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Publicado em: 16 de outubro de 2026
A insuficiência cardíaca é uma condição crônica que afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Segundo o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas do Ministério da Saúde, cerca de 23 milhões de pessoas convivem com a doença globalmente e uma em cada cinco poderá desenvolvê-la ao longo da vida. Associada ao envelhecimento, a progressão da doença pode ser retardada ou evitada com a identificação e o controle precoce dos fatores de risco.¹
A insuficiência cardíaca ocorre quando o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma suficiente para atender às necessidades do organismo ou só consegue desempenhar essa função às custas de um esforço maior que o normal para o coração. Essa disfunção resulta em mudanças no fluxo e na pressão do sangue dentro do sistema circulatório. Como consequência, órgãos e tecidos passam a receber menos oxigênio e nutrientes, favorecendo sintomas que tendem a piorar de forma gradual.1-3
É importante ressaltar que a insuficiência cardíaca não é sinônimo de infarto. O infarto acontece quando uma parte do músculo cardíaco deixa de receber sangue devido à obstrução de uma artéria. Já a insuficiência cardíaca é uma síndrome clínica que pode surgir como consequência de diferentes doenças, incluindo o próprio infarto, hipertensão arterial, diabetes, doenças nas valvas do coração e outras alterações estruturais do coração.3
Embora considerada uma doença crônica, a insuficiência cardíaca pode ser controlada. O tratamento atual permite reduzir sintomas, evitar internações, retardar a progressão da doença, proporcionar melhor qualidade de vida e reduzir mortalidade.1,3
O risco de desenvolver insuficiência cardíaca aumenta com a idade. Dados da Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia mostram que a doença acomete aproximadamente 1% das pessoas entre 55 e 64 anos, chegando a 17,4% entre indivíduos com 85 anos ou mais.³
Mas a doença não depende apenas do envelhecimento; há uma combinação de fatores de risco e de outras condições que, ao longo dos anos, provoca alterações na estrutura e na função do coração.¹,³
Entre os principais fatores associados estão:3
Além dessas condições, o cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46.977 | RQE 132.337) explica que “o histórico familiar e algumas doenças cardíacas hereditárias podem aumentar a probabilidade de desenvolver a insuficiência”. Segundo ele, “ainda que esses fatores não garantam o desenvolvimento da doença, medidas de prevenção são recomendadas para reduzir a predisposição”.
O especialista complementa que “a prática regular de exercícios e o controle de fatores de risco como diabetes, obesidade e pressão alta são recomendados para fortalecer a saúde cardiovascular e evitar a insuficiência cardíaca, especialmente para quem tem histórico de doenças do coração.”
O excesso de peso aumenta a carga de trabalho do coração e favorece alterações metabólicas e inflamatórias que contribuem para o desenvolvimento da insuficiência cardíaca. Quanto maior o índice de massa corporal e quanto mais tempo a obesidade permanece, maior tende a ser o risco de remodelamento do músculo cardíaco e de redução da sua capacidade de contração.³
ODr. Jairo explica que “pequenas mudanças sustentáveis costumam produzir resultados mais duradouros do que dietas radicais”. Segundo ele, “emagrecer gradualmente reduz a sobrecarga sobre o coração e traz melhora clínica para diversos fatores ligados ao desenvolvimento da insuficiência cardíaca.”
A insuficiência cardíaca raramente surge de forma isolada. Isso porque ela costuma representar a evolução de outras doenças que comprometem progressivamente o funcionamento do coração. Entre as principais causas estão a obstrução das artérias do coração (doença arterial coronariana), o infarto do miocárdio, hipertensão arterial, diabetes, doenças das valvas cardíacas, que prejudicam o fluxo sanguíneo, e algumas alterações no músculo do coração.²
Além dessas condições, arritmias persistentes e doenças como anemia grave, alterações da tireoide e insuficiência renal alteram o funcionamento do coração, contribuindo para o aumento da sobrecarga do coração.²,³
“A insuficiência renal ocorre quando os rins não funcionam adequadamente, adequadamente; nesses casos, observam-se retenção de líquido e alterações na pressão arterial, o que sobrecarrega o coração e pode acelerar a progressão dessas doenças”, explica o cardiologista.
