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Publicado em: 22 de novembro de 2025
A saúde masculina ainda é cercada de tabus. Muitos homens tendem a buscar atenção médica só quando já apresentam sintomas avançados, o que aumenta o risco de complicações e limita o sucesso de tratamentos.¹
Um levantamento do Centro de Referência em Saúde do Homem de São Paulo mostra que 70% dos homens que procuram consultórios médicos o fazem influenciados por esposas, mães ou filhos. Mais da metade desses pacientes já chegam com doenças em estágio avançado.¹
Segundo o Ministério da Saúde, homens brasileiros vivem, em média, sete anos a menos que as mulheres. Esse cenário é explicado por múltiplos fatores, incluindo biologia, estilo de vida, exposição precoce a riscos e resistência cultural aos cuidados preventivos.¹
Por isso, a campanha Novembro Azul, tradicionalmente focada na conscientização sobre o câncer de próstata, expandiu seu escopo.¹
“O movimento é uma oportunidade para conversar com a população masculina sobre a importância do cuidado integral da saúde – seja a saúde do corpo, seja a da mente”, explica o médico oncologista Dr. Rodrigo Coutinho Mariano (CRM 148.246).
Na comparação com as mulheres, homens têm menor expectativa de vida, sendo que fatores biológicos explicam apenas parte dessa diferença². Uma das teorias para essa disparidade é que eles se expõem a mais riscos desde jovens, enquanto outra aponta para a resistência masculina em procurar cuidados médicos¹.
Homens são menos propensos que mulheres a realizar exames preventivos, buscar atendimento médico de forma precoce ou se vacinar. Essa resistência, em parte, é cultural: muitos acreditam que reconhecer dor ou pedir ajuda é sinal de fraqueza, o que poderia “tirar sua masculinidade”. O resultado é que os homens mas muitas vezes omitem ou minimizam sintomas durante a consulta.²
O impacto desse comportamento é evidente: muitos homens subestimam sinais de alerta do corpo e acabam com doenças avançadas antes de buscar ajuda. Por isso, entender a importância do autocuidado é o primeiro passo para uma vida mais saudável¹.
Enquanto as mulheres mantêm acompanhamento de saúde desde a infância com exames preventivos periódicos, os homens geralmente perdem esse seguimento após a infância¹. “O distanciamento de uma rotina de cuidados com a saúde contribui para diagnósticos tardios e piora do prognóstico”, afirma o Dr. Rodrigo.
Haja vista esse contexto, a campanha do Novembro Azul, originalmente sobre o câncer de próstata, passou a abordar de forma mais ampla outras doenças que acometem homens, como diabetes mellitus e doenças cardiovasculares. Isso reforça que cuidar da saúde não se limita a uma campanha anual, mas deve ser contínuo e integral.¹
Quando olhamos para os números referentes a doenças cardiovasculares, doenças do aparelho respiratório e câncer – três das maiores causas de morte no Brasil –, encontramos índices de mortalidade maiores na população masculina. Se homens e mulheres enfrentam a mesma condição de saúde, eles têm em geral uma expectativa de vida menor do que elas.³
Em 2016, a probabilidade de um homem de 30 anos morrer de uma doença não transmissível (como infarto, câncer de próstata, diabetes, AVC, entre outras) antes dos 70 anos era 44% maior que a das mulheres³. “Esses dados mostram que fatores de risco e prevenção devem ser abordados de forma específica para o público masculino”, diz Dr. Rodrigo.
As doenças cardiovasculares, como hipertensão, infarto e obstruções arteriais, lideram como principal causa de morte no Brasil e no mundo. O número de óbitos relacionados a essas condições tem aumentado de forma constante.³
O Ministério da Saúde aponta fatores modificáveis que aumentam o risco cardiovascular: tabagismo, colesterol elevado, hipertensão, obesidade, estresse, depressão e diabetes⁴. A prevenção, portanto, depende de hábitos de vida saudáveis, incluindo alimentação equilibrada, exercícios físicos e acompanhamento médico regular.3-4
Para reduzir as chances de desenvolver doenças do coração, recomenda-se:⁵
“Essas medidas não apenas previnem doenças cardíacas, mas também fortalecem o corpo contra outras condições crônicas e até alguns tipos de câncer, como o de próstata”, ressalta o médico oncologista.
O IDF Diabetes Atlas 2025 estima que cerca de 800 milhões de adultos vivem com diabetes no mundo⁶. No Brasil, estima-se que 16,6 milhões de adultos tenham a doença, posicionando o país como o 6º no ranking global de casos. A projeção indica que esse número chegará a 24 milhões até 2050⁶.
A prevalência do diabetes é similar entre adultos de ambos os sexos, com 10,9% para mulheres e 11,3% para homens. Globalmente, a IDF estima que há 9,8 milhões a mais de homens vivendo com a doença do que mulheres. Na América do Sul e Central (SACA), a prevalência de diabetes também tende a ser maior em homens em quase todas as faixas etárias, com a diferença mais notável nas faixas etárias mais jovens e mais velhas⁶.
Os sintomas incluem fome e sede excessiva, vontade de urinar diversas vezes ao dia, formigamento nos pés e mãos, infecções frequentes, feridas de difícil cicatrização e visão embaçada⁷.
A prevenção e o manejo da doença dependem, por exemplo, de:6
O câncer de próstata é uma das doenças mais comuns entre os homens, mas, quando detectado precocemente, oferece mais de 90% de chance de cura. Por isso, os especialistas reforçam que os cuidados com a saúde não devem se restringir à campanha Novembro Azul, mas sim fazer parte da rotina ao longo de toda a vida8.
O acompanhamento médico regular é essencial, principalmente porque a doença tem fatores de risco bem definidos: a idade é um dos principais, com maior incidência em homens acima dos 50 anos8.
A hereditariedade também exerce papel importante. Homens que têm parentes de primeiro grau com histórico de câncer de próstata têm duas vezes mais chance de desenvolver a doença; se dois parentes próximos tiveram o câncer, esse risco pode aumentar de duas para seis vezes em comparação a homens sem histórico familiar8.
O estilo de vida também influencia diretamente o risco. A obesidade e o consumo elevado de gordura animal aumentam a probabilidade de desenvolver a doença, além de estarem associados a outras condições cardiovasculares8.
Para o Dr. Mariano, a prevenção vai muito além de um exame anual ou de lembrar da campanha. “Manter um estilo de vida saudável e visitas regulares ao médico é algo que se pode fazer sempre e não só previne a doença, como fortalece o corpo contra outras enfermidades e, em caso de diagnóstico, aumenta as chances de detecção precoce, quando o tratamento tem maior eficácia.”
Apesar desses cuidados conhecidos, a cultura de que o homem não pode demonstrar vulnerabilidade ainda representa um obstáculo.2 “Por vergonha ou preconceito, muitos homens acabam negligenciando sua própria saúde, atrasando a detecção de doenças que poderiam ser prevenidas ou tratadas com sucesso”, complementa.
Conteúdo elaborado em outubro/2025
Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.
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