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Reabilitação cardiovascular: qual a importância e como é feita?

As doenças cardiovasculares  estão entre as principais causas de morte em todo o mundo.1 No Brasil, em 2022, foram mais de 400 mil óbitos devido a esse tipo de condição.2 Ou seja: cuidar do coração é muito importante!

Nesse contexto, há vários tratamentos que podem ser implementados. Um deles é a reabilitação cardíaca, que ajuda na recuperação de eventos cardiovasculares e na prevenção de novas ocorrências.1,3 Você já ouviu falar sobre ela?

Continue a leitura para entender como a reabilitação cardiovascular funciona, além de descobrir quais são as indicações desse tratamento para o coração. Vamos lá! 

O que é a reabilitação cardiovascular? 

Reabilitação cardiovascular é o nome dado a um programa especializado que ajuda quem passou por problemas no coração. De modo geral, esse processo é dividido em algumas atividades:3

  • prática de atividades físicas seguras e adequadas para fortalecer o coração e melhorar o funcionamento do corpo;
  • educação para um estilo de vida mais saudável, na qual o foco é ensinar como cuidar melhor da saúde do coração, adotando hábitos saudáveis, como uma alimentação balanceada e parar de fumar;
  • controle do estresse, já que ele pode ser prejudicial ao coração. Logo, é importante identificar e reduzir os fatores estressantes do dia a dia.

A reabilitação cardiovascular, portanto, combina exercícios, orientação sobre hábitos saudáveis e controle do estresse para melhorar a qualidade de vida e fortalecer o coração.3

Ela é indicada para quem? 

Agora, que tal saber quem é o público-alvo da reabilitação do coração? Ela é indicada para pessoas que passaram por alguns problemas de saúde relacionados ao coração, como:1

  • síndrome coronariana aguda (problemas nas artérias do coração);
  • insuficiência cardíaca (quando o coração não bombeia sangue como deveria);
  • cirurgia de ponte de safena ou de outras artérias do coração;
  • procedimentos como angioplastia (colocação de stents);
  • cirurgias nas válvulas do coração;
  • transplante cardíaco.

No entanto, a prática de exercícios pode ser contraindicada para alguns grupos. Alguns exemplos são as pessoas que apresentam:1

  • angina instável (dor no peito não controlada);
  • insuficiência cardíaca descompensada;
  • arritmias ventriculares complexas (batimentos cardíacos irregulares graves);
  • hipertensão pulmonar severa (pressão alta nos pulmões);
  • trombos dentro do coração;
  • tromboflebite recente (coágulos sanguíneos) com ou sem embolia pulmonar;
  • cardiomiopatias obstrutivas graves;
  • estenose aórtica severa (estreitamento da válvula aórtica);
  • infecções ou inflamações descontroladas;
  • problemas em geral que dificultam a prática de exercícios.

Por isso, é essencial que a participação em exercícios seja avaliada pelo médico em todos os casos. Ele poderá liberar ou não a prática, além de recomendar outras estratégias para ajudar você a cuidar do seu coração.1

Quais são os benefícios da reabilitação cardiovascular? 

A reabilitação cardiovascular oferece vários benefícios que ajudam a melhorar a qualidade de vida e reduzir os custos de saúde. Alguns exemplos são:1

  • melhora da capacidade física e aumento da resistência através do treinamento de exercícios;
  • redução de fatores de risco, como peso corporal, pressão arterial e níveis de colesterol;
  • aumento da função cardíaca, melhorando o fluxo sanguíneo e o desempenho do coração;
  • redução de sintomas de depressão em pacientes cardíacos;
  • diminuição das taxas de readmissão hospitalar e redução da mortalidade em longo prazo em pacientes com insuficiência cardíaca.

Esses ganhos são essenciais para promover a saúde geral do coração e bem-estar.1

Como é feita a reabilitação cardiovascular? 

