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Lidar com o período menstrual é um desafio para muitas mulheres. Estudos mostram que cerca de 40% das pessoas enfrentam sintomas desagradáveis nesse período, mas há estatísticas que mostram que esse número pode ser muito maior.1 De qualquer forma, sabemos que esse é um problema que afeta a vida de muita gente.2

Um dos principais sintomas presentes nesse período é a cólica, também conhecida como dismenorreia (termo relacionado com a dor pélvica, ou seja, na região do quadril e dos órgãos que se encontram por ali).3 Você lida com esse problema? Então, veio ao lugar certo!

Ao longo da nossa conversa de hoje, abordaremos informações importantes para que você possa aliviar as dores menstruais e garantir uma vida com muito mais qualidade, alegria e claro, livre de desconfortos. Vamos lá? Boa leitura! 

O que é cólica menstrual?

A cólica menstrual é um processo que pode acontecer no período menstrual. Ou seja, ela pode estar presente durante a TPM (tensão pré-menstrual) e também pode acontecer enquanto a menstruação está em curso.3

A sua duração varia. Há pessoas que sentem a dor apenas alguns dias antes da menstruação “descer”, enquanto outras relatam o desconforto ao longo de todo o ciclo.4 A intensidade também varia, indo de leve à incapacitante (quando a mulher não consegue estudar, trabalhar e nem, realizar qualquer atividade por conta da dor).4

De qualquer forma, a cólica é uma espécie de contração, mais ou menos como as observadas no trabalho de parto.5 A diferença está na sua intensidade. Aqui, o objetivo é realizar a expulsão da menstruação, uma mistura de endométrio (a camada que reveste o útero por dentro) com sangue.6

Quais são os tipos de cólica menstrual?

Podemos perceber que essa dor é decorrente de um processo natural do corpo. Mas será que todos os tipos de cólicas são iguais?

A resposta é: não!

De modo geral, há dois tipos de cólica menstrual: a primária e a secundária.5 No caso da primária, é exatamente o que foi explicado no tópico anterior. Ou seja, há um aumento na produção de uma substância chamada prostaglandina, que causa as contrações para eliminação da menstruação.7

Já na secundária, a dor é causada por problemas variados, sobre os quais falaremos a seguir!

Quais problemas podem estar relacionados às dores menstruais?

Como vimos, a cólica (dismenorreia) secundária é o tipo de dor originada a partir de um problema de saúde.8 Veja, a seguir, algumas possíveis causas.

Endometriose

Já mencionamos que o endométrio é o nome dado à camada que reveste o útero por dentro, responsável pela fixação do embrião no comecinho da gestação.

No entanto, há uma condição chamada endometriose na qual as células endometriais não saem pela menstruação, mas sim se alojam em outras estruturas do organismo, gerando inflamação e muita dor.9

Síndrome dos ovários policísticos

Quando os ovários têm cistos, dizemos que eles são policísticos.10 Essa é uma síndrome que acomete muitas mulheres e traz sintomas como acne, aumento de peso e, claro, dor intensa e muitas cólicas.11 Pode acontecer com mulheres de qualquer idade e, felizmente, tem tratamento!

Miomas

Os miomas são tumores benignos que podem acometer estruturas como o útero ou os ovários, gerando dores por conta da compressão.12 Além disso, é comum que a mulher apresente aumento da região abdominal e sinta urgência para ir ao banheiro.12

Tumores malignos

Os tumores malignos também são uma causa possível para a sensação de cólica.13 Por isso, é muito importante fazer check-ups frequentes no trato reprodutor, já que eles permitem que problemas dessa natureza sejam identificados e tratados rapidamente.13

Estenose 

A estenose é um problema que se caracteriza pela compressão ou o estreitamento de alguma área.14 Quando ela acontece em regiões próximas à pelve, pode gerar cólicas por conta da pressão nos nervos e outros motivos.14

Como aliviar as dores menstruais?

Agora, chegou a hora de você conhecer as principais dicas para evitar (ou pelo menos diminuir) consideravelmente as dores menstruais. Vamos lá!

Utilize bolsas de água quente

As compressas de água quente são importantes aliadas contra as dores menstruais. Mas, por que isso acontece? A resposta é: relaxamento muscular. Quando aplicamos calor no “pé da barriga”, os músculos relaxam e as contrações cessam ou diminuem por um período, gerando um grande alívio.15 Vale a pena tentar!

Uso de anticoncepcional

O uso de anticoncepcionais pode ajudar bastante na redução da cólica menstrual.15 No entanto, fique de olho: é necessário ter o “ok” de um ginecologista para começar a usar esse tipo de medicação.

Pratique atividades físicas

Pode parecer estranho, mas a prática regular de atividades físicas ajuda muito no controle das dores de todo o corpo, incluindo as cólicas.15 Isso acontece por conta da liberação da endorfina uma substância naturalmente produzida pelo organismo e que ajuda na redução da sensação desconfortável da dor.16

Invista em medicamentos para essa finalidade

No âmbito farmacêutico, há muitos medicamentos que ajudam a aliviar as cólicas.17 Alguns deles podem ajudar muitas mulheres nesse período tão complicado, inibindo a produção das prostaglandinas e aliviando a sensação de desconforto.15

Reduza o estresse

O estresse é um grande inimigo do organismo como um todo, mas também pode estar associado a consequências negativas para quem sofre com cólicas.18 O ideal é se engajar em atividades benéficas em sua rotina.

