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Publicado em: 28 de outubro de 2025
A obesidade infantil é uma das doenças crônicas que mais crescem no mundo1. E o Brasil segue essa tendência. Estima-se que 6,4 milhões de crianças brasileiras tenham excesso de peso, e que 3,1 milhões já estejam com obesidade. Entre 5 e 9 anos, 13,2% das crianças atendidas pelo SUS vivem com a condição, e 28% apresentam excesso de peso, o que acende um sinal de alerta sobre os impactos do estilo de vida atual.2
O problema começa cedo: 14,8% das crianças menores de 5 anos já apresentam sobrepeso, e 7% obesidade.²
A boa notícia é que a obesidade infantil, ao contrário de outros distúrbios, pode ser prevenida com hábitos diários e um olhar atento desde os primeiros anos de vida³. “Ambientes saudáveis e educação alimentar desde cedo são fundamentais para prevenir doenças que comprometem o desenvolvimento e a saúde ao longo da vida”, explica o médico cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM 46977).
Veja também: Como manter uma alimentação saudável? 5 dicas para combater a obesidade em crianças e adolescentes O que é compulsão alimentar?
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A obesidade infantil não é apenas uma questão estética. Ela traz consequências físicas e emocionais que podem se estender até a vida adulta. Crianças com obesidade têm maior risco de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doenças cardíacas, apneia do sono, problemas ortopédicos e no fígado. Esses problemas afetam a qualidade de vida e podem reduzir a expectativa de vida se não forem tratados³ .
Os impactos, porém, não param no corpo. “O peso em excesso também mexe com o emocional das crianças. O bullying, a vergonha e a baixa autoestima são frequentes e podem causar depressão, ansiedade e distúrbios alimentares”, afirma o Dr. Jairo. Segundo ele, a construção da imagem corporal e o bem-estar psicológico começam na infância e a obesidade pode comprometê-los de forma profunda, levando à desafios de autoestima e saúde mental na idade adulta.
A obesidade não tem uma única causa, ela é resultado de uma interação entre fatores biológicos, sociais e ambientais. Isso significa que o excesso de peso é consequência de um contexto, não apenas de escolhas individuais.4
No ambiente familiar, maus hábitos alimentares, como consumo frequente de ultraprocessados, excesso de tempo de tela, sono irregular e falta de rotina alimentar criam um cenário que favorece o ganho de peso.4 “O ambiente em que a criança vive molda seus hábitos. A forma como a família se alimenta e se movimenta influencia diretamente o comportamento dela”, destaca o Dr. Jairo.
Além disso, mudanças sociais e econômicas das últimas décadas contribuíram para o crescimento da obesidade. Alimentos industrializados tornaram-se mais acessíveis, o marketing voltado às crianças é intenso e os espaços urbanos nem sempre favorecem a prática de atividades físicas4. “É um ambiente que estimula o consumo e reduz o movimento”, acrescenta o especialista.
O sedentarismo infantil é um dos principais fatores que levam ao aumento dos casos de obesidade. Nos últimos 20 anos, o tempo em frente a telas (TV, celulares, tablets e videogames) cresceu de forma exponencial. Isso reduziu o tempo de brincadeiras ao ar livre e atividades físicas4.
“O excesso de tempo de tela interfere não só no movimento, mas também na alimentação. É comum que as crianças comam sem perceber o quanto estão ingerindo enquanto assistem ou jogam, além de ficarem expostas a propagandas de fast food e alimentos ultraprocessados”, explica o Dr. Jairo.
Estudos mostram que crianças com obesidade tendem a se movimentar menos e que o declínio da atividade física começa cedo, por volta dos 6 anos, com uma nova queda acentuada na adolescência, especialmente entre meninas. 4
Outro fator pouco lembrado é o sono. Dormir pouco ou mal também aumenta o risco de ganho de peso. Noites curtas reduzem a produção de hormônios relacionados à saciedade e aumentam o apetite. O uso excessivo de telas à noite piora esse ciclo, atrasando o sono e favorecendo o cansaço no dia seguinte, o que reduz ainda mais o gasto energético. 4
O risco de obesidade pode começar ainda na barriga da mãe. Fatores como obesidade materna antes da gravidez, ganho de peso excessivo na gestação e diabetes gestacional aumentam as chances de a criança nascer com maior peso e desenvolver obesidade no futuro. 4
Após o nascimento, o aleitamento materno tem efeito protetor, enquanto a introdução precoce (antes dos 4 meses) de alimentos ultraprocessados está associada ao ganho de peso excessivo. 4
O modo como os pais lidam com a alimentação também influencia. “Estratégias de ‘controle rígido’, como forçar a comer tudo ou restringir alimentos de forma autoritária, podem gerar o efeito oposto. Gerando uma relação desregulada com a comida”, diz o Dr. Jairo. Já práticas de “alimentação responsiva”, em que os cuidadores reconhecem os sinais de fome e saciedade da criança, favorecem um crescimento saudável e equilibrado. 4
Outros fatores de risco incluem tabagismo durante a gravidez, exposição ao fumo passivo e poluição ambiental. Estudos também apontam uma relação entre uso frequente de antibióticos na primeira infância e aumento do risco de obesidade, possivelmente por alterações no microbioma intestinal. 4
“Experiências adversas na infância, como negligência ou violência, também estão associadas ao ganho de peso. O estresse pode modificar padrões hormonais e de comportamento alimentar”, completa o Dr. Jairo.
A boa notícia é que a obesidade infantil pode ser prevenida, e o caminho começa em casa. O ideal é que a introdução alimentar ocorra a partir dos 6 meses, após o período de aleitamento materno exclusivo, com foco em alimentos naturais e variados².
Para evitar a exposição precoce a ultraprocessados, refrigerantes, salgadinhos e biscoitos recheados devem sair de cena e dar espaço aos alimentos tradicionais e nutritivos como arroz, feijão, legumes e frutas.² “A alimentação da família é o modelo que a criança aprende a seguir. Ensinar hábitos saudáveis é uma forma de cuidado e de prevenção”, reforça o Dr. Jairo.
Entre as principais estratégias práticas para a prevenção da obesidade em crianças e adolescentes, destacam-se4:
Quando a obesidade já é realidade, o tratamento deve ser multidisciplinar e centrado na criança e na família. O objetivo é reduzir o excesso de gordura corporal, melhorar as complicações físicas e emocionais e evitar o desenvolvimento de doenças crônicas. 4
O cuidado começa com mudanças de comportamento, incluindo a alimentação, atividade física, sono e tempo de tela, sempre com orientação profissional. 4 “A abordagem deve ser compassiva e individualizada, focando na saúde e não apenas no peso”, diz o Dr. Jairo.
As intervenções mais eficazes incluem programas familiares com encontros semanais, atividades físicas regulares e acompanhamento psicológico. Técnicas como definição de metas, automonitoramento e terapia cognitivo-comportamental (TCC) ajudam na adesão às mudanças e reduzem barreiras emocionais. Melhorar o sono e a qualidade das interações familiares também faz parte do tratamento4.
“A obesidade é uma condição complexa. O apoio psicológico e o envolvimento dos pais são tão importantes quanto as mudanças alimentares”, reforça o especialista.
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