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Mulher virando alguns comprimidos na mão em sinal do autodiagnóstico e automedicação.

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O acesso à informação nunca foi tão facilitado quanto agora. Isso é ótimo, pois permite que as pessoas se eduquem mais sobre a própria saúde e vários outros assuntos. Assim, criam mais bagagem para cuidar do próprio bem-estar.

No entanto, tudo tem dois lados. O acesso facilitado à informação também torna os casos de autodiagnóstico cada vez mais frequentes. Essa prática coloca a saúde das pessoas em risco e pode, muitas vezes, adiar tratamentos ou gerar alarmismo em relação a sintomas variados.

Então, tenha em mente que o autodiagnóstico é um perigo. Mas quais são os fatores que embasam essa nossa afirmação? Continue a leitura e saiba mais sobre os riscos de se diagnosticar, além de descobrir algumas dicas para ser mais saudável e evitar problemas nesse contexto. Vamos lá!

O que é o autodiagnóstico?

Sabe quando sentimos uma “moleza”, cansaço, o nariz escorrendo e aquela dor no corpo? A maioria das pessoas observa esses sintomas e bate o martelo: “estou com gripe”. Há, ainda, os momentos em que estamos com aquele mal-estar gastrointestinal e já afirmamos ter comido algo que não caiu bem.

O autodiagnóstico é isso! Com base em sintomas que já conhecemos, dizemos o que problema que temos. Tal prática pode acontecer pela nossa experiência de vida, como mencionado nos exemplos acima, mas não é a única forma de ocorrência.

O outro tipo de autodiagnóstico é aquele baseado em coisas que não são tão conhecidas. Sintomas podem aparecer e ser mal interpretados a partir de pesquisas online e informações erradas passadas por terceiros.

A internet é uma ferramenta incrível, que ajuda muito no autocuidado, no autoconhecimento e na educação de pessoas sobre a própria saúde. No entanto, também pode se mostrar o cenário perfeito para a desinformação e “diagnósticos” feitos de forma errada, com base em alguns cliques nas ferramentas de busca.1

E isso não é algo irrelevante. De acordo com uma pesquisa conduzida pelo Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ), 40% dos brasileiros pesquisam seus sintomas na internet, chegam a uma conclusão apoiados no que leram e se medicam sem consultar um profissional da saúde.2

Por que é uma prática perigosa?

Agora que você entendeu o que é o autodiagnóstico, confira alguns pontos que indicam por que ele é um grande perigo para a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida.

Prejuízos na relação médico-paciente

Um dos pontos observados em pesquisas sobre o tema é o fato de que o autodiagnóstico prejudica, de uma forma ou de outra, a relação entre médicos e seus pacientes. Esse relacionamento deve ser pautado em confiança e transparência, mas acaba sendo afetado pelas informações obtidas online.3

Um exemplo disso é que a maioria dos pacientes que buscam informações em sites diversos julga que elas são completamente seguras e reais. No entanto, nem sempre esse é o caso, o que acaba colocando a opinião médica em xeque.3

Automedicação

Outro perigo do autodiagnóstico está na automedicação. Com um “diagnóstico” feito, é comum que as pessoas busquem remédios para os seus sintomas por conta própria.4

No entanto, agir assim é perigoso por muitos motivos. Bons exemplos são o aumento da resistência bacteriana aos antibióticos conhecidos pela medicina e a ocorrência de reações adversas ou interação entre os remédios, especialmente quando há a mistura de duas ou mais fórmulas medicamentosas.4

Ausência de diagnósticos precisos

O diagnóstico precoce de doenças mais delicadas, como o câncer, é sempre uma ótima estratégia para otimizar as chances de cura e de recuperação, bem como para diminuir a necessidade de tratamentos mais invasivos.5

Quando o diagnóstico é feito pelo próprio paciente, há grandes chances de ele não condizer com a verdade. Muitos sintomas são inespecíficos — ou seja, podem estar relacionados a várias doenças — e podem ser mascarados pela automedicação ou, ainda, atrasar o diagnóstico obtido.

Alarmismo e ansiedade desnecessários

Por fim, há o risco de você realmente não ter nada sério e, ainda assim, passar a crer que tem, desenvolvendo quadros como ansiedade e medo. Não é incomum a pessoa relacionar certos sintomas a doenças potencialmente sérias (lembra dos sintomas inespecíficos?), quando, na verdade, são apenas fruto de um problema simples de resolver.

Apenas o profissional de saúde poderá determinar se há ou não algo por trás dos sintomas que você apresenta. Ele chegará a essa conclusão por meio de um exame físico, da sua experiência com outros pacientes e da realização de testes complementares, essenciais para fechar muitos diagnósticos.

Isso significa que não devemos pesquisar sobre nossa saúde?

