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Publicado em: 29 de abril de 2025
Assuntos abordados
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Hoje em dia, graças ao avanço da medicina, as chances de sobreviver a um infarto do miocárdio, o famoso ataque cardíaco, melhoraram muito.1
Novas técnicas para restaurar o fluxo de sangue para o coração, medicamentos mais eficientes e cuidados padronizados têm feito uma enorme diferença. Mas apesar de tudo isso, o infarto ainda é uma das maiores causas de morte no mundo.1
Neste artigo, você entenderá o que é infarto, como ele se desenvolve, quais os sinais de alerta e muito mais. Continue a leitura e fique por dentro do assunto.
O infarto do miocárdio acontece quando o músculo do coração não recebe oxigênio suficiente. Isso pode causar danos permanentes, prejudicando tanto a capacidade do coração de relaxar (função diastólica) quanto de bombear sangue (função sistólica).2
Além disso, um infarto pode aumentar o risco de ritmos cardíacos anormais, as chamadas arritmias, e levar a complicações graves.2
Por isso, agir rápido é essencial. Restaurar o fluxo de sangue para o coração nas primeiras 6 horas após o início dos sintomas faz uma enorme diferença no resultado do tratamento e pode salvar vidas.2
O que provoca o infarto geralmente é a redução do fluxo de sangue para as artérias do coração, e isso pode acontecer por vários motivos. O mais comum é a ruptura de placas de gordura na parede das artérias (chamadas de placas ateroscleróticas), que causam a formação de coágulos que bloqueiam o fluxo de sangue.2
No entanto, existem outras causas, como:2
Vale destacar também que existe um tipo chamado “infarto do miocárdio tipo 2”, que ocorre quando o coração precisa de mais oxigênio do que está recebendo, mas isso não está ligado a uma ruptura aguda de placas de gordura nas artérias.3
Nos últimos anos, essa condição tem sido detectada com mais frequência graças a exames mais sensíveis que medem a troponina, uma proteína liberada quando o coração está sendo danificado. Como esse tipo de infarto pode trazer complicações a curto e longo prazo, merece muita atenção.3
O desafio é que esse problema pode ter diferentes causas e fatores desencadeantes, o que torna o tratamento mais complicado. Além disso, não existe ainda uma definição clara e padronizada que ajude os médicos a identificar o problema de forma consistente, o que também dificulta a criação de estratégias específicas de tratamento.3
O infarto em mulheres pode se manifestar de forma diferente do que nos homens, tanto nos sintomas quanto nas condições que o causam.4
Por exemplo, homens e mulheres costumam relatar sintomas clássicos de infarto, como:4
No entanto, as mulheres têm mais chances de apresentar sintomas “atípicos”, como:4
Esses sintomas nem sempre são associados pelas pessoas a problemas no coração, o que pode atrasar a ida ao hospital.4
Além disso, as mulheres que sofrem infarto costumam ser mais velhas e ter mais problemas de saúde associados, como diabetes ou pressão alta.4
Enquanto isso, os homens apresentam maior risco de infarto silencioso, ou seja, aquele que ocorre sem sintomas claros, o que pode ajudar a explicar por que eles apresentam uma taxa maior de infartos no geral.4
Nas mulheres, o infarto pode estar relacionado a problemas diferentes dos homens. Por exemplo, as mulheres formam menos placas de gordura acumulada nas artérias (o que chamamos de carga aterosclerótica), mas são mais propensas a sofrer infartos por outros motivos, como problemas na microcirculação do coração.4
Além disso, à medida que envelhecem, as mulheres perdem mais antioxidantes naturais e apresentam piora no funcionamento do sistema nervoso que regula o coração, o que pode agravar o risco.4
Outro aspecto que está sendo estudado é a tolerância à dor. Algumas pesquisas sugerem que mulheres com um limiar de dor mais alto (ou seja, que naturalmente tendem a sentir menos dor) podem não reconhecer os sinais de um infarto, o que também contribui para o diagnóstico tardio.4
Homens e mulheres podem ter diferentes fatores de risco e condições associadas ao risco de infarto do miocárdio.4
De forma geral, as mulheres que têm esse problema tendem a ser mais velhas do que os homens e apresentam mais frequentemente problemas como insuficiência cardíaca, diabetes, hipertensão arterial e obesidade. Além disso, elas costumam fumar menos que os homens.4
Por outro lado, os homens são mais propensos a ter histórico de infarto prévio ou problemas como úlcera no estômago.4
Quando se trata de colesterol elevado (dislipidemia), os estudos ainda não chegaram a um consenso definitivo: alguns dizem que isso é mais comum em mulheres, outros apontam mais casos em homens e há aqueles que não veem diferença entre os sexos.4
O mesmo acontece com o histórico de angina (uma dor no peito que pode ser sinal de problemas no coração). A questão é que os resultados variam muito entre os estudos.4
A idade também influencia os fatores de risco. Mulheres com menos de 55 anos, por exemplo, têm mais chance de sofrer um infarto se tiverem obesidade, diabetes, hipertensão ou outras condições como doenças nos rins ou nos pulmões. Em particular, diabetes e hipertensão aumentam significativamente o risco para elas.4
