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Publicado em: 19 de junho de 2024
Assuntos abordados
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Dores crônicas de cabeça e na musculatura do corpo, sensação constante de fadiga, alterações de humor, baixa produtividade, ansiedade e falta de atenção.1,2 Esse “combo” de sintomas indesejáveis é muito característico em pessoas que sofrem de depressão e fibromialgia.1,2
A depressão é uma doença e a fibromialgia é uma síndrome que, de acordo com a literatura, estão correlacionadas, ou seja, uma condição leva à outra na maioria dos casos.1 O que não significa necessariamente que a pessoa desenvolverá as duas simultaneamente.1
Entender as duas doenças é um caminho para diferenciar os diagnósticos e compreender melhor essa relação. Portanto, acompanhe aqui todas as informações que reunimos sobre depressão e fibromialgia, incluindo sintomas, diagnóstico e recomendações de tratamento.
Primeiramente, a depressão é uma doença que deve ser diagnosticada por médicos, apesar de muitas pessoas ainda a considerarem uma condição não médica, o que acaba atrasando o diagnóstico e dificultando o tratamento.3
Na depressão, ocorrem alterações nos neurotransmissores presentes no sistema nervoso central, principalmente serotonina e noradrenalina.2 De acordo com os estudos, essas alterações podem ter origem genética ou hereditária e podem ocorrer em qualquer idade.2
Você sabia que a depressão ocupa a primeira posição entre as doenças mentais mais diagnosticadas no mundo?4
Tristeza, apatia, desmotivação, distúrbios do sono e ausência de perspectiva são alguns dos sintomas mais comuns, além dos pensamentos negativos constantes.2 Ainda há pessoas que sentem dores no corpo, entre outras queixas físicas.5
Assim, pode-se pensar em diversas outras condições com potencial para causar esses sentimentos. Mas no caso da depressão, especificamente, há uma transformação bioquímica acontecendo no cérebro.2
A fibromialgia é uma síndrome reumatológica que tem como principal característica a dor crônica generalizada.6,7 Em princípio, não há muita clareza sobre quais são suas causas, mas sabe-se que ela acomete em sua maioria mulheres brancas na faixa dos 35 e 44 anos, podendo também surgir em pessoas mais novas ou mais velhas.7,8
Essa síndrome costuma causar todo tipo de dor, que pode ser aguda, crônica, difusa e generalizada. Para entendermos a sua gravidade, um estudo com mulheres adultas realizado na Alemanha mostrou que mais de 60% das mulheres acometidas pela fibromialgia possuíam dor difusa e crônica, ou seja, dores em partes diversas do corpo e ainda por cima, constantes.9
Além das dores generalizadas no corpo, a fibromialgia costuma causar fadiga, sono inconstante, síndrome do cólon irritável, entre outros desconfortos.10
Por consequência, os sintomas de depressão em pacientes com fibromialgia são muito comuns.1 De acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, em torno de 50% das pessoas com essa síndrome sofre de depressão.1
Os sintomas de depressão e fibromialgia são complexos e envolvem, principalmente, perda das funções físicas e sociais, bem como da saúde mental e emocional, que ficam muito abaladas.10 Com tudo isso, é previsível que a pessoa tenha uma queda significativa na qualidade de vida.10
A dor tende a desmotivar os pacientes com fibromialgia, o que dificulta o tratamento.1,10 Por vezes, a pessoa restringe suas atividades cotidianas e, com isso, chega o isolamento social.10 Esse cenário só contribui para o surgimento dos quadros de depressão, que reforçam a evolução da fibromialgia. Isso significa que as alterações psicológicas vão resultar no aumento das dores.10
Os diagnósticos da depressão e da fibromialgia costumam ser desafiadores.2,5,7 Para ambas, ele é feito clinicamente, ou seja, a partir de uma detalhada avaliação médica e uma investigação do histórico do paciente, já que não há exames para identificá-las.1,2,7
Uma das características da depressão é que os sintomas não são os mesmos para todas as pessoas.11 Por consequência, o diagnóstico clínico é feito com base nas observações do médico sobre o estado mental e o histórico do paciente.11
De forma resumida, o médico investiga a intensidade e a duração dos sintomas, com o cuidado de diferenciá-la de outras doenças (como a fibromialgia), uma vez que o estado depressivo pode acompanhar outras condições de saúde.2,6
Assim como no caso da depressão, a avaliação de um paciente com suspeita de fibromialgia é feita clinicamente.1 Entretanto, aqui o foco são as queixas de dores constantes pelo corpo todo, com duração de mais de três meses e presença de pontos dolorosos específicos na musculatura.1
