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Quando compreendemos os ciclos hormonais das mulheres, passamos a respeitar suas fases, que são complementares.

As glândulas que produzem os hormônios sexuais começam a funcionar nas meninas por volta dos 8 anos. A produção do estrogênio e dos androgênios vai trazer mudanças, como o desenvolvimento das mamas e o crescimento dos pelos, que devem acontecer até os 13 anos. O corpo cresce em estatura e começa a mudar de forma. Os ovários vão amadurecendo, estimulando o útero e, então, ocorre a primeira menstruação, a chamada menarca, que deve acontecer entre os 10 e os 15 anos.1

As menstruações habituais têm duração de três a oito dias, com intervalos de 28 dias em média, podendo variar de 24 a 38 dias entre um ciclo e outro. A quantidade de sangramento é bastante variável e depende de diversos fatores, como a quantidade de hormônios que cada mulher produz, o método contraceptivo ou outras medicações que utiliza e a presença ou não de doenças. O ciclo menstrual inicia-se no primeiro dia da menstruação, e a ovulação normalmente ocorre no meio do ciclo, aproximadamente 14 dias após o início do sangramento.2

Depois da primeira menstruação, pode-se optar pela introdução de um contraceptivo hormonal, que atua diretamente nos hormônios. Os anticoncepcionais hormonais são métodos de controle de natalidade que usam hormônios sintéticos para prevenir a gravidez.3 Eles geralmente contêm estrogênio e progesterona (ou apenas progesterona) e podem funcionar de várias maneiras:

  • Impedindo a ovulação: os hormônios evitam que o ovário libere um óvulo.4
  • Espessando o muco cervical: dificulta a passagem dos espermatozoides.4
  • Afinando o revestimento uterino: reduz as chances de um óvulo fertilizado se implantar.4

E vale lembrar que a pílula anticoncepcional vai além da contracepção. Existem outros fatores em que ela pode ser uma aliada, como TPM, acne, SOP e endometriose, mas seu uso deve ser sempre orientado pelo ginecologista.3

E não dá para falar de hormônios sem falar da gestação. Para aquelas mulheres que escolhem engravidar, a gravidez é um período de intensas mudanças hormonais.5 São inúmeros hormônios, como o estrogênio, a progesterona, a prolactina, o beta-HCG, que vão trazer modificações cardiocirculatórias, respiratórias e gastrintestinais, metabólicas, hematológicas, entre outras, preparando o corpo da mulher para nutrir e sustentar o desenvolvimento do bebê.5,6

Uma outra grande alteração hormonal acontece no final da vida reprodutiva da mulher. Durante o climatério, até a chegada da menopausa, a queda do estrogênio e da progesterona pode trazer sintomas desconfortáveis, como ondas de calor, alterações de humor e de sono, secura vaginal, comprometimento da função sexual, perda óssea e aumento de risco cardiovascular.1

Para algumas mulheres, os sintomas podem ser leves; para outras, mais intensos. Conheça quatro dicas essenciais7 para viver bem durante essa fase da jornada feminina:

  • Estilo de vida saudável: uma dieta balanceada, exercícios físicos e hábitos saudáveis podem auxiliar nessa fase e manter a saúde óssea.7
  • Cuidados cardiovasculares: é importante controlar a pressão arterial e os níveis de colesterol e evitar fatores de risco, como o tabagismo.7
  • Acompanhamento médico: o acompanhamento com profissionais especializados é essencial para monitorar a saúde geral e ajustar tratamentos conforme necessário.7

Gostou do conteúdo? Se tiver mais alguma dúvida, pergunte para o seu ginecologista. Independentemente da fase que você está vivendo, nada substitui a consulta regular com um especialista.

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Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor e, não necessariamente, refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Revista Ela. Hormônios: Mistérios e funções dos hormônios reprodutivos [internet]. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/media/k2/attachments/1.ZRevistaZElaZ-ZI.pdf. Acesso em: 02 set. 2024.

2. BRASIL. Ministério da Saúde. Agenda da Mulher. Brasília: Editora do Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/agenda_mulher.pdf. Acesso em:
09.set.2024.

3. Machado RB, Monteiro IM, Brito MB, Lubianca JN. Aspectos práticos quanto à escolha do contraceptivo oral combinado. Femina. 2021;49(8):454-60.

4. Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia. Manual de Anticoncepção [internet]. Disponível em: https://central3.to.gov.br/arquivo/494569/. Acesso em: 8 nov. 2024.

5. Reis GFF. Alterações Fisiológicas Maternas da Gravidez. Rev Bras Anest. 1993;43(1):3-9.

6. Napso T, Yong HEJ, Lopez-Tello J, Sferruzzi-Perri AN. The Role of Placental Hormones in Mediating Maternal Adaptations to Support Pregnancy and Lactation. Front Physiol. 2018 Aug 17;9:1091. doi: 10.3389/fphys.2018.01091. PMID: 30174608; PMCID: PMC6108594.

7. Baccaro LF, Paiva LH, Nasser EJ, Valadares AL, Silva CR, Nahas EA, et al. Propedêutica mínima no climatério. Femina. 2022;50(5):263-71.