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A queda dos hormônios que acontece durante o climatério é uma das principais causas das mudanças na saúde íntima da mulher. A redução dos níveis de estrogênio deixa o tecido que reveste a vagina mais fino e frágil. Com isso, as glândulas que produzem a lubrificação natural passam a funcionar menos, reduzindo também a elasticidade vaginal. Essas mudanças podem causar ressecamento, desconforto e dor durante a relação sexual.¹

Além das mudanças hormonais, as transformações no corpo que acontecem nessa fase também podem afetar a autoestima, a imagem corporal e o desejo sexual. Por isso, a insatisfação com a vida íntima durante o climatério pode ter diferentes causas e não está relacionada apenas aos hormônios.²

Na verdade, de acordo com uma pesquisa publicada na Revista Brasileira de Saúde Materno Infantil, esse desconforto sexual é bastante comum entre mulheres brasileiras de meia-idade². Estima-se que 65% das mulheres nessa faixa etária estejam em risco de disfunção sexual.¹

foto das mãos de um casal deitado em uma cama, em alusão às mudanças na sexualidade feminina durante o climatério

O que é a síndrome geniturinária da menopausa?

A Síndrome Geniturinária da Menopausa (SGM) é o termo médico para definir o espectro de alterações genitais, sexuais e urinárias decorrentes da menopausa. A terminologia substitui termos mais restritivos como “atrofia vulvovaginal”, refletindo o entendimento de que a falta de estrogênio afeta conjuntamente a vulva, vagina, uretra e bexiga.³

Quais são os sintomas da síndrome geniturinária da menopausa?

Os sinais desse quadro são progressivos e afetam diretamente o bem-estar e a qualidade de vida da mulher. O déficit de estrogênio reduz o colágeno e a vascularização íntima, deixando a mucosa vaginal desidratada, menos elástica e extremamente fina. Clinicamente, isso se traduz em: ³

  • Irritação
  • Queimação persistente
  • Estreitamento do canal vaginal
  • Dor na relação sexual

Além disso, a extrema fragilidade do tecido pode causar pequenas fissuras ou sangramentos ao toque, acompanhados de sintomas urinários como dor ao urinar (disúria) e urgência miccional, que envolve uma vontade incontrolável de urinar.³

Como saber se a dor na relação está relacionada à menopausa?

Para identificar se a dor tem origem na síndrome geniturinária da menopausa ou é decorrente de outras causas, é necessário avaliar a localização e as características do desconforto. Revisões científicas explicam que a dor sexual pode se manifestar de forma superficial, aparecendo na vulva ou logo na entrada da vagina, ao menor contato ou tentativa de penetração, ou profunda, sendo sentida na região interna da pélvis.⁴

Toda dor durante a relação após os 40 ou 50 anos é causada pelo climatério?

Não. O desconforto físico sentido no ato sexual durante a maturidade nem sempre pode ser explicado pelo climatério. Infecções vaginais ativas, como candidíase recorrente, vaginismo (contração muscular involuntária) e disfunções da musculatura do assoalho pélvico, como a hipertonia pélvica, também podem ocasionar dor durante o ato sexual. Somam-se a isso fatores emocionais e relacionais, incluindo o estresse do dia a dia, ansiedade e conflitos com o parceiro, que também exercem uma influência na percepção física da dor.⁴

Menopausa diminui a lubrificação vaginal?

Sim. A diminuição da lubrificação íntima é uma das alterações biológicas mais diretas e marcantes da menopausa. ²

Como é feito o diagnóstico?

O ginecologista é o profissional qualificado para diagnosticar a origem da dor e guiar o tratamento adequado. A avaliação médica baseia-se no relato detalhado de sintomas sexuais e no exame físico da genitália, em que o médico observa se há sinais de atrofia, como tecido descorado (pálido) e redução das dobras vaginais normais. Exames laboratoriais como testes microbiológicos vaginais ou de urina podem ser solicitados principalmente para descartar infecções sobrepostas que causem sintomas semelhantes.³

Como tratar a dor na relação causada pela menopausa?

O tratamento da dor e da atrofia decorrentes da menopausa dispõe de métodos eficazes e seguros, divididos em hormonais e não hormonais. O uso de lubrificantes durante a relação sexual e hidratantes vaginais diariamente ou pelo menos algumas vezes por semana é a primeira linha recomendada para sintomas leves. Para sintomas moderados a severos de SGM, prescreve-se o estrogênio local como cremes, óvulos ou comprimidos, que atuam de forma tópica e proporcionam melhora clínica em cerca de duas a quatro semanas.³

Lubrificante e hidratante vaginal são a mesma coisa?

Embora ambos combatam o ressecamento da região íntima, lubrificantes e hidratantes vaginais possuem propósitos e modos de uso totalmente distintos. ³

O hidratante vaginal é formulado para reter água e tratar a atrofia a longo prazo, devendo ser aplicado de maneira contínua e regular, independentemente da prática sexual. ³

Em contrapartida, o lubrificante vaginal possui efeito temporário e de curto prazo, sendo aplicado unicamente no momento da relação para diminuir o atrito e facilitar o ato sexual.³

Tratamento hormonal é seguro para todas as mulheres?

