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Publicado em: 22 de setembro de 2026
O ar mais seco e as baixas temperaturas formam a combinação perfeita para irritar as vias respiratórias no inverno1,2. O nariz, um dos primeiros a reagir, pode apresentar ressecamento, ardência e até dificuldade para respirar3.
“Hábitos simples podem aliviar os sintomas e prevenir esse desconforto sazonal”, diz a otorrinolaringologista Dra. Maura Neves (CRM 97446). Entenda o que leva ao ressecamento das mucosas nasais e conheça dicas para cuidar da saúde do seu nariz.
Nariz ressecado e irritado é um companheiro comum do frio3. Mas por que isso acontece?
Durante o inverno, o contato com o ar frio e seco causa a perda de água pela mucosa nasal. Sem conseguir compensar, a mucosa fica propensa à desidratação e a danos na pele interna do nariz3. “Isso também acontece com o uso de ar-condicionado e aquecedores. Esses equipamentos retiram a umidade do ar, favorecendo o ressecamento do nariz e da garganta”, completa a médica.
Além do clima, a Dra. Maura lembra que outros fatores comuns da estação também podem agravar o problema. “Assoar o nariz com muita frequência, resultado de gripes, resfriados ou crises alérgicas comuns na época, pode irritar e lesionar a mucosa nasal.”
A especialista também alerta que alguns métodos usados para aliviar os sintomas de gripes e resfriados têm parte da culpa de desconfortos no nariz4. “Se a pessoa usa descongestionantes nasais eles podem estar agravando o ressecamento. Esses medicamentos agem estreitando os vasos sanguíneos (vasoconstritores) da mucosa nasal para reduzir a congestão, mas, quando usados em excesso, não só ressecam o nariz como podem provocar efeito rebote e aumentar ainda mais a congestão nasal.”
A baixa umidade do ar é apenas uma das explicações para a secura nasal. Quando acompanhada de coceira, desconforto ao respirar e até sangramentos, pode significar um alerta para certas doenças, como rinites, ou hábitos não saudáveis.5
Por exemplo, “fumantes e pessoas que convivem com altos níveis de poluição ou poeira, como moradores de grandes centros urbanos, estão mais suscetíveis a esses sintomas”, afirma a Dra. Maura.
Algumas condições médicas, como rinite atrófica, também afetam diretamente a hidratação do nariz5. “E é importante ressaltar que outras doenças que afetam o trato respiratório frequentemente causam ressecamento e prurido nasal, podendo intensificar os sintomas no período de alta de casos”, acrescenta a Dra. Maura.
Algumas alergias a alimentos, medicamentos e até dermatite de contato também podem afetar o nariz, com sintomas como inchaço, prurido e dificuldade para respirar5. De acordo com a médica, nesses casos, crises intensas podem evoluir para anafilaxia, uma reação alérgica potencialmente fatal. “Por isso, em casos de ressecamento nasal prolongado, é importante procurar um médico.”
Um nariz hidratado é um ato de autocuidado. A mucosa nasal tem uma função essencial: filtrar e umidificar o ar, além de reter vírus, bactérias e partículas inaladas. 6
Quando ressecada, essa proteção natural fica comprometida, aumentando a chance de infecções, como sinusite, além de inflamações causadas por alergias.7
Além disso, um nariz seco pode prejudicar a saúde de diversas formas7. Segundo a Dra. Maura, por exemplo, “impactos na respiração podem levar a noites de sono mal dormidas, o que pode trazer consequências para a saúde física e mental, como dificuldade de concentração e irritabilidade.
A secura excessiva também fragiliza a mucosa, o que favorece sangramentos. Os pequenos vasos sanguíneos, especialmente na parte anterior do septo nasal, ficam expostos e propensos a rupturas5. “Esses pequenos sangramentos levam à formação de ‘casquinhas’ pela cicatrização, o que pode incomodar e levar a pessoa a cutucar o nariz para retirá-las. Esse hábito é uma das principais causas de traumas na mucosa do nariz”, completa Dra. Maura.
A boa notícia é que “pequenas atitudes fazem grande diferença para aliviar os sintomas e proteger a mucosa nasal”, afirma a Dra. Maura. As principais recomendações para aliviar o ressecamento do nariz, segundo a médica, são:
Use umidificadores de ambiente
Coloque o aparelho no centro do cômodo para melhorar a umidade do ar e aliviar o ressecamento das cavidades nasais.
Invista em sprays nasais
Eles ajudam a hidratar as passagens nasais, funcionam como uma limpeza diária contra poeira e alérgenos e tem menos chance de gerar o efeito rebote por não serem vasoconstritores5.
Limpe delicadamente as narinas
Use um lenço de papel borrifado com água ou lenços umedecidos formulados para áreas sensíveis, como os próprios para bebês.
Aposte em vapor facial
A inalação de vapor com água quente pode ser um alívio temporário. Colocar a cabeça sobre uma pia com água quente é uma opção prática. Se tiver um inalador em casa, use por cerca de 20 minutos ao dia.
Hidrate-se por dentro
Beber bastante água e líquidos quentes, como chás, ajuda a manter a hidratação das mucosas de dentro para fora.
Faça lavagem nasal com soro fisiológico
Utilize uma seringa ou produtos específicos para irrigar as narinas. A lavagem ajuda a remover impurezas e hidratar a mucosa nasal.
Converse com o seu médico
Segundo a Dra, quando o nariz ressecado é persistente, não alivia com nenhum método de hidratação das mucosas e é acompanhado de outros sintomas, o médico merece uma visita. “A avaliação médica é essencial para identificar a causa do nariz ressecado e indicar o melhor tratamento para o perfil do paciente.”
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Conteúdo elaborado em setembro/2026.
Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.
Médica consultora: Dra. Maura Neves (CRM-SP 97446/ RQE: 63161), médica otorrinolaringologista formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), onde realizou residência médica em Otorrinolaringologia e obteve doutorado e fellowship em Cirurgia Endoscópica Nasal. Atualmente é médica assistente do Hospital Universitário da USP e integra a Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial e a Academia Brasileira de Rinologia.
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica da especialista.
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