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Com a chegada do verão, dias de sol, piscina e praia entram no topo da lista de desejos de muita gente. A luz solar é fundamental para o bem-estar, a produção de vitamina D e até o humor costuma melhorar com o clima ensolarado¹.

Mas, como em quase tudo na vida, o segredo está no equilíbrio. A exposição excessiva e sem proteção ao sol é uma das principais causas do câncer de pele, o tipo de tumor mais frequente no Brasil, responsável por cerca de 30% de todas as neoplasias malignas do país².

A doença se caracteriza pelo crescimento descontrolado das células da pele ¹. Embora o tipo mais comum, o câncer de pele não melanoma apresenta alta chance de cura, desde que seja detectado e tratado precocemente. Já o melanoma, forma mais agressiva, tem um cenário bem diferente³ “devido à sua alta possibilidade de provocar metástase, mas, ainda assim, o prognóstico desse tipo de câncer pode ser considerado bom se detectado em sua fase inicial”, diz a dermatologista Dra. Luciana Samorano (CRM-SP 135.021).

É nesse contexto que surge o Dezembro Laranja, campanha nacional de conscientização que marca o início do verão no hemisfério sul. O movimento reforça a importância da prevenção e da detecção precoce do câncer de pele ¹.

“Os cuidados vão muito além do uso de filtro solar. É preciso ter atenção aos horários corretos de exposição e reconhecer os sintomas para buscar diagnóstico precoce. Quando descoberto cedo, o câncer de pele tem mais de 90% de chances de cura e, na maioria dos casos, pode ser tratado com cirurgia e sem tratamentos complementares, como radioterapia, quimioterapia e imunoterapia”, explica a Dra. Luciana.

Quais os sinais que podem significar câncer de pele?

O câncer de pele não melanoma apresenta diferentes tipos de tumores, sendo os mais frequentes o carcinoma basocelular e o carcinoma epidermóide ³.

O carcinoma basocelular é o mais comum e também o menos agressivo. Costuma evoluir lentamente e surge, em geral, nas áreas mais expostas ao sol, como rosto, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas3,4. Tem baixa letalidade e altos índices de cura quando identificado precocemente. Visualmente, pode aparecer como uma pequena lesão avermelhada e brilhante, com crosta central, que sangra com facilidade ⁴.

Já o carcinoma epidermóide pode se desenvolver sobre uma cicatriz ou ferida antiga, especialmente as causadas por queimaduras, ainda que também possa aparecer sobre a pele íntegra³. É mais grave que o basocelular, pois tem potencial de se espalhar para outros órgãos. Pode aparecer em qualquer parte do corpo, embora seja mais comum nas regiões expostas ao sol, como orelhas, rosto, couro cabeludo e pescoço. Sua aparência lembra, geralmente, uma verruga ou uma ferida espessa e descamativa, avermelhada e que não cicatriza ⁴.

De forma geral, os principais sintomas do câncer de pele incluem³:

  • Manchas, bolinhas ou nódulos que coçam, descamam ou sangram;

  • Sinais ou pintas que mudam de tamanho, forma ou cor;

  • Feridas que não cicatrizam em até quatro semanas.

E os sintomas do melanoma?

O melanoma, tipo mais grave, pode surgir em qualquer parte do corpo, na pele ou nas mucosas, e tem, no geral, a aparência de uma pinta com múltiplas cores (como marrom claro, marrom escuro, preto, azul, rosa, branco) ou sinal acastanhado que muda de cor, formato ou tamanho ⁴.

O diagnóstico precoce garante maior de chance de cura⁴.

Quem tem mais risco de desenvolver câncer de pele?

Qualquer pessoa pode desenvolver câncer de pele, mas o risco é maior entre aquelas com pele muito clara, vitiligo, doenças genéticas que predispõem a câncer de pele, como albinismo, pessoas que fazem uso de imunossupressores e ainda quem se expõem de forma inadequada ao sol, diz a Dra. Luciana. Além disso, a doença é mais comum em pessoas acima dos 40 anos e considerada rara em crianças e em pessoas negras, embora também possa ocorrer nesses grupos ³.