É claro que não! A busca por sintomas, tratamentos e outros detalhes é, sim, muito importante para os pacientes.1 Esse costume traz educação e informação, além de tornar as pessoas mais conscientes sobre como devem se sentir e o que fazer caso sintam algo diferente.

No entanto, a chave está em buscar informação em fontes confiáveis. Sites oficiais, portais de ciência e/ou farmácia (como é o caso aqui do blog Vida Plena!), artigos científicos e outros são apenas alguns exemplos de bons canais para se informar.

Saber reconhecer que o site é sério também é imprescindível. Você descobre isso a partir da citação de referências — como fazemos por aqui — ou, ainda, da abordagem do conteúdo.

Portais de saúde que são confiáveis e éticos jamais passarão ideias de tratamento ou darão a entender que você não precisa consultar um médico. Informar-se é uma coisa. Negligenciar a própria saúde ao não buscar um especialista é outra, totalmente diferente. Fique de olho!

Quando procurar um médico?

De acordo com pesquisas conduzidas sobre o tema, a internet é a principal fonte de informação sobre saúde para a população. Dentre os pesquisados, mais de 80% afirmaram utilizar essa ferramenta para tirar dúvidas, enquanto apenas cerca de 70% busca a opinião de profissionais da saúde.3

O levantamento também mostra que, após fazerem uma pesquisa inicial, mais de 70% das pessoas discutem os sintomas e os achados com amigos e parentes — propagando ainda mais as informações obtidas. Por sua vez, apenas 30% a 48% agendam uma consulta para falar com um médico.3

Já vimos que não há nada de errado em procurar detalhes sobre a sua saúde online. No entanto, é claro que os profissionais de medicina, enfermagem, fisioterapia e outras áreas devem ser a sua fonte primordial de conhecimento.

Mas afinal, quando buscar o apoio desses profissionais? Não há uma regra, mas o ideal é que você vá a um médico sempre que tiver um sintoma que dure mais do que alguns dias sem melhora. Mesmo que ele seja apenas algo parecido com uma gripe, é importante verificar o que está acontecendo.

Quais especialistas procurar caso apresente sintomas comuns?

Está com sintomas aparentemente comuns? Não se preocupe: você pode simplesmente buscar a opinião de um profissional que esteja de plantão no pronto atendimento mais próximo da sua casa.

Esses são, na maioria das vezes, médicos generalistas. Eles são profissionais aptos a diagnosticar várias doenças, solicitar exames e, se for o caso, encaminhar você a um especialista.

Caso os sintomas não melhorem dentro de alguns dias, mesmo com o tratamento proposto, você pode buscar um especialista na área de clínica médica ou que esteja de acordo com os sinais apresentados. Por exemplo: dores de ouvido que não passam? Vá a um otorrinolaringologista.

Como se cuidar adequadamente?

Agora que você já conhece os perigos do autodiagnóstico e sabe o que fazer caso apresente algum sintoma estranho, é importante conferir dicas para se manter saudável. Assim, você não vai precisar recorrer ao Google para nada além de curiosidades e notícias do dia a dia. Vamos lá?

Pratique atividades físicas

Um dos pilares para uma vida mais saudável é se mexer. A prática regular de atividades físicas é responsável por muitos benefícios. Entre eles, a prevenção de uma série de doenças crônicas (câncer, alterações cardiovasculares, obesidade, hipertensão, dores e muito mais).6

O interessante é que você não precisa, de forma alguma, fazer apenas academia ou focar uma atividade “por obrigação”. Escolha o que gosta de fazer e, certamente, tudo será mais prazeroso. Há várias opções, como caminhada, dança, natação e muitas outras.

Tenha uma alimentação equilibrada

De acordo com especialistas, estamos vivendo em uma verdadeira epidemia de doenças crônicas causadas por má alimentação. Ao redor do mundo, casos de obesidade e outros problemas de saúde atrelados a hábitos alimentares ruins não param de crescer.7

Por isso, a dica é sempre investir em uma dieta equilibrada. Isto é, rica em ingredientes naturais, com muitas cores e redução do consumo de ultraprocessados, que estão associados ao surgimento de diversos problemas.8

Evite o estresse

O estresse é algo natural do organismo, composta de uma série de reações que são ativadas quando nos vemos em situação de perigo, ansiedade ou nervosismo. No entanto, quando acontece de forma crônica, pode trazer muitos prejuízos à saúde e ao bem-estar.9

Dentre as alterações mais típicas, podemos citar aquelas que envolvem os sistemas endócrino (hormônios), imunológico (defesa) e cardiovascular. O funcionamento e a função desses sistemas podem ser fortemente prejudicados por episódios constantes de estresse.9

Durma bem

Outro elemento diretamente associado ao risco elevado de desenvolvimento de doenças crônicas (como a obesidade, os problemas cardiovasculares e a diabetes) é o sono. Pessoas que dormem mal têm maiores chances de apresentar essas condições ao longo da vida.10

Durante o sono, o corpo passa por repetidos processos de recuperação. É quando realiza a síntese (produção) de proteínas, renova células e cuida da saúde do nosso cérebro. Então, faça da hora de dormir a sua prioridade!10

Cuide da saúde mental

Você provavelmente já ouviu aquele ditado que associa uma mente sã com um corpo também saudável, não é mesmo? Apesar de ser algo dito popularmente, é uma máxima muito verdadeira.

