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As palpitações cardíacas podem surgir em momentos de ansiedade, após consumo excessivo de café ou em situações de estresse intenso. Embora muitos casos sejam benignos, alguns episódios podem indicar alterações no ritmo cardíaco e precisam de investigação médica.¹

As palpitações são definidas como a percepção anormal dos batimentos cardíacos. Algumas pessoas sentem o coração “pulando”, outras relatam sensação de batidas rápidas, fortes ou irregulares no peito, pescoço ou garganta. Segundo o Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue, dos Estados Unidos, os episódios podem durar segundos, minutos ou mais tempo, aparecendo tanto em repouso quanto durante atividades físicas.²

Ansiedade, cafeína e estresse estão entre as causas mais comuns para o coração acelerado

Fatores emocionais estão entre os principais gatilhos para palpitações. Situações de tensão aumentam a liberação de adrenalina, hormônio que acelera os batimentos cardíacos e prepara o organismo para responder ao estresse.³

Além da ansiedade, outros hábitos cotidianos também podem favorecer episódios de coração acelerado. Entre os fatores mais associados às palpitações estão: ²,

  • Excesso de cafeína: o consumo elevado de café, energéticos e bebidas estimulantes pode aumentar a frequência cardíaca.
  • Cigarro e álcool: substâncias estimulantes interferem na atividade elétrica do coração e podem desencadear alterações no ritmo cardíaco.
  • Noites mal dormidas: a privação de sono altera o equilíbrio hormonal e aumenta a resposta do organismo ao estresse.
  • Uso de alguns medicamentos: descongestionantes nasais, medicamentos estimulantes e fórmulas para emagrecimento podem provocar palpitações.
  • Alterações hormonais e metabólicas: anemia, febre, desidratação e problemas na tireoide também podem causar aceleração cardíaca.

Segundo especialistas do Centro Nacional para Informação de Biotecnologia dos Estados Unidos, a maior parte das palpitações não está relacionada a doenças graves, mas identificar a causa é essencial para evitar complicações cardiovasculares.⁴

Quando o coração acelerado pode indicar um problema cardíaco?

Embora muitos episódios sejam passageiros, alguns sintomas merecem atenção imediata. Dados do Ministério da Saúde alertam que palpitações acompanhadas de dor no peito, falta de ar, tontura ou desmaio precisam de avaliação médica.¹

As palpitações também podem estar associadas às arritmias cardíacas, que são alterações no ritmo normal do coração. Nessas situações, os batimentos podem ficar acelerados, lentos ou irregulares. Em alguns casos, as arritmias não provocam sintomas, mas determinadas alterações aumentam o risco de complicações cardiovasculares.⁵

Segundo o cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46977 | RQE 132337),  a frequência dos episódios contribui para definir a necessidade de investigação. “Uma palpitação isolada depois de um susto ou excesso de cafeína geralmente não representa gravidade. O problema é quando o sintoma se torna recorrente, acontece durante exercícios ou vem acompanhado de outros sintomas”, destaca.

Os principais sinais de alerta incluem: ¹,²,

  • Dor no peito
  • Falta de ar
  • Sensação de desmaio
  • Tontura intensa
  • Suor excessivo
  • Palpitações frequentes ou prolongadas
  • Histórico de doença cardíaca

Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), as doenças cardiovasculares continuam entre as principais causas de morte no mundo. Por isso, sintomas persistentes relacionados ao coração não devem ser ignorados.⁶

Como é feita a investigação médica das palpitações?

A avaliação começa com uma conversa detalhada sobre os sintomas, histórico de saúde e hábitos de vida. O médico costuma investigar quando as palpitações surgem, quanto tempo duram e se existem fatores desencadeantes associados.⁴

Entre os exames mais utilizados para investigação estão: ⁴,

  • Eletrocardiograma: registra a atividade elétrica do coração e pode identificar alterações no ritmo cardíaco.
  • Holter de 24 horas: monitora os batimentos cardíacos ao longo do dia e da noite para detectar arritmias que podem não aparecer no eletrocardiograma convencional.
  • Ecocardiograma: avalia a estrutura e o funcionamento do coração.
  • Exames laboratoriais: ajudam a identificar alterações hormonais, anemia e distúrbios metabólicos que podem provocar arritmias.

