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Publicado em: 15 de outubro de 2025
Nos meses de inverno e trocas de estação, prontos-socorros infantis são tomados por bebês que, em meio à tosses, narizes entupidos e choros de desconforto1, não entendem por que respirar, habilidade recém-adquirida, ficou tão difícil de repente.
Doenças respiratórias estão entre os motivos mais comuns de internações de crianças menores de cinco anos. Entre os possíveis diagnósticos, a bronquiolite figura entre os principais perigos.2-4
Entenda o que é a bronquiolite, porque ela é uma preocupação para bebês e crianças e como prevenir e tratar essa condição comum.
A bronquiolite é uma doença que afeta o trato respiratório, sendo caracterizada pela inflamação dos bronquíolos, pequenas vias aéreas dos pulmões, e pelo aumento da produção de muco.¹
As principais causas da doença são infecções virais, especialmente pelo vírus sincicial respiratório (VSR), transmitido pelo contato direto ou gotículas de secreções do nariz ou da boca de uma pessoa infectada. Outros vírus respiratórios também podem ser agentes causadores, como o adenovírus, o vírus parainfluenza, o vírus influenza (da gripe), o rinovírus e outros.1-2
No entanto, o VSR é o mais comum para casos em crianças abaixo dos dois anos. Dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde (SAPS) indicam que o VSR é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e até 60% das pneumonias em crianças nessa faixa etária.5
A bronquiolite é a principal causa de internação pediátrica durante os dois primeiros anos de vida. O período de maior suscetibilidade acontece entre os dois e seis meses de idade.1-4
Alguns estudos mostram ainda que bebês do sexo masculino são mais propensos à infecção pelo VSR, levando a casos de bronquiolite.¹ Entre 2008 e 2015, um estudo revelou que, do total de mais de 260 mil hospitalizações por bronquiolite aguda em crianças menores de um ano, 60% corresponderam a meninos.4
Acredita-se que a maior propensão da doença em crianças pequenas seja devido a lentidão do desenvolvimento do trato respiratório. Mas outros fatores podem colaborar para um risco maior da doença¹. “Fatores genéticos ou ambientais também influenciam. Por exemplo, crianças que nascem com comorbidades que prejudicam o sistema respiratório, crianças que não foram amamentadas ou que são expostas a aglomerações apresentam maior prevalência de bronquiolite e outras infecções respiratórias”, relata a Dra. Maura Neves, médica otorrinolaringologista (CRM 97446).
Na maioria dos casos, a evolução de infecções virais em bebês é benigna e não exige hospitalização. Mas há grupos de risco que merecem atenção especial: bebês prematuros, com baixo peso, cardiopatias congênitas, doenças pulmonares crônicas ou imunodeficiências podem desenvolver versões graves da bronquiolite. Nessas situações, a doença pode evoluir para insuficiência respiratória, exigindo suporte hospitalar e, em casos extremos, ventilação mecânica.¹-4
Estudos também apontam que crianças com síndromes genéticas, doenças neuromusculares ou Down apresentam risco maior de desenvolver quadros severos de bronquiolite. A mortalidade hospitalar em crianças com fatores de risco chega a ser 18,8 vezes maior.4
Para saber quando algum sintoma respiratório precisa de mais atenção, primeiro é preciso conhecer os sinais da bronquiolite, que podem variar a depender do tipo da doença. Existem dois tipos principais de bronquiolite2:
Nos bebês, a bronquiolite viral aguda é a forma mais preocupante. Os sintomas iniciais incluem febre baixa, tosse seca e coriza. Em poucos dias, podem surgir sinais de dificuldade respiratória, como respiração acelerada, chiado no peito, retração torácica e cansaço extremo¹-2.
Outros sintomas característicos da doença em bebês são²:
Segundo a Dra. Maura Neves, uma das principais dúvidas de mães, pais e responsáveis é se os sintomas respiratórios dos filhos é uma gripe passageira ou deve ser cuidada como algo mais grave, como a bronquiolite. Para (especialista), a principal forma de se diferenciar é estar atento aos sintomas, que podem ser muito similares.
“A gripe costuma causar febre alta e repentina, mal-estar, dores no corpo, espirros, nariz entupido, dor de cabeça e tosse, que pode ser seca ou com catarro. Já a bronquiolite se diferencia por atingir principalmente crianças menores de 2 anos, tendo como sinal mais marcante a dificuldade em respirar. Os bebês ficam ofegantes, cansados e respiram mais rápido.”
