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Publicado em: 22 de abril de 2026
O verão é uma das estações mais aguardadas do ano. O período é marcado por mais tempo ao ar livre, férias e maior contato com o sol e a natureza. Esse aumento da exposição, no entanto, exige atenção redobrada com a saúde da pele¹.
“A pele sofre impacto direto do calor e da exposição solar mais intensa. Sem proteção adequada, esses fatores podem comprometer as funções da pele, acelerar processos de dano e envelhecimento e ainda aumentar a incidência dos principais cânceres de pele”, aponta a dermatologista Dra. Luciana Samorano (CRM-SP 135.021 RQE 41333). Segundo a especialista, adotar hábitos de proteção e hidratação é fundamental para manter a pele saudável durante os meses mais quentes.
Durante o verão, a pele fica mais vulnerável a uma série de danos. O mais comum deles é a queimadura solar, que ocorre quando a pele é exposta aos raios ultravioleta (UVA e, sobretudo, UVB) sem proteção adequada². “No verão, é comum as pessoas associarem o bronzeado à saúde e ao lazer, mas é importante lembrar que o bronzeamento da pele é, na verdade, uma resposta de proteção do organismo ao dano solar. Logo, não há bronzeamento pelo sol considerado saudável”, alerta a Dr. Luciana.
Em casos de queimaduras, a pele pode apresentar vermelhidão, sensibilidade aumentada e, em quadros mais intensos, formação de bolhas e até mesmo sintomas sistêmicos, como dor de cabeça, tontura, náuseas e confusão mental, condição esta conhecida como insolação, causada pelo excesso de radiação solar.²
Em ambientes como praias e piscinas, esse risco tende a ser ainda maior. A combinação entre sol forte, areia, contato frequente com a água e transpiração excessiva cria condições favoráveis a queimaduras². Mas a atenção deve ser redobrada até para quem não pretende se expor ao sol à beira mar, diz a dermatologista. “O cuidado também é importante no dia a dia para proteger a pele de exposição excessiva ao sol na rotina, como no trajeto para o trabalho por exemplo. Para quem trabalha ao ar livre, a proteção é prioridade.”
Outros riscos para a pele no verão são relacionados com a alta umidade e calor.² Um bom exemplo são as micoses.
Micoses superficiais são infecções provocadas por fungos que podem atingir a pele, as unhas e os cabelos. O ambiente quente e úmido facilita a proliferação desses microrganismos, principalmente quando há queda da imunidade. Regiões como pés, virilha e unhas são as mais afetadas, mas as lesões podem surgir em outras áreas do corpo².
A prevenção está ligada a cuidados cotidianos, como manter a pele bem seca após o banho, com atenção especial às dobras, evitar caminhar descalço em locais úmidos de uso coletivo e dar preferência a calçados mais ventilados². “Outro ponto de atenção é com manicures e pedicures. Se possível, o indicado é usar materiais individuais, como pinças e alicates que não foram usados em outras pessoas, mas para quem faz as unhas em salões, certifique-se de que os materiais são esterilizados regularmente”, acrescenta a Dra. Luciana.
Como consequência do calor,um dos riscos à pele é o surgimento de brotoejas, pequenas lesões que aparecem quando o suor fica retido na pele, especialmente nas dobras do corpo ou em áreas cobertas por roupas. Mais comum em bebês, elas podem se manifestar como pequenos pontinhos ou bolinhas rosadas ou vermelhas. O uso de roupas leves e a redução da exposição a ambientes abafados ajudam a prevenir o problema².
A combinação entre aumento da oleosidade da pele, suor, uso de filtro solar com veículo oleoso e exposição ao sol também aumenta a propensão para acne solar² ou “espinhas de calor”, segundo a médica. Para reduzir este risco, recomenda-se higienizar o rosto com produtos adequados ao tipo de pele e optar por filtros solares com textura leve, à base de água ou em gel, que ajudam a controlar a oleosidade².
Uma preocupação relevante para os cuidados com a pele no verão, segundo a médica, é a relação da exposição solar com o envelhecimento cutâneo.
A radiação ultravioleta estimula a formação de novos vasos sanguíneos e ativa processos inflamatórios, o que pode deixar a pele mais sensível e avermelhada. Além disso, esse estímulo compromete as estruturas que dão sustentação e firmeza à pele, ao ativar substâncias que degradam fibras importantes, como colágeno e elastina³. “Com o tempo, estas alterações aceleram o processo de envelhecimento cutâneo, favorecendo o envelhecimento precoce, favorecendo o surgimento de rugas, flacidez e manchas”, explica a Dr. Luciana.
Uma pele com muitas manchas e sardas, por exemplo,reflete danos acumulados causados pela radiação solar ao longo do tempo. Entre essas alterações estão as manchas senis, ou melanoses solares, que apresentam coloração castanha a marrom e são comuns em regiões como rosto, mãos, braços, colo e ombros².
A presença dessas manchas, de acordo com a médica, reforça a necessidade de avaliação dermatológica regular. “Apesar de serem lesões benignas, elas indicam maior exposição solar ao longo da vida e maior risco de o paciente desenvolver câncer de pele.”
