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O que é a cardiomiopatia? Conheça essa doença do coração!

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Seu coração bate feliz quando vê alguém? Maravilha! No entanto, para que você possa viver uma vida saudável, cheia de qualidade e com muita longevidade, é preciso cuidar bem dele. E, por isso, é essencial que você conheça algumas doenças que podem atingir esse órgão, como a cardiomiopatia. 

A forma mais comum da doença é a cardiomiopatia dilatada, sendo a cardiomiopatia hipertrófica a segunda forma mais prevalente, possui características importantes e uma significância clínica marcante, principalmente devido ao risco de arritmias malignas e morte súbita.1 

Ela prejudica os batimentos do coração e faz com que o bombeamento de sangue seja dificultado.1 Ou seja: não podemos deixar de conhecê-la!

Continue a leitura para entender mais sobre o assunto e tire as suas dúvidas!

O que é cardiomiopatia?

A cardiomiopatia é uma doença que afeta o músculo do coração, conhecida como miocárdio, tornando-o mais rígido, mais espesso ou mais fraco do que o normal. Existem diferentes tipos de cardiomiopatia, e uma que apresenta um significado clínico importante é a cardiomiopatia hipertrófica.1

Nesse caso, temos uma condição na qual o músculo cardíaco, principalmente o ventrículo esquerdo (a principal câmara do coração que bombeia o sangue para o corpo), fica anormalmente espesso (hipertrofiado).1

Mas qual é o problema? A consequência desse espessamento é que a espessura impede que o coração se encha adequadamente de sangue entre os batimentos e pode, em alguns casos, bloquear o fluxo de sangue para fora do coração.1

“Apesar disso, há outras formas de cardiomiopatias.”, conta a Dra. Edielle Melo, médica Cardiologista pela Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (EPM-UNIFESP). “Dentre elas, podemos citar as formas dilatada, restritiva, arritmogênica do ventrículo direito, cardiomiopatia periparto e cardiomiopatia induzida por estresse (Síndrome de Takotsubo).”, completa.2-4

A cardiomiopatia hipertrófica pode causar sintomas cardiovasculares, quais são esses sintomas?

Agora, vamos entender mais sobre os sintomas! Continue para saber quais são os mais comuns.

Arritmias

São alterações no ritmo normal do coração, que podem ou não apresentar sintomas. Algumas vezes, essas arritmias só são detectadas em exames, mas em outros casos, o paciente pode sentir palpitações (sensação de batimentos rápidos ou irregulares).1

Desmaios

São perdas de consciência que ocorrem devido à falta temporária de fluxo sanguíneo suficiente para o cérebro. Esse sintoma é comum, especialmente durante atividades físicas intensas, como esportes, e pode ser um sinal de que o coração está tendo dificuldades para bombear sangue de maneira eficiente.1

Dor no peito

A dor no peito é outro sintoma comum em pessoas com cardiomiopatia. Essa dor pode ser provocada pelo esforço físico, mas também pode ocorrer quando a pessoa está em repouso. O principal motivo é a falta de oxigênio no músculo do coração (isquemia), que ocorre quando o coração não consegue equilibrar bem o quanto de oxigênio precisa com o que recebe.1

E quais são as possíveis complicações da condição? 

Os sintomas acima não são as únicas coisas que podem acontecer com quem lida com a cardiomiopatia hipertrófica. Além deles, há consequências que podem prejudicar (e muito!) a qualidade de vida de quem tem a doença.1

Continue para descobrir quais são elas! 

Insuficiência cardíaca

Essa é uma das complicações mais comuns. Quem está com insuficiência cardíaca pode apresentar:1

  • falta de ar quando faz esforço;
  • fadiga;
  • dificuldade de respirar ao deitar.

Obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo 

Cerca de 75% dos pacientes com a doença apresentam obstrução do trato de saída do ventrículo esquerdo, seja em repouso ou dinâmica. Isso leva a aumento da pressão sistólica ventricular e pode piorar a hipertrofia ventricular, a distribuição de oxigênio ao miocárdio e causar insuficiência em algumas estruturas.1

Isquemia miocárdica

A isquemia miocárdica é uma complicação séria, causada por um desequilíbrio entre a oferta e o consumo de oxigênio no coração hipertrofiado. Ela ocorre devido a uma combinação de fatores, e pode resultar em arritmias, fibrose e, em casos extremos, infartos e aneurismas.1

Arritmias

Arritmias são frequentes, podendo causar sintomas como desmaio, geralmente sem causa aparente. O risco de arritmias ventriculares malignas também aumenta com a presença de fibrose na região do coração.1

Quais os exames que contribuem para o diagnóstico da cardiomiopatia? 

O que é a cardiomiopatia? Conheça essa doença do coração!

Diante de tudo isso, é possível que você esteja se perguntando como é feito o diagnóstico dessas condições. Continue a leitura para tirar as suas dúvidas! 

Eletrocardiografia 

Também conhecido como eletrocardiograma, esse exame revela alterações no ritmo em até 90% dos indivíduos com arritmia.1

No entanto, essas alterações não são específicas da cardiomiopatia hipertrófica, o que dificulta a associação clínica direta com condição. Por isso, é preciso ficar de olho e incluir outros exames no processo de diagnóstico.

