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Publicado em: 4 de março de 2026
O corpo humano abriga um ecossistema complexo de microrganismos que convivem de forma harmônica, especialmente no trato gastrointestinal. Esse conjunto de bactérias, conhecido como microbiota, forma um ecossistema complexo que se desenvolve em equilíbrio com o hospedeiro ao longo da vida e exercem funções essenciais para a saúde, como a produção de nutrientes, a proteção contra microrganismos causadores de doenças e a regulação do sistema imunológico.¹
“Cada vez mais se entende a relação das comunidades de bactérias que vivem no corpo humano e os benefícios à saúde”, diz o gastroenterologista Dr. Décio Chinzon (CRM-SP 49552 / RQE 11890). Sendo assim, estratégias que ajudam a restaurar e manter uma microbiota saudável são consideradas importantes para a saúde geral. Entre elas está a introdução de probióticos, que são microrganismos vivos que contribuem para o bom funcionamento do intestino e para o equilíbrio desse ecossistema.¹
O médico relembra que muitos brasileiros já conhecem os probióticos, talvez não por esse nome. “Difícil alguém que nunca ouviu falar de ‘lactobacilos’ e seus benefícios para o funcionamento intestinal. Esses são os mais conhecidos e que tem seus efeitos estudados em diversas áreas da saúde, com destaque para a saúde feminina, com impactos no equilíbrio vaginal, na fertilidade e até na menopausa”, acrescenta.
Mas afinal, o que são os chamados probióticos? A definição atualmente aceita foi formulada em 2002 por especialistas da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), e da Organização Mundial da Saúde (OMS). De acordo com esse consenso, probióticos são cepas vivas de microrganismos rigorosamente selecionadas que, quando administradas em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro.¹
Em termos práticos, isso significa que os probióticos são bactérias vivas e não patogênicas (que não causam doenças) que atuam de forma ativa no organismo humano. Seus efeitos podem ser diretos ou indiretos e estão relacionados principalmente à capacidade de modificar a composição do microbioma em diferentes partes do corpo da mulher, como o intestino e a região íntima.²
Essa função se deve a uma característica importante desses microrganismos: são capazes de sobreviver tanto a ambientes ácidos quanto alcalinos. Isso permite que atravessem o estômago e resistam à ação dos ácidos biliares até chegarem ao intestino, onde podem se estabelecer. Uma vez ali, contribuem para o fortalecimento da função das células que formam a parede do intestino. Esse fortalecimento dificulta a adesão e penetração de bactérias prejudiciais e favorecem a presença de microrganismos benéficos no ambiente intestinal.2
Uma vez alojadas, essas bactérias também são benéficas por produzir metabólitos bioativos, substâncias resultantes de sua atividade metabólica no intestino, que causam reações positivas do organismo². Entre elas, destacam-se a ação desses microorganismos para:¹,2
Para as mulheres, os probióticos acumulam funções adicionais relacionadas às particularidades do organismo feminino. A microbiota vaginal é própria de cada mulher e seu papel em diferentes aspectos da saúde reprodutiva vem sendo cada vez mais comprovado pela ciência³.Entre as diversas comunidades microbianas que compõem esse ambiente, as bactérias do gênero Lactobacillus são as principais representantes associadas à formação e à manutenção de uma microbiota vaginal considerada saudável.³
Alterações nesse estado natural, conhecidas como disbiose, têm sido associadas a diferentes distúrbios metabólicos, além de infecções que podem se tornar crônicas. Estudos mostram que mudanças no equilíbrio da microbiota podem contribuir para o desenvolvimento de condições como vaginose bacteriana, síndrome dos ovários policísticos (SOP), hiperplasia endometrial e endometriose.²,³
Isso tem a ver com a relação entre microbiota e regulação hormonal. A microbiota do trato gastrointestinal, por exemplo, desempenha um papel ativo no controle do eixo hormonal feminino, podendo influenciar os níveis de estrogênio no sangue.³
Quando ocorre uma disbiose microbiana – isto é, aquela alteração no equilíbrio natural dos microrganismos presentes na região, como, por exemplo, redução da quantidade e diversidade de bactérias – há uma diminuição da disponibilidade do hormônio. Como consequência, os níveis de estrogênio podem ser reduzidos, uma alteração associada ao desenvolvimento de patologias dependentes de hormônios³, “como ovários policísticos”, exemplifica o ginecologista.
