Scroll

Sem tempo para ler? Clique no play abaixo para ouvir esse conteúdo.

Você sabia que o aumento dos números de casos de dengue nos anos de 2023 e 2024 fez com que fosse emitido um alerta para os países americanos?1 Nas 11 primeiras semanas de 2024, o Brasil registrou 1.889.206 casos prováveis e confirmados de dengue, a maior incidência desde o ano 2000.2

Ou seja: é preciso estar alerta e considerar os perigos da dengue para toda a sociedade. No entanto, há alguns grupos de risco para a doença, e essas pessoas devem prestar uma atenção ainda maior à sua saúde. Um bom exemplo é o grupo dos cardiopatas.3

Mas afinal, qual é a relação entre cardiopatas e dengue? Como a dengue pode afetar as pessoas com doenças cardiovasculares? Continue a leitura para tirar as suas dúvidas e saber mais sobre o assunto!

O que é a dengue?

A dengue é descrita como uma doença infecciosa que pode se manifestar em diferentes níveis, indo desde os leves até os mais graves. Ela é aguda e caracterizada principalmente pela presença de febre alta e repentina, dor de cabeça intensa, dor muscular, fadiga e, em casos mais graves, dor abdominal, sangramentos e choque.4

Alguns fatores que contribuem para a diferença na gravidade dos sintomas são o tipo de vírus, o histórico de infecção da doença e a saúde de cada paciente.4

Alguns fatores que podem influenciar o curso da doença são condições de saúde pré-existentes, como diabetes, asma brônquica e anemia falciforme.4 A cardiopatia também pode ser descrita como um fator complicador.3

O vírus responsável pela dengue pertence à família dos flavivírus, transmitido principalmente pelos mosquitos do gênero Aedes aegypti.4

Ao todo, existem quatro sorotipos conhecidos do vírus da dengue: 1, 2, 3 e 4.4 Sendo assim, há diferenças entre as características da doença de acordo com o tipo de vírus. A gravidade dos sintomas também pode variar em função disso.5

Como é transmitida?

O mosquito Aedes aegypti é o vetor responsável pela propagação do vírus da dengue. A sua picada em uma pessoa infectada (e posteriormente em uma pessoa saudável) é o principal meio de transmissão entre as pessoas.4

Sendo assim, é importante ressaltar que a transmissão não ocorre por meio do contato direto com uma pessoa doente ou suas secreções, nem por meio de água ou alimentos contaminados.4

Quais são os primeiros sintomas?

Os primeiros sinais da dengue podem se manifestar de diferentes formas, sendo as mais comuns febre, dor de cabeça, dores pelo corpo e sensação de mal-estar geral. Porém, alguns pacientes podem não apresentar sintomas inicialmente, o que torna a doença ainda mais desafiadora de ser identificada precocemente.4

É crucial ter atenção a sinais de alerta que podem indicar uma forma mais grave da doença, já que esses sintomas podem ser indícios de dengue hemorrágica, uma condição potencialmente fatal.4 Eles incluem:

  • surgimento de manchas avermelhadas na pele;4
  • sangramentos pelo nariz ou gengivas;4
  • dor abdominal intensa;4
  • vômitos persistentes.4

Ao perceber qualquer desses sintomas, é importante buscar ajuda médica para avaliação e diagnóstico adequados, uma vez que os primeiros sinais da dengue podem ser facilmente confundidos com outras doenças, como febre-amarela, malária ou leptospirose.4 No caso dos pacientes com problemas no coração, essas manifestações acendem um sinal de alerta ainda mais importante.3

Quais são os perigos da dengue para cardiopatas?

É hora de entendermos mais sobre a relação entre a dengue e doenças cardíacas. Alguns pacientes cardiopatas fazem uso de medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários.3

No entanto, um dos possíveis efeitos adversos da dengue é justamente o comprometimento no sistema de coagulação sanguínea, no processo que é conhecido como dengue hemorrágica. Nesses casos, o uso desses remédios poderia complicar ainda mais o quadro, aumentando as chances dos pacientes apresentarem um sangramento ainda maior.3

