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Publicado em: 21 de janeiro de 2025
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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a diabetes é um distúrbio metabólico. Essa doença se caracteriza pelo aumento do nível de glicose no sangue, condição que tem o potencial de causar diversos danos para órgãos importantes, como o coração, os olhos e até mesmo nervos e vasos sanguíneos. No entanto, vale destacar que também existe uma relação estreita entre dor e diabetes.¹
O que nem todo mundo sabe é que os pacientes diagnosticados com essa doença apresentam uma prevalência maior de dor, como nas costas, no abdômen, nos membros inferiores e no pescoço. Inclusive, esse sintoma leva a um aumento da procura por atendimento médico.¹
Por consequência, há um impacto econômico devido à quantidade excessiva de recursos para tratar esses pacientes. Além do fato de que a dor crônica na diabetes também traz problemas de saúde.¹
Sendo assim, o tratamento é fundamental para evitar os gastos excessivos e promover qualidade de vida para o diabético1. Quer saber mais sobre o assunto? Então, continue a leitura!
Os sintomas associados à diabetes podem afetar partes diferentes do corpo da pessoa. É bastante comum que pacientes com essa doença procurem um suporte de saúde em função dos quadros dolorosos, que são também um dos principais sintomas subjetivos que a diabetes provoca, inclusive, contribuindo para a identificação do pré-diabetes.¹
Milhões de pacientes que apresentam a doença manifestam tipos diferentes de dor crônica. Isso inclui os mais jovens1.
Para você ter uma ideia dessa relação estreita entre dor e diabetes, mais de 90% dos pacientes apresentam neuropatia.² Mas não se resume a isso, já que as manifestações dolorosas, como dito, são as mais diversas. A seguir, falamos sobre alguns tipos de dores que o diabético costuma sentir.
Ainda não se tem todas as informações sobre os mecanismos da neuropatia diabética, apesar de já se saber que a dor é um dos principais sintomas dessa condição. Ela é bastante comum tanto no diabetes do tipo 1 quanto no tipo 2.²
Uma teoria que já é aceita é o fato de que a hiperglicemia provoca efeitos tóxicos e isquemia nos nervos que contribuem para o desenvolvimento da neuropatia diabética. Essa condição costuma gerar uma dor em choque ou formigamento que afetam inicialmente os dedos e o pé, mas também pode progredir para as pernas.²
A neuropatia causa uma perda progressiva das fibras nervosas,gerando dores que se manifestam como pontadas, queimação, formigamento ou a sensação de choque elétrico.²
O desconforto tende a piorar durante a noite, sendo uma dor considerada de intensidade moderada a grave, e pode provocar distúrbios do sono. Além disso, traz outras complicações, já que afeta as atividades diárias da pessoa e pode influenciar de forma negativa no humor dela. Assim, faz com que se distancie de atividades sociais e recreativas, o que pode levar à associação com quadros depressivos.²
A dor musculoesquelética ocorre em várias partes do corpo, mas as mais afetadas por esse desconforto costumam ser:¹
Nesse caso, dor e diabetes podem estar associados em função do acúmulo de colágeno nas articulações e nos tecidos conjuntivos. Na tentativa de explicar a relação entre esse tipo de dor e diabetes, geralmente, os pesquisadores relacionam as manifestações dolorosas às alterações estruturais e das propriedades mecânicas dos tecidos.¹
Alguns dos efeitos musculoesqueléticos que podem ser percebidos em quadros de diabetes são:³
Sendo assim, como você pode perceber, os pacientes diabéticos também apresentam uma maior propensão para os problemas reumáticos.¹
Pessoas diabéticas apresentam diversas alterações no sistema hemostático. Assim, é bastante comum a ocorrência de alterações nas plaquetas, nos anticoagulantes naturais, nos fatores de coagulação, alterações endoteliais e outras, que são causadas de forma direta ou indireta pela hiperglicemia.4