A reabilitação cardiovascular, que também pode ser chamada de RCV, é dividida em fases. A primeira de todas acontece no hospital, enquanto as seguintes podem ser feitas ambulatorialmente(ou seja, no consultório).4

Inicialmente, a RCV era focada na recuperação de pacientes que sofreram infarto ou passaram por cirurgias cardíacas, mas hoje ela inclui uma variedade maior de condições, conforme vimos acima.4

A fase 1 começa no hospital assim que o paciente está clinicamente estável. O objetivo é garantir que o paciente tenha alta em boas condições físicas e emocionais, com orientações sobre exercícios leves, controle de estresse e educação sobre os fatores de risco.4

Nesse momento, os profissionais avaliam a capacidade física do paciente e iniciam exercícios leves para ajudar na recuperação, prevenindo a perda de massa muscular e o desgaste causado pela internação. Também incluem orientações sobre atividades cotidianas.1

A fase 2 começa quando o paciente está estável. Nesse momento, a reabilitação continua fora do hospital com duração média de 12 semanas. O foco está em criar um plano personalizado de exercícios e orientações para promover independência e mudanças no estilo de vida, ajudando o paciente a se preparar para retomar suas atividades diárias.4

Nas fases 3 e 4, o paciente se torna mais independente, com foco em exercícios regulares para aumentar a flexibilidade, fortalecimento e condicionamento aeróbico.1,4 “Há acompanhamento médico contínuo para garantir que o paciente mantenha um estilo de vida saudável e evite recaídas.”, conta a Dra. Edielle Mello, médica cardiologista, especialista no assunto. 

Quais são as classificações de risco?

Mas se engana quem acha que toda reabilitação cardiovascular é igual! A verdade é que esses planos são definidos a partir da determinação do grupo de risco do paciente, que pode ser alto, intermediário ou baixo.4

Conheça mais sobre elas!

Risco alto

Inclui pacientes que tiveram recentemente um evento cardiovascular, como infarto ou cirurgia, ou que apresentam baixa capacidade física e sintomas significativos durante o exercício. Esses pacientes requerem supervisão direta, com monitoramento constante e presença de equipamentos de suporte de vida.4

Risco intermediário

Abrange aqueles pacientes que já se estabilizaram clinicamente, mas ainda têm algumas limitações funcionais. A supervisão é realizada por profissionais de saúde capacitados, e o médico deve estar disponível, caso necessário. Os pacientes, nesse caso, podem progredir para programas de exercício menos intensivos à medida que melhorarem.4

Risco baixo 

Pacientes com boa capacidade funcional e estabilidade clínica prolongada. Eles podem realizar exercícios com supervisão mínima ou à distância, e reavaliações médicas periódicas garantem a continuidade do programa de forma segura.4

Quais são os cuidados necessários nesse processo?

Reabilitação cardiovascular: qual a importância e como é feita?

Vai precisar fazer uma reabilitação cardíaca? Então, não se esqueça de que você também faz parte de todo o processo! Confira algumas dicas para se cuidar ainda melhor durante o seu tratamento e dar ao seu coração a recuperação que ele merece.

Vamos lá?

Cuide do seu sono

A primeira dica é: tente descansar. Pode parecer bobagem, mas dormir entre 7 a 9 horas por noite pode fazer muito bem para o seu coração. Para isso, estabeleça uma rotina regular de sono, com horários consistentes para dormir e acordar.5

E outra dica: evite atividades intensas, cafeína e nicotina nas horas próximas ao descanso.5 Assim, seu sono será ainda melhor! 

Tenha uma boa alimentação

Quando o assunto é alimentação, o plano de dieta DASH (Dietary Approach to Stop Hypertension) é uma ótima escolha para manter o coração saudável. Ele propõe uma dieta rica em nutrientes que ajudam a controlar a pressão arterial.5

E aqui vai uma dica extra: sempre leia os rótulos dos alimentos, procurando aqueles com menos gordura saturada, menos sódio e menos açúcares adicionados. Também é bom variar as fontes de proteína, incluindo peixe e, por que não, refeições sem carne de vez em quando?5

Mantenha um peso saudável

Outra dica importante para o coração é manter o peso em dia. Isso pode ser mais fácil do que parece se você escolher lanches saudáveis e se manter hidratado com água ao longo do dia.5

