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Publicado em: 21 de setembro de 2026
A acne é considerada uma doença inflamatória crônica da pele, caracterizada por períodos de melhora e piora, que pode deixar cicatrizes e comprometer a autoestima e a qualidade de vida quando não é tratada adequadamente. Ela aparece principalmente no rosto, mas também no peito, nos ombros e nas costas.1,3
Porém, em alguns casos, para além desse incômodo estético, a acne também pode sinalizar alterações hormonais ou metabólicas mais sérias, que merecem investigação.¹
A acne é uma doença que afeta a unidade pilossebácea, formada pelo folículo do pelo e pela glândula sebácea, responsável pela produção de oleosidade.2
A formação das lesões visíveis, como os cravos e as espinhas, depende de diferentes fatores, que atuam ao mesmo tempo. A obstrução dos poros está relacionada ao aumento da produção de sebo, geralmente estimulado por hormônios, e ao excesso de células mortas, promovido pela descamação anormal da pele. Nesse ambiente, a bactéria Cutibacterium acnes se multiplica e desencadeia uma resposta inflamatória, levando ao aparecimento de cravos, espinhas e, em casos mais graves, nódulos dolorosos.¹
Durante a adolescência, a acne é comum, mas ela também pode persistir depois dessa fase ou surgir apenas na vida adulta. Quando continua após a adolescência, é chamada de acne persistente; quando aparece pela primeira vez na fase adulta, recebe o nome de acne de início tardio.1-3
A acne pode afetar a saúde emocional e o bem-estar psicológico do indivíduo, podendo gerar sentimentos de insegurança, timidez e até quadros de depressão ou ansiedade.¹,⁴,⁵
Isso reforça porque o tratamento precoce da acne é importante, principalmente quando existe o risco de cicatrizes permanentes na pele, mas também para a redução de seus impactos físicos e mentais. A ideia de que as espinhas “desaparecem sozinhas com o tempo” é um conceito ultrapassado e perigoso para a saúde da pele.1,2,4
A acne hormonal é um tipo de acne associado principalmente à ação dos hormônios andrógenos, cujo mais famoso é a testosterona, sobre as glândulas sebáceas. Ela é mais comum em mulheres adultas e costuma provocar lesões inflamatórias na região do queixo, da mandíbula e do pescoço, formando o chamado padrão em “U”.3
Outra característica é a piora no período que antecede a menstruação, quando as variações hormonais favorecem o aumento da oleosidade da pele.³
Além das mudanças hormonais do ciclo menstrual, outras alterações podem favorecer o surgimento da acne. O excesso de andrógenos, produzido pelos ovários ou pelas glândulas suprarrenais, estimula a produção de sebo e aumenta a inflamação dos poros.4,5
“Doenças das suprarrenais, alterações da tireoide e a menopausa também podem influenciar o aparecimento da acne em algumas pessoas”, conta a dermatologista Dra. Leticia Cardoso Secco (CRM-SP 104.212 | RQE 25.079). A médica também ressalta que o uso de suplementos hormonais ou terapias de reposição de testosterona sem acompanhamento adequado pode desencadear quadros graves de acne inflamatória.
Entre as opções terapêuticas estão alguns anticoncepcionais, que ajudam a reduzir a ação dos hormônios andrógenos. Em alguns casos, também é necessário tratar doenças como a SOP ou a resistência à insulina.⁴,⁵
Segundo a Dra. Letícia, a melhora não acontece de um dia para o outro. “Em geral, os primeiros resultados aparecem entre três e seis meses após o início do tratamento hormonal.”
A síndrome dos ovários policísticos é uma das causas mais frequentes de acne hormonal em mulheres com hiperandrogenismo.3,4
Para o diagnóstico de SOP, outros sintomas além da acne podem estar presentes, como ciclos menstruais irregulares, aumento de pelos no rosto ou no corpo, queda de cabelo e manchas escuras na pele, principalmente no pescoço e nas axilas.3,4
A resistência à insulina também pode contribuir para o surgimento ou agravamento da acne. Isso porque o excesso de insulina favorece o aumento da ação dos hormônios andrógenos, estimulando a produção de oleosidade, a descamação anormal da pele e a inflamação.4
Pessoas com SOP frequentemente apresentam resistência à insulina, o que reforça a relação entre essas duas condições.3
A alimentação também pode influenciar esse processo. Dietas ricas em açúcar favorecem picos de insulina, o que pode aumentar a oleosidade da pele e, consequentemente, favorecer o surgimento da acne. Quando a resistência à insulina é tratada, a melhora costuma beneficiar não apenas a pele, mas também a saúde metabólica e cardiovascular.³,⁵
Alguns medicamentos podem desencadear ou agravar a acne. Entre eles estão os corticoides e certos anticoncepcionais que contêm progesterona. Alguns suplementos vitamínicos, especialmente aqueles ricos em vitamina B12, também podem favorecer o aparecimento de lesões em algumas pessoas.2-4
“Por isso, é importante informar ao médico todos os medicamentos e suplementos em uso antes de iniciar o tratamento”, alerta a Dra. Letícia.
O dermatologista deve ser procurado sempre que a acne for persistente, inflamatória, causar desconforto ou começar a deixar manchas e cicatrizes.
Já a avaliação com um endocrinologista é indicada quando há suspeita de alterações hormonais, como irregularidade menstrual, excesso de pelos, queda de cabelo ou acne persistente na vida adulta.⁴
O tratamento varia conforme a gravidade da acne e o tratamento adotado. Durante o acompanhamento, o médico avalia a resposta às medicações, faz os ajustes necessários e monitora possíveis efeitos colaterais.
Para a Dra. Letícia, entender a origem da acne é tão importante quanto tratar as lesões. “Quando a causa é identificada e tratada, aumentam as chances de controlar a doença, prevenir novas crises e melhorar não apenas a aparência da pele, mas também a saúde e a qualidade de vida do paciente”, conclui.
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Conteúdo elaborado em setembro/2026
Texto: Juliana Stern, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de saúde, especialmente nos setores de oncologia, cardiologia e odontologia, além de passagens pela National Geographic Brasil e UOL.
Médica consultora: Dra. Letícia Secco(CRM-SP 104212; RQE 25079), médica dermatologista e membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia.
Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado
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