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Dor de cabeça e enxaqueca: como diferenciar os sintomas de cada uma?

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Muitas pessoas utilizam os termos dor de cabeça e enxaqueca como sinônimos. No entanto, vale a pena dizer que a enxaqueca é um dos tipos de dores de cabeça que podem afetar as pessoas. Você sofre com dores de cabeça? Neste post, vamos mostrar como saber quando a dor de cabeça pode ser uma enxaqueca a partir dos seus sintomas. Confira!

O que é dor de cabeça?

Dor de cabeça, chamada pelo nome técnico de cefaleia, é um sintoma que se caracteriza como um desconforto que pode ser causado por diferentes fatores, como gripe, estresse do dia a dia, ansiedade, sinusite, entre outras doenças. A cefaleia tensional é o tipo mais comum de dor de cabeça e costuma estar associada a tensões concentradas no escalpo (couro cabeludo), no pescoço e na musculatura dos ombros.¹

Embora seja incômoda e atrapalhe na qualidade de vida da pessoa quando resolve aparecer, a dor de cabeça costuma ser mais leve. O sintoma é um dos mais relatados em consultórios médicos, sendo a terceira queixa mais recorrente em ambulatórios de clínica médica. Fica atrás, apenas, de reclamações de infecções das vias aéreas e de dispepsias (desconforto digestivo).11

Assim, como existem diversos tipos de dores de cabeça, a consulta médica com um especialista para a avaliação do quadro é sempre necessária para um correto diagnóstico e orientação correta quanto ao tratamento.

O que é enxaqueca?

Batizada com o nome científico de migrânea, a enxaqueca é um dos tipos de dor de cabeça. Porém, trata-se de uma doença que provoca dores moderadas a intensas, que tem caráter biológico e costuma ser mais comum em indivíduos com predisposição genética.²

Apesar de se manifestar em qualquer idade, a enxaqueca é prevalente entre adolescentes e adultos jovens. Sem falar que também afeta mais o público feminino do que o masculino.²

Se você notou que, durante a pandemia, mais pessoas começaram a se queixar de enxaqueca, saiba que não é mera coincidência. Segundo uma pesquisa da Fundação Getulio Vargas, 53,3% dos entrevistados que estavam trabalhando em home office relataram ter mais dor de cabeça/enxaqueca que o habitua.l³

Quais são os sintomas da enxaqueca?

Sabe aquela dor de cabeça insuportável e que faz você querer apenas se deitar e relaxar em um ambiente escuro, longe de qualquer barulho? Essa é a temida migrânea, que assombra muitas pessoas quando aparece.

Para explicarmos os sintomas da enxaqueca, primeiro, devemos esclarecer que ela acontece em quatro etapas. Saiba quais são elas.

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Na fase inicial, você pode sentir fadiga e dificuldade para se concentrar nas suas atividades de rotina, irritar-se facilmente, bocejar com frequência, apresentar episódios depressivos e desejo incontrolável de comer doces. É comum que esses sintomas se manifestem até 72 horas antes da dor de cabeça em si.

Aura

A aura é o conjunto de manifestações neurológicas que surgem gradualmente. Ela pode acontecer antes ou, ao mesmo tempo que a dor de cabeça, com um período de duração que varia de 5 a 60 minutos em cada aura.6

Aqueles que têm enxaqueca com aura costumam ter a aura do tipo visual, que se caracteriza pela visualização de pontos pretos ou brilhantes, bem como imagens em ziguezague, que surgem pequenas e crescem aos poucos.5

Porém, também pode ocorrer um segundo tipo de aura com alterações sensitivas, que causa formigamento ou dormência no corpo e vai se espalhando. O terceiro tipo, que é menos frequente, é a aura de fala e linguagem, em que o indivíduo não consegue pronunciar determinadas palavras.5

