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Conheça 6 informações sobre a narcolepsia!

Cada vez mais acessamos informações que mostram que a qualidade do sono impacta em nossas vidas. E, quando ele é prejudicado por certos distúrbios, muitas doenças podem surgir.1 No dia 22 de setembro, é lembrado o Dia Mundial da Narcolepsia, uma doença crônica que afeta o sono e acomete em torno de três milhões de pessoas no mundo.2

Você já ouviu falar nesse distúrbio? Pessoas que sofrem com narcolepsia têm muita dificuldade para manter um padrão de sono, além de estarem quase sempre sonolentas durante o dia. Um dos sinais mais característicos dessa condição é o sono involuntário e repentino, o que pode ser um risco para acidentes envolvendo a vida do indivíduo afetado e a de outros ao seu redor.3

E por aí, já aconteceu de você cair no sono inesperadamente durante o dia? Se você está sofrendo de algum problema parecido ou conhece alguém que esteja passando por alguma situação assim, continue a leitura para entender mais sobre essa condição! 

O que é a narcolepsia?

Trata-se, basicamente, de um distúrbio crônico do sono com causas neurológicas e um problema sem cura, que dura a vida toda. As pessoas com essa condição podem apresentar um sono muito irregular, acordando diversas vezes durante a noite. Em alguns casos, há uma falsa impressão de descanso ao acordar, mas isso dura pouco, pois é frequente a sensação de sonolência excessiva durante o dia.3

Os cochilos rápidos que podem ocorrer também só enganam, pois não são suficientes para um descanso efetivo.2 Com isso, você já deve imaginar que fica muito difícil se manter alerta nos períodos de atividade do corpo, principalmente porque a condição impacta as atividades do dia a dia.

Os episódios de sono da pessoa narcoléptica não escolhem a hora, ocorrem durante as refeições, enquanto conversa, trabalha ou até mesmo quando dirige. Ou seja, é um problema que, além de gerar constrangimento, também oferece riscos.3

De acordo com a ciência médica, a narcolepsia pode ser classificada em dois tipos:2,3

  • Tipo 1: a pessoa apresenta episódios de cataplexia, tem sonolência diurna excessiva e um baixo nível de hipocretina (uma substância química produzida no cérebro, que regula o ciclo sono-vigília);
  • Tipo 2: é uma forma mais leve de narcolepsia, na qual os níveis de hipocretina costumam estar normais, embora a sonolência diurna prevaleça e o indivíduo não apresente cataplexia.

Cataplexia e narcolepsia

A cataplexia é uma perda súbita do tônus muscular, que é fundamental para manter o nosso corpo firme e em movimento. Geralmente, é desencadeada por algum episódio emocional forte, como riso, estresse, raiva, medo, ou até mesmo excitação. Isso resulta em perda do controle muscular e fraqueza, que pode ser leve, afetando poucos músculos — um cair de pálpebras, por exemplo —, ou generalizada. Neste último caso, a pessoa fica sem forças e não consegue se mover ou falar.2,3

Quando a cataplexia se manifesta na forma mais intensa, muitas vezes é confundida com um desmaio ou ataque epilético. Entretanto, ao contrário do que ocorre nesses casos, a pessoa com cataplexia se mantém totalmente consciente.2,3 

Sono REM e narcolepsia

Você já deve ter ouvido falar sobre o sono com Movimento Rápido dos Olhos, conhecido pela sigla REM, do inglês Rapid Eye Movement. É uma fase do ciclo de sono, na qual os sonhos acontecem. Nos ciclos normais, a fase REM se inicia entre 60 a 90 minutos após adormecermos. Em pessoas com narcolepsia, esse estágio acontece muito rápido, em até 15 minutos após adormecerem.3

E sabe aquela flacidez do tônus muscular chamada cataplexia? Em um ciclo normal de sono, o cérebro mantém os músculos flácidos durante o sono REM. Quem sofre de narcolepsia pode não ter isso.3

Por que ocorre a narcolepsia?

O cérebro das pessoas com narcolepsia funciona de um modo diferente. Ele perde a capacidade de regular os ciclos de sono-vigília normalmente, ou seja, os períodos de dormir e os períodos de atividade.3

Do ponto de vista da ciência, essa falta de regulação se explica pela baixa dos neurotransmissores cerebrais chamados hipocretinas, como mencionamos anteriormente. E a hipocretina, por sua vez, diminui por conta do desaparecimento das células que a produzem na região do cérebro chamada hipotálamo. Essa substância também é responsável por regular funções cerebrais como metabolismo e pressão arterial.4

Vale saber que fatores genéticos e ambientais influenciam o sistema imunológico e resultam na queda da hipocretina.5

Quem pode ter narcolepsia?

A narcolepsia não escolhe gênero. Não há prevalência específica, podendo acometer tanto mulheres como homens na mesma proporção. Vale se atentar ao período do início dos sintomas: geralmente surgem na adolescência.4

Quais são os sintomas da narcolepsia?

Conheça 6 informações sobre a narcolepsia!

A narcolepsia é um distúrbio que ainda não tem cura, mas, quando diagnosticado e tratado, pode apresentar um bom controle dos sintomas.3

Sintomas principais

Veja quais são as manifestações que mais se destacam nessa condição.