Nos homens dessa mesma faixa etária, condições como colesterol elevado e problemas específicos nas artérias coronárias são mais frequentes.4
O tabagismo também é um fator importante. Fumar mais de 20 cigarros por dia aumenta o risco de infarto em ambos os sexos, mas o impacto é ainda maior nas mulheres.4
Outro ponto curioso é sobre o diabetes. Em mulheres com diabetes tipo 1, o risco de infarto é maior do que em homens na mesma condição.4
O mesmo vale para o diabetes tipo 2, embora a diferença entre os sexos seja um pouco menor. Esse risco tende a diminuir com a idade quando comparado à população geral, mas ainda assim permanece alto.4
Segundo a British Heart Foundation, se cuidarmos melhor do nosso estilo de vida, podemos evitar muitos problemas graves.5
Acredite, grande parte do controle está em nossas mãos. Se você combina hábitos ruins, como fumar ou ser sedentário, com doenças como hipertensão ou diabetes, isso pode reduzir sua expectativa de vida em até 5 anos!5
A American Heart Association reforça que adotar hábitos saudáveis é como uma terapia preventiva. Ou seja, mudar seu estilo de vida após um problema no coração é essencial para evitar novas complicações.5
O problema é que muita gente sabe disso, mas não mantém as mudanças, mesmo depois de um susto como um infarto. Isso é preocupante porque os índices de doenças cardíacas estão aumentando.5
Uma informação importante: o consumo de álcool, mesmo de forma leve a moderada não é uma recomendação, especialmente se a pessoa já tem histórico de vício ou outros problemas de saúde.5
Por último, a atividade física é um dos maiores aliados do coração. Exercícios regulares ajudam a melhorar a circulação, controlar o peso e até reduzir o colesterol ruim.5
Já o cigarro é um dos maiores vilões para o coração. Ele danifica as artérias, aumenta o colesterol ruim e a pressão arterial, além de deixar o sangue mais propenso a formar coágulos. A boa notícia é que parar de fumar reduz o risco de morte por problemas cardíacos em cerca de 40%.5
A American Heart Association recomenda que os programas de prevenção primária incluam tanto a identificação e controle dos fatores de risco quanto a conscientização sobre os sinais de que um problema cardíaco pode estar prestes a acontecer.6
Já a prevenção secundária tem um foco diferente: evitar que pacientes que já têm doença arterial coronariana sofram novos eventos ou até uma morte súbita causada por infarto ou outras complicações cardíacas.6
O infarto agudo do miocárdio é uma condição muito séria, especialmente porque muitas pessoas não conseguem chegar ao hospital a tempo.2
Infelizmente, cerca de um terço das pessoas com essa condição não sobrevive antes de chegar ao hospital — e quase metade pode não resistir ao chegar. Mesmo após receber atendimento inicial, de 5% a 10% dos pacientes podem falecer no primeiro ano após o infarto.2
A gravidade do infarto depende do quanto o músculo do coração foi danificado. Pacientes que recebem tratamento rápido têm melhores chances de sobreviver.2
Além disso, quem tem o coração ainda funcionando bem, especialmente com uma fração de ejeção preservada (que é a capacidade de o coração bombear sangue), tem uma recuperação melhor.2
Para ajudar na recuperação e reduzir o risco de novos problemas, a reabilitação cardíaca é fundamental. Ela inclui um programa personalizado de exercícios, orientações nutricionais e apoio psicológico. Estudos mostram que essa reabilitação pode ajudar a melhorar a qualidade de vida, reduzir o risco de morte e até diminuir as chances de outro ataque cardíaco.2
O programa de reabilitação deve ser adaptado às necessidades de cada paciente, considerando sua condição antes e depois do infarto. Pesquisas indicam que pacientes que participam desse processo têm menos chances de sofrer outro evento cardíaco no futuro.2
Se você deseja ter acesso a informações atualizadas sobre saúde em geral, confira outros artigos no blog da A Vida Plena. Boa leitura!
Artigo elaborado em: 24 abr. 2025.
Referências:
1. Saito Y, Oyama K, Tsujita K, Yasuda S, Kobayashi Y. Treatment strategies of acute myocardial infarction: updates on revascularization, pharmacological therapy, and beyond. J Cardiol. 2023 Feb;81(2):168-178.
2. Mechanic OJ, Gavin M, Grossman SA. Acute Myocardial Infarction. 2023 Sep 3. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2025 Jan–.
3. Sandoval Y, Jaffe AS. Type 2 Myocardial Infarction: JACC Review Topic of the Week. J Am Coll Cardiol. 2019 Apr 16;73(14):1846-1860.
4. Schulte KJ, Mayrovitz HN. Myocardial infarction signs and symptoms: females vs. males. Cureus. 2023;15(4).
5. Notara V, Panagiotakos DB, Pitsavos CE. Secondary prevention of acute coronary syndrome. Socio-economic and lifestyle determinants: a literature review. Cent Eur J Public Health. 2014 Sep;22(3):175-82. 6. MUSSI, F. C. O infarto e a ruptura com o cotidiano: possível atuação da enfermagem na prevenção. Revista Latino-Americana de Enfermagem, v. 12, n. 5, p. 751–759, out. 2004. Disponível em https://www.scielo.br/j/rlae/a/b8F4XMVxdpLVXwFqFrCW4Bt/#:~:text=A%20American%20Heart%20Association%20(AHA,problemas%20card%C3%ADacos%20e%20IAM%20em. Acesso em 24.04.2025.
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