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Alimentos que podem desencadear ou diminuir o risco da ocorrência das crises de enxaqueca

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A migrânea, mais conhecida como enxaqueca, é um transtorno frequente, que gera desconfortos e pode até incapacitar as pessoas.1 Embora suas causas não estejam totalmente esclarecidas, há fatores que pioram as crises, enquanto outros contribuem para diminuí-las.1 Entre estes, podemos citar a influência de certos itens dietéticos e desencadeantes químicos de migrânea.1

O consumo de determinados alimentos e bebidas, bem como a ingestão insuficiente de líquidos e o jejum prolongado, podem estar relacionados ao desencadeamento das crises de enxaqueca.1 Conhecer quais produtos ocasionam ou pioram as crises e quais ajudam a reduzir esses episódios é fundamental para conviver melhor com a condição.

Quer saber mais sobre o assunto? Neste post, vamos abordar de forma mais detalhada a relação entre a alimentação e a enxaqueca. Confira!

Por que a alimentação pode influenciar a enxaqueca?

Estima-se que uma parcela relevante das pessoas que sofrem de enxaqueca aponta fatores alimentares como desencadeadores de crises, variando de 12 a 60%.1 Há indícios de que alguns nutrientes e alimentos podem influenciar no surgimento de dores de cabeça em indivíduos predispostos à doença crônica.2

O problema ocorre devido às substâncias químicas presentes nos alimentos que interferem no mecanismo da enxaqueca.3 A frequência e gravidade da enfermidade pode ser maior em pessoas obesas, o que reforça que existe uma relação entre o estado nutricional dos pacientes e a migrânea.4

É importante destacar, no entanto, que para ser considerado desencadeador da crise de enxaqueca, esta deve surgir em até 48 horas após a ingestão do alimento específico, o que dificulta a sua identificação.1

Quais alimentos desencadeiam as crises de enxaqueca?

Muitos produtos alimentícios que fazem parte da nossa dieta podem servir de gatilho para o aparecimento das crises de cefaleia. Logo, substituí-los pode reduzir a frequência desses episódios.1 Acompanhe a seguir quais são os principais alimentos que podem ocasionar as crises de enxaqueca.

Alimentos com glutamato monossódico

O glutamato monossódico (MSG) é um sal sódico de ácido glutâmico utilizado em alimentos congelados, molhos para saladas, sopas enlatadas, carnes processadas e demais produtos industrializados para realçar o sabor.1

O glutamato é especialmente importante nas funções do cérebro, onde atua como o principal neurotransmissor excitatório, podendo desempenhar um papel na sensibilização do cérebro à dor de cabeça.1

Alimentos gordurosos

Durante a crise de enxaqueca, ocorre um notável aumento nos níveis de ácidos graxos e lipídeos no sangue. Essas moléculas orgânicas, que incluem gorduras e óleos responsáveis por fornecer energia ao organismo, têm sua presença ampliada nesse momento. Além disso, há também um aumento na agregação das plaquetas, uma redução nos níveis de serotonina — hormônio encarregado de regular o humor, o sono e diversas funções fisiológicas —, e uma expansão dos níveis de prostaglandina, um hormônio envolvido em processos inflamatórios e funções fisiológicas.1

Uma dieta com baixo teor de alimentos gordurosos pode diminuir os níveis de gorduras no sangue, reduzindo a adesão das plaquetas. Isso, por sua vez, pode auxiliar na redução tanto da duração quanto da recorrência dos episódios de migrânea.1

Frutas cítricas

São as que apresentam em sua composição a octopamina, substância associada às dores de cabeça.1 Quando a crise de enxaqueca ocorre, há alterações no metabolismo da tirosina (aminoácido que sintetiza proteína), resultando em um aumento na produção de aminas, como a octopamina, o que resulta na dor.1 Há também modificações nas estruturas subcorticais que influenciam na regulação do limiar da dor.1

Existem também nas frutas cítricas componentes capazes de impedir a ação das enzimas SULTs (reguladoras de vias metabólicas), o que eleva as concentrações de catecolaminas (substâncias que atuam na reação do sistema nervoso e na regulação do humor) no sangue, condição favorável às crises de migrânea.1

Chocolate

Quando o assunto são alimentos que desencadeiam crises de enxaqueca, o chocolate é um dos mais populares entre os portadores dessa patologia.1 

Os componentes do chocolate que podem desencadear os sintomas incluem feniletilamina, teobromina, cafeína e catequina, isso porque podem afetar o fluxo sanguíneo cerebral e a liberação de noradrenalina, desencadeando as dores.1

Cafeína

Essa é a substância psicoativa (que afeta a função mental) mais consumida no mundo, encontrada em alimentos como café, chá, refrigerantes de cola e chocolate.1

