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Doenças respiratórias em crianças: 7 comuns e como lidar!

As doenças respiratórias são conhecidas por acometer estruturas responsáveis pela respiração em nosso organismo. Elas podem ser causadas por vírus, bactérias, alérgenos (como pó e mofo), e outros fatores ambientais.1

De modo geral, as crianças são muito afetadas por esse tipo de problema, podendo as menores de 5 anos ser ainda mais vulneráveis.1 Por isso, é importante que os pais e responsáveis saibam como reconhecer essas condições. 

Continue a leitura para conhecer algumas das principais doenças respiratórias em crianças, entender como se desenvolvem e saber identificá-las. Vamos lá?

Crianças e doenças respiratórias

Como visto anteriormente, as crianças integram um dos grupos mais suscetíveis ao desenvolvimento de problemas respiratórios.1 Por conta disso, não é incomum que os pequenos sejam internados devido a essas enfermidades.2,3

Alguns dos fatores de riscos associados a essa realidade são:1

  • baixo peso ao nascer;
  • desnutrição, o que acaba afetando o sistema imunológico;
  • falta de amamentação, que contribui para menos defesas naturais no organismo;
  • ausência de vacinação adequada, que, por sua vez, expõe as crianças a uma série de problemas (sejam eles respiratórios ou não);
  • contaminação do ar doméstico, ambiente mais frequentado pelas crianças. 

7 doenças respiratórias comuns em crianças

Agora, que tal você descobrir algumas das principais doenças respiratórias em bebês e crianças? Continue para entender mais sobre cada uma delas e os sintomas mais frequentes nesses casos!

1. Resfriado

Inicialmente, vamos falar sobre um dos problemas respiratórios mais comuns. Sabia que os responsáveis por ele são os vírus, como rinovírus, adenovírus, coronavírus e parainfluenza?4 

A transmissão acontece de maneira bem simples: por meio de gotículas provenientes de espirros, tosse e contato com a saliva, além de secreções transmitidas pelas mãos e objetos contaminados. O período de incubação, que é o tempo entre a exposição ao vírus e o aparecimento dos sintomas, dura entre dois e quatro dias. Geralmente, o resfriado se resolve em um período de sete a dez dias.4

Agora, vamos falar dos sintomas do resfriado em crianças? As principais manifestações clínicas podem ser4:

  • obstrução nasal;
  • corrimento nasal (rinorreia);
  • espirros;
  • mal-estar;
  • dor de garganta;
  • febre;
  • lacrimejamento ocular;
  • tosse;
  • perda de apetite (hiporexia). 

Apesar desses sintomas, o estado geral da criança normalmente não é grave. A febre costuma ser baixa, abaixo de 39ºC, e dura entre três a cinco dias.4

Além disso, é interessante notar que o corrimento nasal inicialmente é claro, mas pode se tornar purulento (mais espesso e de cor amarelada ou esverdeada) na fase final do resfriado.4

2. Asma

Ela é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas, que ocorre devido à interação entre fatores genéticos e ambientais. Essa reação inflamatória causa uma hiper-reatividade das vias aéreas, resultando em sintomas como:4

  • tosse;
  • chiado no peito;
  • dificuldade para respirar (dispneia);
  • dor na região do tórax. 

Muitos fatores podem desencadear ou agravar a asma em crianças, incluindo alérgenos (agentes que causam alergias). Os mais comuns são ácaros, fungos, pelos de animais e até certos alimentos (ainda que de forma mais rara). Além disso, a exposição ao cigarro também é um fator agravante.4

O diagnóstico da asma é principalmente clínico, assim como acontece nos resfriados. Ele é baseado em sintomas recorrentes e históricos familiares. No entanto, alguns testes — como a espirometria, que mede a limitação e reversibilidade do fluxo de ar — são úteis para confirmar o diagnóstico. A medição do pico de fluxo expiratório (PFE) é outra ferramenta importante e de fácil acesso.4

No tratamento, o uso de aerossóis e dispositivos inalatórios ajudam a reduzir efeitos colaterais e aumentar a eficácia do medicamento nos pulmões. Espaçadores com máscara facial são ideais para crianças pequenas, facilitando o uso adequado dos medicamentos.4

O tratamento preventivo da asma visa controlar os sintomas e evitar crises. Isso inclui não só medicamentos, mas também ações educativas e uma parceria entre equipe médica, família e paciente. O principal medicamento preventivo é o corticoide inalatório, que bloqueia muitas das vias inflamatórias da asma.4

3. Gripe

Agora, vamos falar sobre outra infecção respiratória, dessa vez causada pelo vírus Influenza.5 Ela é diferente de um resfriado comum, pois costuma ser mais intensa e pode levar a complicações sérias.

