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Há relação entre prisão de ventre e estresse? Tire as suas dúvidas!

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Nem todo mundo sabe, mas existe uma forte relação entre prisão de ventre e estresse. Aliás, não só entre eles, já que essa condição psicológica causa ainda outros problemas gastrointestinais, por exemplo, diarreia, refluxo e síndrome do intestino irritável.¹

A prisão de ventre, também conhecida como constipação ou intestino preso, é um problema que ocorre com frequência na população do mundo inteiro. Ela se caracteriza pela dificuldade em eliminar as fezes, o que provoca desconforto, dores e outros transtornos.²

Mas como tudo isso pode ser desencadeado pelo estresse? O que exatamente acontece para que o intestino fique preso? Neste artigo, vamos responder a essas e a outras perguntas. Continue lendo para conferir as informações, e ainda veja algumas dicas para ajudar a aliviar a prisão de ventre causada pelo estresse.

Por que o intestino é chamado de segundo cérebro?

Segundo a FBG (Federação Brasileira de Gastroenterologia), o sistema gastrointestinal e o cérebro têm uma ligação entre si. Eles enviam sinais um para o outro, inclusive quando o intestino está desregulado, por exemplo.¹

Assim, é formado o eixo intestino-cérebro, que é composto por rotas bidirecionais ou seja a informação vai do intestino para o cérebro e a resposta volta do cérebro para o intestino. A comunicação entre eles acontece por meio do sistema nervoso parassimpático, do sistema circulatório, sistema neuroendócrino e do sistema imunológico.³

Devido a essa comunicação tão intensa, o estresse desencadeia alterações na saúde intestinal, causando constipação e outros problemas, como a síndrome do intestino irritável (SII).¹

Sem falar que a microbiota do intestino (ou seja, o conjunto de microorganismos que habitam nosso intestino) também influencia o funcionamento desse eixo que ele forma com o cérebro. Com isso, pode alterar as funções desse órgão e o comportamento da pessoa.³

Como o estresse afeta o sistema digestivo?

No outro tópico, explicamos que existe relação entre prisão de ventre e estresse, mas não só isso. Afinal, esse problema afeta o sistema digestivo de uma forma geral.¹

Quando o estresse emocional está em um nível elevado, ele  altera o sistema imunológico. Além disso, altera também o funcionamento do sistema digestivo, causando dor abdominal, distensão abdominal, diarreia e a já citada constipação.¹

Sem falar que o estresse é um fator que contribui para a manifestação das crises de síndrome do intestino irritável.1,4 Ela, por sua vez, pode fazer com que o intestino fique mais solto ou provocar a constipação, dependendo do quadro de cada pessoa.4

O estômago também sofre com excesso de estresse e com a ansiedade. Isso porque esses dois quadros liberam hormônios na corrente sanguínea, substâncias que agem de forma rápida no trato digestivo provocando sintomas similares aos da gastrite, ainda que não exista inflamação estomacal.¹

Impacto do estresse no movimento intestinal e na motilidade

Existe relação entre prisão de ventre e estresse por causa da comunicação entre o cérebro e o intestino, ou melhor, com o trato digestivo como um todo.1,4 Assim, determinados fatores estressantes, ou que geram ansiedade, alteram o funcionamento do trato digestivo.4

As conexões neurais do trato digestivo reconhecem determinadas informações exteriores ou estímulos, causando alterações nas sensações digestivas (dor, desconforto, inchaço na barriga), nas secreções e na motilidade.4

Isso pode ser provocado, por exemplo, por:4

  • problemas no trabalho;
  • mudanças na rotina;
  • dificuldades financeiras;
  • conflitos nas relações pessoais;
  • transtornos psiquiátricos.

Até mesmo a personalidade da pessoa contribui para esse prejuízo no movimento do intestino e no funcionamento gastrointestinal. É o caso de:4

  • frustração;
  • baixa autoestima;
  • rigidez;
  • necessidade de aprovação social;
  • autoexigência.