Essas alterações que ocorrem na circulação sanguínea do paciente podem contribuir, também, para a degeneração do tecido conjuntivo, favorecendo a relação entre dor e diabetes. Esses prejuízos aumentam a probabilidade de a pessoa ter prolapso de disco e dores na região da lombar.¹
A diabetes afeta os rins e ainda pode provocar dores abdominais.¹ Sendo assim, os desconfortos viscerais ocorrem nessa doença. Inclusive, um dos problemas que ela pode provocar é a gastroparesia.5
Isso porque a hiperglicemia provoca alterações na motilidade gastrointestinal, quadro que ocorre em função da neuropatia autonômica. Assim, a pessoa pode ter distúrbios na motilidade do esôfago, do intestino ou na motilidade gástrica.5
Com isso, muitas vezes podem ocorrer sintomas severos, inclusive, que dificultam o controle da glicemia. Portanto, a gastroparesia desencadeada pela diabetes provoca dores abdominais e outras queixas digestivas, como náuseas e vômitos.5
Como você pode perceber, dor e diabetes ocorrem de forma associada em função das muitas alterações que a doença provoca no organismo da pessoa. Também explicamos que isso pode causar ainda outros problemas de saúde, o que afeta a qualidade de vida e prejudica as atividades diárias.1
Sendo assim, é muito importante buscar atendimento médico, a fim de controlar a diabetes ao mesmo tempo em que é feito o tratamento das condições decorrentes dessa doença. Dessa forma, é possível controlar os quadros dolorosos.
A seguir, apresentamos algumas estratégias que podem auxiliar no melhor manejo da dor em diabéticos.
A diabetes por si só precisa de acompanhamento médico, afinal, como este artigo inteiro mostra, a pessoa que tem essa condição sofre com muitas dores crônicas, que podem trazer diversos abalos para sua saúde.
A dor neuropática, por exemplo, que afeta a maioria dos pacientes diabéticos, requer o uso de medicamentos para ajudar a reduzir o desconforto, além de fármacos para otimizar o controle glicêmico e ainda excluir outras possíveis causas desse mesmo problema.²
Como os fármacos estão envolvidos na terapia, o auxílio médico é indispensável, já que existem diferentes tipos de medicamentos que podem ser utilizados na dor crônica.²
Nas alterações musculoesqueléticas ocorre o mesmo, pois o tratamento também envolve profissionais, como no caso do fisioterapeuta.³ Sendo assim, o acompanhamento médico é indispensável para tratar a dor no diabetes.
O paciente diabético também precisa adotar seus próprios cuidados pessoais para conviver da melhor forma com a doença.
Mais uma vez tomando como exemplo a neuropatia diabética, o tratamento ou gestão dessa classe de dor depende, também, de medidas preventivas, principalmente relacionadas aos pés. Como é o caso do uso correto dos calçados e do exame anual desses membros.6
É recomendado, ainda, alterações na alimentação e a perda de peso.6 A prática de exercícios físicos pode contribuir para manter o peso saudável. Ela é muito importante para pessoas com diabetes porque ajuda a controlar o nível de glicose no sangue, reduz os riscos de problemas cardiovasculares e aumenta a sensação de bem-estar.7
Um controle eficiente da glicose é fundamental porque evita que aconteçam danos neurológicos no futuro, como nos quadros de neuropatia diabética.8 Como você viu, a hiperglicemia causa efeitos tóxicos que vão comprometer as fibras nervosas, gerando os quadros dolorosos.²
Sem falar dos prejuízos que a glicose provoca para os tecidos conjuntivos, as articulações e outros mais.¹ Sendo assim, é muito importante controlar os níveis de glicose para que isso não provoque os danos que citamos aos órgãos importantes.
A prática de exercícios físicos, mais uma vez, se mostra muito eficiente nesse sentido. Isso porque, ao se exercitar, há uma melhoria da tolerância do organismo à glicose e também da sensibilidade das células à insulina. Com isso, é possível reduzir a glicose7.
