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Publicado em: 9 de março de 2026
Quando o assunto é saúde da mulher, muita ênfase é dada à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças como o câncer de mama e de colo do útero. Com isso, “muitas acreditam que a visita anual ao ginecologista é suficiente para o check-up, esquecendo que o coração também precisa de atenção”, afirma o Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46977 / RQE 132337),
Em alguns estados do Brasil, mulheres chegam a superar o número de homens com fatores de risco para doenças do coração¹. De forma geral, as mulheres tendem a desenvolver doenças cardiovasculares em idade mais avançada do que os homens. Um dos motivos é comumente relacionado com os efeitos protetores do estrogênio, enfraquecidos após à menopausa².
“Por exemplo, se para os homens o risco aumenta mais a partir dos 50 anos, para as mulheres a atenção redobra na faixa dos 60”, afirma o Dr. Jairo. “Mas a idade e a menopausa não são os maiores fatores para o aumento do risco cardiovascular em mulheres, considerando as mudanças nos hábitos de vida modernos, as desigualdades e a falta de conhecimento sobre a saúde cardiovascular feminina”, acrescenta.
A Cartilha da Mulher, elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, concorda com o médico. A diretriz aponta que grande parte das mulheres ainda desconhece o impacto negativo da doença cardiovascular no sexo feminino. Além disso, elas também apresentam dificuldade em mudar alguns hábitos fundamentais para evitar fatores de risco¹.
Por isso, “é fundamental que as mulheres estejam bem-informadas sobre a sua saúde cardiovascular e tenham o cuidado com o coração como parte de uma atenção integral à sua saúde”, ressalta o cardiologista.
Sexo e gênero influenciam diretamente o risco, o diagnóstico e o tratamento das doenças cardiovasculares. Embora as taxas globais dessas doenças estejam em queda, indicando avanços nos tratamentos, o cuidado cardiovascular ainda não atende mulheres da mesma forma que homens³.
Entre as doenças do coração mais comuns em mulheres no Brasil, a doença arterial coronariana é a mais frequente. Estima-se que ocorram cerca de 58 eventos a cada 100 mil mulheres brasileiras, conforme dados de 2020 da Carga Global de Doenças.4
Além dessas, outras condições cardíacas comuns incluem insuficiência cardíaca, arritmias e tromboembolismo⁴.
É comum que mulheres, sobretudo aquelas em condição social mais vulnerável, enfrentem diagnóstico tardio, o tratamento inadequado e falhas no reconhecimento de condições específicas do sexo feminino.2,3
Há também diferenças biológicas que exigem atenção específica. Algumas doenças e fatores de risco cardiovasculares ocorrem apenas em mulheres ou são muito mais frequentes nelas, mas ainda recebem pouca atenção em estudos clínicos. Por exemplo, condições relacionadas à gravidez e à menopausa.2,3
O risco de infarto em mulheres aumenta a partir de uma combinação de fatores biológicos, comportamentais e sociais. Além dos fatores tradicionais, como hipertensão e colesterol alto, aspectos relacionados à menopausa, à saúde mental e aos hábitos de vida têm impacto direto sobre a saúde cardiovascular feminina.1,5
A transição para a menopausa marca um período de maior risco cardiovascular. A explicação está associada à queda dos níveis de estrogênio, que tem um efeito protetor natural sobre as artérias. Mulheres que têm sintomas mais intensos, como os fogachos, e casos de menopausa precoce estão associadas a um risco ainda maior de doenças do coração.²
“Esse é um dos motivos que explicam o aumento do risco de doenças do coração em mulheres mais idosas. Mas não é único e, em muitos casos, não é o mais relevante”, aponta o Dr. Jairo.
Os principais fatores de risco que ajudam a explicar por que o infarto em mulheres se torna mais frequente com o avanço da idade e após a menopausa são²:
DiabetesEntre as mulheres, o diabetes é um dos fatores de risco mais preocupantes. Elas apresentam de duas a quatro vezes mais chances de desenvolver doenças isquêmicas do coração, como o infarto.²
TabagismoO tabagismo está associado a um risco 25% maior de doença isquêmica do coração em mulheres. Esse impacto é ainda mais relevante diante da tendência de aumento do fumo entre mulheres mais jovens².
