situações, como durante atividades físicas, esse aumento é esperado e fisiológico. Já quando acontece em repouso ou sem um motivo evidente, pode indicar uma alteração elétrica que necessita investigação.4,5
  • Bradicardia: já esse fenômeno corresponde aos batimentos abaixo do esperado. Em pessoas fisicamente treinadas ou durante o sono, ela pode ser normal. Entretanto, quando provoca sintomas ou está relacionada a doenças do sistema elétrico do coração, pode exigir tratamento, incluindo o implante de marcapasso.4,5
  • Extrassístoles: conhecidas popularmente como a sensação de que o coração “pulou um batimento”, essas condições acontecem porque um impulso elétrico ocorre antes do momento esperado. Na maioria das pessoas, são benignas e bastante comuns.4,5
  • Fibrilação atrial: considerada a arritmia sustentada mais frequente. Nesse caso, os átrios passam a tentar se contrair de forma rápida e desorganizada, reduzindo a eficiência do bombeamento do sangue e favorecendo a formação de coágulos que podem migrar para o cérebro e provocar um acidente vascular cerebral (AVC).3,4,5

De acordo com o Dr. Jairo, “identificar corretamente o tipo de arritmia é essencial porque o tratamento varia bastante.” Ele explica que “enquanto algumas alterações exigem apenas acompanhamento, outras precisam de medicamentos, procedimentos por cateter ou dispositivos implantáveis”.

Homem mais novo coloca a mão no ombro de um homem mais velho de cabelos grisalhos com a mão no peito, na altura do coração, com expressão preocupada.

Quais são os sintomas de arritmia?

Nem toda arritmia provoca sintomas. Em muitos casos, ela é descoberta durante exames de rotina ou avaliações realizadas por outros motivos. Quando aparecem, os sinais costumam variar conforme o tipo da alteração e sua intensidade.¹,²

Entre os sintomas mais frequentes estão:¹,²,

  • Palpitações ou sensação de coração acelerado
  • Sensação de falha ou de batimento “pulando”
  • Batimentos irregulares
  • Tontura
  • Falta de ar
  • Cansaço incomum
  • Mal-estar
  • Desmaios

Quais sintomas merecem atenção imediata?

Algumas manifestações podem indicar que a arritmia está comprometendo a capacidade do coração de bombear sangue adequadamente. Nesses casos, a avaliação médica não deve ser adiada.⁴

Os principais sinais de alerta incluem:2,4,5

  • Dor no peito
  • Falta de ar importante
  • Desmaio
  • Confusão mental
  • Pressão arterial baixa
  • Palpitações acompanhadas de perda de consciência ou mal-estar intenso

As arritmias ventriculares, como a taquicardia ventricular e a fibrilação ventricular, estão entre as formas mais graves porque podem levar à parada cardíaca e à morte súbita. Já a fibrilação atrial merece atenção pelo aumento do risco de formação de coágulos e de AVC quando não ocorre o tratamento adequado.4

O que causa arritmia cardíaca?

Diversos fatores podem alterar o funcionamento do sistema elétrico do coração. Algumas pessoas apresentam predisposição genética ou já nascem com alterações capazes de favorecer arritmias. Em outros casos, elas surgem como consequência de doenças cardiovasculares, como hipertensão arterial, infarto, insuficiência cardíaca e alterações das valvas cardíacas.²,

Outros fatores também podem contribuir para o desenvolvimento da condição, incluindo alterações dos níveis de sódio, potássio e cálcio, envelhecimento, obesidade, diabetes, apneia do sono, tabagismo, consumo excessivo de álcool, drogas ilícitas, energéticos e algumas medicações.2,4,5 Situações de estresse e ansiedade também podem desencadear palpitações e favorecer determinados tipos de arritmia em pessoas predispostas.2,5

Ansiedade pode causar arritmia?

Situações de ansiedade, estresse, medo ou preocupação fazem parte da resposta natural do organismo e estimulam a liberação de adrenalina. Esse hormônio acelera os batimentos cardíacos, aumenta a frequência respiratória e prepara o corpo para reagir diante de uma ameaça. Na maioria das vezes, essa aceleração é temporária e desaparece quando a pessoa se acalma.6

De acordo com a Associação Paulista de Medicina, as palpitações relacionadas à ansiedade surgem de forma gradual e costumam vir acompanhadas de tremores, aperto no peito, respiração acelerada e sensação de preocupação intensa.6

Já as arritmias podem começar de maneira súbita, sem um gatilho emocional evidente, podendo durar de segundos a horas. Quando os episódios são recorrentes ou aparecem acompanhados de tontura, desmaio, falta de ar ou dor no peito, é fundamental procurar avaliação médica para esclarecer a causa.6

O Dr. Jairo reforça que “ansiedade e arritmia podem provocar sintomas semelhantes, mas apenas uma investigação clínica e exames específicos permitem identificar corretamente a origem das palpitações”. Segundo ele, nunca é recomendável atribuir todos os episódios apenas ao estresse sem avaliação médica.           

