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Publicado em: 17 de agosto de 2023
Assuntos abordados
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Conviver com dor crônica, seja qual for a causa, não é fácil. O desconforto contínuo provoca prejuízo à qualidade de vida e, muitas vezes, a realização de tarefas simples do dia a dia de qualquer pessoa. Não por menos, entender e tratar os diferentes problemas que levam a tal quadro é parte essencial do cuidado e da atenção necessários para diversos pacientes. Assim, é normal que várias pessoas passem por diferentes consultórios para saber se fibromialgia tem cura.
Mais do que responder a essa questão fundamental, vale sempre repassar o que caracteriza a fibromialgia e como a ciência está avançando no entendimento desse quadro tão complexo. Por isso preparamos esta publicação.
Além de entender melhor a condição, vamos mostrar opções de tratamento da fibromialgia e o que pode ser feito para reduzir os problemas de quem sofre com a doença e acaba tendo que lidar com a dor em diferentes âmbitos da vida. Acompanhe e entenda!
Fibromialgia (também conhecida como síndrome da fibromialgia ou apenas FM) é uma condição caracterizada por uma série de sintomas de natureza indeterminada, cuja principal manifestação são dores muscoloesqueléticas1.
Além disso, estão associadas à fibromialgia sintomas como fadiga, distúrbios cognitivos e uma série de somatizações e manifestações de sintomas psiquiátricos1. Entre alguns desses sintomas estão problemas para dormir, depressão e ansiedade.
A fibromialgia tende a ser uma condição relativamente comum entre a população em geral.2 Ainda assim, a sua prevalência (ou seja, o número de pessoas em ela atinge), depende dos dados consultados e da forma de como essas estatísticas foram colhidas.2 Em média, dados dos anos 1990 apontam que a doença atinge cerca de 2-3% da população mundial, com números que oscilavam bastante de país para país.2
Um aspecto relevante da epidemiologia da fibromialgia é que ela atinge 3 mulheres para cada homem.2 Assim, várias referências apontam que essa doença é a principal causa de dor crônica entre pacientes do sexo feminino na faixa de 20-55 anos.3
Essa prevalência e o impacto da doença sobre a qualidade de vida faz da fibromialgia um problema que tem impactos consideráveis sobre a sociedade como todo — seja pelos custos diretos relativos ao tratamento ou mediante o impacto gerado pela perda de produtividade de quem sofre com a condição.
Em média, um paciente com o problema passa ao menos por 10 consultas médicas ao ano.4 Assim, ela demanda suporte necessário similar a pacientes com outras doenças crônicas, como diabetes e hipertensão arterial.4
Mesmo diante de tamanho impacto, a medicina ainda enfrenta obstáculos para lidar com a fibromialgia. Um dos principais se dá pela falta de esclarecimento sobre o que desencadeia a doença. Estudos visando estabelecer melhores parâmetros para entender o problema seguem em curso.
Por muito tempo, acreditou-se que a fibromialgia fosse uma doença psicogênica4. Dessa forma, ela seria uma consequência somática disparada por fatores estressores que provocariam uma disfunção no organismo, gerando as dores características. Hoje em dia, toda a literatura médica aponta essa visão como ultrapassada4.
A partir disso, as evidências mais recentes classificam a fibromialgia como um problema relativo à regulação da dor e da sensibilização dos mecanismos responsáveis por ela4, gerando uma resposta exacerbada. Em outras palavras, isso significaria que todo o sistema nervoso do paciente teria dificuldade em processar determinados sinais relativos à dor.
Em paralelo, o alerta excessivo e o medo de novos episódios de dor desencadeariam parte dos aspectos psicológicos que cercam a condição1.
A fibromialgia tende a compartilhar características com outras doenças inflamatórias e que provocam dor, como cefaleia tensional, migrânea ou síndrome do intestino irritável3. Todavia, embora a dor se dissemine por tecidos moles como tendões, músculos e ligamentos, a fibromialgia não manifesta sinais de inflamações nessas partes do corpo3.
Do mesmo modo que a medicina tem dificuldade para explicar o que causa a fibromialgia, não há um consenso sobre eventuais fatores de risco. Apesar disso, algumas das melhores evidências apontam para um componente genético do problema.
