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Publicado em: 19 de dezembro de 2023
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Você já ouviu falar sobre a aterosclerose? Talvez o nome pareça desconhecido em um primeiro momento, mas a condição é bastante conhecida. E não é para menos: ela foi a responsável por 139.787 internações entre os anos de 2008 e 2017 no Brasil.1
Além disso, as doenças cardiovasculares — grupo ao qual pertence a aterosclerose — são a principal causa de óbitos entre os brasileiros e pessoas de todo o mundo.2 Logo, é fundamental prestar atenção e entender mais sobre esse problema.
Sendo assim, vamos lá! Preparamos um conteúdo especial para tirar as suas dúvidas sobre o assunto e promover a conscientização acerca do tema. Continue a leitura e saiba mais!
As artérias são como as estradas do nosso corpo, por onde o sangue viaja impulsionado pelo coração, levando nutrientes e oxigênio. Este, por sua vez, é como o combustível que mantém nossos órgãos funcionando adequadamente.3 Agora, imagine se essas estradas ficarem obstruídas, como quando temos um congestionamento?
Isso pode acontecer quando placas, feitas de gorduras e outras substâncias, se acumulam nas paredes das nossas “estradas sanguíneas”.3
Quando isso acontece, é como se o trânsito ficasse mais lento, e menos sangue consegue chegar aos nossos órgãos. Essa situação é conhecida como aterosclerose, uma condição que pode afetar várias partes do corpo ao mesmo tempo. E o pior: ela pode estar acontecendo sem que a gente saiba, já que ela se desenvolve lentamente.3
Então, seguindo com o exemplo, é como se tivéssemos que cuidar bem das nossas estradas para que o tráfego de sangue seja sempre fluido, garantindo que nossos órgãos recebam toda a energia que precisam para funcionar.3
Existem diferentes manifestações da aterosclerose, uma condição que afeta diversas artérias do corpo, podendo causar complicações em diferentes regiões.3 Vamos explorar alguns desses tipos!
Refere-se ao acúmulo de placas ateroscleróticas nas artérias coronárias, comprometendo o fluxo sanguíneo para o coração.3
Quando a aterosclerose se desenvolve nas artérias das pernas, levando a uma redução do fluxo sanguíneo, caracteriza-se como DAP.3
Ocorre quando há acúmulo de placas nas artérias do pescoço, afetando o fluxo sanguíneo para o cérebro.3
Refere-se ao estreitamento das artérias renais devido à aterosclerose, podendo comprometer a função renal.3
Caracteriza-se pela presença de aterosclerose nas artérias que suprem a parte posterior do cérebro, região responsável por funções vitais.3
Quando as artérias que fornecem sangue aos intestinos são afetadas pela aterosclerose, pode ocorrer isquemia, prejudicando o suprimento sanguíneo para essa região.3
Assim, a aterosclerose demonstra uma propensão a afetar várias áreas do corpo, destacando a importância da vigilância para evitar complicações e assegurar um fluxo sanguíneo adequado em todas essas regiões.3
O acúmulo de placas nas artérias começa com danos aos vasos sanguíneos. Em resposta, células inflamatórias migram para liberar sinais químicos. Além de colesterol e resíduos celulares nos pontos danificados, ocorre também a migração de células brancas do sangue que se agrupam para formar as placas.3
À medida que a placa cresce, a artéria se estreita, reduzindo o fluxo de sangue rico em oxigênio para membros e órgãos. Com o tempo, a placa pode se romper, entrar na corrente sanguínea e levar à formação de coágulos, que podem obstruir o fluxo sanguíneo.3
Se isso ocorrer, os tecidos próximos podem não receber oxigênio suficiente, podendo resultar em danos ou morte dos tecidos.3
Fatores de risco são condições ou hábitos que aumentam a probabilidade de uma pessoa desenvolver uma doença. Confira os que estão associados à aterosclerose!