E olha só, para ajudar ainda mais, tente praticar atividades físicas regularmente – o ideal são 150 minutos de exercícios aeróbicos, de intensidade moderada por semana, ou 75 minutos de exercícios aeróbicos mais intensos. Registrar sua alimentação diária também pode ser um jeito prático de acompanhar o que você anda comendo e evitar excessos.5

Se exercite

O segredo para manter o coração forte está no movimento. Tente fazer pelo menos 150 minutos de atividade física aeróbica por semana. Isso pode parecer muito, mas se você dividir em pequenos blocos de tempo ao longo do dia, fica bem mais fácil.5

E, claro, tente evitar ficar sentado por muito tempo. O ideal é combinar exercícios que também fortaleçam os músculos, ajudando a dar aquela turbinada na saúde.5

Deixe o cigarro de lado

Se você fuma, uma das melhores coisas que pode fazer pelo seu coração é parar. Comece escolhendo uma data para isso e crie um plano de ação para seguir.5

Existem diversos programas e produtos que podem ajudar nesse processo. Participar de grupos de apoio também faz toda a diferença, e buscar ajuda profissional pode ser uma ótima ideia para tornar essa jornada mais fácil e efetiva.5

Controle o colesterol

Para manter seu colesterol sob controle, vale a pena seguir programas como a própria reabilitação cardiovascular, que sugere algumas mudanças no estilo de vida e na alimentação.5

Tente reduzir o consumo de gorduras saturadas e modere o consumo de álcool. São mudanças simples que podem fazer toda a diferença para o seu coração.5

Viva uma vida mais tranquila

O estresse também pode afetar sua saúde cardiovascular, então que tal dedicar um tempo ao relaxamento? Técnicas de meditação são ótimas para isso.5

Outra ideia é fazer aulas de yoga, que além de ajudar no relaxamento, ainda melhoram sua percepção corporal. Incorporar momentos de tranquilidade na rotina pode ser transformador para sua saúde mental e física.5

Controle o açúcar do seu sangue

Manter o açúcar no sangue sob controle é fundamental, especialmente para a saúde do coração. Tente consumir mais alimentos integrais e fique atento ao quanto de carboidratos você está ingerindo.5

Conversar com seu médico sobre a frequência ideal de monitoramento do açúcar no sangue também é uma boa maneira de garantir que tudo está sob controle.5

Mantenha a pressão sob controle

Verificar sua pressão regularmente é um hábito que pode evitar muitos problemas futuros. Se possível, use um monitor de pressão em casa para acompanhar os níveis de perto.5

Por fim, lembre-se de que cuidar do coração é um compromisso diário. Então, invista em uma boa reabilitação cardiovascular, mas também cuide de si mesmo no dia a dia, em pequenos atos que podem fazer toda a diferença.4,5Para aprender mais dicas e entender como cuidar melhor do seu coração, acesse o portal A Vida Plena e confira outras publicações sobre o tema!

Referências

1. Tessler J, Bordoni B. Cardiac Rehabilitation. [Updated 2023 Jun 4]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK537196/. Acesso em: 11 set. 2024.

2. Biblioteca Virtual em Saúde – Ministério da Saúde. Cerca de 400 mil pessoas morreram em 2022 no Brasil por problemas cardiovasculares. [Internet]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/cerca-de-400-mil-pessoas-morreram-em-2022-no-brasil-por-problemas-cardiovasculares/. Acesso em: 24 ago. 2024.

3. American Heart Association. What is Cardiac Rehabilitation? [Internet]. 2024. Disponível em: https://www.heart.org/en/health-topics/cardiac-rehab/what-is-cardiac-rehabilitation. Acesso em: 11 set. 2024.

4. Carvalho T, Milani M, Ferraz AS, et al. Brazilian Cardiovascular Rehabilitation Guideline – 2020. Arq Bras Cardiol. 2020 Jun 1;114(5):943-987.

5. National Heart, Lung, and Blood Institute. Heart-healthy living [Internet]. 2022. Disponível em: https://www.nhlbi.nih.gov/health/heart-healthy-living. Acesso em 11 set. 2024.