Isso leva em conta o que já se sabe sobre diferentes quadros de dor crônica, onde a hereditariedade desempenha um papel considerável5. Por outro lado, por meio das evidências disponíveis, não é possível afirmar com precisão qual o tamanho do peso da carga genética nem quais genes estariam envolvidos no problema1.
Em paralelo, outras hipóteses levam em conta aspectos autoimunes para o surgimento da doença. Alguns estudos encontraram relações significativas entre determinados marcadores imunológicos e quadros de fibromialgia5. No mais, outros estudos encontraram vínculos entre determinados eventos estressores ao longo da vida (como abusos emocionais e físicos) e a prevalência da doença5.
Por fim, um quadro de fibromialgia está associado a uma série de disfunções relativas a diferentes neurotransmissores. Isso contribuiria, ao menos em partes, para o desenvolvimento da condição. Entre os achados mais notáveis estão a queda da quantidade da serotonina e da norepinefrina, desregulação da atividade da dopamina, elevação do glutamato e da chamada substância P e alteração na atividade dos neurotransmissores opiláceos endógenos1.
Por se tratar de uma síndrome, a fibromialgia se manifesta por meio da combinação de uma série de sintomas, que alternam de intensidade e frequência.
Como já mencionado, as dores musculoesqueléticas crônicas e alguns distúrbios psiquiátricos-cognitivos são os sinais mais comuns. Em geral, os sintomas devem estar presentes por, ao menos, 3 meses e não podem ser explicados por outro problema de saúde3. Confira a seguir os principais.
Pacientes com fibromialgia reportam dores com diferentes características, embora a maioria atinja os músculos1. Em todo caso, elas se notabilizam por serem generalizadas, indo do pé à cabeça2.
A intensidade e a frequência dos episódios de dor variam de pessoa para pessoa e tendem a ser moduladas por alguns aspectos, incluindo o nível de mobilidade física do paciente, obesidade ou mesmo a temperatura do ambiente2.
O nível de fadiga reportado por pacientes com a doença varia do moderado a um estado de exaustão similar àqueles experimentados em quadros de gripe ou resfriado2. Em certa medida, a fadiga é retroalimentada pelos problemas de sono, que incluem insônia ou despertar precoce.
Assim, é comum que quem sofre com o problema não alcance um sono reparador. Assim, o estado de fadiga é reportado mesmo quando consegue dormir por longos períodos. Por isso, é comum que quem fibromialgia conviva com a sensação de nunca ter dormido o suficiente.
Além disso, atividades rotineiras podem comprometer ainda mais a sensação de cansaço, ao mesmo tempo que períodos prolongados de inatividade intensificam os sintomas1.
Entre um dos sintomas que afetam a capacidade de cognição de pacientes com fibromialgia está a chamada névoa mental (“fibro fog” em inglês)1. Isso se manifesta por meio de problemas de memória, dificuldade para encadear raciocínios ou mesmo reter novas informações.
Em relação às emoções, pacientes com fibromialgia podem desenvolver sintomas e quadros de depressão e transtorno de ansiedade generalizada2. Entretanto, o número de casos desse tipo de transtorno mental associados à fibromialgia segue tendência similar àqueles reportados entre pacientes com outras doenças que provocam dores crônicas, como artrite reumatoide.
Dessa forma, talvez a explicação para tais manifestações estaria na dificuldade de pacientes desenvolverem mecanismos psicológicos para lidar com a dor e do comprometimento que ela causa2.
Por fim, a fibromialgia engloba uma série de outras condições que não aparecem em todos os quadros, mas que, quando não têm outra explicação, podem ser úteis para fornecer um diagnóstico adequado do problema.
Entre alguns desses sintomas estão dores de cabeça e dores tensionais, bem como sensações de formigamento e rigidez (principalmente matinal) em pernas e braços1. Outros sinais envolvem outras disfunções do sistema nervoso autônomo, boca seca (xerostomia) e sensibilidade acentuada ao toque em algumas partes do corpo, em especial aqueles com tecido mole3.
