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Publicado em: 27 de abril de 2026
Ter hipertensão significa ter uma pressão arterial igual ou acima de 14 por 9 (140/90 mmHg). A condição ocorre por uma série de motivos, mas principalmente porque os vasos sanguíneos se contraem (isto é, ficam “mais apertados”), elevando a pressão do sangue bombeado pelo coração. Com isso, pode ocorrer o entupimento ou até o rompimento de vasos sanguíneos, o que leva a problemas como infarto, derrame (nome mais popular do Acidente Vascular Cerebral, ou AVC) e lesões de diversos órgãos.1,2
Isso merece muita atenção porque, no Brasil e no mundo, as doenças cardiovasculares são as principais causas de morte, e a hipertensão é o maior fator de risco associado a elas.1
Uma em cada quatro pessoas adultas recebe o diagnóstico da doença. Entre a população com mais de 60 anos, a proporção sobe mais de 50% – ou seja, uma a cada duas pessoas. A condição também é responsável por 40% dos infartos, 80% dos derrames (AVCs) e 25% dos casos de doença renal.2
Dados do Ministério da Saúde reforçam o cenário preocupante. Entre 2006 e 2019, a incidência de hipertensão em adultos foi, em média, de 24,5% e manteve-se estável ao longo do período. Após a pandemia, o relatório de 2023 indicou um aumento e a prevalência chegou a 27,9%¹.
Vale a pena, portanto, conhecer melhor essa condição crônica e, sobretudo, o que fazer para diminuir os riscos.
A hipertensão arterial não tem cura, mas tem tratamento e pode ser controlada. Somente o médico pode diagnosticar e definir a melhor abordagem para cada paciente. A única forma de diagnosticar a doença é medir a pressão arterial da forma correta e orientada por médico.³
A recomendação é que pessoas a partir de 20 anos façam essa medição ao menos uma vez por ano. Se houver histórico familiar de pressão alta, o ideal é realizar o controle pelo menos duas vezes por ano³.
Caso o valor medido seja igual ou superior a 12 por 8 (120/80 mmHg), o indicado é aguardar um intervalo de alguns dias e repetir a medição uma ou mais vezes durante consultas médicas¹.
A medida ambulatorial da pressão arterial (MAPA) e a medida residencial da pressão arterial (MRPA) são os exames utilizados para acompanhar a pressão fora do consultório médico, permitindo uma avaliação mais fiel do comportamento da pressão ao longo do dia¹.
A MAPA é um exame no qual o paciente utiliza um aparelho portátil conectado ao braço durante 24 horas. O equipamento mede automaticamente a pressão arterial em intervalos regulares ao longo do dia, inclusive durante o sono. Uma das vantagens da MAPA é permitir avaliar o chamado descendo noturno, isto é, o comportamento da pressão durante o sono.1
Esse método permite observar variações da pressão ao longo do dia e identificar situações como “hipertensão do jaleco branco”, quando a pressão sobe apenas no consultório médico; ou a hipertensão mascarada, quando os valores parecem normais na consulta, mas estão elevados fora do consultório.¹
Já a MRPA é realizada pelo próprio paciente em casa, seguindo um protocolo definido pelo médico ou por diretrizes clínicas. Trata-se de uma versão mais “conveniente” do exame, já que o paciente não precisa dormir com o aparelho. Nesse método, as medições são feitas com aparelho validado, em horários e dias específicos. As medidas são registradas e posteriormente avaliadas por um profissional de saúde¹.
Há ainda a automedida, que ocorre quando o próprio paciente ou familiar mede a pressão em casa com auxílio de um aparelho automático, porém sem seguir um protocolo rígido de horários, número de medições ou dias de acompanhamento. Mas atenção: é preciso utilizar aparelhos confiáveis, validados com o selo do Inmetro, e esse método deve ser usado apenas sob orientação médica como uma triagem inicial. Se os resultados indicarem uma possível alteração, o ideal é que o médico meça a pressão e solicite exames confirmatórios como a MAPA ou a MRPA¹.
Antes de entender quais hábitos previnem a progressão da doença, é importante saber quais fatores de risco aumentam a chance do seu desenvolvimento. Em 90% dos casos, a pressão alta é atribuída a fatores herdados, à influência de fatores ambientais e ao estilo de vida, bem como ao aumento da idade. Também se sabe que sua incidência é maior entre pessoas negras e diabéticas.³
Dentre os fatores externos que podem contribuir para o desenvolvimento da hipertensão, alguns dos principais são:1,3
Fatores como estresse, baixo status econômico, isolamento social, discriminação racial, depressão e ansiedade também têm sido classificados como potencializadores da doença. Além disso, distúrbios do sono e níveis de colesterol elevados influenciam a pressão, podendo contribuir para o quadro de hipertensão¹.
Questões ambientais também podem causar impacto. Tanto a poluição sonora como do ar, por exemplo, podem contribuir para o aumento da pressão arterial.. Em relação ao clima, regiões com temperaturas mais baixas tendem a ter mais casos de hipertensão¹.
12 por 8 agora é pré-hipertensão: o que isso significa? E por que a mudança aconteceu?
Valores tradicionalmente considerados “normais” da pressão arterial hoje já são vistos como um sinal de alerta.1
Muitos de nós crescemos ouvindo que a “pressão 12 por 8” é aquela considerada “normal”, mas, desde 2025, a medida de 120/80 mmHg passou a ser classificada como o valor inicial da pré-hipertensão, segundo a nova Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial, desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) e Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN)¹.
A mudança tem como objetivo permitir a identificação precoce de pessoas com risco de desenvolver a doença e incentivar mudanças nos hábitos de vida. ¹
Segundo o cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46977 | RQE 132337), as novas diretrizes terão impacto no número de hipertensos e de fatalidades associadas à pressão elevada nos próximos anos. “Ao identificar alterações ainda em níveis iniciais, as chances de prevenção aumentam e os cuidados podem ser implementados imediatamente, algo que pode promover uma queda no número de hipertensos.”
De acordo com o Dr. Jairo, “quando a pressão começa a subir, mesmo que ainda não esteja na faixa da hipertensão, já é um sinal de que o organismo pode estar respondendo mal ao estilo de vida. Esse é o momento ideal para rever a alimentação, excesso de peso, consumo de sal e controle do estresse, antes que o quadro se agrave.”
As principais mudanças nos hábitos que ajudam a evitar a hipertensão são2,3:
O cardiologista reforça que esses hábitos também são essenciais para quem está em um quadro de pré-hipertensão ou já tem o diagnóstico da doença.
A depender do caso, a maior parte dos pacientes pode reduzir a pressão arterial com medidas de mudança de estilo de vida e uso de medicação orientada pelo médico. Pacientes que precisam tomar medicação devem seguir cuidadosamente a orientação médica, comparecer às consultas regularmente e não abandonar o tratamento.2,3
Conteúdo produzido em março/2026
Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional de saúde entrevistado
Referências
1 Brandão AA, Rodrigues CIS, Bortolotto LA, Armstrong AC, Mulinari RA, Feitosa ADM, et al. Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial – 2025. Arq Bras Cardiol. 2025;122(9):e20250624.
2 Sociedade Brasileira de Hipertensão. Sobre hipertensão [Internet]. [Acesso em 13 mar. 2026] Disponível em: https://www.sbh.org.br/sobre-a-hipertensao/
3 Brasil. Ministério da Saúde. Hipertensão [Internet]. [Acesso em 13 mar. 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/h/hipertensao
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