Vale ressaltar, também, o impacto do estresse na ocorrência ou piora das crises de síndrome do intestino irritável. Há alterações no ritmo de contração intestinal, a motilidade é perturbada, ocorre dor e os quadros de diarreia ou de constipação.4

Por que o estresse pode causar prisão de ventre?

Há relação entre prisão de ventre e estresse? Tire as suas dúvidas!

Durante o processo de digestão, os alimentos líquidos e sólidos ingeridos transitam pelo intestino. São os músculos intestinais que contribuem para esse movimento, fazendo com que a matéria residual, ou seja, as fezes, sejam encaminhadas até o reto para que possam ser eliminadas do organismo.5

No entanto, você viu que em um quadro de estresse a motilidade intestinal fica comprometida.4 Quando os músculos do intestino ficam lentos ou desordenados e dessa forma, ocorre o quadro de constipação.5

Além disso, é preciso que exista a quantidade adequada de líquidos no intestino para que não ocorra o ressecamento das fezes e a dificuldade para a eliminação delas. No entanto, se houver lentidão, o intestino pode puxar o líquido de volta para o corpo, fazendo com que as fezes fiquem endurecidas e a constipação aconteça.6

Hormônios do estresse e sua influência na digestão

Explicamos que o estresse e a ansiedade fazem com que o organismo libere alguns hormônios na corrente sanguínea. Entre essas substâncias estão o cortisol, a adrenalina e a noradrenalina que, como dito, agem de forma rápida no trato digestivo.¹

Quando se encontram ali, a pessoa sente alguns desconfortos, como:¹

  • má digestão;
  • dor estomacal;
  • náuseas;
  • vômitos;
  • perda de apetite;
  • desconforto na região do estômago.

Perceba que esses sintomas que citamos são parecidos com os de uma gastrite ou de um quadro de úlcera. Inclusive, muitos acreditam que os prejuízos para o trato gastrointestinal não se limitam à relação entre o estresse e prisão de ventre, mas que o quadro psicológico também pode desencadear, raramente, as úlceras estomacais

É verdade que existem pessoas que podem desenvolver as ulcerações em função do estresse, mas ainda não há uma correlação direta entre ele e as feridas no revestimento do estômago. Ainda, pode contribuir para a formação de úlceras em pessoas que já apresentam suscetibilidade para a doença.¹

Razões para a constipação durante períodos de maior estresse

Já não há mais dúvidas de que existe uma relação estreita entre prisão de ventre e estresse, certo? Mas é sempre importante lembrar que o estresse é uma reação natural do ser humano. Ele se manifesta quando a pessoa vivencia uma situação que parece ameaçadora ou perigosa.7

Assim, o estresse coloca o indivíduo em estado de alerta, desencadeando diferentes reações emocionais e físicas. Com isso, é possível se adaptar a uma situação nova.7

Existem situações que causam estresse intenso, porém, curto; e há, também, o estresse crônico, que ocorre de forma constante no dia a dia.7 

Como você viu, quando a pessoa está estressada, o organismo dela libera hormônios e substâncias chamadas neurotransmissores que vão influenciar o trato gastrointestinal.¹ Por consequência, em períodos de maior estresse, há um contato maior desses hormônios com o intestino.

Explicamos, também, como isso prejudica a motilidade intestinal.4 Então, se há mais estresse, há maior tendência para a constipação em função de todos esses fatores que foram citados.

Sem falar que quando o estresse chega à fase de exaustão, existem outros comprometimentos físicos, o que inclui mudanças significativas no apetite.7 Esse é um detalhe importante, já que o tipo de alimento ingerido causa a constipação, como no caso de uma alimentação pobre em fibras vegetais e a pouca ingestão de líquidos.²

Dicas para aliviar a prisão de ventre relacionada ao estresse

Como a constipação está associada aos hábitos alimentares, uma das formas de melhorar a relação entre prisão de ventre e estresse é adotar uma dieta com maior quantidade de fibras vegetais.1,6 Isso porque elas aumentam o volume da massa fecal e os movimentos intestinais, melhorando, assim, o estado de saúde da pessoa.6

Para isso, vale acrescentar ao cardápio vegetais folhosos, como: 8

  • brócolis;
  • repolho;
  • couve;
  • alface. 

