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Pele sensibilizada: cuidado adequado e necessidades especiais!

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A irritação da pele é um problema de saúde sério, que afeta as pessoas individualmente, socialmente e até mesmo no dia a dia de trabalho.1 

De modo geral, todas as irritações da pele sensibilizada são geradas por algum grau de inflamação. Alguns dos fatores que podem interferir são o pH da pele, a hidratação da região e a composição lipídica (ou seja, gordurosa) da área.1

Tem a pele sensível ou sensibilizada e não sabe como cuidar dela? Não se preocupe! Continue a leitura para entender mais sobre o assunto e conferir alguns cuidados que podem ajudar em sua rotina. Vamos lá?

O que torna a pele sensível e sensibilizada?

Toda essa questão da pele sensível ou sensibilizada — que são conceitos diferentes! — pode ser entendida a partir da resposta da pele a uma variedade de estímulos externos.1

A reação da pele aos agentes irritantes pode depender de uma série de fatores, incluindo as características do irritante, o ambiente e as condições individuais do organismo.1

A função da barreira epidérmica

A integridade da barreira da pele é fundamental para a resposta deste órgão aos estímulos irritantes ou alergênicos. No entanto, a função dessa estrutura pode ser alterada por diversos fatores, como a exposição a detergentes, solventes orgânicos e outros irritantes, que podem desestruturar a região.1

Ou seja: alguns tipos de substâncias desequilibram a pele, fazendo com que ela fique inflamada e suscetível a outros tipos de problemas.1

O que são as dermatites de contato?

Há duas formas de dermatite de contato: a dermatite de contato irritativa (ICD) e dermatite de contato alérgica (ACD).2 Vamos entender mais sobre o assunto?

Dermatite de contato irritativa (ICD)

Essa é uma reação representa cerca de 70 a 80% dos casos de dermatite de contato. Ela ocorre quando uma substância irritante danifica a integridade da pele, resultando em lesões e inflamação.2 

A gravidade das manifestações pode variar de secura leve da pele a queimaduras, dependendo da natureza e concentração do irritante, bem como da frequência e duração do contato.2

Dermatite de contato alérgica (ACD)

Ela ocorre apenas em indivíduos sensibilizados, ou seja, aqueles que já desenvolveram células imunológicas específicas para determinada substância. A reação alérgica se manifesta geralmente de 24 a 96 horas após o contato com o composto, com o desenvolvimento de coceira, inchaço, pápulas, vesículas e crostas.2

O uso de cosméticos pode causar a sensibilização?

Sim, o uso de cosméticos pode causar sensibilização, especialmente por meio de dermatite de contato alérgica. Uma vez suspeitado o diagnóstico, é recomendado o uso de produtos com baixo potencial de causar alergia até a realização do teste de contato.3

A face é a área mais exposta a cosméticos e, como resultado, a dermatite facial é comumente observada nesses casos. As pálpebras, em particular, são áreas frequentemente afetadas, com causas comuns incluindo:3

  • shampoo;
  • condicionador;
  • sabonetes faciais;
  • removedores de maquiagem;
  • máscara para cílios;
  • esponjas de maquiagem;
  • curvadores de cílios;
  • alérgenos transferidos das mãos para o rosto e os olhos, como o esmalte.

A dermatite lateral da face e/ou pescoço é frequentemente causada por produtos enxaguados, como shampoo e condicionador, que podem escorrer por essas áreas durante o uso. A dermatite central da face, por sua vez, pode ser causada por metais, que liberam alérgenos ao entrar em contato com a base de maquiagem ou cremes faciais.3

Já a dermatite facial generalizada pode estar relacionada a alérgenos no ar, produtos de limpeza facial, base de maquiagem e cosméticos que são aplicados na face de maneira contínua.3

Outro cenário comum envolve pacientes que mudam um único produto, como um sabonete para as mãos, mas não eliminam outras fontes de exposição, como os hidratantes para mãos. Assim, quando não observam melhora, podem acreditar que o produto substituído não estava causando o problema.3

No entanto, os testes de contato podem revelar que todos os produtos continham alérgenos que estavam causando a reação, e a melhora ocorre somente quando são eliminados.3

Além disso, casos de dermatite podem se manifestar mesmo após o uso prolongado de um produto sem problemas anteriores. Isso ocorre porque o paciente pode ter desenvolvido uma sensibilidade a um alérgeno ao qual não era alérgico antes ou porque a formulação do produto mudou, levando à reação alérgica.3 Por isso, é importante ter atenção!