É possível tratar a dor na diabetes por meio da aplicação de cremes tópicos, que ajudam a reduzir as manifestações dolorosas. Mas há outras opções não farmacológicas, por exemplo, por meio das técnicas de acupuntura ou da estimulação elétrica.9
A dor neuropática também tem terapias alternativas, realizadas por meio de suplementos orais, como de ômega-3. Além disso, existem estudos que relacionam a carência de vitamina D a um maior risco de desenvolver neuropatia e outros problemas. Assim a suplementação intramuscular dessa vitamina poderia trazer uma melhoria nos quadros de dor neuropática6. Lembrando que qualquer suplementação deve ser realizada sob orientação médica.
A psicoterapia é muito importante para que pessoas com diabetes consigam lidar da melhor forma com essa doença. O trabalho pode ser realizado de forma individual ou em grupo. Nos dois casos, promove o processo de aceitação e de compreensão do problema entendendo, inclusive, de que se trata de uma condição crônica.10
Por meio da psicoterapia é possível lidar com os aspectos emocionais da doença, além de reduzir o sofrimento psicológico que a pessoa tem.10 Sem falar que contribui para a melhoria do autocuidado, favorecendo a mudança de comportamentos. Ainda, reduz os sintomas psicopatológicos que estão associados ao quadro de diabetes.11
Embora exista essa forte associação entre dor e diabetes, é possível ter mais qualidade de vida convivendo com a doença. Para isso, é fundamental a avaliação médica e manter os cuidados médicos fazendo o acompanhamento constante. Dessa forma, a glicose é controlada para evitar a hiperglicemia, que causa prejuízos e leva às manifestações dolorosas e outros problemas.
Você pode conferir outros conteúdos sobre diabetes e mais temas interessantes como esse no blog A Vida Plena. Continue navegando por nossos conteúdos.
* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
Conteúdo criado em 04 de novembro/2024.
Referências:
1. Aldossari KK, Shubair MM, Al-Zahrani J, Alduraywish AA, AlAhmary K, Bahkali S, et al. Association between Chronic Pain and Diabetes/Prediabetes: A Population-Based Cross-Sectional Survey in Saudi Arabia. Pain Res Manag. 2020;2020:8239474.
2. Schreiber AK, Nones CF, Reis RC, Chichorro JG, Cunha JM. Diabetic neuropathic pain: Physiopathology and treatment. World J Diabetes. 2015;6(3):432-44.
3. Wyatt LH, Ferrance RJ. The musculoskeletal effects of diabetes mellitus. J Can Chiropr Assoc. 2006;50(1):43-50.
4. Soares AL, Sousa M de O, Fernandes APSM, Carvalho M das G. Alterações do sistema hemostático nos pacientes com diabetes melito tipo 2. Revista Brasileira de Hematologia e Hemoterapia. 2010;32(6):482–8.
5. Cesarini PR, Ferreira SRG, Dib SA. Gastroparesia diabética. Revista da Associação Médica Brasileira. 1997 Jun;43(2):163–8.
6. Bodman MA, Dreyer MA, Varacallo MA. Diabetic Peripheral Neuropathy. [2024]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK442009/
7. Sociedade Brasileira de Diabetes. Exercícios são importantes para o controle da glicemia. 2024 [Internet]. [Acesso em Jan 2025]. Disponível em: https://diabetes.org.br/exercicios-sao-importantes-para-o-controle-da-glicemia/
8. Sociedade Brasileira de Diabetes. Neuropatia Diabética. 2021 [Internet]. [Acesso em Jan 2025]. Disponível em: https://diabetes.org.br/neuropatia-diabetica/
9. Conselho Regional de Farmácia. CRF-PR. A dor no diabetes. 2015 [Internet]. [Acesso em Jan 2025]. Disponível em: https://www.crf-pr.org.br/noticia/view/5599
10. Sociedade Brasileira de Diabetes. A importância da psicoterapia para as pessoas com diabetes. 2020 [Internet]. [Acesso em Jan 2025]. Disponível em: https://diabetes.org.br/a-importancia-da-psicoterapia-para-as-pessoas-com-diabetes/
11. Assumpção AA, Neufeld CB, Teodoro MLM. Cognitive-behavioral therapy for treatment of diabetes. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas. 2016;12(2):105-15.
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