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Respire fundo e conheça o impacto do estresse na saúde do coração

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Provavelmente você já ouviu alguém pedindo para outra pessoa contar até dez em momentos de nervosismo. Outra frase muito comum é: “acalme o seu coração!” ou, ainda, “desse jeito o meu coração não aguenta!”. E quem não conhece o ditado: “o que os olhos não veem, o coração não sente”, não é mesmo?

Todas essas frases têm a ver com os impactos do estresse em nosso dia a dia e boa parte delas também fala sobre o coração. Mas, afinal, será que há realmente uma relação entre uma coisa e a outra?

É sobre isso que falaremos nos próximos minutos! Continue a leitura para entender se há ou não uma associação entre o estresse e a saúde do coração. Sua saúde mental e física agradecem! 

Qual é a relação entre estresse e saúde do coração?

O estresse está diretamente ligado à saúde do coração, com evidências mostrando que ele pode ser um fator de risco significativo para doenças cardíacas. Em momentos de estresse intenso, como ouvir uma notícia angustiante ou enfrentar uma situação perturbadora, o corpo experimenta alterações fisiológicas que podem afetar o coração de maneira negativa.1

Por exemplo, quando alguém fica estressado, tanto a pressão arterial quanto a frequência cardíaca aumentam, aumentando o risco cardiovascular.1

O estresse crônico é particularmente prejudicial, pois leva à produção excessiva de hormônios do estresse, como o cortisol. O cortisol em excesso está associado a diversos efeitos prejudiciais no organismo, incluindo aumento da pressão arterial, resistência à insulina, ganho de peso abdominal e disfunção endotelial.2-4

Além disso, o estresse intenso e prolongado pode contribuir para o desenvolvimento de cardiomiopatia, mais especificamente a cardiomiopatia induzida por estresse ou Síndrome de Takotsubo, que pode ser desencadeada por emoções intensas.5

Além das mudanças fisiológicas diretas, o estresse também influencia comportamentos que afetam negativamente a saúde do coração.1

E, claro, os indivíduos que estão frequentemente estressados, nervosos ou deprimidos têm maior propensão a adotar hábitos prejudiciais, como o consumo excessivo de álcool, o tabagismo, e a falta de exercício físico. Esses comportamentos aumentam os fatores de risco para doenças cardíacas, como a hipertensão, o colesterol elevado e o diabetes.1

Do ponto de vista psiquiátrico, o estresse, a ansiedade e a depressão estão relacionados a problemas cardíacos. Em um nível social e econômico, a pobreza, a urbanização, as mudanças culturais e o envelhecimento da população também contribuem para o aumento do estresse, tornando-o um dos principais determinantes das doenças cardiovasculares.1

Por isso, quem fala que o coração tem tudo a ver com as emoções não está tão errado assim. Muito pelo contrário: há uma relação direta entre as duas coisas e, para cuidar da saúde cardiovascular, devemos estar atentos ao nosso emocional.”

Quais são os efeitos físicos e psicológicos do estresse crônico? 

O estresse crônico tem efeitos profundos tanto no corpo quanto na mente, impactando significativamente a saúde cardiovascular e o bem-estar mental.6 

Um exemplo está no que você viu antes: as respostas fisiológicas ao estresse, como alterações na pressão arterial, no funcionamento do sistema imunológico e nas funções vasculares, são fundamentais no risco de doenças cardiovasculares.6

Mas, afinal, quais são os efeitos do estresse crônico, ou seja, aquele que dura por muito tempo?

De modo geral, as consequências são:6

  • aumento da pressão arterial;
  • alterações na função vascular, o que pode prejudicar o fluxo sanguíneo e aumentar a carga sobre o coração;
  • prejuízos para o  sistema imunológico, tornando o corpo mais suscetível a infecções e outras condições inflamatórias;
  • desregulação do sistema nervoso autônomo, o que pode resultar em irregularidades no ritmo cardíaco e aumentar o risco de arritmias, além de prejudicar a recuperação após eventos cardíacos.

Além disso, há também efeitos psicológicos associados ao estresse crônico. Eles incluem:6

  • ansiedade e depressão;
  • alteração no comportamento;
  • adoção de hábitos prejudiciais à saúde, como comer em excesso, fumar ou beber mais álcool, o que agrava o risco de doenças cardiovasculares;
  • desregulação emocional, o que aumenta a irritabilidade e dificulta o controle de situações estressantes.

Por isso, temos um ciclo. Sendo assim, é natural que as doenças cardiovasculares possam nos levar a desenvolver condições psicoemocionais e vice-versa.7 Fique de olho!

Quais são os fatores de risco cardiovasculares associados ao estresse?

Respire fundo e conheça o impacto do estresse na saúde do coração

Como você viu, o estresse crônico é reconhecido como um fator importante para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. E há alguns fatores importantes associados com isso. Vamos conhecê-los?