Dor de cabeça

A terceira fase da enxaqueca é a dor de cabeça em si que, na maioria dos pacientes, afeta somente um lado, ocorre de modo pulsátil e com moderada a forte intensidade. Extremamente incômoda, a dor de cabeça pode perdurar por 4 a 72 horas. O paciente também pode ter sensibilidade à luz, cheiros e som, além de enjoos e, até mesmo, vômito.5

Pósdromo

Depois de uma crise intensa de dor de cabeça, você pode se sentir como se estivesse de ressaca, revivendo os sintomas iniciais da doença. Além de muita fadiga, a pessoa tende a ficar sonolenta, não conseguir se concentrar e lidar com uma dor de cabeça leve, que dura cerca de 48 horas.5

Ao ter uma crise de enxaqueca, você não necessariamente vai manifestar todas as etapas da enfermidade. É possível, por exemplo, sentir muita dor de cabeça intensa, mas sem a manifestação de auras visuais.

Quais são as causas da dor de cabeça?

São vários os fatores e doenças que podem desencadear dores de cabeça, o que torna a avaliação médica essencial para o correto diagnóstico e tratamento. Alguns deles são:

  • gripe;
  • sinusite;
  • tumor cerebral;
  • ressaca;
  • problemas dentários;
  • ataques de pânico;
  • desidratação;
  • encefalite;
  • otite;
  • meningite viral ou bacteriana;
  • concussão;
  • toxoplasmose;
  • pneumonia;
  • glaucoma.

Além de ser sintoma de diversas enfermidades, a dor de cabeça também pode surgir como efeito colateral de medicamentos ou do consumo em excesso de remédios para o combate de dores. Ocorre, principalmente, nos casos em que a pessoa se automedica, o que a leva a ingerir substâncias que nem sempre são adequadas ao seu organismo.7

Dependendo de qual é a doença que a pessoa tem, existem gatilhos que podem despertar a dor de cabeça. Passar por uma consulta médica e ficar de olho nessas situações são importantes para evitá-las e, consequentemente, reduzir a frequência com que as crises de dor de cabeça acontecem. Veja quais são elas, a seguir.

Estresse

Passar por momentos estressantes libera adrenalina em nosso organismo ­ — hormônio que mantém o corpo humano em alerta. Ela vem acompanhada de cortisol — hormônio que cumpre o papel de controlar o estresse. O problema é que as duas substâncias alteram o diâmetro dos vasos sanguíneos, ocasionando a dor de cabeça.12

Portanto, se você costuma levar uma vida agitada e se depara com situações estressantes com frequência, é provável que tenha dores de cabeça recorrentes. Nesse caso, está na hora de avaliar quais são as principais fontes de estresse e como fazer para evitá-las.

Hábitos alimentares ruins

A sua alimentação pode estar diretamente ligada aos episódios de dor de cabeça, em especial, quando eles ocorrem com facilidade e duram mais tempo. Alguns alimentos são compostos por substâncias que estimulam esse sintoma, como álcool, alho, café, chá preto, queijos amarelos e molho shoyu.

Outro caso: certamente, você já sentiu uma dorzinha de cabeça depois de tomar água muito gelada ou sorvete, não é mesmo? Isso acontece porque alimentos muito gelados agem na contração dos vasos sanguíneos, provocando a dor de cabeça.

Mas não são apenas os alimentos que causam esse problema, a ausência deles também. Afinal, ficar em jejum por muito tempo acarreta hipoglicemia, que aumenta a quantidade de adrenalina no organismo.

Postura errada

A posição em que você dorme ou se senta para trabalhar pode ser um gatilho para dores de cabeça. A má postura comprime os nervos da coluna de modo gradual, fazendo com que as dores irradiem e desencadeiem a dor de cabeça tensional, que é comum em pessoas com hérnia e bico de papagaio, por exemplo.

