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Publicado em: 31 de julho de 2026
Assuntos abordados
O termo “depressão” é amplamente usado no cotidiano para descrever tristeza, desânimo ou períodos difíceis.1 Já o Transtorno Depressivo Maior, conhecido pela sigla TDM, é um diagnóstico médico definido por critérios clínicos específicos.2 Segundo o médico psiquiatra Dr. Rogério Onofre (CRM-SP: 192.427 – RQE: 109.401), na prática, todo TDM pode ser chamado de depressão, mas nem toda depressão é um TDM.
Dados do Ministério da Saúde indicam que a depressão é uma condição mental de elevada prevalência e que pode estar associada a maior risco de suicídio. O quadro tende a ser crônico e recorrente, especialmente quando não tratado. No Brasil, a prevalência ao longo da vida é de cerca de 15,5%, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que o transtorno está entre as principais causas de incapacidade no mundo.¹
O TDM, por sua vez, é uma das formas clínicas mais conhecidas da depressão. De acordo com protocolo clínico da Fundação Estadual de Saúde de Sergipe, ele é caracterizado por episódios depressivos que duram pelo menos duas semanas e envolvem humor deprimido associado à perda de interesse ou prazer nas atividades do dia a dia. Além disso, podem surgir alterações de sono, fadiga, dificuldade de concentração, sentimentos de culpa excessiva e pensamentos suicidas.²
“O uso popular da palavra depressão acaba abrangendo desde uma tristeza passageira até quadros psiquiátricos graves. O transtorno depressivo maior é uma condição clínica definida por critérios diagnósticos internacionais e exige avaliação profissional”, explica o Dr. Rogério.
Sentir tristeza faz parte da experiência humana. O problema surge quando os sintomas se tornam persistentes, intensos e passam a comprometer a rotina. O Ministério da Saúde destaca que pessoas com depressão frequentemente apresentam sentimento de vazio, perda da capacidade de sentir prazer, cansaço intenso e dificuldade de enxergar perspectivas positivas para o futuro.¹
Além dos sintomas emocionais, a depressão também pode provocar manifestações físicas. Entre elas estão alterações no apetite, dores difusas, problemas digestivos, insônia, sonolência excessiva e redução da libido. Muitas pessoas procuram atendimento inicialmente por sintomas físicos sem perceber que o quadro pode estar relacionado à saúde mental.1
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), nem todas as pessoas apresentam os mesmos sinais. A gravidade, frequência e duração variam conforme o indivíduo e o tipo de transtorno depressivo. A condição pode interferir na capacidade de trabalhar, estudar, dormir e manter relações sociais.3
“O TDM não é definido apenas pela presença de tristeza. Muitas vezes o principal sintoma é a perda de interesse pela vida, acompanhada de exaustão física e mental. Há pacientes que relatam não sentir mais prazer nem em atividades que antes eram importantes”, afirma Dr. Rogério.
O diagnóstico do TDM é clínico e depende de uma avaliação detalhada feita por médicos. Não existe exame laboratorial específico para confirmar a doença.¹
Os sintomas centrais incluem humor deprimido e perda de interesse nas atividades diárias. Outros sinais frequentemente avaliados são problemas de sono, agitação ou lentificação psicomotora, fadiga, dificuldade de concentração e sentimentos de inutilidade.²
Há também alguns subtipos do transtorno depressivo maior:²
Além disso, pesquisadores apontam que o TDM é um transtorno heterogêneo e complexo, influenciado por fatores genéticos, ambientais, psicológicos e biológicos.4 Estudos indicam que a condição está associada a alterações em neurotransmissores como serotonina, dopamina e noradrenalina.1,4
“Depressão” funciona como um termo guarda-chuva. Ele pode ser usado tanto para descrever sintomas depressivos quanto para diferentes transtornos relacionados ao humor. Isso explica por que muitas pessoas escutam o diagnóstico de TDM e ficam em dúvida se possuem “algo diferente” da depressão comum.