Os efeitos dos probióticos na saúde ginecológica podem ser observados em diferentes momentos da vida da mulher. Um dos exemplos mais estudados é a vaginose bacteriana, atualmente uma das formas mais comuns de disbiose vaginal, que pode acometer mulheres de todas as idades.³
Essa condição está associada a complicações ginecológicas relevantes, como parto prematuro espontâneo, abortamento e endometrite. Mas, estudos indicam que o uso de probióticos pode tratar a vaginose por meio da restauração do ambiente da microbiota vaginal.³
Entre os microrganismos mais utilizados para isso estão as cepas do gênero Lactobacillus. Ensaios clínicos demonstraram que esses probióticos podem ter um papel positivo na restauração da microecologia vaginal e no tratamento da vaginose bacteriana. Além disso, o uso de probióticos pode contribuir para evitar o uso excessivo de antibióticos e os efeitos colaterais associados a esses medicamentos.³
Durante a gravidez, alterações no equilíbrio natural da microbiota vaginal também podem exercer influência decisiva. Estudos apontam que esses desequilíbrios podem estar ligados a resultados negativos na reprodução.⁴
A atuação dos probióticos não se limita à mulheres em idade fértil. Probióticos de lactobacilos também demonstram benefícios para a saúde de mulheres no período pós-menopausa5.
A transição para a menopausa representa uma mudança fisiológica significativa para as mulheres, com sintomas associados que podem afetar de forma importante a qualidade de vida feminina. O uso de probióticos tem sido associado com o potencial de diminuir os sintomas urogenitais da menopausa e reduzir o risco de infecções, melhorando a qualidade de vida geral das mulheres nesse período⁵.
No geral, probióticos podem atuar no reequilíbrio da microbiota vaginal por diferentes mecanismos, dentre eles:4
Os probióticos podem ser encontrados tanto em alimentos quanto em suplementos, mas essas duas formas apresentam características diferentes2,3.
Na dieta, a forma mais comum de ingerir probióticas é por alimentos fermentados, que são produzidos pela ação de microrganismos benéficos. Entre os mais conhecidos estão: iogurte, kefir, kimchi, picles, além de bebidas como cerveja e vinho. Esses alimentos podem conter probióticos, bactérias do ácido lático, leveduras, ácidos orgânicos ou compostos antimicrobianos, substâncias que ajudam a equilibrar o microbioma intestinal e a melhorar a digestão.²
Já os suplementos probióticos se enquadram na categoria dos nutracêuticos. Esses produtos oferecem benefícios terapêuticos ou fisiológicos, além das necessidades nutricionais básicas e podem ser utilizados como suplementos alimentares.³
Apesar do entendimento crescente que probióticos são bons para a saúde, seu uso exige cuidado. A recomendação, o padrão de administração, as doses e o período de uso precisam ser orientados e acompanhados por um médico.³ “Pela interação complexa com a microbiota humana, os probióticos não são indicados para todos. Se você é uma pessoa saudável e deseja consumi-los porque imagina que eles podem melhorar sua microbiota, a melhor coisa a fazer é falar com um médico especialista”, orienta o Dr. Décio.
Um ponto que diferencia os probióticos de outros ingredientes alimentares ou medicamentosos é o fato de serem microrganismos vivos no momento da administração. Por essa razão, eles apresentam um potencial (ainda que baixo) para causar infecções, especialmente em indivíduos imunossuprimidos. Eventos adversos têm sido relatados principalmente em pacientes com condições médicas pré-existentes,⁶ “como pacientes que estejam em estado de choque séptico ou tenham a imunidade comprometida por alguma outra condição de saúde”, acrescenta o gastroenterologista.
Ainda assim, os efeitos adversos graves são considerados raros. Estudos clínicos mostram que determinados probióticos foram administrados com segurança em grupos considerados mais vulneráveis, como pessoas com infecção pelo HIV, bebês prematuros, idosos e pacientes com doença de Crohn, sem registro de efeitos colaterais6.
Esses achados reforçam que, quando bem indicados e acompanhados, os probióticos apresentam baixo potencial de causar infecções oportunistas, concentrando-se nos benefícios.⁶
A utilização de probióticos não segue uma regra única. “Pela imensa diversidade da microbiota de cada pessoa, a indicação de probióticos deve ser personalizada”, diz o Dr. Décio.
No contexto da saúde feminina, esses microrganismos podem ser utilizados em situações específicas, como infecções vaginais recorrentes. Além disso, estudos apontam que os probióticos podem ajudar a restaurar uma microbiota vaginal, reduzir a colonização por bactérias patogênicas e, no caso de gestantes, modular respostas imunológicas. Esse efeito pode contribuir, por exemplo, para a redução do risco de ruptura de membranas e de insuficiência cervical.⁷
Apesar desses possíveis benefícios, o uso não deve ser feito de forma indiscriminada. O Dr. Décio reforça que suplementos de probióticos não devem ser tomados sem indicação médica. Ele ressalta que a avaliação individual é fundamental para definir se há indicação, qual cepa utilizar, a dose adequada e o tempo de uso.
Ainda assim, segundo o médico, a inclusão de alimentos com probióticos na dieta é recomendado, “desde que não em excesso e, de preferência, com o acompanhamento de um nutricionista.”
Na avaliação do especialista, a decisão de usar probióticos deve sempre estar associada ao acesso à informação de qualidade e à orientação profissional. “O uso responsável, baseado em evidências científicas e no acompanhamento médico, é essencial para que esses produtos tragam benefícios reais à saúde”, diz, especialmente em um contexto tão individual quanto o da microbiota humana.
Conteúdo elaborado em fevereiro de 2026
Referências
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