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Publicado em: 19 de agosto de 2026
Você sabia que amamentar por dois anos pode reduzir o risco de desenvolver câncer de mama em torno de 5% a cada 12 meses de amamentação? A constatação é de um levantamento feito pela World Cancer Research Fund e traduz uma mudança biológica que ocorre no processo de aleitamento: a redução das taxas de estrogênio e outros hormônios relacionados ao desenvolvimento da doença.¹
Além disso, a amamentação promove a renovação de células que poderiam ter lesões no material genético, o que também proporciona maior proteção contra a formação do tumor.¹
No entanto, embora seja incomum, o câncer de mama ainda pode se desenvolver no período pós-parto, e o quadro pode se agravar devido ao atraso ou à dificuldade do diagnóstico. Isso porque a mama lactante tende a dobrar de volume e produzir nódulos. Isso aumenta a densidade mamária, o que torna a interpretação de exames clínicos mais difícil.²
Ao descartar alguns fatores como somente mudanças naturais do corpo, tanto genitoras quanto profissionais da saúde, inadvertidamente, podem desconsiderar sinais e sintomas, atrasando o diagnóstico. Alterações persistentes devem ser consideradas um alerta para o encaminhamento da paciente a centros especializados para uma avaliação completa.³
Procedimentos de rastreamento e o diagnóstico precoce do câncer podem aumentar as chances de tratamento da doença³. De acordo com o oncologista Dr. Paulo Paes (CRM-SP 179539; RQE 78495; RQE 78494), quando o tumor é identificado em estágios iniciais, é possível oferecer terapias por menor tempo e com melhores resultados. “Por isso, o rastreamento regular e a atenção aos sinais do corpo são atitudes essenciais para reduzir a mortalidade e ampliar as possibilidades de cura.”
Os sinais e sintomas suspeitos de câncer de mama incluem⁴:
“O diagnóstico precoce é fundamental em qualquer fase da vida, mas exige atenção ainda maior em períodos específicos, como durante a gestação e a amamentação, pois as mudanças naturais da mama podem dificultar a identificação de sinais suspeitos”, explica o Dr. Paulo.
Não só é possível examinar a mama para o câncer como os procedimentos podem ser recomendados a depender do histórico de saúde da mulher, diz o oncologista.
Exames de rastreamento como mamografia, ultrassom de mamas e ressonância magnética com contraste podem ser realizados por lactantes. Mas há a opção de adiar o rastreio caso esteja a poucos meses do desmame. De qualquer forma, todas as modalidades radiológicas utilizadas para rastrear a doença são seguras durante a lactação.⁵
Algumas alterações fisiológicas das mamas durante a lactação podem dificultar a interpretação dos exames de imagem e aumentar a ocorrência de achados falso-positivos. Por exemplo, ductos lactíferos dilatados e leite residual podem simular lesões mamárias. Por esse motivo, recomenda-se que a mulher amamente ou realize ordenha imediatamente antes do exame, reduzindo a densidade mamária e melhorando a sensibilidade do exame.⁵
Caso sejam identificados sinais de alerta e lesões suspeitas no exame de imagem, a mulher pode ser encaminhada para um centro especializado para uma biópsia, que consiste na retirada de uma pequena porção de tecido alterado para avaliação em laboratório.³
Segundo o Dr. Paulo, o cuidado com as mamas nunca deve ser deixado de lado, especialmente em um período tão delicado quanto a amamentação. “Com orientação médica adequada e o uso de técnicas de imagem corretas, é possível investigar alterações com segurança e garantir que qualquer suspeita seja avaliada da forma mais precisa possível”, ressalta.
Mamas que passaram por mastectomia total, quimioterapia, tratamento conservador de mama e radioterapia tendem a ter uma produção reduzida de leite. Portanto, pessoas que já tiveram câncer de mama precisam de um acompanhamento mais próximo durante a amamentação⁵.
Mas o médico tranquiliza: mesmo com limitações decorrentes do tratamento de um câncer, a amamentação ainda é possível. “Com a orientação médica e acompanhamento especializado, é possível avaliar as alternativas e apoiar a mulher para que a experiência ocorra da forma mais segura e confortável possível, tanto para a mãe quanto para o bebê.”
No caso de diagnóstico de câncer de mama no pós-parto, o mais importante é seguir as recomendações médicas. Estudos sugerem que mulheres diagnosticadas nos primeiros anos após o parto podem apresentar pior prognóstico do que mulheres que nunca tiveram filhos, ou cujo último parto ocorreu há muitos anos. Portanto, cuidados especiais são necessários nesses casos, para garantir a segurança da mãe e a da criança.⁵
Caso queira continuar amamentando após o diagnóstico de câncer de mama, é importante saber que⁵:
Ao identificar a doença, a equipe médica irá traçar a rota de tratamento mais adequada, considerando o estágio do tumor. Os tratamentos possíveis incluem cirurgia, terapia sistêmica, radioterapia e serviços de apoio.6 “Em casos mais avançados, além de tratamentos direcionados ao controle da doença, a equipe médica pode recomendar tratamentos para controle de sintomas e melhora da qualidade de vida”, acrescenta o Dr. Paulo.
No Brasil, pacientes com câncer têm direito a receber o 1º tratamento no SUS, em até 60 dias do diagnóstico pelo laudo anátomo-patológico ou em prazo menor, conforme necessidade terapêutica individual⁶.
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Conteúdo elaborado em abril/2026
Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.
Médico consultor: Dr. Paulo Roberto Paes e Silva Júnior (CRM-SP 179539; RQE 78495; RQE 78494), médico oncologista graduado pela Universidade do Estado do Pará (UEPA), com Residência Médica em Clínica Médica pelo Hospital de Clínicas Gaspar Vianna e em Oncologia Clínica pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Mestre em Oncologia pelo A.C.Camargo Cancer Center e MBA em Gestão de Negócios pela USP/ESALQ.
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