Segundo a cartilha do Ministério da Saúde sobre depressão, o transtorno pode se manifestar com irritabilidade, ansiedade, desesperança, dificuldade de concentração e sentimento constante de fracasso. Em muitos casos, os sintomas aparecem gradualmente e acabam sendo confundidos com estresse, esgotamento ou problemas passageiros. 1
A avaliação clínica também deve investigar doenças físicas, uso de substâncias e fatores psicossociais capazes de agravar o quadro depressivo. Isso ocorre porque a depressão pode coexistir com doenças cardiovasculares, endocrinológicas e neurológicas, além de transtornos de ansiedade e dependência química.¹,²
“Nem toda tristeza é depressão, mas também é importante não minimizar sintomas persistentes. Quando o sofrimento começa a comprometer trabalho, sono, alimentação e relações pessoais, é necessário procurar avaliação especializada”, afirma Dr. Rogério.
As causas da depressão e do TDM são multifatoriais. Entre eles estão a influência de fatores genéticos, alterações bioquímicas cerebrais e eventos estressantes da vida. Inclusive, estudos com famílias de gêmeos sugerem que o componente genético representa cerca de 40% da suscetibilidade para desenvolver depressão.¹
Pesquisadores também apontam que fatores ambientais têm papel importante.1,2,4 Eventos traumáticos, desemprego, perdas afetivas, conflitos familiares1 e estresse crônico podem desencadear episódios depressivos em pessoas predispostas.1,5
Entre os fatores de risco estão:1
O TDM também está relacionado a outras condições clínicas, incluindo doenças cardiovasculares, obesidade, diabetes e doenças neurodegenerativas.4
O tratamento da depressão pode envolver psicoterapia, medicamentos antidepressivos ou a combinação dessas estratégias, conforme a gravidade do quadro e as necessidades de cada paciente.5
Apesar de existirem tratamentos eficazes, a remissão completa nem sempre ocorre com a primeira abordagem, e ajustes terapêuticos podem ser necessários ao longo do acompanhamento.6
O tratamento da depressão geralmente combina medicamentos e psicoterapia. O Ministério da Saúde afirma que entre 90% e 95% dos pacientes podem alcançar remissão total com o tratamento antidepressivo adequado.¹
Os antidepressivos mais utilizados atualmente são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina, conhecidos como ISRS. Segundo o protocolo clínico da Fundação Estadual de Saúde de Sergipe, os medicamentos costumam ser escolhidos pelo perfil de segurança e eficácia.²
A psicoterapia também tem papel importante. Ela ajuda o paciente a compreender melhor o processo depressivo, reorganizar aspectos emocionais e lidar com fatores de estresse. 1
Outro ponto é a importância da continuidade do tratamento. A interrupção precoce dos medicamentos pode aumentar o risco de recaídas e cronificação do quadro ¹,². “O tratamento da depressão exige acompanhamento contínuo. Muitas pessoas abandonam a medicação quando começam a melhorar, mas essa interrupção sem orientação médica pode favorecer novos episódios”, alerta o Dr. Rogério.
Buscar ajuda profissional é fundamental quando os sintomas persistem por semanas ou começam a interferir na rotina. A OPAS recomenda conversar com pessoas de confiança, manter vínculos sociais e procurar atendimento médico ao perceber sofrimento emocional persistente.3
Também merecem atenção sinais como isolamento, perda de interesse pelas atividades habituais, alterações importantes no sono e no apetite, sensação frequente de inutilidade e pensamentos relacionados à morte.¹
Entender essas características e diferenças das condições ajudam a reduzir preconceitos, facilita o reconhecimento dos sintomas e contribui para que mais pessoas procurem ajuda precocemente.¹,²
Conteúdo elaborado em jun/2026
Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.
Médico consultor: Dr. Rogério Onofre (CRM-SP 192.427; RQE 109.401), médico psiquiatra formado pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-Unifesp) e pesquisador do Programa de Transtornos Afetivos (PRODAF), uma das frentes mais importantes do país em estudos sobre depressão resistente, bipolaridade e novas terapias como a cetamina. É também supervisor do ambulatório longitudinal da residência médica da EPM-Unifesp.
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