Scroll
Crise emocional: veja o que é, sintomas e como tratar

Sem tempo para ler? Clique no play abaixo para ouvir esse conteúdo.

Uma crise emocional é uma condição à qual todos nós estamos sujeitos em função de um tempo prolongado de sensações como ansiedade e estresse.1

Trata-se de uma resposta do organismo a toda sobrecarga que afeta as nossas emoções, podendo ser causada por traumas, perdas financeiras importantes, conflitos com membros da família, abusos, perda de um ente querido e assim por diante.1

Crises emocionais costumam dar sinais antes de acontecer, mas muitas pessoas não estão acostumadas a identificá-los. Por isso, não conseguem intervir a tempo, passando por um grande sofrimento e diversos sintomas físicos que afetam o corpo todo. Quer saber mais sobre crise emocional, o que é e como lidar com ela? Então, continue a leitura!

Quais são os tipos de crise emocional?

A manifestação da crise emocional tende a ser bem semelhante de uma pessoa para outra e está comumente associada à sobrecarga do nosso corpo em função da tensão gerada pelas sensações de estresse e ansiedade, principalmente.1

 Isso pode resultar em sintomas como refluxo, gastrite, taquicardia, náuseas e assim por diante.1

Porém, ainda que uma crise emocional não manifeste sintomas físicos, ela pode ocorrer e resultar em outros tipos de sinais, geralmente identificados por meio de explosões de raiva ou pessimismo.1

 O isolamento das atividades rotineiras e, principalmente, dos contatos sociais, também pode ser um indício.1

A ansiedade constante, as alterações frequentes de humor, a falta de ânimo frente às atividades e uma insatisfação prolongada também indicam que algo não vai bem e que você pode estar beirando uma crise.1

 Mas esses são só os sinais. Existem causas que são capazes de desencadear todas essas reações, que acabam sendo os diferentes tipos de crise emocional.1

Crise emocional associada a transtornos

A crise emocional associada a transtornos mentais é desencadeada por algum fator ultraestressante para o paciente.2 Para uma pessoa com fobia social, por exemplo, uma apresentação em público pode ser um estopim para todo o resto.2 Por isso, é importante entender qual é a situação emocional e psicológica atual da pessoa para tentar associar isso aos eventos de crise.2

Entre os transtornos mais comuns que provocam crise emocional, podemos citar:

  • fobia social: que é o medo de interagir com pessoas desconhecidas ou de ocupar lugar de destaque em meio ao público;2
  • transtorno de pânico: que apresenta um episódio de surto emocional (transtorno de pânico), com medo exacerbado, acompanhado de sintomas físicos, como falta de ar, dor no peito, tremores e afins;2
  • transtorno de ansiedade generalizada: que é uma espécie de preocupação de difícil controle constante com o que está por vir, acompanhada de certa agitação e dificuldade de concentração;2
  • transtorno de ansiedade de separação: que é uma ansiedade voltada para eventos específicos, como a separação de um ente, mesmo que seja por pouco tempo, como ir ao supermercado ou à escola, mais comum entre crianças e adolescentes;2
  • mutismo seletivo: que afeta majoritariamente crianças e configura uma dificuldade de comunicação com pessoas desconhecidas ou que não sejam do convívio familiar.2

Crise emocional na gravidez

A gestação é um período que envolve o surgimento de uma série de sensações novas e totalmente desconhecidas pela mulher.3 Além disso, elas estão misturadas em uma verdadeira sopa de hormônios, o que pode provocar um período bem estressante e tenso para algumas.3

Eventualmente, isso pode resultar em uma crise emocional que vem acompanhada de sentimentos.1 Entre eles estão:

  • insegurança;1
  • medo;1
  • ansiedade;1
  • solidão;1
  • cansaço;1
  • sobrecarga.1