Também é uma boa alternativa recorrer às frutas, ingerindo, por exemplo, mamão papaia ou laranja com bagaço. Mais alternativas para sua dieta são o farelo de trigo, a aveia e a farinha de linhaça.9

A constipação também costuma ocorrer com mais frequência em pessoas sedentárias. Sendo assim, você pode melhorar o trânsito intestinal por meio da prática regular de exercícios físicos,6 em especial caminhadas e abdominais.8

Lembrando que a atividade física também é uma opção para prevenir e controlar os quadros de estresse. Afinal, ela contribui para a liberação de substâncias relaxantes, como a endorfina.7

Já que estamos falando sobre isso, o relaxamento tem um efeito positivo no combate à prisão de ventre. As técnicas para relaxar a musculatura, a respiração diafragmática e outras técnicas cognitivo-comportamentais são muito bem-vindas.9

Elas promovem um efeito muito positivo em relação ao desconforto abdominal e às dores causadas pela constipação. Inclusive, podem favorecer as idas ao banheiro.9

Por fim, é fundamental beber bastante água ao longo do dia. Uma recomendação geral é consumir cerca de dois litros diariamente. Inclusive, também vale hidratar o organismo com sucos e chás, além das batidas com vegetais, mas sem coar, para aproveitar as fibras.8

Já que prisão de ventre e estresse têm essa forte associação, procure formas de evitar fatores estressantes. Medidas de relaxamento são importantes para eliminar a tensão e favorecer o seu organismo como um todo. Não se esqueça de adotar, também, outros cuidados que contribuem para o bom funcionamento do intestino, pois os hábitos saudáveis vão prevenir e aliviar a constipação.

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* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

Conteúdo criado em 01 de novembro de 2024.

Referências

1. Federação Brasileira de Gastroenterologia. Estresse pode causar problemas gastrointestinais [Internet]. FBG. [Acesso em: 01Nov2024]. Disponível em: https://campanhas.fbg.org.br/fbg-publico/estresse-pode-causar-problemas-gastrointestinais/

2. Sociedade Brasileira de Coloproctologia. Constipação [Internet]. SBCP; 2013. [Acesso em: 01Nov2024]. Disponível em: https://sbcp.org.br/arquivo/constipacao/

3. Souzedo FB, Bizarro L, Pereira APA de. O eixo intestino-cérebro e sintomas depressivos: uma revisão sistemática dos ensaios clínicos randomizados com probióticos. Jornal Brasileiro de Psiquiatria. 2020 Dec 4;69(4):269–76.

4. Ribeiro LM, Alves NG, Silva-Fonseca VA da, Nemer AS de A. Influência da resposta individual ao estresse e das comorbidades psiquiátricas na síndrome do intestino irritável. Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo). 2011;38(2):77–83.

5. Cancer Research UK. Causes of constipation [Internet]. Cancer Research UK; 2022. [Acesso em: 01Nov2024]. Disponível em: https://www.cancerresearchuk.org/about-cancer/coping/physically/bowel-problems/types/constipation/causes

6. SANTOS JUNIOR JCM.Laxantes e Purgativos – O Paciente e a Constipação Intestinal. Rev bras Coloproct, 2003;23(2):130-134.

7. Biblioteca Virtual em Saúde. Estresse [Internet]. BVS; 2012. [Acesso em: 01Nov2024]. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/estresse/

8. Sociedade Brasileira de Motilidade Digestiva e Neurogastroenterologia. Constipação Intestinal [Internet]. SBMDN. [Acesso em: 01Nov2024]. Disponível em: https://www.sbmdn.org.br/doencas-relacionadas/constipacao-intestinal/

9. Nogueira GS, Zanin CR, Netinho, JG. Intervenção cognitivo-comportamental em paciente com constipação intestinal: relato de caso. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas. 2024;6(1):138–54.