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Os rins têm uma função vital para o equilíbrio do corpo: filtram o sangue e regulam a água do organismo. Essa função regula elementos químicos no sangue como sódio, potássio, fósforo e cálcio, assim como elimina medicamentos e toxinas1,2.

Além dessa função primordial, os rins também liberam hormônios na corrente sanguínea. Esses hormônios ajudam a controlar a pressão arterial, participam da produção de células vermelhas do sangue e contribuem para a saúde dos ossos1,2.

Quando surgem doenças renais, esse funcionamento é diretamente afetado, colocando a vida em risco e podendo ser necessário iniciar tratamentos como a hemodiálise. Em muitos casos, esse cuidado se estende por toda a vida. A cada ano, aproximadamente 21 mil brasileiros precisam desse tipo de cuidado³.

Quais os principais tipos de doenças nos rins?

Infecção urinária e insuficiência renal são duas das doenças mais comuns que afetam nossos rins.

A infecção urinária que atinge os rins recebe o nome de pielonefrite e afeta o trato urinário alto, formado por rins e ureteres. Febre, calafrios e dor lombar compõem os sintomas mais característicos, presentes na maioria dos casos4.

Já a insuficiência renal ocorre quando os rins perdem a capacidade de realizar suas funções básicas. Ela pode ser aguda, com perda súbita e rápida da função renal, situação que pode ser fatal e exige tratamento intensivo, embora possa ser reversível dependendo do estado de saúde do paciente. A condição também pode ser crônica, quando essa perda acontece de forma lenta, progressiva e irreversível1,5.

Há outros exemplos menos conhecidos, como é o caso das glomerulopatias. Elas são ocasionadas por lesões dos glomérulos, isto é, estruturas capazes de filtrar o sangue para permitir a formação da urina. Essa condição pode evoluir para insuficiência crônica.6

Sendo assim, as doenças renais crônicas constituem um termo geral que reúne alterações que afetam a estrutura e a função dos rins, com múltiplas causas e fatores de risco. Além disso, são condições de curso prolongado, muitas vezes assintomáticas, o que pode atrasar o diagnóstico².

O que causa doença renal crônica?

A doença renal crônica afeta aproximadamente 1,5% dos brasileiros. Dados do Ministério da Saúde apontam que os principais fatores de risco no país são a hipertensão, responsável por 33% dos casos, o diabetes, com 30%, as glomerulonefrites (isto é, aquela doença inflamatória que afeta as estruturas responsáveis por “filtrar” o sangue), com 9%, e a doença renal policística, que corresponde a 4% e é uma condição genética hereditária marcada pelo crescimento de múltiplos cistos nos rins7.

Hipertensão e diabetes, além de frequentes, são as principais causas que levam pacientes à terapia de substituição renal no mundo e estão associadas a metade dos casos de doença renal crônica em estágio terminal7.

Outros grupos também apresentam maior risco de desenvolvimento de doenças renais crônicas²:

  • Idosos;
  • Pessoas com obesidade (índice de massa corporal superior a 30 Kg/m²);
  • Portadores de doenças do aparelho circulatório, como doença coronariana, acidente vascular cerebral, doença vascular periférica e insuficiência cardíaca;
  • Fumantes.

Além das condições clínicas, o uso de determinados medicamentos também merece atenção. Alguns fármacos são tóxicos para os rins e podem desencadear insuficiência renal aguda, como anti-inflamatórios, antibióticos e certos quimioterápicos¹.

Quando a doença renal vira crônica?

O desenvolvimento de uma condição crônica nos rins é lento e, na maioria das vezes, muito difícil de identificar precocemente.

Nos estágios iniciais, quando já há lesão nos rins e a taxa de filtração começa a cair, sintomas perceptíveis são raros porque o organismo compensa essa perda de função. Por isso, exames de sangue rotineiros, como ureia e creatinina, ainda podem permanecer dentro da normalidade, o que dificulta o diagnóstico sem investigação específica8.

