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As doenças inflamatórias intestinais costumam gerar dúvidas porque apresentam sintomas parecidos e evoluem de forma crônica. Entre as mais conhecidas estão a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa, condições que afetam o trato digestivo e podem impactar significativamente a qualidade de vida. ¹³

De forma geral, ambas são causadas por uma resposta inadequada do sistema imunológico e não têm cura definitiva, mas podem ser controladas com acompanhamento médico e tratamento adequado, permitindo que muitas pessoas mantenham uma rotina produtiva. ²,³

Apesar de apresentarem alguns sintomas similares, existem diferenças importantes relacionadas à área do intestino atingida, profundidade da inflamação e estratégias de tratamento disponíveis para cada condição e a evolução a longo prazo.¹³

O que são doenças inflamatórias intestinais?

São condições crônicas que provocam inflamação no trato gastrointestinal. A causa exata ainda não é totalmente conhecida, mas estudos indicam participação de fatores genéticos, imunológicos e ambientais.¹,

Essas doenças costumam surgir principalmente entre a faixa dos 20 e 30 anos, embora possam aparecer em qualquer idade. Entre as manifestações mais comuns estão alterações no funcionamento intestinal, dor abdominal, fadiga, sangramento retal e impacto na absorção de nutrientes, o que pode levar à perda de peso e cansaço persistente.³

O que é a doença de Crohn?

A doença de Crohn é uma condição inflamatória crônica que pode afetar qualquer parte do trato digestivo, desde a boca até o ânus. No entanto, as regiões mais frequentemente atingidas são o intestino delgado e o intestino grosso.1-2

Uma característica importante é que a inflamação pode ocorrer de forma segmentada, ou seja, alternando áreas doentes e áreas saudáveis.¹

Os sintomas podem variar de pessoa para pessoa, mas geralmente incluem diarreia persistente, dor abdominal, febre, perda de peso e falta de apetite. Também podem ocorrer sangramento retal, lesões na região anal e manifestações fora do intestino, como dores articulares e alterações na pele.²

Em alguns casos, também podem surgir outras manifestações extraintestinais, incluindo problemas oculares, dermatológicos e reumatológicos.1

O que é retocolite ulcerativa?

Por sua vez, a retocolite ulcerativa afeta o intestino grosso, podendo atingir o reto e o cólon de forma contínua, sem áreas saudáveis entre as regiões inflamadas.³,

Diferentemente da doença de Crohn, que pode atingir todas as camadas do intestino, a retocolite ulcerativa ocorre principalmente na mucosa intestinal. Isso explica algumas diferenças nos sintomas e na evolução da doença.⁵

Entre os sinais mais comuns estão diarreia com presença de sangue, dor abdominal, urgência para evacuar e sensação de evacuação incompleta. Em quadros mais intensos podem surgir febre, anemia e presença de muco nas fezes.³,

Assim como ocorre na doença de Crohn, a retocolite ulcerativa pode apresentar períodos de melhora e piora ao longo da vida. Em alguns casos, manifestações fora do intestino também podem ocorrer, como inflamações articulares, cutâneas ou oculares.⁵

Diferença entre Crohn e retocolite ulcerativa

De forma sucinta, embora as duas doenças façam parte do mesmo grupo, existem diferenças importantes que ajudam médicos a identificar cada condição.¹,³

Principais distinções:

Localização da inflamação

  • A doença de Crohn pode afetar qualquer parte do trato digestivo.¹,²
  • A retocolite ulcerativa atinge principalmente reto e cólon.³,

Padrão da inflamação

  • A doença de Crohn apresenta áreas alternadas entre regiões inflamadas e saudáveis.¹
  • A retocolite ulcerativa apresenta inflamação contínua.⁵

Profundidade da inflamação

  • A doença de Crohn pode atingir todas as camadas da parede intestinal.¹
  • A retocolite ulcerativa afeta principalmente a mucosa.⁵

Sintomas predominantes

  • A doença de Crohn costuma causar dor abdominal intensa, diarreia e perda de peso.²
  • A retocolite ulcerativa costuma causar diarreia com sangue e urgência evacuatória.³,

Apesar dessas diferenças, ambas exigem acompanhamento médico contínuo para evitar complicações e melhorar a qualidade de vida.²,³

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico das doenças inflamatórias intestinais envolve a análise de sintomas e exames que avaliam a estrutura e a função do intestino. Entre os principais métodos utilizados estão exames de sangue, colonoscopia, endoscopia e exames de imagem como tomografia e ressonância magnética.²,

Esses testes ajudam a identificar a presença de inflamação, verificar a extensão da doença e diferenciar entre Crohn e retocolite ulcerativa.²,

Tratamento e qualidade de vida

O tratamento das doenças inflamatórias intestinais tem como principal objetivo controlar a inflamação e reduzir os sintomas. Os medicamentos como mesalazina, imunosupressores e terapia com biológicos vão agir no processo inflamatório, ajudando a modular a resposta do sistema imunológico.²,³,

Em alguns casos, quando os sintomas não são controlados com medicamentos, pode ser indicada cirurgia para remover partes do intestino afetadas.³,

A alimentação também pode ser ajustada conforme orientação médica, principalmente durante os períodos de atividade da doença. Embora a dieta não seja a causa do problema, alguns alimentos podem agravar sintomas em fases inflamatórias.²

Mesmo sendo condições crônicas, muitas pessoas conseguem manter uma rotina ativa e produtiva quando o tratamento é seguido corretamente. Períodos de remissão podem permitir vida relativamente normal, com redução significativa dos sintomas.²

Quando procurar um médico

Sintomas persistentes como diarreia frequente, dor abdominal recorrente, presença de sangue nas fezes ou perda de peso sem causa aparente devem ser avaliados por um profissional de saúde.²,³

A identificação precoce das doenças inflamatórias intestinais contribui para melhor controle da inflamação e redução do impacto na qualidade de vida.²

Conteúdo elaborado em maio/2026

Referências

  1. McDowell C, Farooq U, Haseeb M. Inflammatory Bowel Disease. [Acesso em 04 maio 2026]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2026 Jan-. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK470312/?ref=clara-guides
  2. Brasil. Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Ministério da Saúde. Doença de Crohn [Internet]. 2009. [Acesso em 06 Abr 2026]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/doenca-de-crohn
  3. Matsuoka K, Kobayashi T, Ueno F, Matsui T, Hirai F, Inoue N, Kato J, Kobayashi K, Kobayashi K, Koganei K, Kunisaki R, Motoya S, Nagahori M, Nakase H, Omata F, Saruta M, Watanabe T, Tanaka T, Kanai T, Noguchi Y, Takahashi KI, Watanabe K, Hibi T, Suzuki Y, Watanabe M, Sugano K, Shimosegawa T. Evidence-based clinical practice guidelines for inflammatory bowel disease. J Gastroenterol. 2018 Mar;53(3):305-353.
  4. Grupo de Estudos da Doença Inflamatória Intestinal do Brasil (GEDIIB). International Journal of Inflammatory Bowel Disease. Volume 4, número 1. São Paulo: GEDIIB; 2019. [Acesso em 06 Abr 2026]. Disponível em: https://gediib.org.br/wp-content/uploads/2019/10/L2_REVISTA-INTERNATIONAL-JOURNAL_VOL4-N1_PORTUGU%C3%8AS_16-08-2019-1.pdf
  5. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas de Retocolite Ulcerativa [Internet] 2025. [Acesso em 07 Abr 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/r/retocolite-ulcerativa/view