A saúde mental tem ligação direta com uma grande variedade de sintomas e problemas físicos. É o caso de alterações dentais e respiratórias, aumento de peso, disfunções sexuais, questões cardiovasculares, além da diminuição das defesas do organismo, deixando-o mais suscetível a infecções.11

Faça check-ups periódicos

Ao longo do nosso bate-papo, chegamos a falar sobre a importância dos diagnósticos precoces. Nesse sentido, eles ajudam a melhorar as chances de cura e podem reduzir a necessidade de intervenções mais longas e invasivas.5

Dentre as vantagens, podemos citar o diagnóstico precoce de doenças como o câncer5 e variadas enfermidades. Tal prática otimiza o controle de problemas crônicos, assim como o controle de fatores de risco para o desenvolvimento de alterações no futuro.12

Como vimos, o ideal é manter o autodiagnóstico bem longe do seu dia a dia. Na dúvida, busque sempre a opinião de um profissional da saúde para ajudar você a decifrar os seus sintomas e, claro, conduzir o diagnóstico da forma adequada. Assim, receberá o devido tratamento para o seu quadro.

Mas isso não quer dizer que você não possa se educar e se informar! Então, para ficar por dentro de informações preciosas sobre a sua saúde e a de toda a sua família, dê uma olhadinha nas redes sociais da Libbs Farmacêutica — Instagram, Facebook, YouTube e LinkedIn — e deixe o seu like!

Referências:

  1. VASCONCELLOS-SILVA, P. R.; CASTIEL, L. D. As novas tecnologias de autocuidado e os riscos do autodiagnóstico pela internet. Revista Panamericana de Salud Pública, v. 26, n. 2, p. 172–175, ago. 2009. 
  2. LEONARDI, E. Autodiagnóstico Médico no Brasil – Pesquisa na íntegra. Disponível em: <https://ictq.com.br/varejo-farmaceutico/785-autodiagnostico-medico-no-brasil-pesquisa-na-integra>. Acesso em: 13 jun. 2023.
  3. AZEVEDO, F. et al.. Acesso a informações de saúde na internet: uma questão de saúde pública? Disponível em: <https://www.scielo.br/j/ramb/a/SGm5WjwfG6Hj5Bf5g8s6DRs/?lang=pt&format=pdf>. Acesso em: 13 jun. 2023.
  4. BENNADI, D. Self-medication: A current challenge. Journal of Basic and Clinical Pharmacy, v. 5, n. 1, p. 19, 2014. 
  5. WHITAKER, K. Earlier diagnosis: the importance of cancer symptoms. The Lancet Oncology, v. 21, n. 1, p. 6–8, jan. 2020. 
  6. RUEGSEGGER, G. N.; BOOTH, F. W. Health Benefits of Exercise. Cold Spring Harbor Perspectives in Medicine, v. 8, n. 7, p. a029694, 15 maio 2018. 
  7. DOWNER, S. et al. Food is medicine: actions to integrate food and nutrition into healthcare. The BMJ, v. 369, 29 jun. 2020. 
  8. CHANG, K. et al. Ultra-processed food consumption, cancer risk and cancer mortality: a large-scale prospective analysis within the UK Biobank. eClinicalMedicine, p. 101840, jan. 2023. 
  9. YARIBEYGI, H. et al. The impact of stress on body function: A review. EXCLI journal, v. 16, n. 1, p. 1057–1072, 21 jul. 2017. 
  10. Sleep and Health. Need Sleep. Disponível em: <https://healthysleep.med.harvard.edu/need-sleep/whats-in-it-for-you/health>. Acesso em: 13 jun. 2023.
  11. AARONS, G. A. et al. The Association of Mental and Physical Health Problems in High-Risk Adolescents: A Longitudinal Study. The Journal of adolescent health : official publication of the Society for Adolescent Medicine, v. 43, n. 3, p. 260–267, 1 set. 2008. 
  12. LISS, D. T. et al. General Health Checks in Adult Primary Care. JAMA, v. 325, n. 22, p. 2294, 8 jun. 2021.