Como a Dra Luciana aponta, os danos à pele causados pela radiação ultravioleta estão diretamente relacionados ao desenvolvimento dos principais cânceres de pele. Para dimensionar esse risco, é possível comparar o impacto do sol sobre a pele ao efeito do cigarro no desenvolvimento do câncer de pulmão¹.
No Brasil, o câncer de pele é o tipo mais comum da doença, representando cerca de 27% de todos os diagnósticos oncológicos. Estima-se que ocorram aproximadamente 180 mil novos casos de câncer de pele não melanoma por ano, sobretudo associados ao dano celular provocado pela radiação solar, que atinge as camadas mais superficiais da pele¹.
Apesar da alta incidência, o câncer de pele é um tipo de câncer que pode ser prevenido¹. Segundo a médica, é importante se atentar para como e quando tomar sol. “O risco aumenta com exposições prolongadas e quando o índice ultravioleta (índice UV) está mais elevado. Se possível, evite os horários de maior índice UV, usualmente entre 10h e 16h, e procure ficar na sombra”, informa a Dra. Luciana.
Outra recomendação importante é utilizar adequadamente o protetor solar e acessórios com proteção ultravioleta, como chapéus e roupas.
Além disso, o câncer de pele apresenta elevadas taxas de cura quando identificado precocemente. Por isso, adotar cuidados com a pele no verão e manter atenção a sinais suspeitos são medidas fundamentais¹.
Protetores com fator de proteção solar (FPS) 30 ou superior são indicados tanto para o uso cotidiano quanto para exposições prolongadas, como praia, piscina ou atividades ao ar livre4.
É fundamental que o produto ofereça proteção contra os raios UVA e UVB. O filtro solar deve ser aplicado cerca de 15 minutos antes da exposição ao sol, para permitir sua absorção pela pele e distribuído de forma uniforme em todo o corpo. Não esqueça áreas mais escondidas, como mãos, orelhas, nuca e pés4.
Reaplique a cada duas horas, ou em intervalos menores em caso de suor excessivo ou contato com a água4. Também é recomendado evitar a exposição direta ao sol entre 10h e 16h, período de maior intensidade dos raios solares, como já informado pela dermatologista.
Em crianças, o uso do protetor solar é indicado a partir dos seis meses de idade, sempre com produtos apropriados para a pele mais sensível e indicados por pediatras ou dermatologistas4.
É importante destacar que “todos precisam usar protetor solar, sem exceção”, reforça a Dra. Luciana. Pessoas de pele negra, por exemplo, possuem maior quantidade de melanina, o que confere uma proteção natural parcial. Ainda assim, estão sujeitas a queimaduras solares, câncer de pele e outros danos, devendo adotar as mesmas medidas de fotoproteção4.
Além do uso do protetor solar, roupas e acessórios são aliados importantes na proteção da pele durante o verão4.
Chapéus e peças de algodão ajudam a bloquear parte da radiação ultravioleta durante atividades ao ar livre. Tecidos sintéticos, como o nylon, oferecem proteção menor, bloqueando cerca de 30% da radiação4.
Na praia e piscina, prefira barracas e guarda-sóis confeccionadas com algodão ou lona, materiais capazes de absorver aproximadamente 50% da radiação UV. Os óculos de sol também têm papel fundamental na proteção, ajudando a prevenir catarata e outras lesões oculares associadas à exposição solar4.
As altas temperaturas do verão aumentam a necessidade de hidratação do organismo e da pele4. Por isso, a ingestão frequente e abundante de líquidos, sobretudo água mineral, é recomendada para hidratar a pele “de dentro para fora”, diz a Dra. Luciana.
Além disso, a aplicação diária de um hidratante ajuda a manter níveis adequados de água na pele, prevenindo o ressecamento4.
No banho, a recomendação é preferir água fria ou morna. Temperaturas elevadas ressecam a pele e comprometem sua barreira de proteção4.
O tipo de sabonete também pode prejudicar a pele4. “Converse com o seu dermatologista sobre o seu tipo de pele e busque usar sabonetes adequados a ele. Por exemplo, se sua pele é seca, prefira sabonetes mais hidratantes. Ainda assim, evite esfregar demais a pele para preservar a camada de proteção natural”, orienta a médica.
A consulta com um profissional de dermatologia é uma parte essencial dos cuidados com a pele no verão e ao longo de todo o ano. O acompanhamento especializado é fundamental tanto para a prevenção de doenças cutâneas quanto para a orientação adequada sobre hábitos de proteção, hidratação e escolha dos produtos mais indicados para cada tipo de pele¹.
“Nem todas as alterações na pele são percebidas facilmente no dia a dia. Manchas que mudam de cor ou tamanho, lesões que não cicatrizam, coceiras persistentes ou sensibilidade excessiva ao sol são sinais que merecem avaliação médica”, ressalta a Dra. Luciana.
Segundo a especialista, manter consultas regulares permite identificar precocemente possíveis problemas e ajustar os cuidados de acordo com as características individuais da pele, a rotina de exposição solar e a idade. “O acompanhamento com um dermatologista é a forma mais segura de garantir orientação correta e preservar a saúde da pele a longo prazo.”
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