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Síndrome respiratória aguda grave (SRAG) tem aumentado: veja como se prevenir

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Gripe e Covid-19 são doenças que você conhece, mas já ouviu falar de síndrome respiratória aguda grave (SRAG)? O Brasil vive um aumento de casos dessa complicação séria de infecções respiratórias, que afeta principalmente crianças com menos de 2 anos.1

Mesmo assim, vale o alerta para prevenção e diagnóstico precoce para todos os grupos! Assim, além de evitarmos as contaminações individuais, reduzimos a transmissão da doença, protegendo as pessoas mais vulneráveis.

Diante desse problema de saúde pública, é preciso conhecer as medidas de prevenção e controle para evitar os casos mais graves. Portanto, confira agora os sintomas da SRAG, quando buscar ajuda, como é feito o diagnóstico e quais os tratamentos para a condição.

Diferença entre síndrome gripal e síndrome respiratória aguda grave (SRAG)

Embora compartilhem algumas semelhanças, as duas síndromes têm diferenças importantes, especialmente quanto à gravidade e às condutas clínicas.1

Síndrome gripal é um termo médico que descreve vários sinais e sintomas que podem ser causados por diversos tipos de vírus respiratórios, como:

  • influenza (gripe);
  • parainfluenza;
  • adenovírus;
  • vírus sincicial respiratório.2

O quadro é caracterizado pela presença de, pelo menos, dois dos seguintes sinais e sintomas: febre de início súbito, tosse, dor de garganta, calafrios, coriza, distúrbios olfativos ou gustativos, mialgia (dor muscular), cefaleia (dor de cabeça) ou artralgia (dor nas articulações).3,4

Quando o paciente tem sinais de gravidade como dispneia (falta de ar) ou desconforto respiratório ou saturação de oxigênio menor que 95% ou coloração azulada (cianose) dos lábios ou do rosto, o diagnóstico é de síndrome respiratória aguda grave.3,4

Vale lembrar que nem todos os casos de doença respiratória aguda grave são causados por vírus, pois bactérias, fungos e outros agentes também podem estar relacionados.3

Se o paciente tiver em choque ou apresentar disfunção dos órgãos vitais, insuficiência respiratória ou instabilidade hemodinâmica (pressão sanguínea inadequada), ele deverá ficar internado em UTI.4 As complicações podem exigir o uso de ventilação mecânica e até mesmo levar à morte.4

Existem alguns fatores que aumentam o risco de internação devido à doença respiratória aguda grave, como:

  • doenças crônicas preexistentes (pneumopatias, doenças cardiovasculares, hematológicas, metabólicas, neurológicas, entre outras);4
  • idade (≤ 2 anos ou ≥ 60 anos);4,5
  • população indígena;4
  • gestantes;4
  • puérperas;4
  • tipo de vírus que está causando a doença;2
  • falta de vacinação;2
  • uso de medicamentos antivirais quando administrados após 72 horas do início dos sintomas.2

A crise respiratória aguda grave é considerada uma doença de importância epidemiológica, o que significa que ela deve ser notificada obrigatoriamente ao Ministério da Saúde. Isso permite a investigação de quais são os vírus em circulação, e essas informações são importantes para:

  • estudar as características genéticas e patogênicas desses vírus;
  • monitorar a resistência desses vírus aos medicamentos que já existem;
  • controlar possíveis surtos;
  • monitorar a demanda por atendimento.2

Diagnóstico e formas de tratamento para SRAG

Apesar de os sintomas iniciais serem semelhantes, a distinção entre a síndrome gripal e a respiratória aguda grave é fundamental para se determinar o nível de intervenções médicas que o paciente deve receber.4

Quando o paciente apresenta sinais e sintomas da síndrome respiratória aguda grave, sem sinais de gravidade ou fatores de risco, o tratamento é apenas sintomático. As recomendações são que ele beba mais líquidos e só retorne ao local de assistência à saúde se houver piora do estado clínico ou aparecimento de sinais de gravidade.4