Noites maldormidas

Dormir mal causa irritação e estresse, que estão entre as principais causas da cefaleia. Outro ponto que merece destaque é que, quando você não dorme regularmente, o seu corpo também deixa de produzir melatonina de forma regular — hormônio responsável por sintetizar os analgésicos naturais do organismo humano e que ajudam a evitar a dor de cabeça.9

Fatores ambientais

Muitas vezes, as características dos ambientes em que você vive podem intensificar as dores de cabeça, já que podem alterar a entrada e a saída de sódio e potássio das células. Some-se a isso a poluição do ar ou o excesso de umidade, por exemplo, e o cenário é ideal para o desenvolvimento de cefaleia.

O perfume de um colega de trabalho ou o cheiro de produtos de limpeza dá dor de cabeça? Não é para menos, pois os odores fortes também são inimigos de quem sofre com sinusite e rinite, alergias nas quais a dor de cabeça é um dos principais sintomas.

Quais são as causas da enxaqueca?

De modo geral, os fatores que podem causar crises de enxaqueca são bem parecidos com os que despertam dores de cabeça e, em muitos casos, fazem parte da rotina de quem sofre de enxaqueca.² Entre eles, estão:

  • jejum prolongado;
  • alimentação inadequada;
  • excesso de estresse e nervosismo;
  • tabagismo;
  • odores fortes;
  • insônia.

No público feminino, a enxaqueca também pode estar associada à ação dos hormônios no período pré-menstrual. Por isso, se você costuma ter crise de enxaqueca na Tensão Pré-Menstrual (TPM), saiba que não se trata de uma coincidência.10 Sem falar que a enxaqueca menstrual, geralmente, é mais forte do que a não menstrual.

Como tratar dor de cabeça e enxaqueca?

Antes de tudo, é importante dizer que o tratamento da dor de cabeça e da enxaqueca só é possível a partir de um diagnóstico médico. Isso porque apenas por meio de uma avaliação clínica o profissional terá condições de identificar se a sua dor de cabeça é o sintoma de uma outra doença ou se trata de uma enxaqueca, que, como vimos, é uma patologia.

Ao se deparar com uma dor de cabeça, muita gente acaba se automedicando, o que não é aconselhável. Isso pode mascarar a verdadeira causa do problema ou, até mesmo, piorá-lo.

Sendo assim, diante de dores de cabeça em geral, é altamente recomendável buscar ajuda médica para investigar o seu caso. O profissional, além de observar os sintomas, pode, em alguns casos, pedir a realização de exames de sangue, tomografia e ressonância magnética, que ajudam a complementar o diagnóstico.

Para os casos de cefaleia secundária, na qual a dor de cabeça é um sintoma provocado por outra enfermidade, o tratamento da dor será feito junto ao combate do problema principal. Já para os enxaquecosos, ou seja, quem sofre com enxaqueca, o tratamento tem a finalidade de evitar crises com base na prescrição de medicamentos específicos que ajudam a aliviar enxaqueca

Mudar de hábitos também é importante para se livrar das dores de cabeça. Se você tem uma alimentação desregrada, por exemplo, investir em alimentos que combatem a enxaqueca é um bom começo para levar uma vida mais saudável e sem dores. Dormir bem e evitar situações de estresse são ótimas dicas para manter o bom funcionamento do seu organismo.

Dor de cabeça e enxaqueca, apesar de estarem relacionadas, nem sempre são a mesma coisa. Se você sofre desse mal, preste bastante atenção nos sintomas que acompanham a dor de cabeça e nos possíveis gatilhos que as despertam — essa é a chave para descobrir qual é a origem do desconforto e ajudar o seu médico chegar ao diagnóstico e tratamento corretos.

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Se você ou alguém que você conhece sofre com enxaquecas, não deixe de conferir este guia completo sobre como como lidar com a doença para ter mais informações.

Preparamos também esta cartilha com receitas deliciosas que ajudam a controlar a enxaqueca.

Referências:

1. Adaptado de: O manejo psicológico da dor de cabeça tensional. Adriana Mayon N. Flores, Áderson L. Costa Junior. PSICOLOGIA CIÊNCIA E PROFISSÃO, 2004, 24 (3), 24-33. Disponível em: https://www.scielo.br/j/pcp/a/rJqwz4j8YYsChHnHW3ghSvM/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 9/1/23.

