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A incontinência urinária é a perda involuntária de urina. Embora possa acontecer em qualquer idade e tem diversas causas, mais de 50% das mulheres pós-menopausa sofrem com ela nessa etapa da vida.¹

A menopausa é marcada por alterações metabólicas que afetam a saúde da mulher como um todo, causando muitos sintomas desagradáveis ​​que pioram a qualidade de vida de muitas mulheres, especialmente no início dessa transição, chamado de climatério.¹

Exemplos desses sintomas, geralmente resultado de alterações hormonais e metabólicas, são os calorões característicos, secura vaginal, ganho de peso, entre outros.¹

No caso da incontinência, a queda nos níveis de estrogênio durante a menopausa enfraquece os músculos e tecidos que sustentam a bexiga e a uretra.² Com isso, fica mais difícil controlar o xixi, principalmente durante atividades que aumentam a pressão abdominal, como tossir, rir, levantar peso ou fazer exercício. Também pode surgir aquela vontade repentina e urgente de urinar.²

mulher com as mãos na virilha ao lado de um vaso sanitário, fazendo referência à incontinência urinária durante a menopausa

Quais os tipos de incontinência urinária mais comuns na menopausa

Existem cinco tipos principais de incontinência urinária. Na menopausa, os mais frequentes são1,2:

  • Incontinência urinária de esforço (IUE): é a mais comum. Acontece quando há perda de urina pelo aumento da pressão abdominal ao tossir, espirrar, rir ou fazer esforço. Isso ocorre pelo enfraquecimento dos músculos do assoalho pélvico, ocasionada por mudanças hormonais. Esse tipo também é comum em mulheres pós-parto, ou que passaram por intervenção cirúrgica na região.
  • Incontinência por urgência: também conhecida como bexiga hiperativa, ocorre por um distúrbio nos mecanismos que controlam a micção no organismo. Nesse caso, a mulher sente uma vontade urgente e inesperada de urinar, com ou sem perda de urina.
  • Incontinência mista: é a combinação da incontinência de esforço com a de urgência, e também é comum entre mulheres na menopausa.¹

Incontinência pode estar relacionada com a Síndrome Geniturinária da Menopausa

Ainda que a idade, infecções e outras condições de saúde sejam relacionadas à incontinência na pós-menopausa, esse sintoma pode ser um indicativo de algo mais complexo. ³

A frequência do problema para essa etapa da vida é porque ele pode estar associado à Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM), um conjunto de sintomas causados pela queda do estrogênio que afeta a saúde genital e urinária.³

A SGM é caracterizada por ressecamento vaginal, ardência, dor nas relações sexuais, urgência urinária, aumento do número de infecções urinárias e, claro, a incontinência³.

Diferente de outros sintomas da menopausa, que costumam marcar o climatério e desaparecer com o tempo, a SGM tende a piorar se não for tratada e afeta de forma significativa a autoestima, os relacionamentos, a vida sexual e a rotina.³

Como identificar os sinais de incontinência urinária

O primeiro sinal costuma ser a perda leve de urina em forma de escapes. Com o tempo, esses escapes se tornam mais frequentes, e acompanham sintomas como4:

  • Perda de urina ao tossir, espirrar ou fazer esforço;
  • Vontade urgente de urinar;
  • Levantar várias vezes à noite para ir ao banheiro;
  • Infecções urinárias frequentes;
  • Constipação e dificuldade em controlar gases.

Tratamentos para a incontinência urinária na menopausa

A boa notícia é que existem várias formas de tratar a incontinência urinária na menopausa. O primeiro passo é procurar orientação profissional para que o tipo de incontinência e causa sejam identificados.

A fisioterapia é uma das principais indicações para o controle da incontinência em mulheres pós-menopausa. Exercícios direcionados para fortalecer os músculos do assoalho pélvico trazem benefícios para fortalecer os músculos do assoalho pélvico em até 80% dos casos de incontinência leve ou moderada.¹

Outras formas de controlar o sintoma são²:

  • Mudanças de estilo de vida: por ser causa da perda de músculos, a incontinência é mais comum em mulheres sedentárias. Fazer atividade física regular pode evitar o problema, assim como controlar o peso, parar de fumar e evitar alimentos que irritam a bexiga (como cafeína, álcool e comidas apimentadas).
  • Hidratação adequada: beber água ajuda a reduzir a concentração da urina, diminuindo o incômodo na bexiga.
  • Tratamento hormonal: a suplementação de estrogênio em forma de creme, anel ou comprimido, pode melhorar a elasticidade dos tecidos e a função da bexiga. O tratamento é considerado seguro para a maioria das mulheres, mas a orientação médica é necessária para evitar maiores complicações.
  • Tratamentos médicos ou cirúrgicos: em casos mais severos, há procedimentos que podem ajudar. Mas só devem ser realizados a partir da avaliação e indicação de um médico especialista

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Conteúdo elaborado em outubro/2025

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

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Referências

  1. National Library of Medicine. Urinary incontinence in postmenopausal women – causes, symptoms, treatment. Disponível em: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC6528037/ [citado 2025 jul 4].
  2. The Menopause Charity. Menopause and urine incontinence. Disponível em: https://themenopausecharity.org/information-and-support/symptoms/menopause-and-urine-incontinence/ [citado 2025 jul 4].
  3. Febrasgo. Síndrome geniturinária da menopausa. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2022/04/1367569/femina-2022-503-164-170.pdf  [citado 2025 jul 4].
  4. Continence Health Australia. Menopause. Disponível em: https://www.continence.org.au/incontinence/who-it-affects/women/menopause [citado 2025 jul 4].