Aumento da pressão arterial 

O estresse crônico ativa o sistema nervoso simpático, que provoca constrição dos vasos sanguíneos, aumentando a resistência vascular periférica e, consequentemente, a pressão arterial. Isso ocorre tanto em resposta a eventos estressantes agudos quanto devido à ativação prolongada do sistema nervoso durante períodos de estresse crônico.8

Alterações no metabolismo

E não para por aí! Ele também é conhecido por induzir alterações no metabolismo, levando a uma maior predisposição para ganho de peso, especialmente no que diz respeito ao aumento da gordura abdominal.8

Resistência à insulina e diabetes

Pode até parecer estranho, mas o estresse também contribui para o desenvolvimento de resistência à insulina e piora o controle glicêmico em indivíduos com diabetes. Isso ocorre devido à liberação de hormônios como o cortisol e a adrenalina, que aumentam os níveis de glicose no sangue.8

Aumento da inflamação e disfunção imunológica

O estresse crônico pode desencadear uma resposta inflamatória no corpo. Isso prejudica a função imunológica, diminuindo a capacidade do corpo de combater infecções.8

Quais são as estratégias para gerenciamento do estresse? 

Mas é claro que não poderíamos contar tudo isso pra você e não trazer algumas boas dicas de gerenciamento do estresse, certo? Esse cuidado envolve uma série de abordagens que visam melhorar a saúde física e mental.

Continue para conhecer algumas dicas importantes! 

A primeira delas é o mindfulness, oriundo das práticas budistas, é uma técnica que envolve uma atenção focada no momento presente de maneira não julgadora. Essa prática tem mostrado resultados positivos no gerenciamento do estresse, pois ajuda os indivíduos a processar emoções, pensamentos e sensações à medida que surgem, evitando reações automáticas e excessivas a situações estressantes.9

Os estudos mostram que a prática de mindfulness não só melhora o bem-estar psicológico, mas também pode ter efeitos fisiológicos benéficos, como também a:

  • redução da ativação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA);
  • diminuição da inflamação;
  • melhora da regulação autonômica. 

Todos esses fatores foram mencionados e explicados acima, o que mostra que essa técnica pode ajudar a diminuir alguns dos fatores de risco associados ao risco cardiovascular.9

Além disso, a prática regular também está associada a uma maior capacidade de processar emoções de forma adaptativa.9

Além do mindfulness, o gerenciamento do estresse também pode ser auxiliado por técnicas como:9

  • a prática de atividade física regular, que melhora o bem-estar geral, reduzindo os níveis de estresse e promovendo uma melhor saúde mental;
  • uma dieta equilibrada, que contribui para o bom funcionamento do corpo e da mente, entre outros.

Agora que você já conhece a relação entre estresse e saúde do coração, não deixe de cuidar de si mesmo! Avalie as estratégias que funcionam para o seu controle mental e cuide bem do seu bem-estar cardiovascular, sempre com o acompanhamento médico necessário!

Quer saber mais sobre a saúde cardiológica e de outros sistemas do nosso corpo? Confira o blog A Vida Plena e veja as nossas publicações! É possível que você encontre boas dicas por lá! 

– Parágrafos não referenciados correspondem à opinião e/ou prática clínica do autor.

– As opiniões emitidas pelo(a) especialista são independentes e, necessariamente, não refletem a opinião da Libbs.

Referências:

1. Mina K, Gehendra M.  Heart Diseases, Anxiety Disorders, and Negative Thoughts. Heart and Mind 2022;6(1):22-25.

2. Whitworth JA, Williamson PM, Mangos G, Kelly JJ. Cardiovascular consequences of cortisol excess. Vascular health and risk management [Internet]. 2005;1(4):291–9. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1993964/. Acesso em: 10 jan. 2025.

3. van der Valk ES, Savas M, van Rossum EFC. Stress and Obesity: Are There More Susceptible Individuals? Current Obesity Reports [Internet]. 2018 Apr 16;7(2):193–203. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC5958156/. Acesso em: 10 jan. 2025.

4. Andrew J.M. Broadley, Ania Korszun, Abdelaal E, Moskvina V, Jones CW, Nash GB, et al. Inhibition of Cortisol Production With Metyrapone Prevents Mental Stress-Induced Endothelial Dysfunction and Baroreflex Impairment. 2005 Jul 1;46(2):344–50.

5. Ruiz P, Gabarre P, Chenevier-Gobeaux C, François H, Kerneis M, Cidlowski JA, et al. Case report: Changes in the levels of stress hormones during Takotsubo syndrome. Frontiers in Cardiovascular Medicine. 2022 Jul 22;9.

6. Vaccarino V, Bremner JD. Stress and cardiovascular disease: an update. Nat Rev Cardiol. 2024;21(9):603-616.

7. Borkowski P, Borkowska N. Understanding Mental Health Challenges in Cardiovascular Care. Cureus. 2024;16(2):e54402.

8. Osborne MT, Shin LM, Mehta NN, Pitman RK, Fayad ZA, Tawakol A.  Disentangling the Links Between Psychosocial Stress and Cardiovascular Disease.  Circulation: Cardiovascular Imaging. 2020;13(8):1-13.

9. Worthen M, Cash E. Stress Management. [Updated 2023 Aug 14]. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024.

Data: 25/11/24.