Os efeitos da cafeína no sistema nervoso central variam de acordo com a quantidade e a frequência de consumo.1 A sua ingestão regular e em doses elevadas — maior que 300 mg — pode causar dor de cabeça, ansiedade, agitação, insônia e irritabilidade em pessoas suscetíveis.1

Bebidas alcoólicas

Em pacientes com enxaqueca sem aura — aquela que não apresenta sintomas neurológicos, que podem se manifestar na forma visual, sensorial ou motora, antes ou durante as crises — as baixas quantidades de álcool não aumentam significativamente a frequência dos episódios de manifestação da doença.1,2

No entanto, em relação ao vinho, mesmo quando ingerido em baixas quantidades, pode elevar as chances de desenvolvimento de episódios de enxaqueca.1

Isso se deve não só ao álcool, mas também a outras substâncias presentes na bebida que atuam no mecanismo da enfermidade, como tiramina, sulfitos, histamina e flavonoides fenólicos.1

Quais os alimentos que aliviam a enxaqueca?

Alimentos que podem desencadear ou diminuir o risco da ocorrência das crises de enxaqueca

Se você sofre com essa condição, é importante atentar aos alimentos que consome no seu dia a dia, dando preferência àqueles que podem auxiliar na prevenção ou combate aos sintomas.2 Saiba, abaixo, quais as melhores opções para incluir na sua dieta.2

Triptofano

Os alimentos ricos em triptofano, aminoácido essencial para o nosso organismo, ajudam no controle e impedimento dos mecanismos precipitantes dos sintomas da enxaqueca.2,5 Ele pode ser encontrado em peixes, ovos, frutas secas, amêndoas, nozes, banana, sementes de abóbora, girassol e chia.2

Ervas

A alfavaca, também conhecida como manjericão, é uma erva do Mediterrâneo que pode ser usada em infusão para aliviar sintomas de dor de cabeça.2 Ela tem efeito antioxidante, pois aumenta a atividade de enzimas como glutatião peroxidase, superóxido dismutase e catalase, que reduzem o estresse oxidativo no corpo, aliviando a cefaleia.2

Utilizada no tempero de carnes vermelhas, peixes e saladas, a melissa também é indicada para a sua dieta, devendo ser consumida em forma de infusão.2 Essa erva apresenta uma ação calmante sobre o sistema nervoso central, induz ao sono e combate a dor de cabeça.2

Gengibre

O gengibre é um poderoso aliado na luta contra a migrânea, visto que foi comprovado em testes clínicos a sua capacidade de bloquear a síntese da prostaglandina, que atua na inflamação e na sensibilização das terminações nervosas, contribuindo para a dor associada à enxaqueca.2

Uma alimentação saudável é imprescindível para manutenção da qualidade de vida. Analisar e identificar a sua dieta, para excluir os alimentos que desencadeiam as crises e investir em alimentos que aliviam a enxaqueca é essencial para a melhora da sua condição.1 Contudo, devido aos diferentes fatores envolvidos, esse processo deve ser feito com monitoramento profissional.2

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Se você ou alguém que você conhece sofre com enxaquecas, não deixe de conferir este guia completo sobre como como lidar com a doença para ter mais informações.

Preparamos também esta cartilha com receitas deliciosas que ajudam a controlar a enxaqueca.

Referências

1. Martins LB, Azevedo JF, Lima DC, Costa AB, Teixeira AL, Oliveira DR, Ferreira AV. Migrânea e os fatores alimentares desencadeantes. Headache Medicine. 2013;4(2):63-9. Disponível em: https://headachemedicine.com.br/index.php/hm/article/download/376/789/965. Acesso em 28 jan. 2023.

2. Iglesias HC, Bottura R, Naves MMV. Fatores nutricionais relacionados à enxaqueca. Comun. ciênc. saúde. 2009;20(3):229-239. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/ccs_artigos/2009Vol20_3art04fatores.pdf. Acesso em 28 jan. 2023.

3. Gazerani P. Migraine and Diet. Nutrients. 2020 Jun 3;12(6):1658. doi: 10.3390/nu12061658. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC7352457/pdf/nutrients-12-01658.pdf. Acesso em 28 jan. 2023.

4. Bond DS, Roth J, Nash JM, Wing RR. Migraine and obesity: epidemiology, possible mechanisms, and the role of weight management potential treatment. Obesity Reviews. 2011;12:e362-e371. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-789X.2010.00791.x. Acesso em 28 jan. 2023.

5. Razeghi Jahromi S, Togha M, Ghorbani Z, Hekmatdoost A, Khorsha F, Rafiee P, Shirani P, Nourmohammadi M, Ansari H. The association between dietary tryptophan intake and migraine. Neurol Sci. 2019 Nov;40(11):2349-2355. doi: 10.1007/s10072-019-03984-3. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.1007/s10072-019-03984-3.