2. Adaptado de: Tipos de dor de cabeça. Sociedade Brasileira de Cefaleia. 2014. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=192. Acesso em: 9/1/23.

3. Adaptado de: Relatório Técnico I – Impacto na saúde e no bem-estar do trabalho em regime de home-office durante a pandemia de SARS-COVID-19 Junho/Julho 2020. Alberto José N. Ogata, Ana Claudia Pinto, Valena Sávia Pereira, Viviane Lourenço, Yohana Andrade, Ana Maria Malik. 2020. Disponível em: https://www.impacto.blog.br/site/wp-content/uploads/2020/08/RELATORIO-TECNICO_SAUDE-E-BEM-ESTAR-HOME-OFFICE_GV-SAUDE_I_ao.pdf. Acesso em: 9/1/23.

4. Adaptado de: Cefaleia em salvas: fisiopatogenia, clínica e tratamento. Elsa Parreira, Raquel Gil Gouveia, Isabel Pavão Martins. Revista Portuguesa de Clínica Geral, 2006; 22: 471-482. Disponível em: https://www.rpmgf.pt/ojs/index.php/rpmgf/article/download/10268/10004. Acesso em: 9/1/23.

5. Adaptado de: Enxaqueca com aura. Sociedade Brasileira de Cefaleia. 2017. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/noticias.php?id=351. Acesso em: 9/1/23.

6. Adaptado de: Cefaleias. Jose G. Speciali. Cienc. Cult, 2011, 63 (2): 38-42. São Paulo Abril 2011. Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252011000200012. Acesso em: 9/1/23.

7. Adaptado de: Cefaleia como a principal de automedicação entre os profissionais de saúde não prescritores. Andreia Lucia Martins de Oliveira, Naira Correia Cusma Pelógia. Revista Dor 12 (2), Jun 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rdor/a/Hkrq74dZTxNPsLpKRwWByxL/?lang=pt. Acesso em: 9/1/23.

 8. Adaptado de: Estresse, sintomas de ansiedade e depressão em mulheres com dor de cabeça. Vivian Mascella, Nadia Vieira, Luiz Carlos Beda, Marilda Emmanuel Novaes Lipp. Boletim Academia Paulista de Psicologia, São Paulo, Brasil. 34 (87), 407-428. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/bapp/v34n87/a08.pdf. Acesso em: 9/1/23.

9. Adaptado de: Impactos dos transtornos do sono sobre o funcionamento diário e a qualidade de vida. Mônica Rocha Muller, Suely Sales Guimarães. Estudos de Psicologia I Campinas I 24(4) I 519-528 I outubro – dezembro 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/estpsi/a/gTGLpgtmtMnTrcMyhGFvNpG/?lang=pt&format=pdf. Acesso em: 9/1/23.

10. Adaptado de: Migrânea e a sincronização do ciclo menstrual em mulheres: existe uma relação? Relato de caso. Karen dos Santos Ferreira, Luiza Previdelli Bolinelli, Lígia Cristina Pagotto. Revista Dor 16 (2). Jan-Mar, 2015. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rdor/a/S4cHLNgv8pKL4TrXyrfPLjm/?lang=pt. Acesso em: 9/1/23.

11. Adaptado de: PROTOCOLO NACIONAL PARA DIAGNÓSTICO E MANEJO DAS CEFALEIAS NAS UNIDADES DE URGÊNCIA DO BRASIL – 2018. Academia Brasileira de Neurologia – Departamento Científico de Cefaleia. Sociedade Brasileira de Cefaleia. José Geraldo Speciali, Fernando Kowacs et al. 2018. Disponível em: https://sbcefaleia.com.br/images/file%205.pdf. Acesso em: 9/1/23.

12. Adaptado de: Jornada de Trabalho e Redução de Estresse. Marcos Deminco. 2011. Disponível em: https://www.psicologia.pt/artigos/textos/A0576.pdf. Acesso em: 9/1/23.