Nessa situação, ou quando o paciente pertence a algum grupo de risco, o tratamento inclui o uso de um antiviral. Em caso de sinais de agravamento, exames como raio-X podem ser solicitados.4

Por outro lado, se o paciente já apresenta sinais de gravidade e o diagnóstico para doença respiratória aguda grave é confirmado, a equipe médica avaliará a necessidade de internação em leito de UTI.4

Em caso negativo, o tratamento é feito com antivirais, antibióticos, hidratação venosa e terapia com oxigênio. Além do raio-X, são pedidos exames complementares específicos. Em caso positivo, a conduta é igual, mas o acompanhamento segue no leito de terapia intensiva.4

Dicas de como evitar a síndrome respiratória aguda grave

Síndrome respiratória aguda grave (SRAG) tem aumentado: veja como se prevenir

Com o aumento do número de casos da síndrome respiratória aguda grave, é importante tomar algumas medidas de prevenção. Para evitar doenças como gripe e Covid-19, a vacinação é a principal estratégia.5

O uso de máscara em unidades de atendimento à saúde também diminui o risco de contrair vírus respiratórios.5 Em todos os ambientes, é preciso respeitar a etiqueta respiratória, ou seja, adotar medidas como:

  • cobrir a boca e o nariz ao espirrar;
  • higienizar as mãos com água e sabão ou com álcool em gel, especialmente antes e depois de tocar os olhos, a boca e o nariz;
  • evitar tocar os olhos, a boca e o nariz após passar a mão em corrimões, maçanetas etc.;
  • manter distanciamento físico;
  • limpar e desinfectar superfícies.1

Além disso, pessoas com síndrome gripal devem evitar contato direto com outras pessoas, bem como ambientes coletivos e aglomerações.1 Outra recomendação é que quem faz parte do grupo de risco busque atendimento médico tão logo os sintomas gripais surjam. Assim, é possível seguir com o tratamento adequado.5

A prática de medidas simples pode prevenir a disseminação de doenças respiratórias e a incidência da síndrome respiratória aguda grave. Se, mesmo assim, você apresentar sintomas da síndrome gripal, não espere a situação se agravar. Prevenção e diagnóstico precoce são fundamentais para salvar vidas. Proteja-se e proteja quem você ama!

Agora que você sabe mais sobre a síndrome respiratória aguda grave (SRAG), compartilhe sua experiência ou dúvida nos comentários e ajude a conscientizar mais pessoas sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.

Data da elaboração: 16 de julho de 2024

Referências:

1. Ministério da Saúde (MS). Nota Técnica nº 7/2024-CGVDI/DPNI/SVSA/MS. [internet] 2024. [Acesso 27Jun2024]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/notas-tecnicas/2024/nota-tecnica-7-2024-cgvdi-dpni-svsa-ms.pdf/view 

2. Araujo KLR de, Aquino ÉC de, Silva LLS da, Ternes YMF. Fatores associados à Síndrome Respiratória Aguda Grave em uma Região Central do Brasil. Ciênc saúde coletiva. 2020Oct;25:4121–30.

3. Diretoria de Vigilância Epidemiologia (DIVE). Síndrome respiratória aguda grave (SRAG). [internet] 2021. [Acesso 27Jun2024]. Disponível em: https://dive.sc.gov.br/index.php/sindrome-respiratoria-aguda-grave-srag 

4. Biblioteca Virtual em Saúde (BVS). Síndrome gripal/Síndrome respiratória aguda grave: classificação de risco e manejo do paciente. [internet] 2013. [Acesso 27Jun2024]. Disponível em:  https://bvsms.saude.gov.br/bvs/cartazes/sindrome_gripal_classificacao_risco_manejo.pdf

5. Agência GOV.  Síndrome Respiratória Aguda Grave: casos aumentam em todo o País. [internet] 2024. [Acesso 27Jun2024] Disponível em:  https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202403/infogripe-casos-de-srag-aumentam-em-todo-o-pais .