Todas as transformações que ocorrem no corpo da mulher durante esse curto período afetam a qualidade dos seus pensamentos e emoções.3 Por isso, questionamentos como “será que serei capaz de cuidar de um bebê?”, “e se a minha vida nunca mais for a mesma”, “o meu corpo vai voltar ao normal?”, entre outros, podem provocar uma crise.3

Crise emocional na adolescência

Os adolescentes também estão frequentemente expostos à possibilidade de uma crise emocional.4 Além de enfrentar uma fase de alterações hormonais, muitos deles são extremamente exigidos por seus pais e professores, o que pode gerar a mesma sobrecarga dos casos anteriores.4 Esse processo é intensificado quando somado a fatores como:

  • a intensificação das interações sociais independentes;4
  • o início de um planejamento de carreira;4
  • a mudança física do corpo;4
  • os eventuais problemas familiares.4

Por isso, é preciso ter atenção redobrada com os filhos, já que nessa fase da vida eles ainda não são capazes de administrar suas emoções com total maturidade, utilizando os recursos psíquicos que possuem.4 Nessas horas, o suporte e o acompanhamento dos pais e, se necessário, de profissionais, pode ajudar.4

Como identificar uma crise emocional?

A crise emocional não é caracterizada como o problema em si. Na verdade, ela surge como um sinal de um problema maior, ou seja, de algum desequilíbrio emocional que precisa ser cuidado.5

Em alguns casos, esse problema emocional é absolutamente natural — como a preocupação de uma pessoa com um problema financeiro para resolver. 5 Porém, é fundamental administrar a situação para que a sensação ruim não se torne um descontrole.5

Apesar disso tudo, é claro que a crise emocional dá outros sinais bem perceptíveis quando está em fase aguda.5 São eles:

  • respiração acelerada;5
  • frequência cardíaca alta;5
  • tontura;5
  • choro descontrolado sem motivo aparente;5
  • raiva;5
  • agressividade.5

Crise emocional: como lidar e tratar?

Crise emocional: veja o que é, sintomas e como tratar

Agora que você já sabe quais são os sintomas da crise emocional, está na hora de saber como é feito o seu tratamento. Como você viu, a crise não é o problema em si, apenas um sinal de que algo não vai bem. Ela pode ser um sintoma de outros transtornos mentais que você esteja sofrendo e que estão ocasionando essa reação.

Por isso, é fundamental contar com uma avaliação precisa, feita por um especialista. Isso vai contribuir para que haja um entendimento melhor do quadro, além de orientar as intervenções para que o paciente se sinta bem o mais rápido possível. A partir do diagnóstico, o psiquiatra pode fazer algumas recomendações, como as que você vai ver a seguir.

Psicoterapia

A psicoterapia pode se configurar como uma das primeiras recomendações para o tratamento de uma crise emocional. O motivo é bem simples: ela ajuda o indivíduo a lidar com as suas emoções, desde a identificação de cada uma delas até como ele é afetado por esses afetos.6  

Com essa compreensão, é possível ter mais poder de escolha sobre o tipo de situação a qual vai se expor, como vai permitir que isso afete você ou até mesmo mudar a perspectiva pela qual você percebe certos desafios.6

 Algumas pessoas veem uma apresentação em público como um problema a ser enfrentado, por exemplo. Mas, como seria se você pudesse encarar isso como uma oportunidade?

Exercícios físicos

Não é difícil encontrar profissionais de psiquiatria que também recomendam práticas complementares que contribuam com o alívio da crise emocional. As atividades físicas são um exemplo dessas práticas, já que beneficiam o indivíduo de várias formas, mesmo que não sejam diretamente relacionadas à cura do problema.7

Ao exercitar nosso corpo, produzimos uma série de hormônios que afetam o nosso humor, a nossa disposição, a nossa confiança e até mesmo a nossa cognição.7 Por isso, mover o seu corpo pode ser uma excelente maneira de ter mais autoconfiança e segurança para encarar as situações diárias.7