Por essa razão, é crucial que os pacientes cardiopatas, mesmo que não apresentem sinais de alerta, procurem seu médico para, se necessário, realizar um hemograma. Esse exame permite a avaliação e a contagem de plaquetas, o que é essencial para orientar o manejo dos medicamentos anticoagulantes e anti agregantes plaquetários.3

Dependendo dos níveis de plaquetas no sangue, pode ser necessário internação hospitalar e monitoramento diário do hemograma. Em casos mais graves, pode ser recomendada a suspensão dos medicamentos anticoagulantes ou antiagregantes plaquetários.3

Além disso, é preciso ter atenção às complicações cardíacas da dengue, ainda que sejam raras. Dentre elas, a disfunção ventricular e a diminuição da função miocárdica podem estar presentes.6

Sendo assim, é importante que o quadro dos pacientes com problemas cardíacos seja cuidadosamente avaliado. Afinal, é possível que a interrupção dos medicamentos implique em complicações, o que demanda atenção e, por vezes, internação.3,6

Quais são os cuidados para evitar a dengue?

Você já conhece o risco de dengue em pessoas com condições cardíacas, certo? Então, chegou o momento de descobrir ou relembrar os passos para evitar que o problema se espalhe por aí e afete não só você, mas também outras pessoas!

Para prevenir a dengue, a melhor abordagem é eliminar os locais onde o mosquito transmissor da doença pode depositar seus ovos. Isso pode ser feito pela eliminação de qualquer acúmulo de água parada, que é propício para a criação desses mosquitos.4

Dessa forma, é fundamental evitar o acúmulo de água em recipientes como latas, garrafas, pneus velhos, vasos de plantas, caixas d’água, tambores, e outros recipientes que possam servir de criadouro para o mosquito Aedes aegypti.4

Medidas como o uso de telas em janelas e portas, repelentes e roupas que cubram a maior parte do corpo também podem contribuir para a proteção contra picadas de mosquitos infectados.2

Agora que conhece os perigos da dengue para cardiopatas e entendeu como prevenir essa doença, redobre os cuidados, especialmente se você tem problemas cardíacos! Também é importante implementar as medidas de combate ao mosquito vetor do problema. Assim, você faz a sua parte nos cuidados da sua saúde e de toda a sociedade.

Para mais informações sobre problemas que podem prejudicar a sua saúde e bem-estar, acesse o portal A Vida Plena! Por lá, há dicas para manter você e toda a família mais saudáveis e felizes. Até a próxima!

Conteúdo elaborado em 22 abr. 2024.

Referências:

1. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). Alerta Epidemiológico – Aumento de casos de dengue na Região das Américas – 16 de fevereiro de 2024. [internet] 2024. [Acesso 12Jun2024]. Disponível em: https://www.paho.org/pt/documentos/alerta-epidemiologico-aumento-casos-dengue-na-regiao-das-americas-16-fevereiro-2024

2. Conselho Federal de Enfermagem (COFEN). Com mais de 1,8 milhão casos em três meses, dengue atinge recorde histórico no Brasil. [internet] 2024. [Acesso 12Jun2024]. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/com-mais-de-18-milhao-casos-em-tres-meses-dengue-atinge-recorde-historico-no-brasil/

3. Instituto do Coração (InCor | Ciência e Humanismo). Epidemia de dengue: InCor alerta para cuidados fundamentais de cardiopatas. [internet] 2024. [Acesso 12Jun2024]. Disponível em: http://www.incor.usp.br/sites/incor2024/imprensa/169/epidemia-de-dengue-incor-alerta-para-cuidados-fundamentais-de-cardiopatas

4. Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Dengue. [internet] 2007. [Acesso 12Jun2024]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/dengue-16/

5. Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SSDF). Sorotipos da dengue: conheça as variações do vírus transmitido pelo Aedes aegypti. [internet] 2024. [Acesso 12Jun2024]. Disponível em: https://www.saude.df.gov.br/web/guest/w/sorotipos-da-dengue-conhe%C3%A7a-as-varia%C3%A7%C3%B5es-do-v%C3%ADrus-transmitido-pelo-aedes-aegypti

6. Pesaro AE, D’Amico É, Aranha LFC. Dengue: manifestações cardíacas e implicações na terapêutica antitrombótica. Arq Bras Cardiol. 2007Aug;89(2):e12–5. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/tH8c7mv4j36N6f3qFcZ7mSr/