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A obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal a um nível que compromete a saúde.¹,² Longe de ser apenas uma preocupação de ordem estética, a condição é influenciada por fatores genéticos, biológicos, socioeconômicos e culturais, sendo classificada como uma doença crônica e multifatorial, o que significa que não deve ser reduzida a uma simples falta de disciplina ou de força de vontade individual.¹

foto dos pés de uma pessoa medindo seu peso em uma balança

Quais doenças podem estar relacionadas à obesidade?

O excesso de gordura, especialmente na região da barriga, provoca importantes alterações metabólicas e inflamatórias. Essas alterações aumentam significativamente o risco de desenvolvimento de quadros como diabetes, colesterol alto e hipertensão. Contudo, apesar de ser um fator de risco, nem toda pessoa com obesidade desenvolverá outras doenças associadas. Mas os cuidados preventivos devem ser constantes.³

O diabetes tipo 2, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer podem ser agravados pela condição. Segundo dados publicados pela Organização Mundial da Saúde, em 2018, estima-se que aproximadamente 13% de todos os casos de câncer diagnosticados anualmente no país estejam diretamente associados ao sobrepeso e à obesidade.²

O reflexo mecânico desse acúmulo de gordura também gera impactos diretos na estrutura física. Uma revisão da literatura demonstra que o excesso de peso afeta a saúde, gerando dificuldades respiratórias e prejuízos ao aparelho locomotor, ou seja, ossos, músculos e articulações. ¹

O cardiologista Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46.977 | RQE 132.337) acrescenta que a obesidade também está relacionada com condições como acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática), apneia do sono, problemas renais e desequilíbrios hormonais, impactando até questões de infertilidade.

A obesidade aumenta o risco de diabetes tipo 2?

O desenvolvimento do diabetes tipo 2 representa uma das consequências mais fortes e conhecidas da obesidade. Estudos indicam que o acúmulo excessivo de gordura visceral chega a aumentar em até 10 vezes o risco de diabetes. ³

O excesso de gordura corporal pode dificultar a ação da insulina, hormônio responsável por ajudar a glicose (açúcar) a entrar nas células e ser utilizada como fonte de energia. Como consequência, o organismo passa a responder menos à insulina, condição conhecida como resistência à insulina, fazendo com que a glicose se acumule no sangue e aumente o risco de desenvolver diabetes tipo 2.³

A boa notícia é que o risco de diabetes diminui de forma contínua com a perda de peso, mostrando que o tratamento clínico e a readequação corporal são ferramentas eficazes para normalizar as taxas de açúcar e prevenir ou retardar o avanço da doença.³

Qual é a relação entre obesidade e doenças cardiovasculares?

O coração e os vasos sanguíneos também são diretamente sobrecarregados pela obesidade. A pressão alta chega a ser 6 vezes mais comum em indivíduos obesos do que em não obesos.³

A combinação da hipertensão com o diabetes aumenta o risco de doenças cardiovasculares, mas intervenções preventivas e a consequente redução do peso podem contribuir para a recuperação da saúde cardiovascular.³

A obesidade também pode afetar outros órgãos?

Sim,  a obesidade pode afetar todo o organismo, especialmente quando há acúmulo de gordura na região abdominal.³ “As partículas inflamatórias liberadas pelo excesso de gordura circulam por toda a corrente sanguínea, afetando múltiplos órgãos”, explica o Dr. Jairo.

Obesidade aumenta o risco de câncer?

Sim, a obesidade aumenta o risco de pelo menos 13 tipos de câncer, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA). ²

No entanto, adotar hábitos saudáveis de vida e a manutenção do peso corporal adequado podem prevenir cerca de 33% dos casos de câncer mais comuns no Brasil.²

Quais problemas na mobilidade podem estar relacionados à obesidade?

A obesidade provoca prejuízos no aparelho locomotor e dificuldades de movimentação. Os prejuízos do aparelho locomotor, por sua vez, podem ser um fator limitante que leva ao sedentarismo, gerando um ciclo que agrava a condição de excesso de peso. ¹

Como identificar precocemente as complicações da obesidade?

A identificação precoce das complicações ligadas à obesidade baseia-se na avaliação sistemática de indicadores simples de composição corporal, como o Índice de Massa Corporal (IMC) e a circunferência da cintura. ³

Monitorar parâmetros como a pressão arterial sistólica e diastólica, além dos níveis de glicose no sangue em jejum, é essencial porque o acúmulo de gordura corporal está diretamente associado a alterações do fluxo sanguíneo e à resistência à insulina. Esse monitoramento constante permite monitorar indícios de hipertensão arterial e pré-diabetes antes que lesões irreversíveis ocorram no sistema cardiovascular.³

Quanto é preciso emagrecer para obter benefícios à saúde?

