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Publicado em: 10 de abril de 2026
O intestino é o segundo cérebro do ser humano1. Você já ouviu essa frase em algum lugar?
Pois saiba que o apelido não é à toa: o órgão possui uma complexa rede de neurônios (chamada de sistema nervoso entérico) e também cumpre um papel importante na regulação do humor e do comportamento.1
Ter essa informação em mente é essencial para entender como a síndrome do intestino irritável (SII) age no corpo e na mente. Neste artigo, você também irá saber por que a condição afeta mais as mulheres do que os homens.2
A síndrome do intestino irritável é um distúrbio complexo4 caracterizado pelos seguintes sintomas:
Ela é considerada uma das maiores razões que levam alguém a procurar o gastroenterologista. Estima-se que a síndrome do intestino irritável afeta algo entre 7% e 18% da população mundial.5
O diagnóstico pode ser feito apenas com a identificação dos sintomas pelo médico. No entanto, se o profissional achar necessário, podem ser solicitados exames para descartar outras doenças.
É como se fosse uma via de mão dupla. Estudos mostram que a síndrome do intestino irritável está associada a alterações do humor por meio da interação do eixo cérebro-intestino. O desgaste emocional pode levar a alterações no padrão da microbiota intestinal (conjunto de microrganismos que vivem no intestino).6
Alguns estudos identificam padrões semelhantes no microbioma fecal de indivíduos com síndrome do intestino irritável e depressão, incluindo maior abundância de bactérias do filo Proteobacteria e menor abundância de Bifidobacteria6. Essa composição, de acordo com o gastroenterologista Dr. Décio Chinzon (CRM 49552 SP – RQE 11890), é indicadora de disbiose intestinal, ou seja, o desequilíbrio da microbiota intestinal causado pela diminuição de bactérias benéficas (Bifidobacteria) e proliferação de microrganismos prejudiciais (Proteobacteria).
Por sua vez, alterações na microbiota intestinal podem influenciar a produção e a regulação de neurotransmissores relacionados ao humor, como a serotonina (mais de 90% dela é sintetizada no intestino). Esse desequilíbrio, consequentemente, afeta de maneira negativa a saúde mental.6
No entanto, o humor não é o único fator ligado à síndrome do intestino irritável. Fatores genéticos, falta de exercícios físicos, tabaco, dieta rica em produtos industrializados e em FODMAPS também influenciam.5
O Dr. Décio explica que FODMAPS são carboidratos fermentáveis que não são completamente digeridos ou absorvidos no intestino. Isso pode provocar um desconforto físico constante (dor), gerando um consequente desconforto emocional (mau humor, cansaço, fadiga). Como exemplo desses alimentos, ele menciona pães, leites, biscoitos, cereais de café da manhã, cerejas, maçãs, manga, pêssegos.
É frequente ouvirmos a informação de que a síndrome do intestino irritável é mais comum nas mulheres do que nos homens. Uma análise feita a partir de vários estudos, por exemplo, chegou à estimativa de que 14% a 24% da população feminina tem essa condição, enquanto o índice é de 5% a 19% na população masculina. Um ponto levantado é que o número referente aos homens pode estar subestimado, pois esse grupo vai menos ao médico do que as mulheres.3
Há ainda outras explicações apontadas pela ciência, como os hormônios femininos. As evidências indicam que as variações dos hormônios ao longo do ciclo menstrual afetam a função gastrointestinal. Além disso, também podem deixar a mulher mais vulnerável ao estresse, considerado um fator crucial na ocorrência da síndrome do intestino irritável e na gravidade dos sintomas. 7
Apesar do aumento das evidências sobre a relação dos hormônios sexuais com os sintomas da síndrome, ainda não há muitos dados que explicam, de forma precisa, a forma como hormônios influenciam o desenvolvimento da síndrome.7
De acordo com o Dr. Décio, são comuns relatos de pacientes que começam a sentir mais os sintomas da síndrome do intestino irritável pouco antes do início da menstruação. Uma possível explicação, ele diz, é que, nesse período, há uma queda significativa nos níveis de estrogênio e progesterona, hormônios que exercem influência sobre a função gastrointestinal.
“Essa redução dos hormônios pode afetar a motilidade intestinal (contração e relaxamento dos músculos do intestino), a sensibilidade visceral e a percepção da dor no trato gastrointestinal”, explica o médico.
A abordagem passa por diferentes pontos, incluindo a identificação dos possíveis fatores desencadeantes e o tipo de manifestação clínica predominante como, por exemplo, a constipação intestinal. Em termos de dieta, a recomendação é priorizar líquidos e alimentos ricos em fibras.8
Entre as diferentes categorias de fibras solúveis, o psyllium está entre aquelas que demonstram melhores resultados na redução do inchaço, da flatulência e da distensão abdominal.9
Mas o Dr. Décio reforça que mudanças positivas no estilo de vida, conciliando boa alimentação, sono adequado, atividade física frequente e acompanhamento psicológico, são um caminho fundamental não apenas para permitir manejar os sintomas da síndrome do intestino irritável, mas também para trazer benefícios para o corpo como um todo.
– Conteúdo elaborado em março/2026
– Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado.
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