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Apesar do conhecimento sobre epilepsia estar aumentando cada vez mais, muitas pessoas que têm a condição ainda enfrentam preconceito e julgamento. Esse tipo de estigma pode prejudicar a qualidade de vida, além de interferir no tratamento ao afetar a forma como a pessoa lida com a doença.1

“O apoio da família e amigos é fundamental para ajudar o paciente a seguir com o tratamento corretamente e, com isso, ter uma qualidade de vida melhor”, explica o Dr. Antonio Damin, médico neurologista e consultor da Libbs.

Inclusive, vale destacar que há um estudo que mostra que, para muitas pessoas com epilepsia, o apoio de um amigo ou de alguém especial pode ser ainda mais importante do que o apoio da família em pacientes com epilepsia.1

Neste artigo, vamos ajudar você a entender mais sobre a epilepsia, como identificar uma crise e quais são os tratamentos disponíveis. Continue a leitura para conferir!

O que é a epilepsia?

A crise epiléptica é uma alteração temporária e reversível no funcionamento do cérebro. Epilepsia é uma condição em que existe uma alta probabilidade destas crises ocorrerem novamente.2

Durante uma crise, uma parte do cérebro começa a enviar sinais de forma errada, o que pode durar apenas alguns segundos ou minutos. Esses sinais podem ficar restritos a uma área específica do cérebro, o que chamamos de crise focal; ou se espalhar para os dois lados do cérebro, formando uma crise generalizada.2

Dessa forma, as pessoas podem ter sintomas mais ou menos evidentes das crises, mas isso não significa que o problema seja menos grave em caso de crises menos aparentes.2

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2% da população no Brasil tem epilepsia. No mundo, são aproximadamente 50 milhões de pessoas que vivem com essa condição.3

Como identificar uma crise epiléptica?

Nas crises de ausência, a pessoa fica “desligada” por alguns segundos, mas depois volta ao normal e pode continuar o que estava fazendo, até mesmo sem perceber que algo aconteceu.2

Já nas crises focais, a pessoa apresenta sintomas, como uma mudança na percepção das coisas ou movimentos involuntários de uma parte do corpo. Ela pode sentir um medo repentino, um desconforto no estômago e até perceber sons ou imagens de forma diferente. Neste tipo de crise, a pessoa pode ou não perder a consciência.2

Após essas crises, a pessoa pode ficar confusa e com dificuldades de memória. Por isso, é importante manter a calma e, se necessário, levá-la para casa para descansar.2

Nas crises tônico-clônicas, a pessoa perde a consciência e cai, ficando com o corpo rígido. Depois, o corpo começa a contrair e tremer.2

Dessa forma, os sinais e sintomas das crises epilépticas podem ser variados. Existem outros tipos de crises também, mas o mais importante é saber que, se uma crise durar mais de 5 minutos sem a pessoa recuperar a consciência, ela pode ser perigosa, prejudicando o cérebro — nesses casos, a ajuda médica precisa ser realizada o mais breve possível.2

Quais são os tratamentos disponíveis para epilepsia?

O mês da epilepsia chegou! Saiba mais sobre a condição

O tratamento para a epilepsia geralmente começa com medicamentos. Eles ajudam a controlar as crises, estabilizando a atividade elétrica do cérebro. O tipo de medicamento depende de qual tipo de epilepsia a pessoa tem e de como seu corpo reage.4

A dosagem dos medicamentos precisa ser ajustada com acompanhamento médico para garantir que o tratamento seja eficaz e minimizar efeitos colaterais. No Brasil, a maioria desses remédios é fornecida pelo SUS (Sistema Único de Saúde).4

Além dos medicamentos, existe uma dieta chamada cetogênica, que é rica em gorduras e tem poucos carboidratos. Essa dieta pode ajudar a controlar as crises, principalmente em casos mais difíceis de tratar com remédios.4 No entanto, para ser eficaz e segura, ela precisa ser acompanhada por profissionais especializados para evitar problemas nutricionais.4

Se os medicamentos não forem suficientes, em casos selecionados, podemos considerar outras opções como a cirurgia de epilepsia e a neuromodulação, que envolve um dispositivo colocado sob a pele, perto da clavícula, que envia impulsos elétricos para o nervo vago, ajudando a reduzir as crises.4

Qual é a importância da conscientização no Purple Day?