De modo geral, os sintomas são:5

  • febre alta, acima de 38ºC;
  • tosse, que pode ser seca ou produtiva;
  • nariz escorrendo;
  • congestão nasal (nariz entupido);
  • dores e mal-estar generalizado.

Para tratar a gripe, normalmente não é necessário usar antibióticos. Em vez disso, o foco é aliviar os sintomas. No entanto, atenção: se os sintomas da gripe durarem mais de três dias, pode ser um sinal de complicações, como sinusite ou pneumonia.5

4. Rinite

Aqui, temos uma condição comum que afeta o nariz, causada por uma inflamação que ocorre quando as membranas da região entram em contato com substâncias que causam alergias. Assim, os sintomas mais comuns são:4

  • nariz escorrendo; 
  • obstrução nasal;
  • coceira no nariz;
  • espirros. 

Além disso, a rinite pode estar associada a outras condições como conjuntivite alérgica, otite média aguda (que afeta os ouvidos) e sinusites recorrentes.4

5. Sinusite

E por falar nela… agora é hora de entendermos o que é a sinusite em crianças e como ela acontece! Vamos lá? Ela é caracterizada pela inflamação dos seios nasais. Os sintomas mais comuns desse problema são:4

  • nariz escorrendo;
  • congestão nasal;
  • febre baixa;
  • tosse que piora à noite;
  • mau hálito;
  • inchaço ao redor dos olhos sem dor. 

Um dos principais indicadores para diferenciar se a sinusite é causada por um vírus ou por bactérias é a duração dos sintomas: se persistirem por mais de 10 dias ou se piorarem, é mais provável que sejam de origem bacteriana.4

De modo geral, a sinusite é considerada aguda quando os sintomas duram menos de 30 dias. Ou seja: ao passar disso, é possível que estejamos frente a um problema já crônico.4

Mais uma vez, o diagnóstico de sinusite é geralmente clínico, ou seja, baseado nos sintomas e na avaliação médica. Por isso, normalmente não há a necessidade de radiografias dos seios nasais, especialmente em crianças menores de seis anos.4

O tratamento da sinusite bacteriana aguda é feito com antibióticos. A duração do uso desses medicamentos pode variar, mas normalmente fica em torno de 10 a 14 dias.4

6. Faringoamigdalite

Essa é uma infecção que afeta a faringe (garganta) e as amígdalas. Ela pode ser causada por vírus ou bactérias, assim como outros problemas vistos ao longo da nossa conversa. A maioria dos casos, no entanto, tem origem viral.4

Para diagnosticar se a faringoamigdalite é bacteriana, os médicos consideram alguns critérios clínicos. No entanto, os sintomas de infecções virais e bacterianas podem ser muito semelhantes. Por isso, exames laboratoriais podem ser necessários. Eles incluem a cultura de material e a realização de testes rápidos para algumas bactérias.4

Os sintomas desse problema incluem:4

  • febre alta, acima de 38,5°C;
  • gânglio linfático inchado e dolorido abaixo da mandíbula.
  • garganta vermelha com presença de pus (placas de pus).

Outra característica marcante é que, em casos bacterianos, não há sintomas como tosse, nariz escorrendo e rouquidão. Isso porque, na maioria das vezes, esse tipo de sinal está associado à presença de vírus.4

7. Pneumonia

Doenças respiratórias em crianças: 7 comuns e como lidar!