Pessoas mais jovens também precisam se alertar para o câncer de pele ³. Segundo a dermatologista, nos últimos anos, a média de idade dos diagnósticos vem caindo, “principalmente entre os jovens que se expõem com frequência ao sol sem a devida proteção”, diz.

Entre os principais fatores de risco para o câncer de pele não melanoma estão ³:

  • Pele e olhos claros
  • Doenças genéticas da pele que predispõem o câncer de pele, como albinismo;
  • Histórico pessoal ou familiar da doença;
  • Trabalho com exposição direta ao sol;
  • Exposição solar prolongada e repetida;
  • Uso de câmeras de bronzeamento artificial.

É importante ressaltar que, ainda que pessoas de pele clara tenham um risco maior para a doença, pessoas de pele negra também precisam se proteger ¹.

ABCDE: o método que ajuda a identificar lesões suspeitas de melanoma

Para facilitar a identificação precoce de lesões suspeitas, entidades como a Sociedade Brasileira de Dermatologia e a American Cancer Society recomendam o uso da regra do ABCDE: um guia prático que ajuda a reconhecer sinais sugestivos de melanoma⁵.

De acordo com a regra do ABCDE uma lesão suspeita costuma apresentar ⁴⁻⁵:

  • A. Assimetria: uma parte diferente da outra ao se dividir a lesão no meio;

  • B. Bordas irregulares: contorno mal definido;

  • C. Cor variável: presença de tons variados (preto, castanho, branco, vermelho ou azul);

  • D. Diâmetro: maior que 6 milímetros;

  • E. Evolução: mudanças visíveis em tamanho, cor ou formato.

Essa simples observação pode ajudar o paciente a identificar alterações e procurar ajuda médica o quanto antes⁴,⁵.

Fique atento! Cuidados devem durar o ano todo

A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC/OMS) alertou, em 2006, que a regra do ABCDE pode ter limitações em lesões pequenas, já que pequenos melanomas podem não apresentar características tão evidentes⁵.

Por isso, é importante observar atentamente a pele e procurar um dermatologista diante de qualquer alteração. Fique atento se4:

  • A lesão é elevada e brilhante, de cor avermelhada, acastanhada, rósea ou multicolorida, e sangra facilmente;

  • Uma pinta escura muda de cor, cresce ou apresenta bordas irregulares;

  • Uma mancha ou ferida não cicatriza, podendo ter coceira, crostas ou sangramento.

“E consulte um dermatologista a qualquer sinal de uma dessas alterações”, diz a Dra Luciana, que reforça: “O Brasil é um país tropical, com significativa exposição solar ao longo de todo o ano. Por isso, o cuidado com a pele não deve ser restrito ao verão.”

Referências

  1. Brasil. Ministério da Saúde. Dezembro Laranja: prevenção e detecção precoce do câncer de pele [Internet]. 2023. [Acesso em 16 dez 2025]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/assuntos/saudebrasil/prevencao-aocancer/dezembro-laranjaprevencao-edeteccao-precoce-docancer-de-pele 
  2. Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de pele [Internet]. [Acesso em 16 dez 2025]. Disponível em: https://www.inca.gov.br/es/ta xonomy/term/758
  3. Brasil. Ministério da Saúde. Câncer de pele [Internet]. [Acesso em 16 dez 2025]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/assuntos/saude-de-a-az/c/cancer-de-pele
  4. Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). Dezembro Laranja – Campanha do câncer de pele [Internet]. [Acesso em 16 dez 2025]. Disponível em: https://sbd.org.br/campanha/dezembrolaranja

Brasil. Ministério da Saúde. Câncer de pele – Diagnóstico precoce [Internet]. [Acesso em 16 dez 2025]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/ptbr/assuntos/saude-de-a-az/c/cancer-depele/diagnostico-precoce