Hábitos de vida exercem papel importante na saúde cardiovascular. O tabagismo aumenta o risco de insuficiência cardíaca tanto para cardiopatas quanto para pessoas saudáveis, estando associado a alterações na estrutura e na função do músculo cardíaco. O consumo excessivo de álcool também pode causar lesão direta no coração e favorecer o desenvolvimento de miocardiopatia alcoólica, que leva à insuficiência cardíaca.²,³
Outros hábitos de vida que contribuem para o desenvolvimento da condição incluem:1-3
Por outro lado, parar de fumar, praticar atividade física regularmente, manter alimentação saudável e controlar doenças crônicas são medidas reconhecidas pela diretriz como fundamentais para reduzir o risco de insuficiência cardíaca e preservar a saúde do coração.3
Os primeiros sinais de insuficiência cardíaca podem ser confundidos com cansaço do dia a dia ou consequências do envelhecimento. Um dos sintomas mais característicos é a falta de ar durante atividades que antes eram realizadas normalmente, como caminhar pequenas distâncias ou subir escadas.¹–³
Outros sintomas são: ¹–³
Com a evolução da insuficiência cardíaca, os sintomas tornam-se mais intensos e passam a comprometer o dia a dia. A falta de ar pode surgir mesmo em repouso ou durante o sono, obrigando a pessoa a dormir com vários travesseiros ou até permanecer sentada para conseguir respirar melhor. Essa dificuldade para respirar deitado, chamada ortopneia, é um dos sinais mais característicos da doença.¹–³
Também podem aparecer: ¹,²
“Nos casos mais avançados, qualquer esforço físico, como levantar de uma cadeira, pode provocar falta de ar ou fadiga, e algumas pessoas apresentam sintomas mesmo em repouso”, conta o Dr. Jairo.
É importante procurar atendimento médico imediatamente quando houver piora rápida da falta de ar, dor no peito, desmaios ou dificuldade importante para respirar. Esses sinais podem indicar descompensação da insuficiência cardíaca e necessidade de tratamento urgente.¹–³
O diagnóstico começa pela avaliação clínica, com investigação do histórico de saúde, dos sintomas e do exame físico. De acordo com o Ministério da Saúde, a suspeita costuma surgir diante de manifestações como falta de ar, ortopneia, edema nos membros inferiores e fadiga, sendo confirmada por exames complementares.¹,²
O ecocardiograma é um dos principais exames de imagem para confirmar o diagnóstico e acompanhar a evolução da doença, pois permite avaliar a estrutura do coração e medir a fração de ejeção, indicador da capacidade de bombeamento de sangue pelo coração.¹–³
O eletrocardiograma também faz parte da investigação por identificar alterações elétricas frequentemente associadas à insuficiência cardíaca, embora isoladamente não confirme o diagnóstico. Exames de sangue, especialmente a dosagem de biomarcadores específicos, além da radiografia de tórax, podem complementar a avaliação.3
Contudo, o Dr. Jairo ressalta que “nenhum exame deve ser interpretado de forma isolada; o diagnóstico depende da combinação entre sintomas, avaliação clínica e exames complementares, permitindo definir não apenas a presença da doença, mas também sua causa e gravidade.”
Embora nem todos os casos possam ser evitados, boa parte está relacionada a fatores de risco modificáveis. Controlar a pressão arterial, manter a glicemia adequada, tratar alterações do colesterol, abandonar o cigarro e evitar o consumo excessivo de álcool são medidas capazes de reduzir o risco de desenvolver insuficiência cardíaca.²,³
A diretriz também destaca a importância da prática regular de atividade física, do controle do peso corporal e da prevenção das doenças cardiovasculares como estratégias fundamentais para diminuir a incidência da síndrome. Quanto mais cedo esses cuidados forem incorporados à rotina, maiores tendem a ser os benefícios para a saúde do coração.3
As recomendações presentes na Diretriz Brasileira de Insuficiência Cardíaca incluem alimentação equilibrada, controle do peso, redução do consumo de sal, prática regular de exercícios físicos e acompanhamento adequado das doenças crônicas. Pacientes com insuficiência cardíaca também são orientados a monitorar o peso diariamente, reconhecer sinais de retenção de líquidos e utilizar corretamente os medicamentos prescritos.3
Além disso, evitar o tabagismo e reduzir o consumo de bebidas alcoólicas contribuem para preservar a função cardíaca e diminuir complicações futuras.²,³
Pessoas com hipertensão arterial, diabetes, obesidade, doença arterial coronariana, histórico de infarto, doenças nas valvas cardíacas ou outras alterações cardiovasculares devem realizar acompanhamento médico periódico.¹–³
O Dr. Jairo destaca que “não existe uma regra única sobre a frequência das avaliações cardiológicas”. De acordo com ele, “a periodicidade deve ser definida individualmente, levando em consideração a idade, os fatores de risco, o histórico de doenças e a presença ou não de sintomas”.
Quem já tem diagnóstico de insuficiência cardíaca deve manter acompanhamento contínuo, preferencialmente com uma equipe multidisciplinar. Médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas, farmacêuticos e outros profissionais contribuem para melhorar a adesão ao tratamento, orientar mudanças no estilo de vida e para identificar precocemente sinais de descompensação.²,³
A insuficiência cardíaca é uma doença crônica, mas isso não significa que o diagnóstico represente perda da qualidade de vida. O reconhecimento precoce dos fatores de risco, o controle das doenças associadas e a adoção de hábitos saudáveis permitem reduzir complicações e retardar a progressão da doença.¹–³
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Conteúdo produzido em julho/2026
Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.
Médico consultor: Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46977; RQE 132337), cardiologista clínico, professor e pesquisador da disciplina de Cardiologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).
Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado.
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