O diagnóstico é feito a partir da avaliação do paciente e da exclusão de outras possibilidades diagnósticas. Ainda não há qualquer exame laboratorial ou de imagem que confirme ou exclua a possibilidade de os sintomas serem efetivamente causados pela fibriomialgia3.
Portanto, é essencial que o médico confronte os achados da avaliação clínica e do histórico do paciente com o conhecimento disponível acerca da condição. Dessa forma, as chances de um diagnóstico preciso aumentam bastante.
Nesse sentido, algumas escalas são utilizadas para conduzir a análise até o diagnóstico. A mais comum delas é o Colégio Norte-Americano de Reumatologia (ACR, na sigla em inglês).
A metodologia proposta envolve a avaliação de partes do corpo e a intensidade da dor em cada um deles. Ao todo, a escala ia de 0 a 19 pontos. Ao mesmo tempo, uma escala de pontos avalia a medida do impacto cognitivo e de eventuais distúrbios do sono e outros sinais somáticos1.
O tratamento da fibromialgia envolve a adoção de medidas para conter a dor e as demais manifestações do quadro. Para isso, podem ser introduzidas tanto medidas farmacológicas quanto não farmacológicas3.
Entre uma das primeiras medidas de caráter não farmacológico está a educação e o esclarecimento do paciente1.
É fundamental que ele entenda mais sobre sua condição antes mesmo da prescrição de qualquer medicamento ou a adoção de uma conduta específica1.Isso passa, por exemplo, por reforçar que a fibromialgia é uma doença real, mas que pode ser gerida — e o paciente tem um papel essencial nisso.
Desse modo, o paciente deve ser encorajado a identificar e a tentar controlar comportamentos estressores, bem como a tratar com o suporte adequado condições psicológicas atreladas à doença, como depressão e ansiedade1.
Em geral, a indicação de um psicólogo de abordagem cognitivo-comportamental (TCC) costuma ser relevante, embora haja barreiras para isso2. Entre elas, estão a dificuldade de acesso a esse tipo de tratamento e a falta de experiência dos profissionais para lidar com a fibromialgia4. No mais, podem ser fornecidas dicas de higiene do sono para melhorar a qualidade do repouso.
No mesmo sentido, a prática regular de exercícios físicos é indispensável. Pode parecer um contrassenso, diante da fadiga intensa característica da doença. Todavia, manter o corpo em movimento contribui tanto com o alívio da dor quando para melhoria do sono1.
Em média, a recomendação é de que sejam feitos ao menos 30 minutos de exercícios cardiovasculares, 3 vezes por semana1. De todo modo, seu médico poderá fornecer recomendações personalizadas, compatíveis com suas capacidades e limitações.
Finalmente, embora alguns pacientes pareçam se beneficiar de determinadas práticas complementares, as evidências disponíveis são insuficientes para assegurar a eficácia de tratamentos alternativos como tai chi, yoga e acunpuntura1.
Várias classes de medicamentos podem ser prescritas para quem sofre com a fibromialgia. Toda prescrição deve ser acompanhada da manutenção das medidas não farmacológicas já citadas. Além disso, em alguns casos, as intervenções que não dependem de medicação podem surtir o efeito esperado de forma isolada1.
Seu médico avaliará o caso e indicará o melhor tratamento. Entre as classes de medicamentos mais prescritos em quadros de fibromialgia estão²:
O profissional responsável deverá avaliar a pertinência da combinação dos medicamentos, principalmente quando os sintomas são persistentes1.
Infelizmente, ainda não chegamos ao momento em que podemos afirmar que a fibromialgia tem cura. Entretanto, com o acompanhamento adequado e a adesão do paciente aos tratamentos, os sintomas podem ser controlados, devolvendo a qualidade de vida, que certamente estava comprometida com a dor crônica.
Nesse contexto, vale sempre reforçar o papel que informações precisas sobre a doença têm, principalmente quando levamos em conta o caráter psicogênico de alguns dos sintomas. Consulte o seu médico, tire todas as dúvidas sobre a doença e siga à risca o tratamento para ter os melhores resultados em termos de saúde e bem-estar, mesmo que a fibromialgia não tenha cura.
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