Como os sintomas podem se confundir, a especialista ressalta que é importante procurar atendimento médico ao notar sinais de febre ou que a criança está com dificuldade para respirar.
O diagnóstico é clínico, baseado na história do bebê e no exame físico. A ausculta pulmonar é fundamental para identificar chiados, roncos ou retrações torácicas, isto é, o afundamento da pele entre as costelas que indica dificuldade respiratória grave. Outros sinais, como dificuldade para se alimentar, sonolência, queda da saturação de oxigênio (abaixo de 92%) ou sinais de exaustão podem indicar necessidade de internação¹.
O tratamento para a bronquiolite varia de acordo com as necessidades de cada paciente e será prescrito pelo médico responsável, podendo incluir o manejo dos sintomas e da infecção viral, cuidados de suporte, como controlar a febre, manter o paciente hidratado e garantir que esteja bem nutrido.¹
A principal estratégia disponível para evitar a bronquiolite é prevenir a infecção pelo vírus sincicial respiratório, principal agente causador da doença. No Brasil, desde 2013 é possível imunizar crianças com um anticorpo monoclonal humanizado desenvolvido para prevenir infecções respiratórias por VSR, pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A medida, no entanto, é indicada para bebês prematuros extremos (com até 28 semanas de gestação) e crianças com até dois anos de idade que apresentam doença pulmonar crônica ou cardiopatia congênita grave. 4
Mas novas soluções estão disponíveis. Em 2025, o Ministério da Saúde incorporou uma nova estratégia ao SUS para proteger gestantes e bebês do VSR. A solução trata-se de uma combinação de um anticorpo monoclonal, indicado para proteger bebês prematuros e crianças até dois anos nascidas com comorbidades, e a vacina recombinante contra os vírus sinciciais respiratórios A e B, direcionada para gestantes a fim de proteger os bebês nos primeiros meses de vida.5
Além da vacina, algumas medidas reduzem o risco de infecções virais respiratórias. As principais orientações são2:
Outra forma eficaz de evitar infecções virais graves em bebês é pela amamentação, especialmente em crianças prematuras.1
A amamentação é uma indicação para a prevenção de doenças respiratórias, como a bronquiolite, pois o leite materno contém substâncias que fortalecem o sistema imunológico do bebê. Com o sistema imune mais resistente, a criança tem mais proteção contra vírus respiratórios como o VSR, rinovírus e outros agentes de infecções respiratórias agudas.6-7
Além disso, a amamentação exclusiva prolongada (por pelo menos 6 meses) reduz significativamente a incidência de formas graves da doença, diminuindo o risco de hospitalizações e necessidade de oxigênio. 6-7
“Mesmo a amamentação parcial ou por curtos períodos já oferece benefícios, mas quanto maior a duração, maior a proteção”, finaliza a Dra. Maura Neves.
(texto elaborado em 05/10/2025)
1. Campos CR, Silva BPA, Pereira C de O, Vilela LS, Troca RS. Desvendando as principais doenças da infância. Atena Editora; 2021.
2. Brasil. Ministério da Saúde. Bronquiolite [Internet]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a- z/b/bronquiolite. Acesso em 01 set. 2025.
3. Pedraza DF, Araujo EMN de. Internações das crianças brasileiras menores de cinco anos: revisão sistemática da literatura. Epidemiologia e Serviços de Saúde. 2017 Jan;26(1):169–82.
4. Tumba K, Comaru T, Machado C, Ribeiro M, Pinto LA. TEMPORAL TREND OF HOSPITALIZATIONS FOR ACUTE BRONCHIOLITIS IN INFANTS UNDER ONE YEAR OF AGE IN BRAZIL BETWEEN 2008 AND 2015. Rev Paul Pediatr. 2019 Nov 25;38:e2018120.
5. Brasil. Ministério da Saúde. Saúde incorpora vacina para proteger gestantes e e bebês do vírus sincicial respiratório. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2025/fevereiro/saude-incorpora-vacina-para-proteger-gestantes-e-bebes-do-virus-sincicial-respiratorio. Acesso em 01 set. 2025.
6. Fischer L, Okanmelu E, Theurich MA. Call to include breastfeeding as a synergistic approach to vaccines for prevention of respiratory syncytial virus disease. Int Breastfeed J. 2025 Mar 3;20(1):12.
7. Mineva G, Philip R. Impact of breastfeeding on the incidence and severity of respiratory syncytial virus bronchiolitis in infants: systematic review. Rural Remote Health. 2023 Jan;23(1):8088.
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