Biomarcadores

Biomarcadores são frequentemente alterados em pacientes com cardiomiopatia e ajudam a entender mais sobre a gravidade da doença.1

Ecocardiograma

O ecocardiograma é o principal método para o diagnóstico inicial de cardiomiopatia. O exame também é útil para excluir outras causas de hipertrofia ventricular, como estenose aórtica ou coarctação aórtica.1

A ecocardiografia tridimensional tem uma precisão ainda maior e pode ser correlacionada com outros testes, como é o caso da ressonância magnética.1 Vamos falar mais sobre ela? 

Ressonância magnética cardíaca 

Esse exame tem ganhado destaque no diagnóstico e prognóstico da cardiomiopatia, permitindo a identificação de fibrose, edema e defeitos de perfusão, além de formas atípicas da doença, como a hipertrofia apical.1

Tomografia computadorizada  

Embora menos utilizada, a tomografia pode ser uma alternativa quando a ecocardiografia ou a ressonância não estão disponíveis. Além de avaliar a função ventricular e detectar fibrose miocárdica, ela é útil para estudar a anatomia das artérias coronárias, na angiotomografia de coronárias, identificando possíveis obstruções.1

Quais são os tratamentos para cardiomiopatia? 

Chegou a hora de sabermos o que pode ser feito para tratar essa condição! O tratamento da cardiomiopatia hipertrófica envolve diferentes abordagens, incluindo opções medicamentosas, intervenções invasivas e terapias avançadas.1

Vamos saber mais?

Tratamento medicamentoso

O tratamento com o uso de remédios é o primeiro passo para pacientes com a doença, tanto na forma obstrutiva quanto na não obstrutiva. Embora não haja evidências claras de que esses medicamentos reduzam a mortalidade, eles melhoram significativamente os sintomas e podem reduzir a necessidade de intervenções mais invasivas.1

Conheça mais a seguir!

Betabloqueadores

Esses medicamentos são frequentemente usados para aliviar sintomas como dor no peito e falta de ar. Eles reduzem a frequência cardíaca e o consumo de oxigênio pelo coração, ajudando a melhorar a circulação e a controlar arritmias.1

Bloqueadores de canais de cálcio 

Outra classe de medicamentos que pode ser usada para aliviar os sintomas, especialmente em pacientes que não toleram ou não respondem bem aos betabloqueadores. Eles possuem propriedades que ajudam a melhorar o fluxo sanguíneo e a reduzir a carga de trabalho do coração.1

Inibidores da miosina cardíaca

Recentemente, medicamentos que atuam diretamente na miosina do coração, reduzindo sua contratilidade, têm mostrado resultados promissores na redução dos gradientes de pressão e no alívio dos sintomas, especialmente em pacientes com obstrução significativa.1

Terapias de redução septal

Para os casos em que o tratamento medicamentoso não é eficaz, as terapias invasivas, como a miectomia septal ou a alcoolização septal, são opções. Esses procedimentos visam reduzir a obstrução na saída do ventrículo esquerdo, melhorando os sintomas e a qualidade de vida dos pacientes.1

Tratamento das arritmias atriais

A fibrilação atrial é comum em pacientes com cardiopatia e pode aumentar o risco de AVC (acidente vascular cerebral). O tratamento inclui o controle do ritmo ou da frequência cardíaca, bem como o uso de anticoagulantes para prevenir eventos tromboembólicos.1

Transplante cardíaco

Em casos avançados de insuficiência cardíaca que não respondem a tratamentos clínicos ou invasivos, o transplante cardíaco pode ser uma opção. Este é indicado para pacientes com disfunção ventricular grave e comprometimento significativo da qualidade de vida.1

Como você pôde perceber, a cardiomiopatia é uma condição grave, que pode prejudicar não só a qualidade de vida do paciente, mas também levá-lo a ter uma série de outras questões que o colocam em risco. Por isso, uma boa avaliação se torna indispensável para garantir o bem-estar dessas pessoas.1-4

Quer saber mais sobre a saúde do coração? Então, você não pode deixar de conferir o blog A Vida Plena e de ler as outras postagens que já fizemos sobre o tema em nossa seção especial sobre esse órgão. Corra lá para não perder nada! 

* Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

*As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1.  Fernandes F, Simões MV, Correia EDB, Marcondes-Braga FG, Coelho-Filho OR, Mesquita CT, et al. Diretriz sobre Diagnóstico e Tratamento da Cardiomiopatia Hipertrófica–2024. Arq. Bras. Cardiol. 2024, 121(7):e202400415.

2. Albanesi FM. Cardiomiopatias. Arq. Bras. Cardiol. 1998, 71(2).

3. Lukas Laws J, Lancaster MC, Ben Shoemaker M, Stevenson WG, Hung RR, Wells Q, Marshall Brinkley D, Hughes S, Anderson K, Roden D, Stevenson LW. Arrhythmias as Presentation of Genetic Cardiomyopathy. Circ Res. 2022 May 27;130(11):1698-1722.

4. Ribeiro HJM, Ferreira C, Baptista A, Magalhães P, Ferreira A, Moreira I. Cardiomiopatia de estresse e doença coronária: a coexistência das duas entidades clínicas pode ser possível. Revista Brasileira de Cardiologia Invasiva. 2011 Dec;19(4):448–51.

Data do conteúdo: 05/10/24