A indicação de qualquer tratamento hormonal deve ser individualizada pelo ginecologista com base no histórico de saúde de cada paciente. ³

No entanto, é contraindicado para mulheres com sangramento vaginal sem diagnóstico definitivo. Já pacientes com histórico de câncer de mama requerem cuidado multidisciplinar, sendo os hidratantes e lubrificantes não hormonais as opções mais indicadas de primeira linha para a sua segurança.³

Quando a dor durante a relação exige investigação médica?

A dor persistente na relação sexual e qualquer ocorrência de sangramento após o ato íntimo na pós-menopausa não devem ser ignoradas e exigem investigação médica imediata. Diferente das ondas de calor, que podem melhorar sozinhas com o tempo, essas alterações são crônicas e progressivas, podendo evoluir para complicações severas como a aderência labial e a obstrução do canal vaginal. ³

Além disso, sintomas como corrimento vaginal incomum, queimação ao urinar ou irritação são importantes sinais de alerta, pois as manifestações clínicas da atrofia vaginal podem ser similares às de infecções do trato urinário ou infecções vaginais, como candidíase e vaginose bacteriana.³

Dores intensas que pioram com o tempo ou que se tornam resistentes ao tratamento hormonal local de estrogênio também exigem uma avaliação clínica. Isso porque, independentemente da falta de hormônios, disfunções da musculatura do assoalho pélvico, como a hipotonia do assoalho pélvico, patologias dermatológicas vulvares ou vaginismo (contração muscular involuntária na entrada da vagina) também podem afetar as relações.⁴

Como manter a saúde sexual durante o climatério?

Para prevenir e aliviar o ressecamento vaginal e a dor na relação, é preciso ter uma rotina ativa de cuidados e acompanhamento médico preventivo. A prevenção do desconforto baseia-se na indicação de tratamentos não hormonais de primeira linha, que incluem o uso regular e contínuo de hidratantes vaginais e de lubrificantes adequados aplicados especificamente no momento da penetração para reduzir o atrito físico.³

Adicionalmente, manter uma atividade sexual regular e segura funciona como um excelente estímulo fisiológico para preservar a saúde e integridade do canal vaginal, sendo o acompanhamento ginecológico regular indispensável para monitorar as alterações do trato genital e realizar tratamentos de forma segura.³

Manter uma vida sexual saudável e ativa após a menopausa é possível e constitui um pilar fundamental do envelhecimento saudável. Além disso, as disfunções sexuais no climatério estão associadas a fatores que devem ser avaliados clinicamente para restabelecer a qualidade de vida. ²

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Perguntas frequentes sobre dor na relação sexual após a menopausa

  • Por que a relação sexual pode doer depois da menopausa? A relação sexual pode doer após a menopausa porque a queda nos níveis de estrogênio afina e fragiliza o tecido que reveste a vagina, o que reduz drasticamente a elasticidade e a lubrificação íntima natural. ³,⁴
  • O que é síndrome geniturinária da menopausa? A síndrome geniturinária da menopausa (SGM) é o termo médico que define o conjunto de alterações genitais, sexuais e urinárias causadas pelo déficit de estrogênio, afetando de forma progressiva a vulva, vagina, uretra e bexiga. ³
  • Menopausa causa ressecamento vaginal? Durante a menopausa, os níveis de estrogênio diminuem. Esse hormônio ajuda a manter a vagina bem hidratada, elástica e saudável. Com sua redução, a região pode ficar mais fina, sensível e com menor lubrificação, causando ressecamento, ardor, desconforto ou dor durante a relação sexual. ¹–³
  • Como aliviar a dor durante a relação no climatério? O alívio da dor no climatério baseia-se no uso regular de hidratantes vaginais e lubrificantes no ato sexual para sintomas leves, ou na aplicação de estrogênio local sob recomendação médica para casos moderados a graves. ³,⁴
  • Lubrificante ajuda na dor durante a relação? Sim, o lubrificante vaginal ajuda a reduzir a dor porque diminui o atrito de forma imediata e facilita a penetração temporariamente, devendo ser aplicado exclusivamente no momento da relação sexual. ³,⁴
  • Quando procurar um ginecologista por dor durante a relação? É necessário procurar o ginecologista se a dor na relação for persistente, se houver sangramento após o ato sexual, ou quando surgirem sintomas como corrimento, mau cheiro, coceira e dores que pioram com o tempo. ³

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Conteúdo elaborado em outubro/2026

Texto: Bárbara Fernandes, jornalista, especialista em Jornalismo Científico e mestranda em Divulgação Científica e Cultural pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado

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Referências bibliográficas

  1. Cabral PUL, Canário ACG, Spyrides MHC, Uchôa SAC, Eleutério Júnior J, Amaral RLG, et al. Influência dos sintomas climatéricos sobre a função sexual de mulheres de meia-idade. Rev Bras Ginecol Obstet. 2012;34(7):329-334.
  2. Gonçalves JTT, Gonçalves CT, Vieira KH, Santana RF, Reis VMCP, Silveira MF. Disfunção sexual no climatério e fatores associados. Rev Bras Saude Mater Infant. 2023;23:e20230079.
  3. Carlson K, Vadakekut ES. Genitourinary Syndrome of Menopause. In: StatPearls. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; June 17, 2026.
  4. Kao A, Binik YM, Kapuscinski A, Khalifé S. Dyspareunia in postmenopausal women: a critical review. Pain Res Manag. 2008;13(3):243-254.