À medida que a função renal diminui de forma moderada (taxa de filtração de 30 a 59 ml/min), os exames laboratoriais começam a revelar alterações, com aumento de toxinas no sangue. Ainda assim, o paciente pode se sentir bem. Quando surgem manifestações clínicas, elas costumam estar relacionadas à doença de base, como diabetes ou hipertensão, o que pode encobrir a gravidade do comprometimento renal8.

Os sinais físicos claros de doença renal tornam-se mais evidentes na fase severa, quando a taxa de filtração cai abaixo de 30 ml/min. Nessa etapa, podem aparecer anemia, inchaço, fraqueza e mal-estar.

No estágio final, com capacidade de filtração inferior a 15 ml/min, os rins deixam de exercer suas funções essenciais. A condição torna-se incompatível com a vida se não houver tratamento, e o paciente passa a ser preparado para diálise ou transplante renal.8

Como é feito o diagnóstico de doença renal?

O diagnóstico das doenças renais envolve diferentes formas de avaliação, que podem incluir exame de urina e exames detalhados dos rins. Do ponto de vista clínico, a função excretora, ou seja, a capacidade do organismo de filtrar o sangue, é a que apresenta maior relação com os desfechos de saúde. Em geral, todas as demais funções renais tendem a diminuir de forma paralela à queda dessa função. Ela é medida pela Taxa de Filtração Glomerular, conhecida como TFG².

É considerado portador de doença renal crônica o indivíduo que apresente, por pelo menos três meses consecutivos, TFG inferior a 60 ml/min². Também é possível considerar o diagnóstico diante de uma TFG normal ou próxima do normal, mas acompanhada de evidência de dano renal ou alteração dos órgãos, averiguada por exames de imagem, como ultrassom.²

Diagnóstico precoce de doenças renal crônica: como identificar antes das complicações

O diagnóstico precoce das doenças renais crônicas ocorre principalmente por meio de rastreamento em grupos de risco, como pessoas com hipertensão e diabetes. Detectar a alteração nas fases iniciais reduz a progressão da lesão e facilita a recuperação7.

A identificação precoce, associada a condutas terapêuticas adequadas, também pode diminuir o sofrimento dos pacientes e os custos relacionados ao tratamento8.

O principal entrave é que a disfunção renal leve geralmente evolui de forma lenta e sem sintomas. O diagnóstico a partir de suspeita clínica durante o acompanhamento de outras doenças também é possível.7,8

Por isso, pessoas no grupo de risco devem manter acompanhamento regular e seguir as orientações médicas. A vigilância clínica e o encaminhamento ao nefrologista, quando indicado, são fundamentais para retardar a progressão da doença e prevenir complicações graves8.

Conteúdo elaborado em março/2026

Referências

  1. Ministério da Saúde (Brasil). Dicas em Saúde: Insuficiência renal (doença renal aguda)[Internet]. Brasília: Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde; 2011 [Acesso em 19 fev 2026]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/dicas/227_insuf_renal.html
  2. Ministério da Saúde (Brasil). Doenças renais crônicas [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde [Acesso em 19 fev 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/d/drc
  3. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Compreendendo os rins [Internet]. [Acesso em 19 fev 2026]. Disponível em: https://sbn.org.br/publico/o-que-e-nefrologia/compreendendo-os-rins/
  4. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Infecção urinária [Internet]. 2023 [Acesso em 19 fev 2026]. Disponível em: https://sbn.org.br/publico/doencas-comuns/infeccao-urinaria/
  5. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Insuficiência renal aguda [Internet]. 2023 [Acesso em 19 fev 2026]. Disponível em: https://sbn.org.br/publico/doencas-comuns/insuficiencia-renal/
  6. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Glomerulopatias [Internet]. 2023 [Acesso em 19 fev 2026]. Disponível em: https://sbn.org.br/publico/doencas-comuns/glomerulopatias/
  7. Ministério da Saúde (Brasil). Ministério da Saúde lança Linha de Cuidado da Doença Renal Crônica em Adultos [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2022 [Acesso em 19 fev 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/fevereiro/ministerio-da-saude-lanca-linha-de-cuidado-da-doenca-renal-cronica-em-adultos
  8. Junior JER. Doença renal crônica: definição, epidemiologia e classificação. J. Bras. Nefrol. 2004;26(3 suppl.1):1-3.