Quais fatores aumentam o risco de arritmia?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver uma arritmia, alguns fatores aumentam essa probabilidade ao longo da vida. O envelhecimento é um dos principais, especialmente para a fibrilação atrial, cuja frequência aumenta progressivamente com a idade.4

Pessoas com hipertensão arterial, diabetes, obesidade, colesterol elevado, aterosclerose e doenças estruturais do coração também apresentam maior risco de desenvolver alterações no ritmo cardíaco.4,5

Outras condições merecem atenção, como apneia obstrutiva do sono, doenças pulmonares e renais, histórico familiar de arritmias e defeitos cardíacos congênitos.5 Além disso, tabagismo, sedentarismo e uso de drogas ilícitas contribuem para aumentar o risco tanto de doenças cardiovasculares quanto de alterações elétricas do coração.⁴

Homem mais velho com expressão preocupada, sentado em um ambiente médico, segura a mão contra o peito enquanto olha para um profissional de saúde que faz anotações.

Café, álcool e energéticos podem provocar arritmia?

O consumo excessivo de substâncias estimulantes pode favorecer o aparecimento de palpitações e desencadear arritmias em pessoas predispostas. Entre elas estão bebidas com cafeína e álcool, além do tabaco e de algumas drogas ilícitas.1 Também existem medicamentos que podem interferir no ritmo cardíaco, motivo pelo qual seu uso deve ser sempre orientado por um profissional de saúde.4

Isso não significa que toda pessoa precise eliminar completamente o café da rotina. O mais importante é observar se existe relação entre o consumo dessas substâncias e o aparecimento dos sintomas. Quando há episódios frequentes de palpitações após o consumo de bebidas estimulantes ou alcoólicas, vale discutir a situação com o cardiologista para avaliar a necessidade de reduzir ou evitar esses produtos.1,4

Exercício físico pode causar arritmia?

Durante a prática de atividade física é esperado que o coração acelere para atender à maior necessidade de oxigênio dos músculos. Essa resposta faz parte do funcionamento normal do organismo e não caracteriza uma arritmia. Da mesma forma, durante o repouso e o sono, a frequência cardíaca costuma diminuir naturalmente.⁴,

Na maioria dos casos, pessoas com arritmia podem praticar exercícios físicos, desde que sejam avaliadas pelo médico e sigam as orientações recebidas. A prática de atividade física, associada à alimentação equilibrada, controle do estresse e sono adequado, também faz parte das medidas recomendadas para reduzir a recorrência de muitas arritmias.4 Entretanto, se durante o exercício surgirem dor no peito, falta de ar importante, tontura ou desmaio, a atividade deve ser interrompida e o atendimento médico procurado.1

Como a arritmia é diagnosticada?

O diagnóstico começa pela conversa com o paciente e pela descrição detalhada dos sintomas, incluindo quando eles aparecem, quanto tempo duram e em quais situações ocorrem. Em seguida, o exame mais utilizado é o eletrocardiograma, que registra a atividade elétrica do coração e pode identificar diversas alterações do ritmo cardíaco.5

Como algumas arritmias acontecem apenas ocasionalmente, o eletrocardiograma realizado em consultório pode não registrar o problema. Nesses casos, o médico pode solicitar exames que monitoram o coração por mais tempo, como o Holter de 24 horas, monitores de eventos, teste ergométrico, ecocardiograma e estudo eletrofisiológico, indicados para investigar casos mais complexos e definir o tratamento mais adequado.2,4,5

Dispositivos eletrônicos, como alguns relógios inteligentes, podem registrar alterações da frequência cardíaca e servir como alerta para procurar atendimento médico. No entanto, eles não substituem exames diagnósticos nem confirmam sozinhos a presença de uma arritmia.⁴,

Arritmia pode causar AVC?

Nem todas as arritmias aumentam o risco de acidente vascular cerebral, mas a fibrilação atrial merece atenção especial. Nessa condição, os átrios deixam de se contrair de forma coordenada, favorecendo o acúmulo de sangue e a formação de coágulos dentro do coração. Se um desses coágulos seguir pela circulação e alcançar o cérebro, poderá provocar um AVC.⁴

Por esse motivo, há pacientes que precisam utilizar medicamentos anticoagulantes para reduzir o risco de formação de coágulos. A indicação depende do tipo de arritmia, da idade e de outros fatores clínicos avaliados pelo cardiologista. O acompanhamento regular é essencial para definir a melhor estratégia de prevenção.⁴

Arritmia tem cura?

O tratamento depende do tipo de arritmia e da sua causa. Algumas alterações são benignas e não exigem nenhuma intervenção além do acompanhamento médico e da orientação sobre a adoção de hábitos saudáveis. Outras podem desaparecer após o controle do fator desencadeante, enquanto algumas condições exigem tratamento contínuo para manter o ritmo cardíaco controlado e prevenir complicações.1,4,5

A boa notícia é que a maioria das pessoas consegue levar uma vida normal e ativa quando recebe o tratamento indicado. O controle da pressão arterial, do diabetes e de outras doenças cardiovasculares, aliado ao acompanhamento médico regular, contribui para reduzir sintomas e melhorar a qualidade de vida.¹,²

Como é o tratamento da arritmia?