Sonolência excessiva diurna (SED)

Costuma ser o sintoma mais evidente da narcolepsia3 , geralmente com vários episódios de sono no decorrer do dia. São sensações repentinas, muitas vezes incontroláveis. E entre um episódio e outro, a pessoa tem seus níveis de vigília estáveis.2,3

Cataplexia

É caracterizada pela perda do tônus muscular, podendo ser leve ou intensa, como informado anteriormente. É um dos primeiros sintomas da narcolepsia que costuma surgir e, mesmo quando acontece de forma mais intensa, a pessoa que aparenta estar desmaiada não perde a consciência. O maior risco é algo acontecer no momento da queda.3

Paralisia do sono

Dura de segundos a minutos onde a pessoa não consegue se mexer ou falar, mesmo permanecendo totalmente consciente. Os episódios acontecem quando ela está prestes a dormir ou logo após acordar. Esse sintoma tem uma semelhança com a cataplexia, exceto pelos momentos em que ocorre.3

Alucinações hipnagógicas e hipnopômpicas

Os nomes são tão assustadores quanto as visões que as pessoas com narcolepsia relatam ver durante a paralisia do sono. As hipnagógicas aparecem no início do sono e as hipnopômpicas ao acordar.2,3

Sono fragmentado e insônia

Além dos episódios de ataques de sono durante o dia, o sono noturno também não é constante e regular. A narcolepsia ainda resulta em insônia, apneia do sono etc.3

Outros sintomas

Outros sintomas que podem ocorrer na narcolepsia são:6 

  • fadiga intensa e falta de energia;
  • depressão;
  • dificuldade de concentração e memorização;
  • problemas de atenção e foco;
  • compulsão alimentar;
  • membros fracos.

Como a narcolepsia é diagnosticada?

O diagnóstico da narcolepsia costuma demorar entre cinco e quinze anos. Não raramente, as pessoas acometidas são taxadas de preguiçosas.4 Em adição ao quadro, o seu diagnóstico encontra muitas barreiras porque certos sintomas são comuns a outros distúrbios. E aí acontece a confusão: cerca de 60% dos pacientes são diagnosticados erroneamente, com depressão, insônia e apneia obstrutiva do sono.2

Diante de todos esses desafios, se você desconfia que sofre dessa condição, o ideal é buscar um profissional habilitado que fará o diagnóstico individualizado. Primeiro, será realizada uma anamnese (conversa sobre o histórico do paciente) seguida pela avaliação clínica e exame físico para descartar ou identificar outras questões neurológicas. Um diário do sono também pode ser de grande valia nesse momento.3

Existem exames especializados para confirmar o diagnóstico da condição. Veja os mais solicitados.

  • Polissonografia (PSG): é um estudo que registra o sono noturno para visualizar os movimentos que o acompanham, como atividade cerebral, muscular e respiração. Isso vai ajudar a determinar em qual momento acontece o sono REM.3
  • Teste de latência múltipla do sono (MSLT): Esse exame vai determinar o quão rápido você adormece e se entra no sono REM.3

Quais são os tratamentos da narcolepsia?

A partir do diagnóstico do problema, é preciso pensar em como cuidar da melhor forma possível da qualidade do sono. As indicações de tratamento podem ser medicamentosas e relacionadas à mudança de estilo de vida. Há diversos medicamentos que podem ajudar no controle dos sintomas, como a sonolência excessiva e a cataplexia. Importante lembrar que todos os tratamentos são individualizados e só o seu médico, após avaliação, poderá indicar o que é melhor para você.4

Algumas recomendações incluem a mudança no estilo de vida:3

  • tirar sonecas curtas e reguladas, sempre nos mesmos horários e intervalos;
  • rotina de sono;
  • evitar estimulantes antes de dormir, como beber café e fumar cigarro;
  • fazer atividade física regularmente;
  • não fazer refeições pesadas à noite, principalmente antes de dormir.

Mesmo que os tratamentos ajudem a controlar os sintomas da narcolepsia, é muito difícil a eliminação total dos sintomas. E ainda é uma condição que precisa de mais estudos e pesquisas para ser compreendida.7

Como você pôde acompanhar, a narcolepsia é uma condição do sono complexa, com um diagnóstico desafiador por seus sintomas. Por outro lado, alguns deles são muito característicos, como a cataplexia, afinal, ter ataques de sono e de perda do tônus muscular involuntários, além de constranger, podem representar sérios riscos. E, assim como os demais distúrbios do sono, pode afetar diversos aspectos da saúde.4 Logo, é fundamental buscar orientação médica com um especialista.

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Referências

  1. Ionescu CG, Popa-Velea O, Mihăilescu AI, Talaşman AA, Bădărău IA. Somatic Symptoms and Sleep Disorders: A Literature Review of Their Relationship, Comorbidities and Treatment. Healthcare. 2021; 9(9):1128.
  2. Narcolepsy Network. Narcolepsy Fast Facts. 2013 [Internet]. Acesso em 25jul2024. Disponível em: https://narcolepsynetwork.org/about-narcolepsy/narcolepsy-fast-facts/  
  3. National Institute of Neurological Disorders and Stroke. Narcolepsy. [Internet]. Acesso em 24jul2024. Disponível em: https://www.ninds.nih.gov/health-information/disorders/narcolepsy 
  4. Morgadinho, F. E-book Sono Nosso de Cada Dia. 1ª ed. Editora Conectfarma, 2023. [Internet]. Acesso em 9ago2024. Disponível em: https://avidaplena.com.br/wp-content/uploads/2024/06/livro-do-sono.pdf 
  5. Sakurai, T. The neural circuit of orexin (hypocretin): maintaining sleep and wakefulness. Nat Rev Neurosci. 2007; 8: 171–181.
  6. Bassetti, CLA, Adamantidis, A, Burdakov, D. et al. Narcolepsy — clinical spectrum, aetiopathophysiology, diagnosis and treatment. Nat Rev Neurol. 2019; 15: 519–539.
  7. Bassetti C, Aldrich MS. Narcolepsy. Neurologic Clinics. v. 14 (3): 545-571.1996.

Data de produção: 9 de agosto de 2024.