Em alguns casos, os médicos podem solicitar exames laboratoriais e de imagem, que servirão para descartar a presença de outras doenças que apresentam sintomas semelhantes.7
O tratamento da depressão deve sempre ser individualizado, considerando o estágio em que se encontra a doença: leve, moderada ou grave, visto que medicamentos antidepressivos são mais efetivos no tratamento dos quadros moderados e graves.12 Atividades físicas e apoio psicológico também são muito recomendados.13,14
Para a fibromialgia, o principal tratamento requer além de medicações, embora há indicação de uso de medicamentos para redução das dores. Com a finalidade de oferecer ao paciente uma melhora na qualidade de vida, aqui a regra é manter corpo e mente sãos.6
Confira algumas indicações para isso:6
Sobretudo, o sono de qualidade deve ser uma das prioridades. Pois a dor crônica tende a prejudicar, não apenas o sono, como levar a alterações de humor e a falta de concentração.6
Tratar depressão e fibromialgia deve envolver um próximo acompanhamento clínico com um médico especializado para compreensão da evolução dos tratamentos.16 Especialmente no tratamento da depressão, mesmo que haja melhoras nas crises, existe a possibilidade de os pacientes voltar a tê-las.2
Entendendo a relação entre depressão e fibromialgia, fica claro que ambas as condições compartilham sintomas desafiadores, como dores crônicas, fadiga e alterações de humor, os quais afetam bastante a qualidade de vida.1,2 Em vista desse cenário, a recomendação é tratar a sintomatologia com foco nas dores para lidar com os desafios do dia a dia, mas também procurar ajuda psicológica para o estado emocional.6
Por isso, os pacientes afetados por depressão e fibromialgia precisam manter a qualidade de vida, e exercícios físicos e psicoterapia são de grande valia.6,13,14 Não menos importante, o acompanhamento clínico é essencial para evitar a piora dos quadros.15
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Referências:
1. Sociedade Brasileira de Reumatologia. Fibromialgia – Definição, Sintomas e Por que Acontece [Internet]. 2011 [Acesso em: 31 mar. 2024]. Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/orientacoes-ao-paciente/fibromialgia-definicao-sintomas-e-porque-acontece/.
2. Rufino S, Leite RS, Freschi L, et al. Aspectos gerais, sintomas e diagnóstico da depressão. Revista Saúde em Foco. 2018;10:837-843.
3. Valentini W, Levav I, Kohn R, et al. Treinamento de clínicos para o diagnóstico e tratamento da depressão. Rev. Saúde Pública. 2004,38(4):522-8.
4. Organização Pan-Americana da Saúde. Saúde Mental [Internet].[ Acesso em: 31 mar. 2024].Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/saude-mental.
5. Paranhos ME, Werlang BG. Diagnóstico e intensidade da depressão. Barbaroi. 2010;2(31):111-25.
6. Sociedade Brasileira de Reumatologia. Fibromialgia. Cartilha para pacientes [Internet]. 2011 [Acesso em: 31 mar. 2024].Disponível em: https://www.reumatologia.org.br/doencas-reumaticas/fibromialgia-e-doencas-articulares-inflamatorias/.
7. Heymann RE, Paiva ES, Martinez JE, Helfenstein M, Rezende MC, Provenza JR, et al. Novas diretrizes para o diagnóstico da fibromialgia. Rev Bras Reumatol. 2017;57(S2):s467–76.
8. Martinez JE. Fibromialgia: o que é, como diagnosticar e como acompanhar? Acta Fisiátrica. 1997;4(2):99–102.
9. Cavalcante AB, Sauer JF, Chalot SD, Assumpção A, Lage LV, Matsutani LA, et al. A prevalência de fibromialgia: uma revisão de literatura. Rev Bras Reumatol. 2006;46(1):40–8.
10. Berber JSS, Kupek E, Berber SC. Prevalência de depressão e sua relação com a qualidade de vida em pacientes com síndrome da fibromialgia. Rev Bras Reumatol. 2005;45(2):47–54.
11. Brasil. Ministério da Saúde. Depressão [Internet]. [Acesso em: 31 mar. 2024]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/depressao.
12. Fleck MPA, Lafer B, Sougey EB, Del Porto JA, Brasil MA, Juruena MF. Diretrizes da Associação Médica Brasileira para o tratamento da depressão (versão integral). Braz J Psychiatry. 2003;25(2):114–22.
13. Moraes H, Deslandes A, Ferreira C, Pompeu FAMS, Ribeiro P, Laks J. O exercício físico no tratamento da depressão em idosos: revisão sistemática. Rev Psiquiatr. Rio Gd Sul. 2007;29(1):70–9.
14. Carneiro AM, Dobson KS. Tratamento cognitivo-comportamental para depressão maior: uma revisão narrativa. Rev bras ter cogn. 2016;12(1):42–49.
15. Provenza J, Pollak D, Martinez J, Paiva E, Helfenstein M, Heymann R, et al. Fibromialgia. Rev Bras Reumatol. 2004;44(6):443–9.
Elaborado em abril 2024
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