As opções terapêuticas variam conforme a gravidade da arritmia e as características de cada paciente. Mudanças no estilo de vida costumam fazer parte da abordagem inicial, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de exercícios, controle do estresse, sono adequado e redução do consumo de álcool, cafeína e tabaco.¹,²,

Quando necessário, o tratamento pode incluir medicamentos antiarrítmicos, anticoagulantes, cardioversão elétrica, ablação por cateter, marcapasso ou cardiodesfibrilador implantável. Em casos selecionados, procedimentos cirúrgicos também podem ser considerados. A escolha depende do tipo de arritmia, da presença de outras doenças cardíacas e do risco de complicações.¹,

Como prevenir arritmias e proteger o coração?

A prevenção das doenças cardiovasculares reduz a ocorrência de alterações do ritmo cardíaco. Manter a pressão arterial controlada, tratar diabetes e colesterol elevado, praticar atividade física regularmente, dormir bem, evitar o tabagismo, moderar o consumo de álcool e controlar o estresse são medidas recomendadas pelas sociedades médicas.1,4

Quem deve procurar um cardiologista?

Palpitações frequentes, episódios repetidos de coração acelerado sem motivo aparente, sensação de batimentos irregulares ou sintomas como tontura, desmaios, dor no peito e falta de ar justificam a avaliação médica. Pessoas com histórico familiar de arritmias, doenças cardiovasculares, hipertensão, diabetes ou idade mais avançada também devem realizar acompanhamento periódico para identificar precocemente possíveis alterações.¹,²,,

“Mesmo quando um episódio isolado não representa uma doença grave, somente a avaliação médica é capaz de confirmar essa hipótese”, explica o Dr. Jairo. “Reconhecer os sinais de alerta, adotar hábitos saudáveis e realizar os exames indicados são atitudes que ajudam a proteger a saúde do coração e permitem que as pessoas com arritmia tenham qualidade de vida e segurança no dia a dia”, completa o cardiologista.

FAQ

O que é arritmia cardíaca?

É uma alteração no ritmo dos batimentos do coração, que pode fazer o órgão bater rápido, devagar ou de forma irregular.

Quais são os principais sintomas de arritmia?

Os sintomas mais comuns incluem palpitações, sensação de batimento irregular, tontura, falta de ar, cansaço, mal-estar e desmaios.

Arritmia é a mesma coisa que infarto?

Não. A arritmia afeta o sistema elétrico do coração, enquanto o infarto ocorre pela interrupção do fluxo sanguíneo para o músculo cardíaco.

Ansiedade pode causar arritmia?

A ansiedade pode provocar palpitações e acelerar os batimentos, mas apenas avaliação médica e exames podem identificar se há uma arritmia.

Como é feito o diagnóstico da arritmia?

O diagnóstico começa pela avaliação dos sintomas e costuma incluir eletrocardiograma, podendo ser complementado por exames como Holter, teste ergométrico e ecocardiograma.

Arritmia tem tratamento?

Sim. O tratamento depende do tipo de arritmia e pode incluir mudanças no estilo de vida, medicamentos, procedimentos ou dispositivos, conforme cada caso.

Conteúdo produzido em julho/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Médico consultor: Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46977; RQE 132337), cardiologista clínico, professor e pesquisador da disciplina de Cardiologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Referências

  1. Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas. Sobre arritmia cardíaca [Internet]. São Paulo: SOBRAC; [acesso em 29 jun 2026]. Disponível em: https://sobrac.org/publico-geral/sobre-arritmia-cardiaca/
  2. Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas. A vida de um portador de arritmia cardíaca [Internet]. São Paulo: SOBRAC; [acesso em 29 jun 2026]. Disponível em: https://sobrac.org/publico-geral/sdrfvesfvs/
  3. Portugal. Ministério da Saúde. Serviço Nacional de Saúde. Enfarte agudo do miocárdio [Internet]. Lisboa: Serviços Partilhados do Ministério da Saúde; [acesso em 1 agosto 2026]. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/pt/tema/doencas/doencas-do-coracao/enfarte-agudo-do-miocardio/
  4. Portugal. Ministério da Saúde. Serviço Nacional de Saúde. Arritmias cardíacas [internet]. Lisboa: SNS; 2025 [Acesso em 30 jun 2026]. Disponível em: https://www.sns24.gov.pt/pt/tema/doencas/doencas-do-coracao/arritmias-cardiacas/
  5. National Library of Medicine. MedlinePlus. Arrhythmia [internet]. Bethesda (MD): U.S. National Library of Medicine; 2025 [Acesso em 30 jun 2026]. Disponível em: https://medlineplus.gov/arrhythmia.html
  6. Associação Paulista de Medicina. Coração acelerado é ansiedade ou problema no coração? Saiba diferenciar [Internet]. São Paulo: APM; 2025 [Acesso em 30 jun 2026]. Disponível em: https://www.apm.org.br/coracao-acelerado-e-ansiedade-ou-problema-no-coracao-saiba-diferenciar/