Ao longo do tempo, a hipertensão pode danificar as paredes das artérias, permitindo o acúmulo de placas.3
Níveis elevados de açúcar no sangue podem prejudicar as camadas internas das artérias, causando o acúmulo de placas.3
Altos níveis de colesterol e triglicerídeos no sangue aumentam consideravelmente o risco de desenvolvimento da doença.3
Consumir muitos alimentos ricos em gorduras saturadas pode aumentar os níveis de colesterol.3
Seus genes podem aumentar o risco, especialmente se você tiver um distúrbio hereditário comum do colesterol chamado hipercolesterolemia familiar.3
Condições como artrite reumatoide e psoríase, que causam altos níveis de inflamação, podem irritar os vasos sanguíneos, levando ao acúmulo de placas.3
Para a maioria das pessoas, o acúmulo de placas começa na infância e piora com o envelhecimento. O problema normalmente acontece entre os 45 e 55 anos.3
É essencial compreender que a aterosclerose não é apenas uma questão de “entupimento” das artérias; é um processo que pode ter sérias consequências para a saúde.3
Quando o fluxo sanguíneo é significativamente reduzido, o coração pode não receber oxigênio suficiente, resultando em até mesmo um ataque cardíaco. Se um coágulo se forma e bloqueia uma artéria, pode ocorrer um acidente vascular cerebral (AVC), comprometendo a função cerebral.3
Além disso, a aterosclerose pode contribuir para a demência vascular, uma condição em que o suprimento sanguíneo inadequado ao cérebro leva a problemas de memória e função cognitiva. A disfunção erétil é outra possível complicação, pois a circulação sanguínea comprometida pode afetar a resposta vascular necessária para essa função.3
Em casos mais graves, a falta crônica de oxigênio devido à aterosclerose pode levar à perda de membros, especialmente nos casos em que os vasos sanguíneos das pernas são afetados. Portanto, a prevenção e o gerenciamento ativo dos fatores de risco associados à aterosclerose são cruciais para evitar essas complicações sérias e preservar a saúde vascular.3
Os estágios iniciais da aterosclerose frequentemente não apresentam sintomas. Os sintomas podem surgir pela primeira vez quando você está sob estresse físico ou emocional, momentos em que o corpo necessita de mais oxigênio.3
Além disso, os sintomas variam conforme as artérias são afetadas e o quanto o fluxo sanguíneo é bloqueado.3
Dor no peito (angina), suores frios, tontura, fadiga extrema, palpitações cardíacas (sensação de que o coração está acelerado), falta de ar, náuseas e fraqueza são sintomas comuns.3
Dor, desconforto, peso ou cãibras nas pernas ao caminhar, ou subir escadas são os principais sintomas. Esses sintomas geralmente desaparecem após o repouso.3
Problemas com pensamento e memória, fraqueza ou dormência em um lado do corpo ou rosto, e problemas de visão são sintomas iniciais. Um ataque isquêmico transitório (AIT), é um sintoma mais grave.3
Dor intensa após as refeições, perda de peso e diarreia são sintomas desta condição que afeta o suprimento sanguíneo para os intestinos.3
Esse é um sinal de alerta precoce de que um homem pode ter um risco elevado de aterosclerose e suas complicações. É importante discutir o risco de acúmulo de placas com a equipe de saúde se houver disfunção.3
Outros sintomas, que podem ser identificados pelo seu médico, como um som característico que pode ser auscultado na região do pescoço (doença da artéria carótida) ou no abdômen (estenose da artéria renal), podem ser identificados durante exames regulares.3
O acompanhamento regular com o médico é crucial, pois eles podem detectar o acúmulo de placas antes que se torne grave.3
Para diagnosticar a aterosclerose, o médico avaliará os resultados de exames de sangue, de imagem e outros testes, além de perguntar sobre seu histórico médico e familiar. Um exame físico ajuda a detectar sintomas.3
Confira o passo a passo abaixo!
A partir de certo momento da sua vida, o médico realizará verificações regulares para identificar fatores de risco para o acúmulo de placas nas artérias. Estes são os bons e velhos exames de check-up!3
Eles podem incluir:
Outros exames podem ser solicitados de acordo com a sua estimativa de risco. Ou seja: se você fuma, está acima do peso, se alimenta mal ou faz pouca atividade física, podem ser pedidos testes complementares durante o seu check-up.3
Além disso, o histórico familiar (em familiares de primeiro grau, com casos de ataques cardíacos ou morte súbita antes dos 55 anos de idade no gênero masculino ou antes dos 65 anos no gênero feminino) também é considerado um fator de risco importante.3
Para diagnosticar a aterosclerose, seu médico pode solicitar vários testes, mesmo que você não tenha sintomas, dependendo das artérias afetadas pelo acúmulo de placas.3 Confira alguns exemplos:
Ainda não se sabe ao certo, mas pesquisas recentes mostram que há evidências positivas nesse aspecto. Ou seja: os pesquisadores ainda estão trabalhando no assunto, mas tudo indica que podemos reverter casos iniciais de aterosclerose!5
Enquanto as evidências não se tornam mais concretas, precisamos focar em dois aspectos: o tratamento e a prevenção. Continue a leitura para saber mais sobre cada um deles!
Confira, agora, algumas das possíveis abordagens para o tratamento da aterosclerose.
Elas são fundamentais para ajudar na sua recuperação. Acompanhe as principais.