Por fim, vamos falar sobre um dos problemas mais complexos: a pneumonia em crianças. Ela é uma inflamação do parênquima pulmonar, causada principalmente por vírus ou bactérias. Alguns estudos indicam que 50-60% dos casos avaliados eram de origem bacteriana.4

No entanto, atenção: em muitos casos, não é possível determinar a origem específica do problema. Além disso, as infecções mistas — envolvendo mais de um agente causador de doenças —, são comuns.4

Os principais sintomas da pneumonia envolvem o desconforto na hora de respirar, além da presença de mudanças de coloração na imagem em radiografias de tórax. Para diagnosticar, o médico costuma analisar o histórico do paciente e solicitar esse exame. No entanto, quando não há como fazê-lo, é possível fechar o diagnóstico apenas com os sinais observados.4

Outros sintomas muito comuns são:4

  • aumento da frequência respiratória, que deve ser averiguada com a criança sem febre e tranquila durante o atendimento;
  • sibilo, ou o famoso “chiado” durante a respiração.

O ato de auscultar o paciente é um dos melhores métodos de diagnóstico. Durante esse processo, o profissional pode identificar sinais que excluem ou praticamente confirmam a presença da pneumonia, mesmo sem o auxílio de radiografias.4

Aos papais e mamães, o alerta: um dos sinais clínicos mais expressivos de pneumonia em crianças é o aumento da frequência respiratória em crianças com tosse ou dificuldades para respirar.4,6 Por isso, caso o seu filho apresente esses sintomas, leve-o ao médico para uma avaliação. Afinal, há situações que necessitam de terapia com antibióticos e até mesmo internação.4

Cuidados com a saúde respiratória de crianças

Agora que você já conhece as principais doenças pulmonares em crianças e também aquelas que afetam outras áreas do sistema respiratório, é hora de entender quais são os cuidados que devem ser tomados para evitar ou tratar esses problemas de forma mais rápida.

Vamos lá?

Lavagem nasal

Uma das possibilidades de tratamento e prevenção para as crianças com problemas respiratórios é a lavagem nasal. Esse é um procedimento simples e eficaz para manter a saúde das vias respiratórias, especialmente em crianças. Mas não só isso: ela também pode ser benéfica para adultos.7

Quando o assunto envolve os pequenos, esse tipo de cuidado é importante por uma série de razões. Algumas são:7

  • as crianças respiram exclusivamente pelo nariz, precisando dele desobstruído para uma respiração eficiente;
  • o nariz das crianças costuma ser mais estreito e, portanto, mais suscetível às obstruções;
  • as cavidades nasais são responsáveis por filtrar o ar e proteger os pequenos contra diversas doenças. 

Sendo assim, a obstrução nasal — que pode ser causada por problemas como processos alérgicos e infecciosos — contribui para a redução da ventilação eficiente no organismo das crianças. Com isso, é possível perceber sintomas como mudanças na velocidade e intensidade da respiração, assim como desconfortos e dificuldade para que eles possam se alimentar.7

Diante disso, a lavagem nasal pode ajudar a:7

  • umidificar a mucosa;
  • remover muco, secreções e partículas nocivas;
  • reduzir os sintomas da inflamação.

O ideal é que essa lavagem seja feita duas vezes ao dia, uma de manhã e outra à noite.7 Além disso, pode ser feita até mesmo todos os dias, em qualquer época do ano. Isso é importante como fator de prevenção de problemas respiratórios.

Como fazer a lavagem?

Se você está com dúvidas sobre como a lavagem nasal deve ser feita, anote o passo a passo:7

  • comece a preparação com a remoção de crostas e secreções do nariz. Isso pode ser feito assoando o nariz ou com o uso de um algodão ou haste flexível, caso elas ainda não saibam fazer sozinhas;
  • aplique a solução posicionando a ponta do dispositivo na entrada da narina;
  • posicione o bico para a lateral;
  • incline a cabeça da criança para a frente.

Depois, é só repetir o processo na outra narina! E não se esqueça: a solução habitualmente utilizada é o soro fisiológico a 0,9%, ok?7

Hidratação nasal

Assim como a limpeza nasal, manter a hidratação da região é essencial para a saúde respiratória, especialmente em ambientes poluídos ou com ar-condicionado. Ela ajuda na manutenção de uma mucosa saudável, o que colabora para:8,9

  • melhor capacidade de filtração de impurezas;
  • prevenção de doenças;
  • prevenção de ressecamento e machucados, como fissuras;
  • diminuição de sangramentos. 

