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A síndrome geniturinária da menopausa é uma condição comum, progressiva e ainda pouco discutida, apesar de afetar milhões de mulheres após a menopausa. Além de um simples ressecamento vaginal, a condição reúne alterações que atingem a vagina, a vulva, a uretra e a bexiga, provocando sintomas que podem comprometer a vida sexual, a saúde urinária, o bem-estar emocional e os relacionamentos afetivos. Mesmo assim, muitas mulheres não procuram ajuda por acreditarem que esses desconfortos são uma consequência inevitável do envelhecimento.¹

O problema surge principalmente em decorrência da queda dos níveis de estrogênio, hormônio que desempenha papel fundamental na manutenção da estrutura e do funcionamento dos tecidos geniturinários.1,2

Estima-se que a síndrome acometa entre 27% e 84% das mulheres após a menopausa.2 Apesar da alta frequência, ela permanece subdiagnosticada e subtratada. Estudos mostram que cerca de 70% das mulheres com sintomas não conversam sobre o assunto com profissionais de saúde e menos de 25% recebem cuidados adequados.¹

Mão segura um modelo de papel colorido de um útero com trompas de Falópio e ovários.

O que é a síndrome geniturinária da menopausa?

O termo síndrome geniturinária da menopausa foi adotado para substituir expressões como atrofia vulvovaginal, porque descreve de forma mais ampla as alterações que ocorrem tanto na região genital quanto no trato urinário.1

A condição engloba mudanças nos lábios vaginais, clitóris, vagina, uretra e bexiga relacionadas à redução do estímulo estrogênico.¹˒³

O estrogênio é responsável por manter a espessura dos tecidos, a elasticidade, a vascularização e a lubrificação natural da região íntima. Durante a menopausa, ocorre uma redução de aproximadamente 95% na produção desse hormônio. Como consequência, os tecidos tornam-se mais finos, frágeis e menos hidratados, favorecendo o surgimento dos sintomas característicos da síndrome.¹

Quais são os sintomas mais comuns?

Os sintomas podem ser divididos em três grupos principais e nem todas as mulheres apresentam as mesmas manifestações. Algumas apresentam apenas um sintoma, enquanto outras convivem com vários deles simultaneamente. Entenda abaixo:1-3

Sintomas genitais

  • Secura vagina
  • Ardor e queimação
  • Irritação genital
  • Coceira e desconforto vaginal

Sintomas sexuais

  • Dor durante a relação sexual
  • Redução da lubrificação natural
  • Sangramento ou desconforto durante o sexo
  • Alterações na libido, excitação e orgasmo

Sintomas urinários

  • Ardência ao urinar
  • Urgência urinária
  • Aumento da frequência urinária
  • Infecções urinárias recorrentes

Além dos impactos físicos, a síndrome pode provocar sofrimento emocional, redução da autoestima, prejuízo da intimidade e piora significativa da qualidade de vida. Mulheres que convivem com dor durante as relações frequentemente passam a evitar a atividade sexual, o que pode contribuir para a progressão das alterações locais.¹˒³

Mulher vestindo um cardigã bege e uma blusa branca segura a barriga, indicando dor e desconforto provocados pelas cólicas menstruais

Por que a síndrome geniturinária acontece?

A principal causa é a diminuição dos níveis de estrogênio observada após a menopausa. Esse hormônio atua diretamente em receptores localizados na vagina, vulva, uretra e bexiga. Quando sua produção diminui, há redução da lubrificação, da elasticidade e da espessura dos tecidos, além de alterações na flora vaginal e aumento do pH da região. Essas mudanças favorecem irritações, infecções e desconfortos persistentes.¹

Embora seja mais comum após a menopausa natural, a síndrome também pode ocorrer em outras situações associadas à deficiência de estrogênio, como insuficiência ovariana precoce, remoção cirúrgica dos ovários, tratamentos oncológicos, amamentação e uso de medicamentos antiestrogênicos.1,3

Mulheres que tratam câncer de mama ou câncer de endométrio merecem atenção especial devido ao maior risco de desenvolver a condição.¹

Qual a diferença entre menopausa e síndrome geniturinária?

A menopausa corresponde ao encerramento definitivo dos ciclos menstruais e representa uma fase natural da vida da mulher. Já a síndrome geniturinária é uma condição clínica que pode surgir como consequência das alterações hormonais desse período.¹˒³

Outra diferença importante é que muitos sintomas da menopausa, como ondas de calor, tendem a melhorar com o tempo. A síndrome geniturinária, por sua vez, costuma ser progressiva quando não tratada. Isso significa que os sintomas podem se tornar mais intensos e frequentes ao longo dos anos.¹

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é essencialmente clínico e depende de uma escuta cuidadosa dos sintomas relatados pela paciente associada ao exame físico. Exames laboratoriais geralmente não são necessários.¹˒³

Segundo o Ministério da Saúde, a avaliação deve considerar não apenas os aspectos biológicos, mas também fatores emocionais, sociais, culturais e sexuais. Durante a consulta, o profissional investiga sintomas genitais, urinários e sexuais, além de realizar exame ginecológico para identificar sinais de atrofia vulvovaginal, como mucosa pálida, diminuição da elasticidade e fragilidade dos tecidos.³

Um problema invisível da menopausa

Apesar de frequente, a síndrome geniturinária da menopausa ainda é cercada por silêncio, constrangimento e desinformação. Muitas mulheres convivem durante anos com sintomas que afetam sua saúde física, emocional e sexual sem saber que existe tratamento.¹˒³

Reconhecer que esses desconfortos não são uma consequência inevitável do envelhecimento é um passo fundamental para mudar esse cenário. Com informação qualificada, acolhimento e acesso ao diagnóstico correto, é possível reduzir o impacto da síndrome e promover mais qualidade de vida, autonomia e bem-estar durante o envelhecimento feminino.1-3

Conteúdo elaborado em setembro/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Referências

  1. Schuiling KD, Likis FE. Genitourinary Syndrome of Menopause. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025. Acesso em: 22 jun. 2026. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK559297/.
  2. American Urological Association. Genitourinary Syndrome of Menopause Guideline [Internet]. Linthicum (MD): American Urological Association; 2025. Acesso em: 22 jun. 2026. Disponível em: https://www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines/genitourinary-syndrome-of-menopause.
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Manual de Atenção às Mulheres em Transição Menopausal e Menopausa [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2026. Acesso em: 22 jun. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/guias-e-manuais/2026/manual-de-atencao-as-mulheres-na-transicao-menopausal-e-menopausa.pdf/view.