Meditação

Assim como os exercícios físicos, a meditação e os exercícios de respiração para ansiedade são um instrumento utilizado para tratar e amenizar uma crise emocional. Por focar a respiração e o momento presente, essa prática ajuda a pessoa a se distrair dos motivos que desencadearam a crise, fazendo que ela se acalme e melhore o seu gerenciamento de estresse.8

A respiração acelerada, a tensão no corpo e a sensação de urgência se dissipam à medida que você vai se concentrando nos detalhes do que está à sua volta: os cheiros, a temperatura do ambiente, os sons e o seu próprio corpo. Dessa forma, é possível criar um oásis particular dentro de si para combater as crises.8

Não existe uma fórmula pronta para afastar esse tipo de sintoma. Porém, você pode adotar alguns cuidados de forma preventiva, como trabalhar o seu autoconhecimento, manter o seu corpo ativo e investir em uma mente serena. Juntos, esses ingredientes podem resolver o problema da crise emocional.

Leia outros conteúdos no blog e confira a nossa página de produtos!

Referências

1. Psychology of a Crisis Psychology of a Crisis. [s.l.: s.n.], 2019. Disponível em: <https://emergency.cdc.gov/cerc/ppt/CERC_Psychology_of_a_Crisis.pdf>. Acesso em: 16 maio 2023.

2. American Psychiatry Association. (2013). Diagnostic and Statistical Manual of Mental disorders – DSM-5. 5th.ed. Washington: American Psychiatric Association. Disponível em: <https://repository.poltekkes-kaltim.ac.id/657/1/Diagnostic%20and%20statistical%20manual%20of%20mental%20disorders%20_%20DSM-5%20(%20PDFDrive.com%20).pdf>. Acesso em: 05 dez. 2023. 

3. VIEIRA, Bárbara; ALVES, Ana Patrícia. Alterações psicológicas decorrentes do período gravídico. [Joaçaba, SC], 2013. Disponível em:<https://periodicos.unoesc.edu.br/acbs/article/download/2559/pdf/9585>. Acesso em: 05 dez. 2023. 

4. JUSTO, Ana Paula ; FIORIM, Regina. Problemas emocionais e de comportamento na adolescência: o papel do estresse. Boletim – Academia Paulista de Psicologia, v. 35, n. 89, p. 350–370, 2015. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/pdf/bapp/v35n89/v35n89a07.pdf>. Acesso em: 16 maio 2023.

5. ADRIANO ZANELLO; BERTHOUD, Laurent ; BACCHETTA, Jean-Pierre. Emotional crisis in a naturalistic context: characterizing outpatient profiles and treatment effectiveness. v. 17, n. 1, 2017. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5384152/>. Acesso em: 16 maio 2023.

6. OSÓRIO, Flávia; MENDES, Ana Irene; PAVAN-CÂNDIDO, Caroline; SILVA, Uanda Cristina. Psicoterapias: conceitos introdutórios para estudantes da área da saúde. [São Paulo, SP], 2017. Disponível em:<https://www.revistas.usp.br/rmrp/article/download/127534/124629/243291>. Acesso em: 05 dez. 2023.

7. Departamento de Promoção da Saúde (DEPROS/SAPS/MS), Fiocruz Brasília e Instituto de Saúde de São Paulo. Efeitos da atividade física na saúde mental – Quais são os efeitos da atividade física na saúde mental? [Brasília, DF], 2021. Disponível em<https://docs.bvsalud.org/biblioref/2022/03/1361694/25_rr_depros_af_saude-mental_final.pdf> Acesso em: 05 dez. 2023.

8. FREITAS, Flávia; DE JESUS, Gabriela; OLIVEIRA, Lucas. Os efeitos da prática da meditação para redução e controle da ansiedade. [S.L], 2022. Disponível em:<https://rsdjournal.org/index.php/rsd/article/download/39117/32291/423716>. Acesso em: 05 dez. 2023.

data da elaboração: 05/12/2023