O “Dia Roxo”, ou Purple Day, é uma data internacional que tem como objetivo aumentar a conscientização sobre a epilepsia a nível mundial. Todo ano, no dia 26 de março, as pessoas são convidadas a se vestir de roxo e participar de eventos para espalhar a mensagem sobre a epilepsia e apoiar aqueles que vivem com essa condição.3,5

“Infelizmente, muitas pessoas que têm epilepsia enfrentam preconceito. Isso faz com que elas não recebam o suporte necessário. Essa falta de compreensão torna a sua vida ainda mais difícil, o que pode levar ao desenvolvimento de problemas como ansiedade e depressão”, alerta o Dr. Dr. Antonio Damin.

Como proceder em uma crise de epilepsia?

Em muitos casos, as crises epiléticas não podem ser previstas, então é muito importante ter apoio para garantir que a pessoa não se machuque durante uma crise. Se você estiver perto de alguém que tiver uma crise, é preciso:3

  • marcar o tempo e pedir ajuda;
  • manter a calma e tentar tranquilizar as pessoas ao redor;
  • se possível, evitar que a pessoa caia de forma brusca;
  • deitar a pessoa de costas, em um local confortável e seguro, e colocar algo macio sob a cabeça para protegê-la — pode ser uma almofada, travesseiro ou até mesmo uma blusa enrolada, caso a crise aconteça em um local fora de casa;
  • não tentar impedir a pessoa ou impedir seus movimentos — deixe que ela se mova livremente;
  • afastar objetos que possam causar machucados;
  • deixar a pessoa deitada de barriga para cima, mas virar a cabeça dela para o lado quando possível;
  • se houver necessidade, pode afrouxar as roupas dela;
  • levantar o queixo para auxiliar na respiração;
  • verificar se há alguma pulseira, medalha ou identificação médica que possa ajudar a entender a causa da crise;
  • ficar ao lado até que recupere a consciência;
  • depois que a crise passar, deixe a pessoa descansar.

Muita gente acredita que, durante uma crise epiléptica, devemos segurar os braços e a língua da pessoa, mas isso é um mito.6

O que realmente devemos fazer é deitar a pessoa de lado, para ajudar a respiração. A cabeça deve ser apoiada em uma superfície macia para protegê-la.3,6

Nunca se deve colocar nada na boca da pessoa, nem tentar segurar seus movimentos.6 Outro ponto é que não devemos oferecer nada para ela beber ou comer. O mais importante é garantir que ela esteja segura e confortável até que a crise passe.6 Por fim, não dê tapas, nem jogue água ou ofereça algo para cheirar.3

Se a epilepsia estiver controlada, a pessoa pode e deve viver uma vida normal, como qualquer outra. Isso significa que é possível trabalhar, estudar, praticar esportes e se divertir com os amigos e familiares. A ideia é que, com o tratamento adequado, quem tem epilepsia possa participar plenamente da sociedade e aproveitar as oportunidades que surgirem.6

Gostou de saber mais sobre epilepsia? Então, aproveite que está aqui e confira outras publicações sobre saúde e bem-estar no blog A Vida Plena.

E não deixe de conferir nosso Guia de Orientações para o Paciente com Epilepsia.

Artigo elaborado em: 4 fev. 2025.

Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1. Cengiz GF, Tanık N. Who is more important in stigmatization, family or friends? Epilepsy Behav. 2020;104(Pt A):106880.

2. Liga Brasileira de Epilepsia. O que é epilepsia [internet]. LBE; 2021. Disponível em: https://www.epilepsia.org.br/o-que-e. Acesso em: 4 fev. 2025.

3. Brasil. Ministério da Saúde.  Epilepsia: conheça a doença e os tratamentos disponíveis no SUS [internet]. 2022. Disponível em: https://tinyurl.com/fkb4vevb. Acesso em: 4 fev. 2025.

4. Associação Brasileira de Epilepsia. Tratamentos [internet]. ABE. Disponível em:  https://epilepsiabrasil.org.br/tratamentos-da-epilepsia/. Acesso em: 4 fev. 2025.

5. Brasil. Ministério da Saúde. Biblioteca Virtual em Saúde.  26/3: “Dia Roxo” – Dia Mundial de Conscientização sobre a Epilepsia [internet]. Disponível em: https://tinyurl.com/3yx2tncc. Acesso em: 4 fev. 2025.

6. Liga Brasileira de Epilepsia. Mitos e verdades [internet]. LBE; 2021. Disponível em: https://www.epilepsia.org.br/mitos-verdades. Acesso em: 4 fev. 2025.