Estresse e saúde mentalAs mulheres estão mais expostas a estressores ligados ao acúmulo de responsabilidades, discriminação e violência doméstica. Essa sobrecarga, por exemplo, aumenta o risco de cardiomiopatia de Takotsubo, conhecida como síndrome do coração partido. Além disso, a presença de depressão após um evento cardíaco pode elevar em até três vezes o risco de mortalidade em mulheres.²
ObesidadeA obesidade é mais prevalente em mulheres do que em homens, com taxas globais até 50% maiores. O excesso de peso contribui diretamente para o desenvolvimento de doenças carviovasculares.²
Segundo o médico, a alimentação é um dos pontos centrais na prevenção das doenças cardiovasculares. “O consumo frequente de alimentos ultraprocessados aumenta significativamente o risco de problemas como hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade e doenças do coração e do cérebro”, esclarece.
SedentarismoDe mulheres jovens às mais velhas, elas tendem a ser menos ativas fisicamente. A falta de atividade física reduz a proteção cardiovascular e contribui para desigualdades nos indicadores de saúde, já que o exercício regular é essencial para manter o coração saudável².
Outra diferença entre mulheres e homens é que o infarto em mulheres “nem sempre se manifesta da forma considerada clássica”, diz o cardiologista. “Além dos sintomas mais conhecidos, como dor no peito, falta de ar e fadiga, elas podem apresentar sinais menos óbvios, que nem sempre são imediatamente associados ao coração. Ou nem apresentar sinais, serem assintomáticas.”Segundo ele, isso faz com que muitas subestimem os sintomas, o que atrasa o diagnóstico. “Acham que não é nada grave”, complementa o médico.
A identificação dessas particularidades é fundamental. Os principais sinais e sintomas que podem indicar um infarto ou outras doenças cardiovasculares em mulheres incluem6:
Dor no peitoGeralmente descrita como dor na região central do tórax, podendo ser sentida atrás do osso do peito. Em vez da dor torácica típica, algumas mulheres apresentam desconforto no peito, sensação de aperto, peso ou mal-estar geral. Esses sintomas substituem a dor clássica e frequentemente levam a atrasos no diagnóstico⁶.
Dor irradiada para mandíbula e pescoçoA dor pode se espalhar para áreas como mandíbula e pescoço, um padrão relativamente comum em mulheres⁶.
Fadiga intensaCansaço fora do habitual, mesmo em repouso ou com esforços leves⁶.
NáuseaEnjoo sem causa aparente pode acompanhar eventos cardíacos e ser confundido com problemas digestivos⁶.
PalpitaçõesSensação de batimentos acelerados ou irregulares, mais comum em mulheres, especialmente na presença de fibrilação atria⁶l.
Falta de arA falta de ar pode surgir mesmo sem esforço significativo e está presente em diferentes doenças cardiovasculares⁶.
Tontura ou sensação de desmaio Pode ocorrer associada a arritmias ou alterações no fluxo sanguíneo⁶.
A prevenção das doenças cardiovasculares em mulheres passa tanto pelo controle dos fatores de risco tradicionais quanto pela atenção a condições específicas do sexo feminino.2,3 A identificação precoce desses fatores de risco, aliada a mudanças no estilo de vida, é fundamental para reduzir a morbimortalidade cardiovascular entre as mulheres7.
Reunimos 9 orientações práticas e diretas para mulheres protegerem a saúde do coração:
De forma geral, é importante estimular hábitos de vida mais ativos e saudáveis entre as mulheres.4 “Não tem caminho mais fácil”, afirma o médico. Manter esse estilo de vida e realizar acompanhamento médico da saúde cardiovascular é o que qualquer mulher “precisa fazer para cuidar da saúde do coração, em qualquer idade, antes ou depois da menopausa”, explica o Dr. Jairo.
*Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
*As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e não necessariamente refletem a opinião da Libbs
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