Tenha uma alimentação equilibrada

Investir em uma alimentação adequada é uma ótima maneira de combater as cólicas. O ideal é evitar, nesse período, ingredientes como alimentos muito oleosos e gordurosos.19 No lugar disso, coma muitos vegetais e também oleaginosas, como nozes. Esses alimentos contêm substâncias que ajudam a aliviar a dor e reduzir a inflamação no corpo todo.20

Gostou de conhecer essas dicas para lidar com as dores menstruais? Agora, é hora de colocá-las em prática e obter muito mais qualidade de vida! Lembrando: sempre siga as recomendações de um profissional da saúde. Ele saberá exatamente o que é melhor para o seu caso!

Aproveite e compartilhe este artigo em suas redes sociais. Muitas pessoas lidam, no dia a dia, com as dores menstruais. Quem sabe essas dicas também não as ajudam a ter uma vida mais saudável e livre de desconforto?

Referências:

  1. Nogueira, C. W. M.; Pinto E Silva, J. L. Prevalência dos Sintomas da Síndrome Pré-Menstrual. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 22, p. 347–351, 2000.
  2. Grandi, G. et al. Prevalence of menstrual pain in young women: what is dysmenorrhea? Journal of Pain Research, p. 169, 2012. 
  3. De Sanctis, V. et al. Primary Dysmenorrhea in Adolescents: Prevalence, Impact and Recent Knowledge. Pediatric endocrinology reviews: PER, v. 13, n. 2, p. 512–520, 2015. 
  4. The University of Texas at Austin. University Health Services. Menstrual Cramps. Disponível em: https://healthyhorns.utexas.edu/hs_mentrualcramps.html. Acesso em: 8 jun. 2022. 
  5. Alves, TP; Yamagishi, JA; Nunes, JS; Terra Júnior, AT; Lima, RRO. Dismenorreia: dianóstico e tratamento. FAEMA – Revista Científica da Faculdade de Educação e Meio Ambiente, [s. l.], v. 7, n. 2, p. 1-12, 2016.
  6. Mayo Foundation for Medical Education and Research (MFMER). Menstrual Cramps. Disponível em: https://www.mayoclinic.org/diseases-conditions/menstrual-cramps/symptoms-causes/syc-20374938. Acesso em: 8 jun. 2022  
  7. Leite, M. C. A.; Nóbrega, M. M. A Dismenorréia primária como problema de saúde pública. Revista de Ciências da Saúde Nova Esperança, v. 6, n. 1, p. 8–19, 15 jul. 2008. 
  8. Dardes, R. C. M.; Moraes, A. S.; Santos, M. B. Dismenorreia. Rev. bras. med, v. 68, n. 12, 2011. 
  9. Marqui, A. B. T.. Endometriose: do diagnóstico ao tratamento. Rev. enferm. atenção saúde, v. 3, n.2, p. 97-105, 2014. 
  10. Junqueira, P. A. A.; Fonseca, A. M. Da; Aldrighi, J. M. Síndrome dos ovários policísticos. Revista da Associação Médica Brasileira, v. 49, n. 1, p. 13–14, 2003. 
  11. Jeong, J. Y. et al. Polycystic ovarian morphology is associated with primary dysmenorrhea in young Korean women. Obstetrics & Gynecology Science, v. 62, n. 5, p. 329–334, 2019. 
  12. Faria, J.; Godinho, C.; Rodrigues, M. Miomas uterinos – revisão da literatura. Acta Obstet Ginecol Port, v. 2, n. 3, p. 131–142, 2008. 
  13. Nogueira, CM. Determinantes da Síndrome Pré-menstrual: Análise de Aspectos Clínicos e Epidemiológicos. v. 21, n. 2, p. 117, 1999. 
  14. Diógenes, M. A. R. Dismenorréia: A Vivência Expressa Por Adolescentes. Cogitare Enfermagem, v. 5, n. 2, 2000. 
  15. Troncon, JK; Rosa-E-Silva, ACJS; Reis, RM. Dismenorreia: abordagem diagnóstica e terapêutica. Femina® – Publicação oficial da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia, São Paulo, v. 48, n. 9, p. 518-23, 2020.
  16. Fontoura, P. K. V.; Cordeiro, A. K. Efeitos do Pilates no tratamento de Dismenorreia Primaria: Uma revisão literária. ANAIS SIMPAC, v. 9, n. 1, 2018. 
  17. Sezeremeta, D. C. et al. Dismenorreia: Ocorrência na Vida de Acadêmicas da Área de Saúde. Journal of Health Sciences, v. 15, n. 2, 2013. 
  18. Zschucke, E. et al. The stress-buffering effect of acute exercise: Evidence for HPA axis negative feedback. Psychoneuroendocrinology, v. 51, p. 414–425, 2015. 
  19. Pereira, A. F.; Botelho, M. G. N.; Elias, L. S. Efeito De Cálcio, Magnésio E Vitamina B6 Na Minimização Dos Sintomas Pré-Menstruais: Um Estudo De Revisão. RECIMA21 – Revista Científica Multidisciplinar, v. 3, n. 1, p. e311075–e311075, 2022. 
  20. SILVA, A. C. M. S. et al. A Importância Do Consumo De Alimentos Antiinflamatórios. SEMPESq – Semana de Pesquisa da Unit – Alagoas, n. 7, 2019.

* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.