Como é feito o tratamento da pele com dermatite de contato?

Pele sensibilizada: cuidado adequado e necessidades especiais!

O tratamento da pele sensibilizada requer uma abordagem cuidadosa, considerando tanto a pessoa afetada quanto as características específicas dos cosméticos a serem utilizados.4

De modo geral, a abordagem envolve a eliminação de agentes causadores, a introdução gradual de novos produtos e o uso de cosméticos formulados de maneira especial para pessoas com pele sensível.4

Via de regra, os produtos destinados a peles sensíveis não devem conter substâncias com maior potencial de causar irritação ou alergia. Alguns objetivos importantes para a formulação de cosméticos para pele sensível incluem:4

  • eliminação de alérgenos e irritantes comuns, já que é essencial evitar ingredientes conhecidos por causar reações alérgicas;
  • uso de antioxidantes adequados para proteger a pele sem causar danos adicionais;
  • escolha cuidadosa de produtos que sejam reconhecidamente hipoalergênicos.

Por isso, o tratamento da pele com dermatite de contato envolve um protocolo detalhado, com etapas de eliminação e introdução gradual de produtos. Esse processo é demorado devido à necessidade de testar vários cosméticos e produtos para identificar os causadores da sensibilização.4

Como funciona o protocolo?

Na maior parte das vezes, o processo segue o que é chamado de “estratégia das 2 semanas”, em que o uso de todos os cosméticos tópicos e produtos de cuidados com a pele deve ser interrompido por 2 semanas.4

Durante esse período, o paciente também deve suspender o uso de medicamentos tópicos com ingredientes secativos ou irritantes, assim como evitar fontes de atrito na pele.4

Depois, é avaliada a presença de doenças e transtornos da pele, como a rosácea. Caso alguma condição esteja presente, é preciso tratá-la. Se não, são realizados testes de contato para identificar as fontes de alergia.4

Também é indicado testar produtos cosméticos comuns em pequenas áreas da pele para avaliar a resposta, o que pode ser feito durante alguns dias.4

Após a avaliação, os cosméticos devem ser reintroduzidos lentamente. Um protocolo comum é adicionar um cosmético com baixo potencial alergênico por semana, começando com batons, pós faciais e blush em pó, seguindo com outros produtos.4

Há outros tratamentos?

Sim! Alguns estudos têm investigado ingredientes capazes de ajudar no tratamento ou prevenção da sensibilidade da pele.4

Além disso, há a opção de aplicar cremes com determinados extratos, que ajudam na redução da secura da pele e diminuem a sensação de sensibilidade.4

E então, gostou de saber mais sobre a pele sensibilizada? Agora, você sabe não só como identificar esse tipo de questão, mas também as principais causas e gatilhos para a condição. Se você se identificou com alguma situação, procure um médico e faça uma consulta o quanto antes!

Antes de ir, aproveite também para conferir os nossos outros posts sobre pele sensível e sensibilizada. Quem sabe você não encontra outras informações valiosas?

Conteúdo elaborado em 01 dez. 2024.

*Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.  

*As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1. Fluhr JW, Darlenski R, Angelova-Fischer I, Tsankov N, Basketter D. Skin irritation and sensitization: mechanisms and new approaches for risk assessment. 1. Skin irritation. Skin Pharmacol Physiol. 2008;21(3):124-35. 

2. Nosbaum A, Vocanson M, Rozieres A, Hennino A, Nicolas JF. Allergic and irritant contact dermatitis. Eur J Dermatol. 2009 Jul-Aug;19(4):325-32. 

3. Zirwas MJ. Contact Dermatitis to Cosmetics. Clin Rev Allergy Immunol. 2019 Feb;56(1):119-128. 

4. Inamadar A, Palit A. Sensitive skin: An overview. Indian Journal of Dermatology, Venereology, and Leprology. 2013;79(1):9.