Novamente, a hidratação pode ser feita com solução salina simples. É possível que o processo seja feito com produtos em gel ou aquosos.8,9

Visita ao pediatra

Por fim, os pequenos também devem fazer visitas frequentes ao consultório do pediatra. Eles ajudam em diversas etapas da vida das crianças e podem ser muito úteis na prevenção e no tratamento de problemas respiratórios a partir de:10

  • incentivo de práticas como alimentação adequada e atividade física;
  • aconselhamento sobre vacinações;
  • diagnóstico precoce de enfermidades;
  • implementação de tratamentos diversos;
  • incentivo de medidas para a melhora da imunidade, como o aleitamento materno. 

A consulta pediátrica varia de acordo com a idade dos pacientes, além de considerar as necessidades particulares de cada um deles.10

Por isso, todas as crianças precisam ser acompanhadas por um pediatra. Esse profissional vai conhecê-los e analisar os processos de crescimento e desenvolvimento. E mais: é fundamental que os pais e responsáveis sigam as recomendações desses profissionais, seja no decorrer de problemas respiratórios ou ao longo de toda a vida dos pequenos.  

As doenças respiratórias em crianças são um assunto sério. Algumas delas, caso não sejam tratadas, podem gerar consequências graves e até mesmo demandar atitudes mais extremas, como a hospitalização. Então, você está no caminho certo: em busca de informação! 

E já que você gosta de se manter bem-informado, aproveite para conferir outras publicações no blog A Vida Plena! Por lá, há muitas dicas para manter a saúde respiratória e de todo o seu corpo em dia. Nos vemos em outras postagens, ok? Até mais!

Referências:

1. Fornazari DH, Mello DF de, Andrade RD. Doenças respiratórias e seguimento de crianças menores de cinco anos de idade: revisão da literatura. Rev Bras Enferm. 2003Nov;56(6):665–8.

2. Secretaria da Saúde. Governo de Santa Catarina. [internet] 2024. [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://www.saude.sc.gov.br/index.php/noticias-geral/14863-70-das-internacoes-na-uti-do-hospital-infantil-joana-de-gusmao-sao-causadas-por-doencas-respiratorias.

3. Natali RM de T, Santos DSPS dos, Fonseca AMC da, Filomeno GC de M, Figueiredo AHA, Terrivel PM, et al.. Perfil de internações hospitalares por doenças respiratórias em crianças e adolescentes da cidade de São Paulo, 2000-2004. Rev paul pediatr. 2011Dec;29(4):584–90.

4. Núcleo de Educação em Saúde Coletiva. Faculdade de Medicina – UFMG. Saúde da criança e do adolescente. Doenças respiratórias. [internet] 2009. [Acesso 26Jul2024] Disponível em: https://ares.unasus.gov.br/acervo/html/ARES/143/1/crianca_adolescente_respiratorias.pdf

5. Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT). Infecções Respiratórias. [internet] 2014. [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://sbpt.org.br/portal/espaco-saude-respiratoria-infeccoes-respiratorias

6. Passos SD, Maziero FF, Antoniassi DQ, Souza LT de, Felix AF, Dotta E, et al.. Doenças Respiratórias Agudas Em Crianças Brasileiras: Os Cuidadores São Capazes De Detectar Os Primeiros Sinais De Alerta?. Rev paul pediatr. 2018Jan;36(1):3–9.

7. Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Recomendações: Atualização de condutas em pediatria. [internet] 2020. [Acesso 26Jul2024] Disponível em: https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec91_PedAmbulatorial.pdf

8. Sociedade Brasileira de Pediatria de São Paulo (SPSP). Recomendações: Atualização de Condutas de Pediatria. [internet] 2017. [Acesso 26Jul2024] Disponível em: https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec81_Otorrino.pdf

9. Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP). Recomendações: Atualização de Condutas de Pediatria. [internet] 2019. [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://www.spsp.org.br/site/asp/recomendacoes/Rec88_Otorrino.pdf

10. Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Pediatras: guardiões da saúde das crianças. [internet] [Acesso 26Jul2024]. Disponível em: https://www.sbp.com.br/especiais/pediatria-para-familias/importancia-do-pediatra/

Data de elaboração: 26.07.2024