Opte por alimentos saudáveis para o coração, como frutas, vegetais e grãos integrais, enquanto limita gorduras saturadas, sódio (sal) e açúcares adicionados.3
Pratique atividade física regularmente para gerenciar fatores de risco como colesterol alto, pressão alta, excesso de peso e obesidade. Recomenda-se que adultos realizem pelo menos 150 minutos por semana de atividade física moderada ou 75 minutos por semana de atividade física vigorosa.3
Beba com moderação. Homens devem limitar o consumo a 2 ou menos drinks por dia, enquanto mulheres devem consumir uma bebida ou menos por dia.3
Aprenda a gerenciar o estresse, relaxar e lidar com problemas para melhorar sua saúde emocional e física.3
Se você fuma, pare. O cigarro é um fator de risco importante para doenças do coração. Já o fumo passivo — aquele em que a pessoa não fuma, mas aspira a fumaça exalada do cigarro de um fumante — também pode causar danos ao coração e aos vasos sanguíneos, tanto de quem fuma, quanto de quem aspira a fumaça.4
Assegure-se de obter 7 a 9 horas de sono por dia para promover a saúde geral.3
Medicamentos podem ajudar a gerenciar fatores de risco e tratar a aterosclerose ou suas complicações.3 Diferentes tipos de medicamentos podem ser prescritos, incluindo:
Em casos mais avançados, procedimentos, cirurgias ou intervenções podem ser necessários para tratar as complicações da aterosclerose. Isso pode incluir angioplastia, ponte de safena, laserterapia transmiocárdica, endarterectomia carotídea, cirurgia de perda de peso e outros.3
A boa notícia é que a aterosclerose pode ser prevenida. Ela geralmente se inicia na infância e continua a se desenvolver ao longo da vida. Adotar um estilo de vida saudável para o coração desde a juventude e manter esses hábitos ao longo dos anos pode prevenir a ocorrência da doença.3
Além disso, certas condições médicas são fatores de risco para o acúmulo de placas e as complicações associadas à aterosclerose.3 Alguns exemplos são:
Assim, tratá-las também é uma forma de prevenir o problema!
Como podemos ver, a aterosclerose é um assunto muito sério, grave e que pode trazer consequências complexas para a saúde e qualidade de vida dos pacientes.3 Sendo assim, é essencial entender o problema e as suas formas de prevenção. Agora, é hora de se cuidar!
Antes de ir, aproveite para ler outros conteúdos do blog Vida Plena! Assim, você se mantém informado(a) sobre cuidados com a saúde do coração e todo o seu corpo. São postagens completas e feitas especialmente para você e sua família!
Referências:
1. Bandeira, L. L. B., de Souza, C. S., de Paiva, J. V. F., Sá, I. C. C., de Aragão, I. P. B., & de Souza Neto, J. D. (2018). Análise do perfil de morbimortalidade de aterosclerose no Estado de Minas Gerais comparado à Região Sudeste. Revista da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, 16(4), 222-226. Disponível em: https://www.sbcm.org.br/ojs3/index.php/rsbcm/article/view/375/337. Acesso em: 17 nov. 2023.
2. Ministério da Saúde. Brasil. Doenças cardiovasculares: principal causa de morte no mundo pode ser prevenida. Disponível em: https://www.gov.br/pt-br/noticias/saude-e-vigilancia-sanitaria/2022/09/doencas-cardiovasculares-principal-causa-de-morte-no-mundo-pode-ser-prevenida#:~:text=As%20doen%C3%A7as%20cardiovasculares%20podem%20afetar. Acesso em: 17 nov. 2023.
3. Xavier, H. T., Izar, M. C., Faria Neto, J. R., Assad, M. H., Rocha, V. Z., Sposito, A. C., … & Ramires, J. A. F. (2013). V Diretriz brasileira de dislipidemias e prevenção da aterosclerose. Arquivos brasileiros de cardiologia, 101, 1-20. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/GGYvjtdbVFRQS4JQJCWg4fH/. Acessado em 23 nov. 2023.
4. Howard, G., Wagenknecht, L. E., Burke, G. L., Diez-Roux, A., Evans, G. W., McGovern, P., … & ARIC Investigators. (1998). Cigarette smoking and progression of atherosclerosis: The Atherosclerosis Risk in Communities (ARIC) Study. Jama, 279(2), 119-124. Disponível em: https://jamanetwork.com/journals/jama/article-abstract/1150354. Acessado em 23 de novembro de 2023.
5. WILKINS, J. T.; GIDDING, S. S.; ROBINSON, J. G. Can atherosclerosis be cured? Current Opinion in Lipidology, v. 30, n. 6, p. 477–484, 1 dez. 2019.
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