A escolha dos exames depende da frequência dos sintomas, da idade do paciente e da presença de fatores de risco cardiovasculares.⁷

Mudanças de hábitos podem reduzir os episódios

Os dados reunidos pelas instituições de saúde mostram que hábitos saudáveis ajudam a diminuir episódios de palpitações em pessoas com ou sem doenças cardíacas.²,

Entre as principais recomendações estão: ²,

  • Reduzir o consumo de cafeína e energéticos
  • Evitar cigarro
  • Diminuir o consumo ou evitar o álcool
  • Manter rotina regular de sono
  • Praticar atividade física regularmente
  • Controlar o estresse
  • Manter acompanhamento médico de doenças crônicas

De acordo com o Dr. Jairo, algumas mudanças costumam trazer bons resultados. “O organismo responde diretamente ao estresse físico e emocional. Sono inadequado, excesso de estimulantes e ansiedade criam um ambiente favorável para palpitações”, afirma.

Nem toda palpitação é perigosa, mas o sintoma merece atenção

As palpitações são relativamente comuns e muitas vezes não têm maior gravidade. Ainda assim, episódios frequentes, prolongados ou acompanhados de outros sintomas precisam de avaliação médica para descartar arritmias e doenças cardiovasculares.¹,²,

Em vez de ignorar os sintomas ou recorrer ao autodiagnóstico, o mais indicado é observar os sinais do corpo e buscar orientação profissional quando necessário. Identificar corretamente a origem das palpitações é o primeiro passo para evitar complicações e manter a saúde cardiovascular em dia.⁴,

Conteúdo elaborado em junho/2026

Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.

Médico consultor: Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46977; RQE 132337), cardiologista clínico, professor e pesquisador da disciplina de Cardiologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Referências

  1. Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. “Não deixe o seu coração sair do ritmo” 12/11 Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita [Internet]. Brasília: BVSMS; [Acesso em 28 Mai 2026]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/?p=12023
  2. National Heart, Lung, and Blood Institute. Arrhythmias Symptoms [Internet]. Bethesda: NIH; 2022 [Acesso em 28 Mai 2026]. Disponível em: https://www.nhlbi.nih.gov/health/arrhythmias/symptoms
  3. Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde. “Coração na Batida Certa” 12/11 Dia Nacional de Prevenção das Arritmias Cardíacas e Morte Súbita 2025 [Internet]. Brasília: BVSMS; [Acesso em 28 Mai 2026]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/coracao-na-batida-certa-12-11-dia-nacional-de-prevencao-das-arritmias-cardiacas-e-morte-subita-2025/
  4. Mirvis DM. Palpitations. In: Walker HK, Hall WD, Hurst JW, editors. Clinical Methods: The History, Physical, and Laboratory Examinations. 3rd edition. Boston: Butterworths; 1990. Chapter 10. [Acesso em 29 maio 2026]. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK202/
  5. Govender I, Nashed KK, Rangiah S, Okeke S, Maphasha OM. Palpitations: Evaluation and management by primary care practitioners. S Afr Fam Pract (2004). 2022 Feb 24;64(1):e1-e8.
  6. Organização Pan-Americana da Saúde. Doenças cardiovasculares [Internet]. Washington, DC: OPAS; [Acesso em 28 Mai 2026]. Disponível em: https://www.paho.org/pt/topicos/doencas-cardiovasculares
  7. Brasil. Ministério da Saúde. Protocolos de encaminhamento da atenção básica para a atenção especializada [internet]. Brasília: Ministério da Saúde; [Acesso em 28 Mai 2026]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolos_atencao_basica_especializa da_cardiologia_v_II.pdf