As metas de tratamento e readequação corporal devem ser individualizadas, focando na restauração da capacidade funcional do corpo, no bem-estar psicológico e na qualidade de vida de cada pessoa. ¹

“A imposição de padrões homogêneos de beleza pela mídia desrespeita as necessidades singulares de cada um, distanciando as pessoas de seu peso ideal”, explica o Dr. Jairo.

mulher adulta com sobrepeso se exercitando em uma academia, enfatizando a importância do exercício físico para o controle da obesidade e a redução do risco de doenças

Como é feito o tratamento da obesidade?

A reeducação alimentar e o incentivo à atividade física são pilares fundamentais e, quando necessário, o tratamento especializado em nível ambulatorial ou hospitalar pode integrar suporte psicológico e o uso supervisionado de medicamentos. Em alguns casos, intervenções de alta complexidade como a cirurgia bariátrica e cirurgias plásticas reparadoras também podem ser indicadas. ⁴

Mas, para que essas estratégias tenham êxito, a desconstrução do preconceito social é indispensável. A visão de que a obesidade decorre puramente de falhas disciplinares ou falta de força de vontade é falsa e nociva. ²

Por isso, combater a culpabilização individual e focar em políticas públicas integradas é o caminho ético e cientificamente validado para acolher e tratar adequadamente quem convive com a condição. ²

FAQ

  • Quais doenças podem ser causadas pela obesidade? A obesidade pode favorecer ou agravar doenças como diabetes tipo 2, problemas cardiovasculares, esteatose hepática e até 13 tipos de câncer. ²,³
  • Obesidade pode causar diabetes? Estudos indicam que o acúmulo de gordura visceral decorrente da obesidade chega a aumentar em até 10 vezes o risco de desenvolver diabetes tipo 2 devido à resistência à insulina. ³
  • Obesidade causa hipertensão? Sim, o excesso de peso é um fator de risco metabólico direto, tornando a pressão alta até seis vezes mais comum em pessoas com obesidade.³
  • Obesidade aumenta o risco de câncer? Sim, a obesidade eleva a suscetibilidade a mutações nas células e aumenta o risco de desenvolver pelo menos 13 tipos diferentes de câncer. ²
  • Quais órgãos são afetados pela obesidade? A obesidade afeta todo o organismo de forma sistêmica, comprometendo órgãos como o coração, rins, pulmões e fígado através da circulação de hormônios inflamatórios. ¹,³,⁴
  • Obesidade causa dor nas articulações? Sim, o excesso de peso gera um estresse físico mecânico que sobrecarrega o aparelho locomotor, resultando em dores articulares e limitações de movimento. ¹
  • Toda pessoa com obesidade terá outras doenças? Não, pois embora a obesidade seja um forte fator de risco, nem todas as pessoas com a condição desenvolverão necessariamente outras doenças associadas. ¹,³
  • Quanto de peso devo perder? A meta de perda de peso deve ser individualizada, priorizando a recuperação da capacidade funcional e a melhora na qualidade de vida. ¹,⁴

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Conteúdo elaborado em outubro/2026

Texto: Bárbara Fernandes, jornalista pós-graduada em Jornalismo Científico e mestranda em Divulgação Científica e Cultural pelo Labjor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), com experiência em reportagens de biologia e saúde.

Dr. Jairo Lins Borges (CRM-SP 46977; RQE 132337), cardiologista clínico, professor e pesquisador da disciplina de Cardiologia na Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

Informações não referenciadas correspondem à opinião ou prática clínica do profissional da saúde entrevistado.

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Referências

  1. Wanderley EN, Ferreira VA. Obesidade: uma perspectiva plural. Ciência & Saúde Coletiva 2010;15(1):185-194.
  2. Martins APB. É preciso tratar a obesidade como um problema de saúde pública. Revista de Administração de Empresas 2018; 58(3):337341.
  3. Mariath AB, Grillo LP, Silva RO, Schmitz P, Campos IC, Medina JRP, Kruger RM. Obesidade e fatores de risco para o desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis entre usuários de unidade de alimentação e nutrição. Cad. Saúde Pública 2007;23(4):897-905.
  4. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Organização Regional da Linha de Cuidado do Sobrepeso e da Obesidade na Rede de Atenção à Saúde das Pessoas com Doenças Crônicas: manual instrutivo [Internet]. Brasília: Ministério da Saúde; 2014 [acesso em 23 set 2026]. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps/promocao-da-saude/linha-de-cuidado-do-sobrepeso-e-obesidade/arquivos/manual_instrutivo_linha_cuidado_obesidade.pdf