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Publicado em: 27 de julho de 2026
Ondas de calor, lapsos de memória e maior propensão ao ganho de peso estão entre os sintomas mais comuns da menopausa, marco fisiológico caracterizado pelo fim da menstruação. Ela ocorre em mulheres e outras pessoas com útero, geralmente entre 45 e 55 anos, e é identificada de forma retrospectiva, após 12 meses consecutivos sem menstruar.¹
A menopausa é um processo biológico ligado ao esgotamento dos óvulos no organismo. Desde o nascimento, os ovários já contêm todos os folículos, também chamados de células germinativas, que serão utilizados ao longo do tempo. ¹,²
Essa reserva começa a ser consumida na primeira menstruação e segue diminuindo até a última. Com isso, os ovários deixam de produzir hormônios como estrogênio e progesterona em níveis adequados, o que leva à menopausa.¹,²
Além desse processo natural, a menopausa também pode ser induzida por fatores externos, como cirurgias ginecológicas que envolvem a retirada dos ovários. Em alguns casos, tratamentos como quimioterapia e radioterapia também podem antecipar esse processo. ²
À medida que se aproxima do fim da fase reprodutiva, marcado pela menopausa, o corpo passa por uma série de mudanças que afetam diferentes dimensões da saúde. Esse período é conhecido como climatério, uma fase biológica que costuma se iniciar por volta dos 40 anos e pode se estender até aproximadamente os 65.³
É dentro desse processo que ocorre a pré-menopausa é a fase específica do climatério que antecede a menopausa, marcada por oscilações hormonais intensas, ciclos menstruais irregulares e outros sintomas. O período pode começar vários anos antes da menopausa propriamente dita.³
Os sinais de pré-menopausa podem variar de mulher para mulher. Mas os mais comuns incluem: ciclos menstruais irregulares, além de hemorragias ou escassez no fluxo ¹.
Também é comum observar sintomas intermitentes, como oscilações de humor e início de ondas de calor, o que difere da menopausa, quando há a cessação definitiva da menstruação. Além disso muitas manifestações, como os fogachos, distúrbios do sono e a irritabilidade, podem estar presentes em ambas as fases¹,³.
Para algumas mulheres o climatério e a fase da menopausa não apresentam nenhum sintoma. Porém, com a queda progressiva dos hormônios, a tendência é sentir algumas mudanças. Entre as mais comuns estão1,2,4:
Outros sintomas comuns incluem cefaleia, dores musculares e sensibilidade mamária1,2,4.
Além dos sintomas citados acima, as mudanças no corpo causadas pela menopausa podem agravar alguns quadros e aumentar a propensão de desenvolvimento de algumas patologias. ⁴
Por exemplo, mulheres nesse período podem ter perda de massa óssea. O estrogênio é um hormônio que protege a massa óssea. Com sua queda durante a menopausa, o organismo passa a perder mais osso do que consegue repor, o que aumenta a fragilidade e o risco de osteoporose.⁴
Há também risco aumentado de doenças cardiovasculares. Após a menopausa, o coração da mulher pode passar por algumas mudanças e ficar mais suscetível a alguns problemas, como dificuldade para bombear o sangue e alterações na sua estrutura. Esse risco tende a ser maior quando a menopausa ocorre precocemente. Outras alterações incluem a possibilidade de desenvolver arritmias, que pode se agravar com fatores como pressão alta, excesso de peso, sedentarismo, consumo de álcool, ansiedade, insônia e depressão. ⁴
Mulheres na menopausa também passam por um aumento do risco de resistência à insulina e desenvolvimento de diabetes tipo 2. Durante a transição para a menopausa, o corpo da mulher passa por mudanças que podem favorecer o ganho de peso, o acúmulo de gordura na região abdominal e alterações no controle do açúcar no sangue. Com isso, aumenta o risco de desenvolver a condição. ⁴
Havia mais de 1,1 bilhão de mulheres globalmente na pós-menopausa em 2025. A estimativa mostra que esse grupo representa cerca de 12% da população mundial. Graças ao aumento gradual na expectativa de vida, mulheres poderão passar cerca da metade de suas vidas nessa fase ⁴.
Mesmo com a chegada da menopausa, a mulher deve manter o acompanhamento ginecológico regularmente. Além disso, alguns hábitos podem auxiliar na qualidade de vida. São eles¹:
Em alguns casos a terapia hormonal também pode ser indicada. Porém é essencial que não ocorra a automedicação. Atualmente, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e a Associação Brasileira de Climatério são a favor da adoção dessa terapia em casos de necessidade após avaliação clínica. ⁴
Contudo, essas instituições também alertam para que o início do medicamento ocorra nos primeiros 10 anos após a menopausa e/ou antes dos 60 anos de idade. Ir contra essas indicações pode elevar o risco de doenças cardiovasculares. ⁴
Conteúdo elaborado em abril/2026
Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.
Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa – 2024 [Internet]. [Acesso em 18 mar. 2026]. Disponível em: https://doi.org/10.36660/abc.20240478
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